Ich Liebe Dich.

64 Cap. 64: Beleza na ordem.


--- Olá, meus queridos subordinados. –O homem gordo e pomposo a quem todos chamavam de Teddy aproximou-se do andar de baixo. O andar de seus camponeses famintos por carne humana.

Estava com um terno preto e brilhante. Seus sapatos eram pretos e sua blusa de dentro era dourada, muito brilhante. Seu sorriso maquiavélico tinha covinhas engraçadinhas, mas que em seu rosto me davam terror. Seus dentes eram branquíssimos e em seu pulso havia um relógio de ouro pelo tamanho brilho que a jóia expunha. Seus olhos eram pequenos e suas íris, verdes. Suas sobrancelhas eram grossas, mas pareciam-me feitas. Ele dava-me mais pavor do que qualquer outra pessoa com quem eu tenha me assustado na vida. Não era somente por ele ser o dono dali que todos o obedeciam. Ele passava um ar de rei. Impressionante.

--- Há há há...-Ele parou sua gargalhada no meio e olhou para um canto do salão.- Então... tu és Charllottie?! -Fiquei gelada.

Luzes azuis pousaram sob minha cabeça, conseqüentemente, pousando sobre a de Peter, que estava muito perto de mim.

Meu rosto se virou para as luzes, com uma ponta de surpresa e espanto evidentes em meu rosto. Aquele homem era estranho.

--- Sim. -Falei, baixo. Pedi a todos os anjos e a tudo que era sagrado para que aquelas malditas luzes saíssem de cima da minha maldita cabeça chamadora de atenção desnecessária.

--- Oh! Há há... não precisas ficar constrangida...és a nova predileta de Peter Uric. –Aqui, todos riram com aquelas trilhas sonoras de risos estrambóticos que há nas comédias americanas — Este cavalheiro é muita coisa. -Ele e todos no salão riram novamente.

Então, era uma piada interna, que ótimo, façam a garça desajeitada de idiota.

--- Você verá quem vai ficar desengonçado depois que nós formos embora, se não parar de me irritar. — Fitei-o, seriamente.

--- Sei que é clichê falar isso, mas você fica muito bonita, quando está brava. Parece que seus olhos ficam mais apertadinhos e seu coração palpita como em nenhum outro momento. -Peter olhou para mim, ternamente.

--- Tudo... bem. -Fiquei corada, certamente.

Teddy parou de falar suas coisas frívolas e efêmeras, de importância alguma para mim e para muitos da festa. Então ele estalou os dedos e começaram a tocar os violinos e batidinhas leves de tango.

--- Maldição. –Murmurei, irritada.

--- Dancem todos! -Ele anunciou.

Demoraram uns dez segundos até se ajeitarem com seus pares para dançar.

--- E agora, Peter? -Falei, o mais rápido que pude. –Eu não sei dançar.

--- Hum... tango não se aprende em alguns segundos. Fuja de mansinho até aquela porta. -Peter apontou para o lado esquerdo, onde havia uma porta meio grande.

--- O quê?! -Perguntei, espantada.

--- É uma sala onde algumas pessoas que não dançam estão. — Peter disse — Teddy não obrigaria seus maiores sócios velhos e sem esperanças a dançar se eles não quisessem. Além disso, ele pode parecer bem idiota, mas ele tem bom senso. Estamos no século vinte e um e ninguém manda em ninguém. Digamos que... ele só tem beleza na ordem. –

Peter sorriu, gentilmente e mandou-me continuar.

--- Está bem. -Sorri, em retribuição. -E não sou velha. Sem esperança... não podemos saber... -Andei até a porta rapidamente, para que não me vissem a fugir de uma dança tão bela.