Ich Liebe Dich.

60 Cap. 60: Atitudes da suspeita.


Peter e eu ficamos conversando, rindo e comendo muito depois daquele momento inusitado. Nós estávamos naquele quarto a muito tempo. Surpreenderia muito este fato a todos. Com certeza iam surgir piadinhas e chacotas.

--- Charllottie... -Peter estava tão intimidado que eu fiquei achando ele mais lindo ainda.

--- Peter... -Eu murmurei -Você é a pessoa mais doce que conheço. -Abraçei-o fortemente.

Aquilo tinha sido inesperado até mesmo para mim. Eu fiquei abraçando-o por alguns minutos, pois eu não sabia o que dizer depois. Nós dois estávamos intimidados, de repente.

--- Bem... eu não sei quantas pessoas você conhece, mas não me parecem muitas. -Ele sorriu.

--- Eu quero ficar com você, Peter. -Eu disse, engolido um ar seco. Era como: “Pronto, saiu”

Não sabia ainda o por que de sempre estar tão envergonhada sempre que ia dizer algo sobre meus sentimentos. Acho que eu tinha medo de me entregar sobre tudo sobre mim, por que eu não confiava em ninguém. Com Peter, eu parecia estar aprendendo a confiar. Mas eu realmente confiei em Peter desde o início, mas não plenamente. Comigo as coisas sempre levaram tempo para se concretizarem. Meus sentimentos eram complexos, às vezes, nem mesmo eu que era a dona deles, sabia como eles se comportavam. Eram avassaladores, instáveis e remotos.

Peter olhou para mim e seu olhos cintilaram.

--- Você pode. -Ele riu.

--- Posso sim. Sempre pôde. -Eu disse.

--- Finalmente... -Peter agradeceu.

--- Você gosta muito de poder. Isso mesmo. Orgulhe-se de me ter. -Peter foi presunçoso mais uma vez. Ele realmente era um pouco.

--- Há há. -Eu ri.

--- Quando vai ser o nosso primeiro beijo? -Ele perguntou.

--- Hum... -Eu sorri.

--- Do que está falando? Já demos muitos beijos. -Eu sorri ao lembrar deles e do fato de isso ser engraçado, contando que não estávamos juntos.

--- Primeiro beijo de verdade. -Peter disse.

--- Então... quando você quiser. -Eu disse.

Peter tocou meu rosto e olhou-me com vivacidade e ternura ao mesmo tempo. Como ele fazia aquilo? Não sabia. Mas me deixava desnorteada.

Eu me intimidei diante daqueles olhos azul-anil que me refletiam com todas as cores em si.

Baixei e olhar e sorri. Ele aproximou seu rosto do meu e nos beijamos.

Ele foi gentil e delicado. Sua mão gentil acariciou a minha maçã do rosto com um toque que me fez arrepiar e me deixou perdidamente relaxada, entregada. E eu fui avassalada pela sua emoção no beijo. Ele tinha todo um jeito meigo de afagar meus cabelos e minha nuca enquanto nos beijávamos. Minhas mãos acariciavam suas maças do rosto. Era um beijo gentil e lento da parte de ambos. Era bom, por que era demorado e sentíamos cada pedaço de paraíso que aquele beijo sincero nos proporcionava.

--- Peter, eu... preciso ir para o meu quarto, já está tarde e estou com sono... e fome. -Eu disse, afastando-me antes que nós passássemos a noite ali, naquele beijo intrigante. Para falar a verdade, não sei como consegui.

--- É só apertar o botão abaixo da prateleira que fica na frente da sua cama. Terá comida. -Ele disse.

--- Ótimo... -Eu disse.

Fui até o quarto sem preocupar-me, deitei na cama e várias imagens ficaram vindo na minha cabeça. De como o tempo havia passado. E eu havia mudado. Para melhor, com certeza. Peter havia feito isso. Era tudo aquilo por que ele me amava.

Pensei em como nunca poderia recompensá-lo por ser a pessoa mais generosa e atenciosa que já cuidou de mim, que já me amou. Acho até que era por este motivo que eu não conseguia me deixar levar pelos meus sentimentos por ele. Era por isso que eu não conseguia distinguir o que sentia por ele. Eu estava preocupada demais em como ele era tudo, sem mim, ou comigo ao seu lado.

Pensei em vários momentos em que eu tentava desistir de tudo. Na minha doença. No quanto ela estava distante de minha memória, mesmo sendo tão recente em tempo cronológico. Peter estava me fazendo esquecer tudo. Quando eu vinha para a organização, todo o meu lado negro se dissipava ao vê-lo. Por que ele sempre me confortava. Ele era o meu conforto. O meu braço direito e partes do meu cérebro e coração. Então, quando dei por mim, adormeci.

Sai da organização depois de acordar e me aprontar, para ver o tempo e a grama verde lá fora. Estava em busca de paz. Andei um pouco a frente e vi que Peter e Norma estavam de pé perto de uma árvore ao longe. Achei melhor ouvir o que eles falavam, discretamente, pois ela era uma de minhas suspeitas.

Aproximei-me da árvore pela floresta e não diretamente. Fiquei atrás de um arbusto pequeno, mas bem próximo, onde poderiam, com certeza, serem audíveis as suas vozes.

--- Charllottie ti no merece, Peter. Es una simple. - Norma quase gritou.

Ela falava em espanhol. Eu conseguia entender um pouco, pois havia visitado minha tia Morgan, que morava no México fazia uns anos. Já desconfiava que Norma não era européia. Sua pele não era excessivamente branca como a de Peter ou de Jolie. Ela era quase morena. Era parda, e era muito “caliente” para ser européia.

--- Não seja idiota, Norma. -Peter afastou-se dela, pois ela estava perto demais. Com certeza ela queria algo mais do que discutir com ele.

--- Nunca ha hecho nada. Nunca quiso ti. Y ahora, después de un largo tiempo, ella quiere utilizar usted! -Norma estava bastante irritada agora.

Nunca a havia visto daquela forma. Parece que Peter falava vários idiomas, ele conseguia entendê-la naquele momento e falava com ela em inglês. O que significava, que ela queria esconder de alguém o que estava falando. Ela não queria correr o risco de alguém entendê-la.

--- Charllottie fez algo por mim sim... você não sabe nada sobre ela. -Peter resmungou e virou-se ficando de costas para Norma.

--- No puedo estar mucho mejor, Peter. Yo siempre he amado ti. I interés! No es un capricho. Voy a amor ti, Peter! - Norma o abraçou por trás e ele ficou parado.

Sua expressão era séria. Ele tirou os braços dela gentilmente de seus braços e virou-se para ela novamente. Ela ficou olhando para ele com uma cara que me deu pena. Ela tinha uma cara de súplica. De repente, Norma puxou o rosto de Peter sem deixar tempo para que ele reagisse a ação inesperada. Ela deu um beijo sufocante nele. Ele se afastou e segurou nos ombros dela.

--- Porque você acha que eu não sou mais aquele cara triste e sem vida útil que você conhecia? Porque acha que eu mudei tanto? Qual a explicação que você dá para que eu esteja melhor como nunca estive? Você sabe como é que era o meu humor há alguns meses atrás! -Foi a primeira vez que vi Peter levantar a voz para alguém e irritar-se.

--- Cualquiera que sea, Peter, no es culpa suya. Esto es algo de su cabeza. Se trata de una mediocre! - Norma colocou as mãos na cabeça e começou a chorar. Ela tirou as mãos da cabeça depois de se desesperar e limpou suas lágrimas.-Estoy desistindo usted, entonces, Peter. Espero que es la persona más mundo cruel y sugue toda la vida sigue siendo usted! - Ela praguejou e saiu andando normalmente, como se nada tivesse acontecido ali.

--- Peter... -Sai do meu esconderijo e o fitei, assustada. Abaixei meu olhar para o chão. — O que você fez a ela? -Perguntei, constrangida.

--- Não fiz coisa alguma. — Ele disse, calmamente. –Porque você estava ai? –Ele me olhou, surpreso.

--- Ela estava muito irritada. Parecia que ia explodir. Nunca a vi naquele estado. -Eu disse, mudando de assunto.

--- Não se preocupe com ela. Ela é muito brava, mas nunca demonstra, por isso nos surpreendemos com esta explosão toda. -Peter disse, me puxando para o seu peito e me abraçando.

--- Ela disse algo sobre eu não te merecer, não é mesmo, Peter?! -Eu perguntei. Minha expressão estava meio melancólica. Era porque eu também achava aquilo em partes.

--- Primeiro, minha boneca de porcelana, não me diga que fala espanhol... e, segundo, não me diga que ligou para tudo aquilo que ela disse. Ou eu ficarei realmente chateado. -Peter sorriu para mim.

--- Liguei sim. Ela talvez tenha dito a verdade. Peter... se você -Fui interrompida.

--- Como você pode pensar assim, Charllottie? Você é tão importante para mim... Não pode não me merecer de maneira alguma. Se é importante para mim, fez algo para que eu a considerasse assim. Você torna cada parte de minha existência, incrivelmente suportável. A dor que eu sinto ao saber que estarei preso para sempre num lugar no qual odeio ficar e odeio a maioria das pessoas e atitudes praticadas no tal, não é nada, se comparada a alegria que eu sinto ao te ver aqui, perto de mim. -Peter deu-me um sermão.

Fiquei quietinha esperando que ele terminasse para que eu pudesse ao menos falar a única coisa na qual pensei enquanto ele despejava aquela avalanche de palavras.

--- Então... me prometa algo. -Eu disse, lentamente.

--- O que? -Ele perguntou, meio relutante. Como se avisasse que ele faria objeções caso fosse uma idiotice. -- Que quando perceber o quanto eu não te mereço, ou o quanto foi inútil ter lutado pelo meu amor, abandone-me. Eu prometo que entenderei.

--- Que absurdo! -Peter disse e sorriu com irônia. -Nunca vou perceber isso, pois nunca existirá isto. -Ele tocou meu rosto e ficou de olhos semi-cerrados, tombando a cabeça para trás num gesto de surpresa. -Nunca vou conseguir parar de amar você. É a única certeza que tenho em minha vida depois da morte. -Ele disse.- Aliás mais certeza disto do que do que eu, como humano, deveria ter mais certeza, a morte. -Ele beijou minha testa.

--- Não diga isso, Peter. -Eu peguei em seu queixo e o afastei, lentamente. -Meu maior medo agora, é magoar você. -Eu disse.

--- Então está comigo por isso? -Peter perguntou, perplexo.

--- Não! –Franzi as sobrancelhas e virei-me dando as costas para ele. -Eu só... tenho um sentimento forte por você agora... não sei bem definí-lo. Para mim... ainda não é um amor... puro. Mas com ele, magoando você, eu me magoaria também. -Eu disse.

Era a mais pura verdade, eu a dizia com dificuldade devido a minha timidez, mas era verdade. E porque não estar com o Peter? Ele era perfeito. Bom, eu ainda não o conhecia por completo, claro que ele teria defeitos, mas não o principal, o que eu mais odiava em um homem. Que era a displicência.

Quero dizer, eu estaria com ele por ele ser tão amável que ninguém poderia negar que estar com ele era maravilhoso. Mas era certo que eu ainda não nutria por ele um amor seguro e forte.

--- Não se preocupe com isso. Eu só não quero que se importe com o que Norma disse. Quero que saiba a verdade. Que o único motivo de eu estar feliz e bem, é que você está aqui. Então, você não poderia não me merecer. Fez algo por mim. Faz tudo por mim, sem perceber. -Ele sorriu.

Aquele sorriso quase inacessível a muitos momentos, ganhava o meu sorriso de presente. Com isso, percebi que ficávamos mesmo felizes um na presença do outro. Que somente o fato de outro estar bem e feliz, nos fazia felizes. Por isso eu admirava Peter e o respeitava. Mesmo tendo vivido todos estes anos, sem poder relacionar-se com outras pessoas do mundo exterior ao seu, mesmo sendo privado de vários momentos com sua família, mesmo sendo impedido de sorrir e se alegrar constantemente com quem amava verdadeiramente, por todo este tempo, ele agüentou. Ele não desistiu. Sempre achou que havia uma luz no fim do túnel. Mesmo arrastando as correntes pesadas em seus pés doentes, ele não se entregou. E ele havia me ensinado a fazer o mesmo.