Ich Liebe Dich.

57 Cap. 57: Eu realmente estou cansada de voltar.


--- Chegamos, pessoal. -Angel avisou. –Ela olhava para Bridget e para Joe, desconfiada. Mas ela me perguntou se Joe era quem era da organização. Respondi que sim.

Nós fomos para a Alemanha no jato particular de Angel. Ela era realmente muito rica. Da outra vez talvez ela não quisesse se expor muito. Mas... agora que nos conhecia melhor, ela o fez.

Joseph e Bridget estavam sentados um do lado do outro. Não sei por que, mas eu tinha a impressão de que eles se davam bem agora... talvez todos estes acontecimentos tenham aproximado eles. Dessa vez, Sam vinha acompanhada de Joe e de Bridget. Ela sentia muito por não pode trazer Gustav, mas ele não podia saber da existência da organização.

Joe ainda não tinha me contado como fez para Bridget poder entrar na organização. Mas um dia eu saberia...

--- Peter virá nos esperar aqui? -Perguntei, vendo que aquele lugar era esquisito.

O lugar era ermo. Parecia um deserto, mas sem aquela areia toda.

Presumi que era mesmo a troco de não se expor que Angel não havia viajado conosco com aquele jato. Afinal, o jato tinha a marca da organização por todo lado. Acho que Angel o havia projetado e ajudado a construir, mas com o material de lá. Pelo que notei, ela gostava muito dessas maravilhas mecânicas. Angel era meio... “mulher-macho”, mas era uma mulher-macho de uma forma que parecia torná-la mais sedutora ainda do que Norma. Pois lhe dava, além do charme, um ar de difícil.

--- Sim, Peter virá. Ele virá por sua causa. -Angel sorriu. Ela era mais gentil que os outros, porém também adorava tirar um sarro da cara de Peter por ele ser bonzinho demais.

Saímos do avião e não avistei Peter. O lugar só tinha uns prédios o quais eu avistei de longe. Acho que era para lá que iríamos. Nós todos andamos um pouco, Angel na frente, a nos guiar e nós, atrás dela, sendo guiados.

--- Quanto tempo irá demorar, Angel? -Sam perguntou. Sam ainda não sentia-se a vontade com Angel.

--- Não vai demorar. Calma. -Angel disse, serenamente.

--- Uff... -Sam bufou. -Lottie, você ainda não me contou tudo sobre estes dois. -Sam disse, emburrada. Eu ainda não tinha falado tudo para ela meticulosamente... nem deu tempo... fiquei atônita.

--- Peter está ali, Charllottie. -Angel disse, apontando. Ele estava um pouco longe, mas já dava para vê-lo.

Andamos mais uns dois minutos e fiquei frente a frente com Peter, novamente.

--- Olá! Peter! -Abracei-o.

--- Charllottie... -Ele murmurou meio assustado.

--- Peter, temos que fingir que estamos bem, depois eu te digo o porquê. -Sussurrei no seu ouvido enquanto o abraçava.

--- Estamos bem. -Ele sussurrou enquanto eu ainda estava o abraçando.

--- Tudo bem, vamos logo para a organização. -Sorri para ele, falsamente de meu interior, mas por fora, deveria ser o sorriso mais sincero do mundo. Não que eu fosse sempre falsa ao sorrir para ele, mas eu realmente, não era daquele jeito. Eu ficaria feliz em vê-lo, mas não com aquele escândalo. Mas... para quem eu queria fingir, não me conhecia, então, daria certo.

--- Está chovendo lá fora, não saiam logo, vou chamar um carro para nos buscar. -Peter disse, ao pegar o telefone e sair.

Não entendi por que ele ia sair se estava chovendo. Acho que o seu telefone era muito bom. Não estragava nem estando em contato com a água. Nós estávamos numa casa, muito aconchegante em que chegamos depois de andarmos mais um pouco.

--- Lottie, Bridget e Joe não falaram uma palavra desde que chegaram aqui. -Sam disse.

--- Bridget? Ela é muda. -Eu disse.

--- Sim, eu sei... mas quanto ao Joe? -Sam concordou e Bridget a olhou com desprezo.

Na sua cara parecia estar escrito: “Você por acaso percebeu que estou aqui?”.

--- Joe... não fala com estranhos. -Observei.

--- É... pode ser.

--- Você só quer arrumar uma desculpa para tagarelar, não é Sam? -Eu indaguei.

--- Sim. Aqui é muito chato. -Sam acrescentou.

--- É claro... Gustav não está aqui. -Eu disse, rindo.

--- Hum... -Ela fechou a cara.

--- Vou atrás do Peter, ele está demorando.

--- É claro... você vai atrás dele por que ele está demorando. -Sam vingou-se.

--- Cale a boca. -Eu disse.

Olhei para a janela e vi que a chuva aumentava. Minha roupa não estava muito aquecedora. Mas eu queria falar com ele a sós, antes que ele estragasse tudo.

Andei até a porta e sai na chuva. Não estava tão forte. Então fui.

Meus cabelos começaram a molhar-se cautelosamente pela chuva pouca. Olhei para o céu e vi que estava prestes a vir uma chuva pior ainda. Minha blusa não tinha mangas era branca e tinha uns botões. A blusa de dentro estava quase toda encharcada, até que eu chegasse até onde Peter estava, ainda tinha uns três metros. Eu já o avistava. Ele estava a rir da minha cara, por eu estar molhada. Fechei a de botões com a impressão falsa de que aquilo ela me deixaria mais agasalhada.

--- Peter! O que veio fazer aqui? Não veio ligar para nenhum lugar. -Eu disse, brava.

--- Acertou. Eu só vim fazer a mesma coisa que você veio fazer. -Peter disse -O que você quer falar? -Ele havia percebido que eu queria conversar com ele a sós.

--- Olha, quando chegarmos na organização, quero que finja o máximo que puder que estamos felizes da vida. Não quero que eles pensem que eu vim de repente... eles podem desconfiar de tudo o que está acontecendo... presumo que... -Eu semicerrei os olhos -Sam tenha te dito tudo. Acertei?

--- Em partes. –Ele me olhou dos pés a cabeça. -Se... você voltou, e não estamos bem, então voltou porque?
--- Por que vou morrer com você aqui, mas não te deixo morrer sozinho depois de tudo que você fez por mim. Não vou deixar a sua vida ser mais melancólica do que já é. E... você corre perigo. -Falei, olhando para os lados, verificando se ninguém nos via ou ouvia.

--- Ah... -Peter tirou o olhar de mim e fitou o chão distraído. -Corro perigo por que sou uma pessoa importante para você? -Peter sorriu, ganhando um falso ar presunçoso.

Olhei para ele com perplexidade.

--- Você é um garoto mau, Peter. -Retruquei, mudando de assunto.

--- Creio que... você está morrendo de frio, Charllottie. -Peter disse, ao me ver bater os dentes.

--- Não... -Trinquei os dentes. -Bem, só... um pouco. -Menti.

--- A minha roupa é mais quente. -Peter disse.

--- Não... não quero sua roupa. -Eu disse, normalmente.

Ele se aproximou de mim, bruscamente. Seu rosto ficou muito próximo do meu e eu fiquei parada sem reação. Sua mão desceu por minha cintura e eu fiquei gélida.

--- O que está... Fazendo? -Perguntei num sussurro, eu estava sucumbindo ao calor do momento! Aquilo não era nada Charllottie...

De repente, ele se afastou.

--- Se não vestir minha roupa, você não terá mais isso. -Peter levantou a mão e a minha caneta brilhou em sua mão.

--- Maldito. -Murmurei.

Podia parecer besteira... ou infantilidade, mas eu não queria perder aquela caneta. Não era uma caneta comum. Tinha valor sentimental, útil e com certeza, um valor financeiro que poderia me render muito... além disto, eu estava com um baita frio.

--- Tome. -Ele tirou seu casaco e ficou só com uma blusa branca que agora era transparente em seu peito esculpido meticulosamente.

E seus cabelos loiros também estavam meio molhados pela chuva pouca. E seu rosto estava tão sério e fincado numa expressão, que eu fiquei maravilhada olhando aquela escultura de anjo.

--- Tudo bem. -Peguei o casaco e vesti. Sorri.

--- Você amolece na hora certa. -Peter disse.

--- Não... só estou pensando que estou com frio mesmo. -Eu rebati.

Quando eu ia andando na frente, despreocupadamente, ele puxou minha mão e me envolveu sutilmente, em seus braços compridos.

--- Eu te amo, tanto Charllottie, que... -Peter me apertou e fiquei inerte. -Suportaria qualquer dor agora só para que você ficasse aqui comigo.

--- Eu... -calei-me sem saber o que dizer.

O que eu senti foi um mistério até para mim. Meu coração parecia querer rasgar meu peito de tanta ansiedade. Meus olhos só queriam fechar-se para sentir aquela sensação como se estivesse sonhando. Minha boca queria se abrir para um sorriso de uma felicidade jamais exibida por nenhuma pessoa. Minhas mãos queriam acariciar o rosto de Peter e eu queria ficar ali, para sempre, como ele desejava. E esse era agora, um desejo recíproco.