Ich Liebe Dich.
45 Cap. 45: Conte-me tudo.
--- Peter... hum...
Quando finalmente a médica me liberou daquele lugar, eu estava bem disposta, apesar de estar com uma cicatriz um pouco profunda e feia que dava para ver um pouco a minha carne e que não se sabia se iria sumir.
Eu estava faminta, então pedi para Peter para irmos na cozinha da organização primeiro antes de ele começar a falar. Não tinha quase nada que eu gostasse, então ele fez macarrão com queijo para nós. Ele comeu. Diferente de mim, ele não odiava macarrão com queijo como odiava a comida preferida dele.
--- Primeiro de tudo, Peter — Eu estava comendo e engoli para poder falar. -Porque você fica no corredor V sempre? Angel me falou isso. Porque o nome deste corredor? Porque tem vários corredores? Porque dão nomes a eles? E... -Fui interrompida.
--- Calminha, Charllottie, uma pergunta de cada vez. –Peter fez um sinal de pare.
--- Bom, responda desde a primeira, depois farei mais perguntas. –Continuei a comer meu macarrão.
--- Bom, temos muitos corredores. Com muitas salas. Os números não importam... Mas as letras são iniciais...
--- E...? –Olhei para ele o mandando continuar.
--- E — ele tomou ar e fechou os olhos para continuar. — o “v” no corredor em que me achou quando chegou aqui, significa ”veteranos”. E veteranos aqui, geralmente, significa ser da ala A. Que é preenchida pelos mais... digamos...inteligentes. E tem o outro corredor v em que você estava naquela noite que significa “visitantes” nós sabemos qual dos corredores é o v de “veteranos” e o v de “visitantes”, pois o corredor de visitantes é o primeiro e o de veteranos é um dos últimos. Cada corredor tem no mínimo trezentas salas. No máximo, trezentas e cinqüenta. Temos mais de quarenta corredores. É... aqui é gigantesco. Sem falar que não há só corredores. Há esta cozinha. Na qual estamos agora. E há o hospital e várias outras coisas. É como um mundo. –Peter acabou de falar e me olhou. -Satisfeita?
--- Não. Esqueceu de : “Porque tem vários corredores?”. -Continuei a comer.
--- Por que cada um deles tem uma função. –Peter revirou os olhos e tirou me de sua vista. Estava pensativo.
--- Hum... e que função tem os outros? –Perguntei.
--- Ah, Charllottie, são mais de quarenta corredores... -Interrompi-o.
--- Então me responda. Não importa... –Continuei a comer.
--- Bom, o número um é o corredor de visitantes, você já sabe. O número dois é o “c” que abriga os cães em salas especiais de tratamento. O número três é o “g” que abriga os gatos do mesmo jeito que os cães. E assim, por diante até o corredor vinte, temos animais sendo criados. Ratos para pesquisas em laboratórios. Gatos para capturar os ratos, sem comê-los e também para ficar com os cães a noite. Aliás, era para atraí-los quando eles ficam muito bravos e nem nós podemos censurá-los. Acho que os gatos haviam sido recolhidos cedo na noite em que o cão te mordeu. Afinal, quando fica muito tarde e todos vão dormir, não queremos que os cães matem os gatos enquanto dormimos. Eles servem como a caneta serviu naquela noite. Mas os gatos correm mais. –Ele falou isso seriamente. –E o corredor... -Interrompi-o.
--- Ah, está bem, descobrirei depois mais corredores e te perguntarei depois. -Falei.
--- Ah não. Só tem direito a esta tarde de perguntas. -Peter balançou o dedo indicador perto de mim.
--- Nada disso, Peter. -Falei com autoridade.
--- Não arrancará mais nada de mim, após este tempo que lhe dei. – Peter riu.
--- Ah, então tudo bem. -Sorri.
--- Não cairei em chantagem emocional novamente -Peter disse semi-cerrando os olhos.
--- Vamos ver. -Eu disse.
--- Bom, mais perguntas? O tempo passa. -Peter disse.
--- Quem está fazendo as perguntas aqui? -Perguntei.
--- Você. -Peter respondeu.
--- E quem responde? -Perguntei.
--- Eu. -Peter retrucou.
--- Então me deixe fazê-las. -Levantei da cadeira ainda com a roupa de hospital. -Vamos falar no gramado. -Chamei-o com meu dedo indicador.
--- Como quiser. -Peter falou — Está pensando o mesmo que eu? -Peter indagou.
--- Sim. Acho que sim. -Respondi.
--- As pessoas inconvenientes podem chegar...
--- Fora você? -Peter indagou novamente.
--- É. -Revirei os olhos, sarcasticamente falando. — Mas lembre-se, eu faço as perguntas. -Falei.
Sentamos embaixo da árvore frondosa que já tinha até um nome. Peter quis dar um nome a ela.
Se chamava Penélope. Para o nome ficar menor, eu a chamava de Penny. Peter era tão mais doce do que se podia imaginar... aliás, não se podia imaginar que ele fosse daquele jeito. Acho que, como eu, ele tinha medo de entregar seus sentimentos para quem mal conhecia. Até mesmo para mim que ele diz fielmente amar sobre tudo.
--- Então, Peter... –Não vou te perguntar nada por enquanto. Esqueci! -Gesticulei com as mãos e dei de ombros puxando um canto da boca como se disesse: “Que pena!”- Mas... sabe, vou te contar o que vi naquela noite...
--- O que você viu? -Ele parecia estar nervoso.
--- Bem... eu acordei depois de um pesadelo muito sugestivo, onde um zumbi assassino arrancava o meu braço. Mas era o direito e não o esquerdo... Por fim, acordei aturdida e bati minha cabeça na prateleira. Depois levantei e abri a porta e sai cambaleando com a mão no rosto. Quando consegui abrir meus olhos, vi que tinha uma sala em que uma luz fraca estava acesa. Olhei pelas pequenas fendas que havia entre as vigas daquela sala que tinha me chamado atenção pelos dois motivos. Por ser a única sala com iluminação naquela hora e por ser uma sala em que não havia porta. Então, sentei perto das vigas e tentei me esconder e ser silenciosa para que ninguém notasse a minha presença. Norma, Jolie e Christopher estavam lá torturando -Peter franziu as sobrancelhas. -E... –Continuei meio reprimida. -ele estava em uma cadeira cheia de fios elétricos e Norma estava dizendo para ele dizer logo tudo o que ele tinha a dizer sobre um assassinado e que eles estavam com o grupo todo dele e não precisavam dele. E a morte dele só iria diverti-los, pois, por mais que torturassem até o último deles, eles nunca iriam matá-lo até que este último dissesse tudo. -Tomei fôlego — Ah, sobre esta última parte eu menti... Jolie é quem a falou. -Olhei para ele esperando uma reação.
--- E então... o cão veio e te atacou? -Peter cruzou os braços.
--- Sim, Peter. -Respondi.
--- Bom... é verdade que todos aqui torturam todos... -Peter estava com raiva -E eu odeio isto. Eu sempre quis fazer em último caso, mas como eles sempre insistiam em torturá-los, eram unânimes. -Peter de repente entristeceu.
--- O que houve com você? –Perguntei -Está... perturbado.
--- Hum... -Peter ainda estava com expressão de raiva.
--- Peter, não me esconda nada. -Eu disse.
--- Não estou. -Peter afirmou.
--- Então me diga, que preço pagou por deixarem que me conte sobre a organização? -Indaguei.
Ele continuou olhando para frente, mas sua expressão foi de distraído e pensativo, à tenso.
--- O quê? –Ele me olhou, como se dissesse: “Diga que não me perguntou isso”
--- Ainda estamos no horário. -Olhei para o relógio no braço de Peter.
Minha frieza continuava presente, principalmente, quando eu queria algo.
--- Não há nada a dizer. -Peter ficou bravo.
--- Se não me contar, eu vou embora. -Eu disse.
--- Que droga... –Ele murmurou.
--- Quando falei que tinha visto algo, você se agitou. E quando falou sobre as torturas, você ficou com um desprezo imenso em seu rosto. E parecia angustiado. Você tinha algo que não queria que eu soubesse e agora eu presumi.
--- Se você já sabe, porque pergunta? -Peter estava com um olhar triste.
--- Quero que me diga com suas palavras o porque. Só posso deduzir. Não posso adivinhar. Então, só sei pelo meio. -Olhei para ele ternamente -Não importa o que seja, eu ficarei ao seu lado. Já fez coisas demais por mim para que eu te deixe agora.
--- Está bem, Charllottie. -Peter suspirou.
Fiquei impressionada com aquilo. Ele era irredutível. E cedeu tão rápido... Mas o rosto dele era de dar pena. Algo de angústia estava ali. Raiva também, mas mais angústia.
De repente, ele me abraçou.
Fiquei inerte. A dor dele era passada para mim. Ele parecia dar um último abraço. Parecia que eu ia morrer. Peter era tão profundo, que com somente um abraço dele, sentíamos o que ele queria passar. E ele parecia estar num abismo naquele momento.
Uma vala escura, funda e sem saída.
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