Ich Liebe Dich.
37 Cap. 37: Aniversário? Presente? Esqueci completa..
Notas iniciais
Quando fui dormir naquela noite, pensei em tudo o que havia acontecido. Como sempre. Eu, sinceramente, queria que meu cérebro parasse de ficar remoendo tudo que acontecia no dia-dia todos os dias.
Amanhã o visitaria. O Peter. A nova razão de eu respirar. Não que ele fosse, necessariamente o ar que eu respirava, mas ele era o único assunto em minha cabeça preocupada depois do surto que teve.
Mas... Como é mesmo que as coisas tinham ficado entre nós? Eu me perguntava...
Bem, era Peter quem tinha querido daquela forma. Eu não sofreria tanto com aquilo quanto ele estava se arriscando a sofrer. E ele... Bom, pelo menos não ia ter que ficar longe de mim. É, por mais que ele falasse aquilo tudo sobre meu coração ser mutável e etc, eu duvidava muito que fosse me apaixonar por ele.
Não sei como, mas eu o via tanto como um amigo, que era meio impossível para mim. Um... irmão de alma gêmea, era isso. Talvez nunca fossemos mais que isso. Mas se um anjo como ele, (com toda a significação que essa palavra possa ter) que me salvou de todas as maneiras, achava que pode me fazer amá-lo, quem era eu para discordar, quando foi sempre ele quem me deu as palavras sábias.
Mas eu me sentia tão bem quando ele estava bem que... parecia até loucura dizer que eu não podia me apaixonar por ele. Além disso, ele era quase o cúmulo do encantador e amável.
Sempre achei que eu não era facilmente seduzível. Não, em minha concepção, era outra coisa. É o meu coração, cujo maldito espaço que Peter deseja, já está preenchido.
Na manhã seguinte eu lembrei que meu aniversário já tinha passado e que eu não o comemorei. Na verdade, não sabia por que me surpreendera com aquilo, pois eu nunca comemorava. Sempre preferi assim.
Meu aniversário era meio que... doloroso. Eu sempre tentava ficar gentil e risonha para que não fosse doloroso também para os que não queriam me ver triste. Mas... Daquela vez era diferente. Muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo. Coisas ruins, coisas não tão ruins, algumas coisas quase boas. Tanto, que nem deu tempo de arquitetar o fingimento.
Talvez eu devesse esquecer ou pelo menos tentar amenizar a dor. É, para o meu bem, eu precisava fazer isso.
Desci as escadas na manhã seguinte, radiante. Acho que Sam nunca tinha me visto assim. ( na verdade, o meu “radiante” era levemente empolgada.)
--- Nossa, essa cara quase feliz é só por ir visitar o Peter pan, Wendy? –Sam perguntou, lendo uns quadrinhos.
--- Ah, Sam, você deveria prestar atenção na porcaria do mel que está derrubando exageradamente nas suas panquecas, e não na minha “Cara quase feliz” –Foi como eu disse. O “radiante”, era quase feliz.
--- Lottie, estou vendo que você está mais normal. Você era tão obscura. –Sam disse, rindo.
--- Há há, muito engraçado, você vai ver o que é obscura se não acabar logo de comer estas panquecas e levantar este seu traseiro daí. –Eu disse, seriamente.
Sam rapidamente enfiou as panquecas na boca e sorriu.
--- Temos que ir logo visitar Peter. Tenho pouco tempo. –Sam disse. –Preciso ver Gustav.
--- Ah... –Eu murmurei.
--- Gustav veio p/ cá. Sim, ele não é atencioso? Só por mim. –Sam disse, se vangloriando.
Apenas fiquei a pensar por alguns segundos.
Ela acabou logo e nós duas saímos do prédio em que estávamos. Juntamente com Angel e seu motorista. Angel estava sendo muito legal de nos deixar lá nos seu prédio luxuoso e de sempre nos levar para a organização. Acho até que estava me acostumando mais com ela.
Sam ficou perambulando pela organização enquanto eu ia visitar o Peter.
Quando chegamos, fui direto para o corredor V, sala trezentos e nove. Era meu destino programado, agora.
--- Peter! -Acenei.
--- Ah, oi, Charllottie. –Peter estava sentado na cama com as mesmas roupas de sempre. Frouxas e com um aparência desgastada.
--- Você... está bem? –Eu perguntei ao ver que ele estava meio lento.
--- Sim. Ainda estou meio aturdido. –Ele sorriu novamente. Achei lindo.
Aquele foi um sorriso lindo. Daquelas pessoas que nunca sorriem. E que quando sorriem, você fica tão impressionado, que acha belíssimo.
--- E... então, o que vamos fazer? –Eu perguntei, meio constrangida.
--- Nada. Você não vê que estou quase morto? –Peter falou, seriamente.
--- O quê? –Eu perguntei, perplexa com aquela fala inesperada dele.
--- Calma, estou apenas brincando. Acho que você deve me achar um chato. Vamos ficar sentados no campo verde que há atrás desta janela-Peter apontou para a janela de onde dava para ver as plantas e o gramado espaçoso.
--- Eu acho ótimo.-Eu adorei a ideia.
Levantei da poltrona em que estava sentada e peguei a mão de Peter para descermos para o gramado. Não sabia o que ele queria. Talvez ele quisesse só conversar. Mas eu queria ficar ali por um bom tempo. Peter era agradável, simples e sutil.
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