Ich Liebe Dich.
32 Cap. 32: Finalmente, Peter.
Dormi inquieta depois daquele dia fatídico de procura por coisas impossíveis. Olhei a janela do quarto onde eu e Sam estávamos, como se ela fosse a do meu quarto, antes de dormirmos. Fitei o verde escondido pela escuridão da noite, deslumbrada em pensamentos intrínsecos e confortantes.
Tudo havia mesmo mudado. Eu não estava mais doente. Peter iria voltar. A única coisa que me deixava triste agora era Joseph. Apesar de estar feliz por querer e poder encontrar Peter, eu não parava de pensar em como ficaria sem Joseph. Tudo era meio confuso. Não conseguia imaginar como seria minha vida sem ele. Porque eu havia me acostumado a presença dele nos meus dias tristes. Desde que meu pai tinha falecido, minha vida não tinha sido mais feliz. E então eu o encontrei. E ai, a felicidade por uns tempos voltara a mim. Mas agora, ele estava querendo se afastar de mim e eu não podia mais imaginar como eu fugiria dos pensamentos ruins. A não ser... Com Peter. Que me confortava da mesma maneira, mas como um amigo, apenas. Eu queria chorar, naquele momento em que me lembrava daquelas coisas sujas, mas, como sempre, não me permitia.
Fiquei tentando dormir, mas este turbilhão de pensamentos me abalava positiva e negativamente. Não sabia como lidar com aquilo. Ou tudo estava perdido, ou tudo estava esplêndido, por isso, naquele momento, tudo estava confuso. Tinha um pouco de tudo. Ódio, alegria (por ver Peter outra vez), rancor, impaciência e tristeza se misturavam em meu coração. Então, resolvi tomar um remédio que só me fizesse acordar no dia seguinte para afogar tudo em sono.
No dia seguinte, minha cabeça doía, mas eu estava tão entusiasmada que aquilo não me abalava. Peter era o prato principal. Levantei meio tonta da noite mal dormida e tomei um café que eu mesma preparei. Sam havia saído para algum lugar que eu desconhecia. Angel havia me prometido que ia me levar naquele dia à OSSPA. Como Peter tinha tido permissão para me dizer tudo aquilo, ela presumiu que já me conhecessem lá. E mesmo que não me conhecessem, ela disse que também estava voltando oficialmente para lá, neste dia, então ela teria permissão como agente para me levar.
Eu peguei a caixinha e tornei a ficar olhando impressionada para o colar prateado. Depois de ter colocado uma jaqueta preta e uma blusa cinza, coloquei uma calça preta e o meu all star velho e surrado vermelho. Peguei uma bolsa que sempre usava que era escolar. Eu parecia um personagem. Sempre parecia.
Fui até o quarto de Angel e bati na porta. Ela demorou para abrir.
--- Ah, olá, Lottie!-Angel parecia ocupada.
--- Oi, é que... você disse que ia me levar até — Fui interrompida.
--- Sim, estamos prontas? –Ela perguntou, sorrindo. -Vamos. -Ela disse, ao me ver acenar com a cabeça.
No caminho, não conversamos muito.
Quando chegamos, eu fiquei impressionada com a altura dos grandes prédios fechados que cercavam a verdadeira OSSPA. Eram altíssimos e com um ar inatingível. Eram bem fechados e só haviam umas catracas de reconhecimento digital nas quais Angel colocou suas mãos e as portas abriram-se com facilidade. Parecia uma fortaleza. Entrando lá, olhava para todos os cantos sem saber o que mais me chamava atenção. Várias salas fechadas e poucas pessoas do lado de fora. A maioria nas portas de vigia. Talvez não estivesse na “hora do recreio”.
--- Quando Vamos chegar onde Peter está? -Eu estava impaciente.
--- Calma, vou saber se ele está aqui. -Angel disse, sorrindo como se dissesse :”Nossa, como você está ansiosa”
--- Peter Uric. Isso mesmo. -Ela repetiu para uma mulher que estava do outro lado de um vidro.
--- Ele está aqui sim, senhorita Angel Listz. -A mulher respondeu seriamente. — Corredor V quarto 309.
--- Obrigado, servidora 144558. -Angel disse.
Fiquei achando aquilo tudo muito estranho. Num papel de identificação da mulher tinha o tal número que Angel falou... Parece que naquele lugar, pessoas = robôs.
--- Siga direto neste corredor, -Angel disse enquanto eu olhava para cima vendo um v grande numa tela no alto da parede branca. -E pare no quarto 309. Esse Peter... pegou uns dos melhores quartos. –Angel disse.
--- Tudo bem, mas depois venha aqui, não sei sair daqui sozinha. –Eu disse.
Andei pelo corredor que era frio. As luzes o deixavam sombrio e com aparência inóspita. Era como um daqueles corredores, que aparecem nos filmes de terror e que você pensa que alguém está te seguindo. Estava realmente frio lá dentro.
Toquei a campainha do quarto que tinha uma porta grande e larga. A porta se abriu lentamente e eu vi Peter sentado no chão, com um rosto inexpressivo. Ele olhava a televisão. O quarto era muito grande. Era tudo branco e tinha uma janela ridiculamente enorme da qual dava para ver as plantas lá fora.
--- Peter! -Eu quase gritei, feliz.
--- Ah... Charllottie?! –Peter continuou comendo umas batatas fritas que estavam sob suas pernas esparramadas no chão. E continuou olhando a televisão. Mas quando seu rosto se virou para mim, percebi surpresa e inquietação em seu olhar.
--- Peter! Eu... senti tanto a sua falta! –Eu disse, quase chorando. -Levante-se, e me dê um abraço, porque eu estou mandando. –Sorri, amistosamente.
--- Porque veio aqui? -Peter perguntou agora olhando para mim. –Como você encontrou este lugar? — Ele estava triste. Quando o percebi, fiquei em choque. Mas mesmo assim continuei.
--- Como assim? –Perguntei, ultrajada.
--- Charllottie, volte para casa. Aqui não é um lugar bom para você estar. Vá embora. -Peter levantou-se e se dirigiu a mim secamente.
--- Porque está assim? -Eu perguntei. –Peter, eu não vou... –Fui interrompida.
---Assim? -Ele me olhou friamente.
--- É... -Fitei o chão. -Está com raiva de mim? -Perguntei.
--- Charllottie... como eu queria... -Ele se aproximou de mim e tocou de leve meu rosto. Fez uma cara tão pesarosa e sôfrega. -Apenas vá para casa, sim? -Ela disse, virando o rosto e baixando a cabeça.
--- Porque? Porque foi embora? Porque não ficou lá? Até que eu acordasse? Porque não esperou para que eu pudesse agradecer? E principalmente, porque está me tratando assim? — Eu estava engolindo as palavras, falando mais rápido que nunca. -Peguei seu braço para virá-lo.
Quando ele se virou, estava com aquele mesmo rosto seco e inexpressivo que havia feito quando eu estava morrendo em seus braços. Soltei seu braço e o fitei com pesar. Então, ele se jogou para mim e me abraçou forte. Eu fiquei envolvida em seus braços perplexa, sem entender nada.
Fale com o autor