Ich Liebe Dich.

23 Cap. 23: Tediosa argumentação.


Eu não aguentava mais ficar naquela cama tendo que botar minha cabeça para pensar.

Não que eu não gostasse de pensar... Mas eu já estava cansando de fazer a mesma coisa todos os dias. Até mesmo eu queria fazer esportes radicais agora.

Se Sam me ouvisse falar isso, ela iria me cobrar para o resto da vida... Então, estávamos em meus pensamentos... Eu havia parado na parte onde seria uma pessoa que estaria os repelindo de mim. Naquele momento, naqueles meses passados.

Quem seria tão cruel? Se este alguém sabia que eu estava doente, sabia que eu amava Joe e sabia que minha irmã era importante para mim, ele seria muito cruel. Mas eu não poderia saber se o meu opressor estava sabendo de tudo isso. Bem, ele certamente me conhecia. Então, poderia me conhecer muito ou pouco. Se me conhecesse muito, saberia de tudo isto, e seria muito cruel.

Se me conhecesse pouco, saberia de parte disto, ou de nada disso e seria menos cruel.

Mas, se fosse uma pessoa que não me conhecesse bem, ele estaria fazendo isso a mando de outro alguém. Porque não teria seus motivos para me fazer amargar. E eu ainda não cheguei no nível de prepotência tão alto de achar que sou tão importante assim, para que toda uma “organização” de pessoas se preocupem em me ferir sentimentalmente assim.

Mas deste jeito, não chegarei a nada. Precisava mesmo levantar-me logo daquela cama... Precisava ir direto a Joe. Eu tinha certeza de que indo até ele, ele me diria algo. Afinal, eu poderia deduzir que ele não estava exatamente ás escuras. É claro que ele estava mentindo. É claro que, se ele estava mentindo, sabia de algo que não podia me contar. E quem não o deixava contar, era quem eu queria. Era o meu alvo. Era a chave de tudo. Mas provavelmente, Joe não poderia me dizer. Talvez ele pudesse me dizer alguma parte, mas não tudo. Ele devia estar correndo perigo.

Só havia uma coisa boa nisso tudo. Eu poderia pensar em perdoar Bridget e Joe. Porque eles dois não seriam mais culpados. Eu estaria livre de toda essa mágoa que parecia uma bile queimante se alastrando por todo o meu organismo e corrompendo cada pedaço até que o mal estar não tivesse fim.

Tudo isso, por enquanto, me levava apenas a Peter. Porque o resto eu não poderia confrontar tão cedo. Quem sabe, enquanto Joe não podia me contar ainda, Peter poderia me dar uma luz. Ele era tão inteligente...

Ah, um mês e meio sem Peter. Ele não deu um sinal. Não me mandou carta. Não me procurou. Talvez ele sim, tivesse razões para se afastar de mim. Eu o julguei quando ele mais me ajudou. Ajudou-me quando eu menos merecia. É assim que você reconhece quem é realmente bom. Quando você menos merece, ele te ajuda. Mesmo que ninguém tente entender o que você fez. Seus motivos, seu passado, seu sofrimento, ele está ali, porque não importa para ele o que você fez. Importa para ele o que você pode fazer. O que você pode fazer para mudar seu futuro e concertar seus erros. Este era Peter. Gentil, inteligente e amável.

De volta aos meus pensamentos... Se esse alguém que os repeliu de mim me conhecesse bem, e soubesse o tanto que eu era apegada a eles, essa pessoa seria muito cruel. Se não me conhecesse bem, seria menos. Como supra dito. Mas se não me conhecesse bem, não os teria repelido por querer eles longe de mim. Teria os repelido por outro motivo. E eles poderiam até nem saber que estavam sendo repelidos. Podia ser inconscientemente. Mas não imaginava um motivo para que alguém os repelisse de mim, se não me conhecesse. Seria mirabolante, como eu já havia pensado. Eu seguiria pensando na lógica. Então eu concluía que este alguém só poderia ser a segunda opção.

Ele me conhecia e era cruel. Odiava-me, digamos. Se este alguém fazia isso para me atingir, ele tinha que fazer algo com Joe e com Bridget para que eles aceitassem isso. Ou seja, eles dois sabiam que estavam sendo manipulados. Era consciente a manipulação por trás daquilo. Mas eu precisava sair daquele hospital o mais rápido que pudesse se quisesse descobrir mais detalhes. Eu faria Joe a Bridget me contarem quem era o maldito que me odiava tanto. Odiar a minha irmã por aquilo, era a coisa que mais me causava mal estar no mundo, mas um desconhecido, sim eu poderia odiá-lo com todas as minhas vísceras.

Eu era uma pessoa tão honesta, justa e perseverante. E olhe o que quase me tornei por causa dela. Eu tinha feito todos sofrerem por minha causa. Eu tinha feito Peter se esforçar para não me fazer desistir. Eu havia me tornado totalmente dependente por causa dela. Eu não iria perdoá-la. Nunca. A não ser que algo muito surpreendente acontecesse. Mas, por enquanto, eu queria ver ela, se é que eu estava certa e que ela existia de fato, sofrendo tudo o que eu sofri. Tudo. Sem exceção de nada. E queria vê-la assim sem um Peter, para ajudá-la. Sem uma Samanta para animá-la. Sem uma mãe, para acalentá-la. Queria, que em meu sofrimento, se acrescentasse mais gotas efervescentes de ácido ao dela.