Ich Liebe Dich.

21 Cap. 21: Transplante


Eu estava muito aflita com tudo o que estava me acontecendo. Peter tinha ido embora. De novo. E eu não fiz nada para impedí-lo.

Por outro lado, Joe estava perto de mim outra vez, de novo. Será que existia uma lei natural que afirmava que Joe e Peter não poderiam estar no mesmo ambiente? Eles nem se conheciam direito... Sempre que um estava, o outro não estava. Talvez eles não fossem da mesma natureza. Talvez não, com certeza, não eram.

Enfim, o dia do maldito transplante havia chegado. Eu e Bridget ficamos na mesma sala. Eu nem olhava para ela, ainda tinha ressentimentos.


--- Olá, Lottie. – O tom dela me pareceu sincero, depois daquela conversa toda outro dia.

--- Oi. –Eu disse secamente. Eu não gostava de tratá-la daquele jeito, afinal, ela era minha irmã. E, quando não tínhamos estes desentendimentos, eu gostava muito dela. Mas era uma coisa que me era impossível de tirar, pois eu ficaria “mordida”, se não expressasse.

--- Por favor, Lottie, não me ignore. Eu só... Estava descontrolada naquele dia. Eu o amo, não posso fazer nada quanto a isso. – Ela estava sendo sincera e seu tom era brando. Diferente de toda a agressividade com a qual me tratou naquele dia.

--- Sim, não te ignorarei. O que quer falar? Fale. Eu não vou impedir, mas não me peça que eu fique feliz com você aqui fazendo isso por mim por motivos ignóbeis que desejo esquecer, e que sei que nunca esquecerei e me perseguirão para o resto de meus dias angustiantes. – Eu disse, lentamente, mas com uma ponta de angústia.

--- Eu... amo você também Lottie. – Eu não estava mais entendendo nada naquele momento. Para mim, ela parecia outra pessoa. Totalmente meiga. Diferente daquele dia.

--- É... eu sei. – Eu disse, sarcasticamente. Mas sabia que ela estava falando a verdade. Eu não a olhava. Fitava o teto, enquanto, por visão periférica, via ela me olhando, atentamente. Seus olhinhos brilhavam.

--- Chegou a hora. Lottie. – Bridget me disse, olhando-me de perto.

--- É... chegou. – Eu a olhei, por dó de ela estar ali, olhando para mim, desejando que eu pelo menos a olhasse por um instante. De repente, eu vi uma luz muito brilhante no alto e apaguei.

x.x.x

--- Lottie? – A voz linda e sonoramente fina de Sam ecoou perto de mim.

--- Lottie, querida. Deu tudo certo. – Minha mãe estava muito feliz.

--- A doença dela estava em um estágio meio avançado, Senhorita Aghata, então deve demorar uns meses para ela se recuperar totalmente, por enquanto, ela ficará no hospital. – Um médico muito bonito que eu nunca havia visto no hospital disse e depois saiu.

--- Há há – Sam riu. – Eu venci Lottie. –Ela o dizia, com os olhos cheios de lágrimas. Ela finalmente poderia descansar vendo que eu não morreria.

--- Você não ganha nada com isto. Acorde para a vida, mulher! – Brinquei. –Você só ganha uma Charllottie mais ranzinza ainda.

--- Ganhei você de volta! – Ela retrucou.

--- Cale a boca... Estou com sono. – Eu disse.

--- O quê? Você dormiu feito uma vaca que dorme! – Sam gargalhou.

--- Idiota. – Eu disse em sussurro.

--- Não é simplesmente maravilhoso? Você vai sair daqui em meses! – Minha mãe exclamou, surpreendida. –E pensar que nós sofremos todo este tempo... Você deve agradecer a sua irmã, Charllottie, mesmo que ela tenha feito tudo...

--- Não tenho nada a agradecer a ela. Ela queria meu perdão. Nem mesmo isso, posso afirmar que ela tenha conseguido, mas pelo menos ela conseguiu a minha ignorância de tudo o que aconteceu.

--- Tudo bem, tudo bem, Charllotttie, eu não quero estragar o momento! –Minha mãe agitava as mãos.

--- Charllottie Vanderwood está “de volta às ruas” –Sam disse, sorrindo.

--- É, pode ser. –Sorri, meio sem vontade, a angústia voltara.

Eu estava melancólica de novo. Não sabia por que. “Oh, meu Deus! Vontade de me matar de novo não...” Eu repetia para mim mesma.

A janela estava novamente chuvosa, mas agora, não era janela do meu quarto. Era a janela do hospital. Agora eu estava pensando... Será mesmo que deveria considerar o que Bridget me disse como verídico? Será que Joe realmente me esqueceu em oito meses? Será que meu senso de realidade estava errado... Bom, eu adorava filosofar, mas infelizmente, conhecia a filosofia, e não havia respostas concretas para as suas perguntas mesmo depois de tanto tempo se perguntando. Então, resolvi olhar com meus próprios olhos o que estava acontecendo. Eu não ia passar todos aqueles meses, se é que seriam muitos, só olhando a janela. Eu ia agir. Ou seja, em meu vocabulário, pensar. Mais precisamente, analisar.

Notas finais
Charllottie vai pensar... Só para variar.