Ich Liebe Dich.
134 Cap. 134: Jolie, a grande.
–-- Até ontem, ela era apenas a minha parceira de aventuras. –Frida ria, enquanto eu arrumava as minhas malas.
–-- É, mas agora ela deve estar vestida como uma mulher. –Disse eu, ironicamente.
–-- E... Peter, onde está? Já arrumou as malas? –Perguntou ela, mudando de assunto.
–-- Ele já terminou. Está lá fora conversando com o Kurt. Eles dois tem estado bem mais próximos. –Eu disse.
–-- E... A que horas, exatamente, nós partimos? –Ela perguntou, passando os olhos pelos móveis, distraída.
–-- Bom, só falta eu terminar isto.
–-- Então, estarei lá fora, esperando.
–-- E o Antonello? –Perguntei, sorrindo.
–-- Aquele idiota vai ficar aqui... –Frida disse, secamente.
–-- Vocês não vão mesmo se acertar? –Perguntei.
–-- Nem em um milhão de anos aquele indócil vai aceitar que não posso contar tudo a ele. Você sabe que temos muitas coisas misteriosas para as pessoas comuns no começo, não é? Pois é... Não posso contá-lo para o bem dele e ele não acredita em mim. –Frida estava com um ar triste –Ele quer saber porque sou estranha...
–-- Bom, peça permissão a Jolie. –Disse eu, despreocupadamente –Ela é a sua “irmãzinha” –Sorri, sarcasticamente.
–-- Isso... É uma boa idéia. Mas creio que não seja o bastante falar dele para ela e pedir-lhe permissão. –Ela disse, tirando algo do bolso. –Além disso, não estou certa se quero contar isto a ele. Não estou certa de se quero deixar a vida dele mudar assim.
Era uma bala.
–-- E também, Jolie não se renderia aos seus encantos forçados, Frida... –Ri, abertamente.
–-- Há há. –Frida resmungou.
–-- Aproveite que Jolie, que te conhece e sabe de suas aflições, é a nova dona de tudo, Frida. –Disse eu, de novo irônica.
–-- Lottie, você está começando a me deixar com vontade de te bater. –Frida disse, sorrindo forçadamente.
–-- Está pronta, Lottie? –Peter perguntou, entrando de súbito.
–-- Ah, só faltam alguns all stars. –Disse eu, enfiando as coisas na mala o mais depressa possível.
–-- Isto está estufando de all stars. Você faz coleção? –Perguntou-me ele, com uma sobrancelha arqueada.
–-- Ah...
–-- Não responda. –Frida disse, levantando-se e pegando minha mala. Ela a fechou, antes que eu pudesse tomá-la. –Vamos lá. Não quero ter que falar com alguém indesejável.
–-- Frida, o fulano já está aqui. –Peter disse, sorrindo. Frida o olhou, secamente.
–-- Ah, não. Por Deus... –Ela exclamou, chateada.
–-- Vamos te esperar na sala, saia e fale com ele. –Peter disse, seriamente.
–-- Tudo bem. –Ela disse, seu rosto se contorcia em uma expressão de dor.
Ficamos esperando eles por alguns minutos. Kurt chegou perto de nós e sentou-se perto do seu pai. Mas não falou com ele. Ele parecia se reprimir quando estava perto de mim e de seu pai. Ele sentia que nós não contávamos tudo a ele. Mas, esta seria a oportunidade de ele descobrir.
Kurt ficou tímido perto de seu ai, na primeira vez que tinha o visto novamente. Mas logo cedeu. Ele percebeu que seu amor pelo pai era imenso. Era incrível como ele se identificava com ele.
–-- Pai... –Ele murmurou, em sua voz aguda, mas rouca. –Você quer ir pescar comigo? –Ele perguntou.
Kurt era uma criança muito inteligente e tinha vários hobbys. Ele pescava sozinho, quando Peter não havia chegado, enquanto eu o via. Ele tinha cuidado com seus instrumentos de pesca. Cuidado que nunca vi uma criança de sete anos ter com qualquer coisa sua. Kurt também tocava. Tocava violão. Aliás, muito bem. Mas ele era meio retraído na escola. Falava com poucas pessoas. Escolhidas a dedo por ele. As únicas pessoas a quem ele realmente chamava de amigos, eram Mary e Jonas. Duas crianças da sua idade que iam sempre a minha casa. Mary era baixa e magra. Seus cabelos eram castanhos. Da cor de mel, escuro. Os olhos eram verde-escuro. Jonas era alto e magro. Tinha os cabelos quase ruivos. Num tom muito peculiar, o qual eu nunca havia visto antes. Jonas tocava com ele na banda da escola. E Mary era da sua turma.
Kurt era uma criança muito “adulta” para a sua idade. E sempre gostava de fazer suas coisas sozinho. Ele também adorava ler e escrever. Escrevia bem...
–-- Claro. –Peter disse, olhando estupefato para Kurt.
–-- Vamos! –Frida entrou, de súbito, fazendo-nos parar de interagir e chamando-nos.
–-- Vamos. –Kurt respondeu.
x.x.x
Depois de algumas horas tensas de viagem, onde Frida me contava sobre sua conversa com o Antonello, Kurt conversava com seu pai, e passávamos por algumas turbulências, chegamos finalmente a nosso destino.
–-- Então, aqui estamos. –Frida disse, de modo nostálgico.
–-- Ah... Nenhum de vocês é mais da organização. O que vão fazer? –Disse eu, descuidadamente.
Havíamos prometido a nós mesmos (Eu e Peter) que só iríamos contar o que Kurt perguntasse. Mas eu estava abrindo uma janela enorme para uma gama de perguntas naquele momento.
–-- Organização? –Kurt indagou, surpreso. –Nós... Vamos para uma organização? Interessante. Mas, mamãe, o que esta organização faz?
Ele era um menino sagaz e, quando queria perguntar algo que o deixava curioso, não deixava que a sua introspecção o perturbasse.
–-- Contaremos a você quando chegarmos até lá. –Disse eu, e ele ficou quieto, até chegarmos até como o menino obediente que era.
x.x.x
–-- Olá, pessoal –Um dos guardas da porta disse, simpaticamente. Achei estranho, pois as pessoas da organização costumavam ser profissionalmente secas e gélidas.
–-- Olá.
–-- O que pretendem? –Ele perguntou, como se fossemos somente mais pessoas a tentar entrar ali.
–-- Eu sou Peter Uric, e esta é –O homem interrompeu-o, antes de ele terminar.
–-- Sim, esta é Frida. E esta outra é Charllottie, sua esposa, senhor. E este... Deve ser o filho de vocês. Kurt Daniel Uric. –Ele disse, fazendo-nos ficar espantados.
–-- Ah... –Abri a boca...
–-- Entrem. –Ele disse, apertando um botão na porta e colocando sua mão no identificador de digitais.
–-- Interessante. –Essa era a palavra preferida do meu filho.
–-- Você nem viu nada, querido. –Frida dizia, pegando a mão dele e levando-o pelo corredor principal, que parecia se estender até o céu, de tão alto.
Tudo era brilhante e espelhado. Kurt ficou maravilhado. E olhe que pouca coisa não o deixava assim. Não era uma criança impressionável.
–-- Que bonito! –Ele exclamou.
Andamos até chegarmos à entrada principal, onde o ar livre se mostrava e o portão preto se estendia.
–-- A festa vai ser ali. No bloco central. Todos os agentes estarão lá. A nomeação também. Depois Jolie se ajeitará para a festa. –Frida disse.
–-- Como sabe? –Peter perguntou.
–-- Quando me ligaram, eu perguntei sobre todos os detalhes.
–-- Ah... –Peter murmurou.
–-- Já vai começar às oito horas, então vamos nos aprontar.
x.x.x
Quando terminei de me aprontar, e Kurt já estava com seu típico suéter vermelho e calça jeans com All stars, ficamos esperando o Peter. Não consegui convencer Kurt a usar algo social...
–-- Você está muito lindo. –Eu disse, abismada.
Ele estava de terno e seus cabelos louros estavam amarrados num rabo de cavalo. Sua barba ainda lhe dava um ar desleixado, o que o deixava mais charmoso.
–-- Só porque eu obriguei você a ficar social, não precisa ser sarcástica. –Ele riu.
–-- Não, Pete, não vai arrancar mais um “está lindo” de mim esta noite. –Eu sorri.
–-- Vamos logo. Eu quero ver aquelas pessoas. –Kurt puxava o meu vestido vermelho e decotado.
–-- Está bem, filho. –Falei.
Kurt me olhou, atônito. Parecia não ter notado o meu vestido brilhante.
–-- Mamãe, o papai tem sorte. –Ele disse, me olhando enrubescido.
–-- Obrigada, filho. –Sorri, pegando sua mão e entrelaçando meu braço no de Peter.
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