Ich Liebe Dich.

119 Cap. 119: Acontecendo.


Notas iniciais
"E o garoto veio ao mundo."

As estações estavam sempre um pouco atrasadas, ultimamente... O inverno estava demorando a chegar. Mas isso não era tão ruim para mim. Na verdade, minha estação favorita era o outono. Aquelas folhas amareladas caindo dando o ar de sua beleza e cores a tudo ao que se misturavam. O farfalhar delas também me fazia bem. Dava-me paz de espírito. Me deixava pensando que a melancolia dentro de mim tinha se escondido no obscuro de minha alma até voltar novamente. Parecia que as coisas estavam relativamente bem.

--- Bom dia, meu motivo. –Peter disse, pensando ter me acordado. No entanto, eu já estava acordada, apesar de sonolenta.

--- Bom dia. –Eu disse, devagar. –Meu...?

--- Meu motivo. –Peter disse. –Meu motivo de sobreviência. –Ele sorriu, cordialmente.

--- Engraçadinho. –Eu disse, sorrindo. Até imaginava meus olhos apertados fechados do sorriso espontâneo que me tomou.

Era aquele o momento pelo qual eu tanto tinha esperado. O momento pelo qual eu havia ansiado por todo este tempo. O momento pelo qual todos, ao nascer, já esperam. O momento em que eles finalmente deixarão um pouco de lado sua luta para serem felizes.

Mesmo ainda tendo o fato de não estar contente por meu filho ter que ser educado naquele lugar, eu estava feliz por poder fazer Peter feliz. Por que não importava o que ia acontecer. Ele merecia. Tinha certeza de que, quando Kurt crescesse, entenderia que ele era uma das coisas mais importantes na felicidade de seu pai e que não negaria a ele este direito depois de tanto tempo sofrendo.

O sol entrava pela nossa janela, fazendo com que eu ficasse de olhos quase fechados e com que me agarrasse a Peter enterrando minha cabeça em seu peito para que ele fizesse sombra para mim. Coloquei minhas mãos em seu peito nu e fui com elas até o seu pescoço, encontrando lá seus cabelos caídos. Eu estava abraçada a ele e ele a mim. Minha cabeça em seu peito e sua cabeça sobre a minha. Ouvia com clareza o seu coração pulsar. E nós dois estávamos calados, ao som dos pássaros que se punham nas árvores do lado de fora. Talvez preguiçosos. Talvez cansados...

--- Estou com preguiça... –Falei, devagar e sonolenta.

--- Eu também. O inverno está chegando. –Peter disse, em meio a um bocejo. Ele acabara de responder a minha pergunta.

--- É... –Eu e a minha preguiça.

--- Sabe o que vai ser divertido? –Ele perguntou, despreocupado.

--- Hum?

--- Patinar no gelo. –Ele respondeu, entusiasmado.

--- É, eu adoro. –Eu disse, finalmente entusiasmada.

--- Estou tão feliz que nem acredito. Nem... Pensei que fosse possível ser feliz algum dia aqui.

--- Sabe o que eu acho? –Perguntei.

--- Hum? –Ele perguntou.

--- Você exagera. A organização não é tão ruim assim se não presenciarmos tal coisa. Vamos apenas ser hipócritas felizes. É o que a raça humana tem feito desde os primórdios. Tem dado certo. –Eu ri de minha hipótese. Pensei que Peter fosse ficar meio aborrecido. Mas ele ficou um pouco triste.

--- É, talvez eu exagere. E eu quero pensar que exagero. Vou praticar mais hipocrisia com você, Charllottie. –Peter até mesmo brincou. Ele não queria que eu me sentisse mal. Apesar disso, senti que ele havia ficado menos precavido e mais leve.

--- Está bem, não quero, jamais, ser uma idiota melosa que passa o dia discutindo com o marido. Não vamos ser chatos, sim? –Eu disse, levantando-me bruscamente.

--- Calma Lottie. Aonde vai? –Ele perguntou. Adorei ver aquele rosto lindo de olhos preocupados.

--- Vou aproveitar enquanto ainda é outono. –Respondi, sorrindo.

Fui até o guarda-roupa e peguei meu vestido preto que havia usado na ocasião terrível em que fiquei presa no trem. Ele era tão confortável...

Achei que fosse o melhor para passear por aí. Apesar de eu o ter guardado rapidamente sem lavá-lo depois da ocasião. Nem havia dado tempo, de tão atônita que eu estava. Deixei-o como estava. Peter então falou, de repente me tirando de minha concentração.

--- Pois eu ficarei deitado aqui. A preguiça me consome. –Peter disse, despreocupadamente.

--- Fique. Eu e Kurt iremos. –Eu disse, com falso desdém.

--- Tudo bem, Lottie. Eu vou ver vocês depois. –Ele passou o lençol por sob a cabeça e desapareceu na cama.

--- Não conhecia este seu lado preguiça, Peter. –Eu disse, surpresa. –Tudo bem, tudo bem, meu amor. Até mais.

Sai, então.
x.x.x

Chegando ao gramado, me deparei com Norma em um banco perto de uma das muitas luminárias que acompanhavam a estradinha no meio da grama. Ela estava com seu bebê no colo. Seus cabelos ruivos caíam sobre os ombros e ela estava radiante.

--- Olá. –Eu falei, cordialmente.

--- Charllottie! –Entusiasta como sempre, Norma acenou para mim.

Chegamos mais perto uma da outra e Norma começou a falar.

--- Como estão? –Ele perguntou.

--- Eu e? –Perguntei.

--- Seu bebê...

--- Ah, bem. –Sorri e olhei a barriga. Sim, era aquele era o mês em que Kurt nasceria. –É uma linda menina. –Eu observei, olhando para a filha dela.

O bebê muito rosado e roliço tinha um cabelo escuro, porém avermelhado no sol fraco que fazia. Eram cabelos castanho avermelhados exatamente como os da mãe. Mas eram rente ao sue couro cabeludo, finos, frágeis...

--- É, rosada e ruiva. –Norma observou, entusiasmadamente.

--- Então seu nome também deve ser com r? –Brinquei.

--- Na verdade, sim. –Ela me surpreendeu. –Raven -Norma disse, sorrindo. –Ela é rosa, mas seu nome significa negro. Eu sempre gostei desse nome.

--- E... Onde está o pai dela? –Mudei de assunto.

--- À trabalho. –Norma respondeu.

--- Hum... –Eu murmurei. –Ah, preciso ir.

--- Sim, nós também. –Norma disse, sorrindo para a pequena rosada. –Não é Raven?

E ela se afastou, rapidamente. E eu estava sozinha.

Olhei para o céu. Estava chuvoso. Nuvens cinza cobriam-no e fiquei com medo de que chovesse. Comecei a tomar o caminho de volta, então. Olhando para o céu, de repente senti uma dor. Era como uma agulhada no começo, mas depois, algo parecia se apertar em minha barriga. Começou a doer de verdade e então entendi. E eu estava no meio do caminho até o portão. E a dor me impediria, com certeza, de chegar até lá. Eu realmente não sabia o que ia fazer, mas tinha que dar um jeito rápido.

Notas finais
TENSO.