Ich Liebe Dich.

102 Cap. 102: Trem ao crepúsculo.


--- Eu... estou vendo, Frida. –Eu disse, sem expressar emoção alguma. Eu precisaria de uns segundos.

--- Sim, Charllottie, eu sei. Mas, e agora? Tem alguma idéia? –Frida perguntou, atônita. –Claro, caso isso não seja apenas paranóia nossa, o que eu acho difícil, porque acho que este pilantra só estava esperando você sair da organização para não dar chance de pegarmos ele mais facilmente.

--- Não, e você? –Eu perguntei, ainda em choque.

Meus olhos eram direcionados para frente, nada mais. Frida puxava, levemente o meu vestido, tentando me fazer dar atenção a ela, mas meus olhos estavam vidrados no trem. De repente, meu cérebro reagiu, mandando-me ficar bem atenta.

--- Charllottie, o que houve? –Frida o perguntou, porque eu estava vidrada no trem, e, bruscamente me virei para ela, olhando firmemente em seus olhos.

--- Lembra-se do que disse? –Eu falei, em voz baixa e soturna. Agora eu estava agindo com a maior cautela possível. -Que não devíamos fazer movimentos bruscos?

--- Sim. –Frida assentiu, em tom baixo.

--- Então, Frida, vamos agir como se nada tivesse acontecido. –E quando chegarmos na presença dele... Vamos continuar assim. Vamos conversar com ele até termos algo em mente. Ele deve querer me falar de todas as coisas podres que fez pra eu me sentir ruim, então ganharemos mais tempo se o enrolarmos. –Disse, ponderada.

--- O.K. -Frida assentiu, novamente, com uma expressão de excitação. Ela não estava a salvo dos velhos costumes da organização... ela gostava da idéia de caçar e de ser caça.

--- Isso não é uma brincadeira, Frida. Não é um jogo. –Eu disse, trincando os dentes ao fechar a boca após cada palavra. –Meu filho pode morrer... se ele não existisse, eu poderia ser egoísta e pensar somente em mim, mas ele existe. -Eu sussurrei cada palavra com um tom grave e com um ar seco em minha garganta.

--- Para mim, é! –Ela quase gritou e eu a puxei mais para perto. –Mas, não se preocupe, ele também é importante para mim, porque é importante para Peter. –Ela disse, também em um tom ameaçador.

Quando ela falou: "Peter". Meu coração sofreu um aperto instantâneo. Era uma preocupação e um alívio, por ele estar bem. Fiquei olhando para Frida, com raiva dela, mas minha mente estava em Peter...

De repente, o trem fez um barulho muito alto mais perto de nós, me tirando de meus devaneios.

--- Vamos lá. –Frida piscou, ainda com um rosto excitado, mas mais séria por nossa quase briga.

O trem grande e pouco lustroso chegou bem perto de onde nós estávamos. Frida se ajeitou, perto de mim, soltando, finalmente meu vestido. O trem era velho e era enferrujado em alguns pontos. Na verdade, deveria estar num museu.

Eu olhei para Frida, assentindo e depois tornei meu rosto passivo e tranqüilo, como combinado. Frida estava com seu risinho solene no rosto, como se não houvesse nada de incomum em nós.

Finalmente, o trem parou, completamente, abrindo as portas. Não havia quase nenhuma pessoa dentro dele. Três velhas sentadas perto de uma das janelas e dois homens na janela oposta. Os passageiros não saiam. As velhas me olhavam, a sorrir angelicalmente.

O trem parecia diferente por dentro. Não parecia velho como por fora. Mais parecia antigo. Porque estava decorado como um trem de antigamente. Havia papeis de parede bonitos e floridos. Parecia um trem de uma época de velho oeste.

--- Frida, aconteceu o que temíamos. –Eu disse, olhando-a, aflita.

--- Calma. –Ela conseguiu dizer, mas estava parada, como eu, em choque.

--- Se minha mãe estivesse ai, ela já teria descido. –Eu disse.

--- Mas, e se ela estiver realmente ai? –Frida perguntou, tentando me fazer perceber algo.

--- Se estiver, será o que me prenderá aqui... –Eu conclui.

--- Está achando que o seu opressor está tomando-a como refém? –Frida perguntou, para confirmar sua hipótese.

--- Minha mãe me mandou uma carta dizendo que vinha, Frida. –Disse, quase ficando nervosa demais para me desesperar. -Era a letra dela. Tenho certeza! -Disse, voltando a me controlar.

--- Char- Frida foi interrompida por uma voz que vinha de uma das janelas do trem. Era uma janela ao longe.

--- Charllottie!!! –Era a voz de minha mãe.

Olhei para Frida, piscando para acreditar.

--- Espere, Charllottie, não entre no trem! –Frida disse, quase gritando.

--- Mas... O que faço? Se eu entrar, posso morrer. Meu filho, que não tem culpa de nada, morre junto. Se não entrar, minha mãe morrerá. -Eu disse, quase cuspindo as palavras como se minha boca fosse uma metralhadora.

--- Ainda não sei! -Frida quase entra em desespero.

--- Ele conseguiu! -Disse, sussurrando.

Minha voz ficou baixa, pois a raiva não dava espaço para nada mais em mim. Corrompia-me, causando uma descarga enorme de energia que não podia soltar. Até mesmo aquilo, poderia prejudicar meu filho.

--- Se não há opção, entre. -Frida disse. -Se for embora, perderá sua mãe sem tentar salvá-la. Sei que você é boa o bastante para não se permitir viver com esta culpa... -Frida ainda estava sendo sarcástica, ironicamente, mas resolvi não dar importância às coisas que ela dizia agora. –Se ficar, você vai ter tentado. E... pode morrer, junto com seu filho, junto com sua mãe... não vai ser tão ruim quanto sobreviver com ele e sem sua mãe. Quero dizer, você não pode perdê-lo, sem morrer. E ele não pode sobreviver sem você... -Ela foi novamente interrompida pelos gritos aflitos de minha mãe.

--- Charllottie! –Ela gritou, esganiçadamente. Era estridente o barulho e desesperador.

Parecia que estavam lhe tirando as vísceras uma a uma, a sangue frio.

--- Estão torturando-a. –Frida disse, fechando os olhos, como se previsse uma coisa horrível.

Olhei para o trem, e dei o primeiro passo.

--- Charllottie... –Frida suspirou.

--- Diga a Peter que o amo. Que ele foi a melhor coisa a me acontecer. Diga a ele que eu esperaria até a morte até que ele acordasse, se isso não me acontecesse. E que ele fique bem, mesmo que eu não volte. –Eu falei, sem hesitar e sem titubear. Eu sorri, pois minha alma estava limpa por achar ter passado por tantas coisas com o Peter, que estava bom. Estava sendo otimista por hora.

Não havia passado por tudo que poderia passar, mas por algumas coisas de que sentiríamos falta se morrêssemos sem fazer. Se ficássemos juntos mais dois meses, três, um ano não seria um desperdício, porém as coisas boas eram tão significativas, que ter-se-iam lembranças por muitos e muitos anos mesmo que não pudéssemos passar o resto de nossos dias juntos.

--- Eu vou com você. –Frida disse, imparcial.

--- Não! –Quase gritei. -Você é jovem...

De repente, uma voz provavelmente disfarçada com algumas edições de som, começou a ecoar pelo trem.

--- Há há, senhores passageiros, fiquem sentados e curtam a viagem! –Era uma voz fina e solene. -Ah, Frida, seja bem vinda! –A voz disse, fazendo Frida entrar, rapidamente, ignorando meus esforços.

--- Não... -Suspirei.

Mas já estávamos, as duas, reféns do trem, ao crepúsculo.

Notas finais
"Mas já estávamos, as duas, reféns do trem, ao crepúsculo."
Essa frase também me deixa tensa. rsrs. O "pilantra" como a Frida disse gosta de trens igual ao Sheldon Cooper... KKK Ele quis fazer algo artístico mesmo...