Ice and Darkness
36 Sonho
Quando eu terminei minha janta voltei para o meu chalé. Eu não olhei para os lados e evitei tentar escutar as conversas que estavam atrás de mim. Quando cheguei à porta do chalé eu parei. Eu não sabia se Jack estava lá dentro. Eu estava com medo de abrir e vê-lo lá. Mas estava com ainda mais medo de abrir e não vê-lo. Respirei fundo e abri a porta. O chalé estava totalmente escuro. Liguei a luz e não encontrei ninguém lá. Meu coração se apertou novamente. Ele tinha ido embora. Eu pedi e ele foi embora. Deitei na minha cama e coloquei o braço em cima dos meus olhos. O cansaço me invadia aos poucos e em alguns segundos eu estava dormindo.
Eu estava na floresta com a espada em punho. Eu não sabia o que estava atrás de mim. Mas eu sabia que era perigoso. Eu sentia isso. Escutei um barulho atrás de mim e me virei rapidamente, mas não tinha nada lá. Escutava passos ao redor de mim, mas eu não sabia de qual lado vinha. Escutei um grito de um lado e, inconscientemente, eu corri ao encontro da voz. Eu ouvia a minha respiração pesada e as batidas do meu coração. As árvores ao meu redor começaram a diminuir de quantidade. Quando elas já estavam bem raras eu vi uma pessoa em pé de costas para mim. Cordas amarravam suas mãos pelas costas e sua cabeça estava baixa. Quando me aproximei mais vi o cabelo branco. “Jack” Foi à primeira coisa que eu pensei e corri de encontro a ele. Mas quanto mais eu corria menos parecia que a distância diminuía. Parei de correr e tentei controlar minha respiração. Comecei a andar devagar e agora parecia que eu estava chegando perto de Jack. Quando cheguei perto o suficiente vi os seus pulsos cortados onde à corda estava como se tivesse lutado para corta-las. Andei para ficar de frente para ele. Seu rosto estava todo cortado, com manchas vermelhas ao redor dos cortes. Grandes manchas roxas estavam ao redor dos seus olhos.
— Jack? — Eu sussurrei com medo que ele não me respondesse.
Eu vi seus lábios mexerem devagar, mas nenhum som saia deles. Ele levantou a cabeça devagar e vi seus olhos se cruzarem com os meus. Mesmo com o seu rosto quase irreconhecível, seus olhos eram os mesmos.
— Vai embora. — Ele disse e eu fiquei assustado.
— Jack. — Eu chamei novamente e estiquei minha mão para tocar no seu rosto.
Mas quanto toquei na sua bochecha tudo mudou. Eu estava num jardim com inúmeras flores ao meu lado, flores de todos os tipos e cores. O cheiro delas invadia o meu nariz e me deixavam com uma leve dor de cabeça. Escutei um passo atrás de mim e me virei rapidamente para ver o que era. Foi quando eu senti meu corpo bater contra o chão. Abri os olhos rapidamente e vi o Jack em cima de mim sorrindo levemente.
— Eu estava com tantas saudades sua. — Ele disse e me beijou. Eu tentei afasta-lo ainda por estava confuso pelas imagens que tinham acabado de se forma pela minha mente e pela mudança rápida.
Mas minhas mãos não me obedeciam. Ao invés de empurra-lo, eu segurava sua cintura cada vez mais forte empurrando contra mim. Era como se pudéssemos fazer nossos dois corpos como um só. Nossas línguas dançavam numa dança já conhecida. Segurei o seu cabelo e puxei um pouco. Ele separou o beijo e beijou o meu maxilar. Depois a nuca e depois subiu para o ouvido.
— Tantas saudades. — Ele disse com uma voz rouca e mordeu o lóbulo da minha orelha.
Seu corpo se juntou mais contra o meu e quando eu abri os olhos eu não vi o Jack. Os cabelos eram de um vermelho-alaranjado.
O empurrei levemente e vi o rosto de Drake sorrindo para mim.
— Drake? — Perguntei completamente confuso.
— Tantas saudades. — Ele sussurrou e voltou a me beijar.
— Me solta. Drake me solta. Drake.
Comecei a empurra-lo forte, mas ele nem sequer se movia. Quando ele me beijou novamente mordi seu lábio inferior até sentir o gosto metálico na boca. Quando o soltei e ele levantou o rosto era Jack novamente. Ele levou a mão até o lábio inferior.
— Por que fez isso? — Ele perguntou e fechei os olhos com força querendo fugir daquilo.
Abri levemente os olhos e vi a escuridão do meu chalé. Senti algo mexendo no meu cabelo. Algo familiar. Senti um cheiro que fazia tempo que eu tinha sentido antes. Não me movi, fingi que ainda estava dormindo. Estiquei-me um pouco para trás e encostei-me a alguém. A pessoa parou de mexer no meu cabelo por um momento e eu não escutava a sua respiração. Juguei que a pessoa a tinha prendido pensando que eu tinha acordado. Não era como se tivesse errada. Mas depois de um tempo voltou a mexer no meu cabelo e passou a outra mão pela minha cintura. Fiquei meio tenso, mas eu não fiz nada. E em pouco tempo voltei a dormir novamente. Só que dessa vez não teve nenhum sonho.
Acordei um tempo depois e ainda sentia algo no meu cabelo. Virei-me lentamente e vi os olhos de Jack olhando para mim. Eles mostravam um pouco de medo, mas eu não fiz nada. Apenas fiquei olhando para os seus olhos. Eu me aproximei mais um pouco dele e fiquei parado apenas sentindo sua respiração bater no meu nariz. Levantei um pouco a minha cabeça e fiquei olhando para os seus lábios. Inconscientemente me aproximei mais um pouco, mas me afastei rapidamente quando percebi o que eu ia fazer. O olhar de Jack pareceu ficar um pouco decepcionado. Mas eu não podia beija-lo. Não agora. Ele esticou o braço e tocou levemente em minha bochecha, mas eu afastei a mão balançando a cabeça.
Sentei-me na cama e coloquei a mão nos meus cabelos, balançando-os um pouco. Senti a mão de Jack nas minhas costas e eu me levantei rapidamente. Olhei novamente para ele e de repente tudo que eu sentia se formou em raiva.
Fale com o autor