Ice and Darkness
13 Música
Notas iniciais
Eu já estava cansado de todos os campistas olharem para mim. Na hora em que eu sai do chalé até aqui no refeitório todos olhavam para me e cochichavam alguma coisa, eu ficava levantando as mangas do casaco e abaixando meu olhar porque eu sabia que eu devia está tão vermelho que faria inveja a um tomate.
— Eu acho que vou voltar para o chalé. — Sussurrei para Jack, mas ele apenas colocou a mão nas minhas costas e me empurrou um pouquinho.
— Você não pode se esconder lá para sempre. E você precisa comer.
Respirei fundo, peguei minha comida que não era nada mais que torradas e um copo de leite e sentei na minha mesa. Eu não estava com fome, eu apenas queria entrar numa sombra e não sai nunca mais do meu chalé, pelo modo que todos olhavam para mim.
— Está tudo bem? — Jack perguntou.
— Não estou muito confortável com todo muito olhando para mim. — Sussurrei.
— É que você ‘tá muito fofo com o casaco. — Corei e sorri para ele.
Olhei para a mesa dos filhos de Apolo e Theo olhava para mim, com um olhar de tristeza, eu fiquei com tanta pena dele, porque eu sabia o que ele estava passando e eu realmente não queria fazer ninguém sofrer do jeito que eu sofri. Sorri para ele e ele apenas abaixou a cabeça para o seu prato. Respirei fundo e comecei a comer.
— Oi Nico. — Jason falou sentando na minha frente junto com Piper.
— Você ficou fofo nesse casaco. — Piper falou me fazendo da um sorriso.
— Eu falei para ele. — Jack disse me fazendo corar.
— Nico, a gente veio te chamar para ir para a fogueira hoje à noite. — Piper falou.
— Por quê? — Perguntei.
— Vamos Nico, a Piper preparou uma coisa hoje, você tem que ir. — Jason praticamente exigiu.
— Você sabe que eu não gosto disso, Jason.
— Ele vai. — Jack falou e eu olhei para ele. — Você vai.
Resmunguei alguma coisa e Jason sorriu.
— Obrigado Jack. — Ele disse e se levantou indo para a mesa de Zeus e Piper para a mesa de Afrodite.
Olhei para Jack de novo e ele sorriu.
— Eu não quero ir. — Disse fazendo um bico.
— Mas você vai, precisa sair um pouquinho daquele chalé. E aquela menina mesmo disse que preparou alguma coisa.
— Tudo bem. — Disse e ele sorriu.
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O dia pareceu demorar mais que o normal. Quando terminei o café da manhã fui treinar um pouco com a Clarisse. Era bom treinar com ela, porque ela não tinha medo que eu fizesse alguma coisa. Almocei fiquei um pouco no chalé com o Jack e agora estávamos no caminho da fogueira. Fiquei em pé encostado numa árvore enquanto via todos os campistas chegarem e se sentarem nos troncos ao redor da fogueira.
— Por que não vamos sentar lá? — Ele fez um sinal com a cabeça para os troncos.
— Pode ir, eu não vou sair daqui. — Ele olhou para mim e eu sorri. Ele sorriu e volta e se sentou num tronco, com o cajado em cima das pernas.
Sorri para ele e ele sorriu de volta, depois voltou a olhar para o resto dos campistas. Vi algumas filhas de Afrodite olhar para Jack e se olhavam de volta sorrindo. Respirei fundo para me controlar e não fazer com que um exercito de esqueletos pulasse do chão acabando com elas. Também não tinha motivo, o Jack não olhava para nenhuma delas. Vi Percy sentando ao lado de Annabeth que apoiava a cabeça no seu ombro, Jason e Piper estavam juntos deles. Jason olhou para mim e sorriu e eu sorri de volta. Olhei de novo para Jack e vi que uma menina tinha sentado do lado dele, mas ela não fazia nada apenas sorria para a outra campista que estava do seu lado. Controlei-me um pouco para não ir me sentar no lugar dela. Eu não queria parecer possessivo, nem nada, mesmo que eu estivesse morrendo de ciúmes.
— Pessoal. — Quíron falou quando a maioria dos campistas já estava lá. — As filhas de Afrodite conversaram comigo para fazermos uma noite de música. Conversamos com os filhos de Apolo e hoje vamos fazer.
Escutei alguns risinhos em alguns lugares e revirei os olhos. Eu não acreditava que o Jason tinha me chamado para ver os filhos de Apolo e de Afrodite cantarem.
— Quem vai começar? — Quíron perguntou e um grupo de meninas filhas de Afrodite se levantaram.
— Hoje vamos cantar a música Shake it off, espero de gostem. — A menina que estava no meio disse com um microfone, ela tinha uma voz irritante e eu realmente não queria escutar ela cantar.
Mas até que a música combinava com as filhas de Afrodite afinal. Mais algumas pessoas cantaram e eu pensei que tinha terminado e já estava agradecendo por poder voltar para o meu chalé quando eu vi que Theo se levantou.
— Eu posso pegar? — Ele apontou para um violão que um dos seus irmãos tinha levado. E ele pegou um banquinho e se sentou do lado da fogueira.
Ele olhou para mim rapidamente e abaixou a cabeça.
— Eu não tinha preparado nada, mas tem uma música que eu quero cantar. Essa música é para alguém... Especial para mim. Espero que gostem.
Ele começou a tocar no violão e começou a cantar de olhos fechados.
Você não me quer, não
Você não precisa de mim
Como eu quero você
Como eu preciso de você.
E eu quero você na minha vida
E eu preciso de você na minha vida.
Você não consegue me ver, não
Como eu vejo você
Eu não posso ter você, não
Como você me teve.
E eu quero você na minha vida
E eu preciso de você na minha vida.
Você não consegue me sentir, não
Como eu sinto você
Eu não consigo roubar você, não
Como você me roubou.
E eu quero você na minha vida
E eu preciso de você na minha vida.
Eu estava boquiaberto e meus olhos estavam lacrimejando. Ele olhou para cima e vi lágrimas caindo pelo seu rosto, eu senti meu coração se apertar com aquilo. Os campistas ficaram de pé e começaram a aplaudir e assobiar para Theo. Clara olhava para mim como se soubesse e Jack também. Eu não aguentei ficar ali, entrei na sombra da árvore e voltei para o meu chalé. Eu não queria que Theo sofresse, ele era uma boa pessoa, eu sabia disso. Escutei batidas na porta, limpei uma lágrima que caia no meu rosto e fui abri e vi Clara. Ela não falou nada, apenas me abraçou e eu a abracei de volta.
— Você sabia? — Ela perguntou se afastando de mim. — Que ele gostava de você?
— Ele me falou ontem. Como você sabe?
— Antes e depois de cantar ele olhou para você. Ninguém mais percebeu.
— Eu não queria que ele sofresse. Eu não...
— O que é isso? — Ela me interrompeu apontando para o meu pescoço.
Eu estava sem o casaco de Jack, e agora Clara tinha percebido a mancha roxa no meu pescoço. Coloquei a mão no local.
— Nada. — Falei rapidamente.
— Desculpe. — Ela corou. Mas depois sorriu. — Foi o Jack?
— Clara!
— Tudo bem, me desculpe. — Ela levantou as mãos se rendendo.
— O que eu faço? Eu não quero que o Theo fique assim. Mas ele nem olha mais para mim. Eu não sei o que fazer. — Me sentei na cama e ela se sentou do meu lado.
— Você pode conversar com ele. Ser amigo dele.
— Mas ele nem olha mais para mim.
— Você consegue falar com ele, Nico. Nem que você prenda ele no chalé.
Ri e ela me abraçou.
— Você sabe que ser amigo é melhor que nada. Conversa com ele.
— Obrigado, Clara. — Ela sorriu para mim.
— De nada. — Ela se levanta e me puxa me abraçando de novo. E escutei a porta do chalé de abrindo. Clara se soltou de mim e sorriu para Jack. — Ok, eu não quero atrapalhar nada. — Eu corei e ela saiu.
Jack respirou fundo e colocou o cajado encostado na porta.
— Ele gosta mesmo de você. — Jack falou.
— Amanhã eu vou falar com ele. — Disse e andei até a janela e fiquei olhando para as estrelas que me lembrava de Bianca, pensando no que ela faria se ela tivesse aqui. Senti Jack me abraçar por trás e beijar o meu pescoço. Arrepiei-me e ele riu. E assim ficamos olhando as estrelas, sentindo a respiração de Jack na minha nuca e me perguntando como eu estava feliz e triste ao mesmo tempo.
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