Ice and Darkness
4 I Hate Afrodite
Notas iniciais
— Nico, você tem certeza? — Piper perguntou.
— Faça logo antes que eu me arrependa. — Disse.
Flash Back On:
Estava no caminho do chalé de Afrodite quando vi Piper saindo do chalé.
“Piper, eu posso falar com você?”
“Claro, Nico, o que foi?”
Olhei para os lados para ver se não tinha ninguém.
“Você pode cortar o meu cabelo?” Falei baixinho.
Piper me deu um sorriso de orelha a orelha.
“Claro. Espera que eu vou chamar a Clara para ela me ajudar.”
Elas vieram e me empurraram para o meu chalé, pedi que elas ficassem esperando pelo menos para que eu pudesse tomar um banho e colocar outra roupa. Fiquei com medo de que o Frost estivesse lá. Mas, felizmente ele não estava.
Flash Back Off.
Piper pegou uma tesoura que estava na sua calça, e começou a cortar meu cabelo. Via os fios caindo no chão e já estava quase me arrependendo de ter pedido para corta-lo. Mas o meu cabelo estava realmente grande. Depois de um tempo elas acabaram. Levantei-me e me virei para elas.
— Uall — As duas disseram juntas.
— Você ficou... Lindo. — Piper disse. E Clara concordou com a cabeça.
Fui ao banheiro para ver como tinha ficado, ficou mais cortado na parte de trás, agora dava para ver a marca da tatuagem de frente. Respirei fundo, não tinha ficado ruim.
— Obrigado. — Disse, e Piper me abraçou.
— De nada. — Ela disse e as duas saíram do meu chalé.
Peguei uma vassoura no banheiro e apanhei todo o cabelo cortado do chão. Quando estava tudo arrumado foi à hora do almoço. Não estava com muita fome, mas como não tinha comido nada no dia anterior achei melhor ir almoçar. Sai do chalé e já varias pessoas olharam para mim. Girei o anel em meu dedo e continuei a andar até o refeitório. Já tinha várias pessoas lá. E quando eu apareci à maioria pararam o que estava fazendo e se viraram para me ver. Sentir-me desconfortável no começo, mas depois elas voltaram a fazer o que estavam fazendo. Peguei o meu almoço, fiz a oferenda ao meu pai e fui para a mesa de Hades. Comecei a comer devagar até que Jason apareceu na frente dele.
— Piper tinha razão. Realmente ficou melhor com o cabelo curto.
Dei um sorriso de lado.
— Vai me contar o que descobriu agora? — Jason sussurrou.
— Descobriu o que? — Percy se sentou ao lado de Jason. — Gostei do cabelo. — Falou de boca cheia.
— Valeu.
— Descobriu o que? — Percy insistiu.
— Que você abaixa a guarda durante a luta. — Disse.
— Ei, eu não. Você que jogou sujo.
— Até parece. — Eu disse.
Ele riu. E assim foi o resto do almoço. Quando acabei voltei para o meu chalé, e alguns minutos depois, eu escutei batidas na porta.
— Nico, sou eu.
— Pode entrar Jason.
— Pode falar agora? — Jason perguntou. Eu não queria falar para ele, iria ter que falar que o tinha encontrado, depois teria que o apresentar a ele, e eu nem sabia se eu o veria novamente. Mas depois que o Leo se foi, eu acho que posso dizer que virei um amigo próximo a Jason. Não queria o deixar sozinho.
— Eu falei com o meu pai. E ele é real.
— Sério?
— Uhum, eu já o vi.
— E como ele é? — Ele deu um sorriso infantil. Parece que o Jack Frost o lembrava a sua infância.
— Como você descreveu. Cabelos brancos, olhos azuis, o cajado.
— Estão falando de mim? — Escutei a voz de Jack atrás de mim.
— Uall. — Disse Jason olhando para trás. — Você realmente existe.
— Eu sei. Legal te conhecer.
— Isso é incrível.
— Eu sei que eu sou incrível.
— Jason... Não alimenta a imaginação dele, pelos deuses. — Disse. Jason riu.
— Eu posso falar para... Os outros? — Jason perguntou.
— Por enquanto eu acho melhor não.
— Porque não? — Jason e Jack perguntaram ao mesmo tempo.
— Por que iriam perguntar como foi que eu descobrir, e eu não quero falar que sonhava com ele.
— Tudo bem, então. Eu vou indo, a Piper estava me chamando. Tchau Nico, tchau... Jack.
— Tchau. — Jack disse enquanto eu apenas sinalizei com a mão.
Quando Jason saiu, Jack deitou na cama que era do lado da minha, que era usada pela Hazel, mas como ela voltou para o acampamento Júpiter, estava vazia.
— Você cortou o cabelo. — Ele disse sorrindo. — Ficou bem mais legal, eu falei.
— Não foi por sua causa que eu cortei. Ele já estava grande.
— Uhum. Ei posso te pedi uma coisa?
— Depende. Oque?
— Eu posso dormir aqui? — Ele pediu, se arrumando na cama.
— Por quê?
— Por que eu não tenho lugar para dormir. — Respirei fundo.
— Não.
— Porque não?
— Porque o chalé é meu, e eu digo não.
— Por favor? O que custa? — Ele falou e eu bufei
— Tudo bem, mas você fica desse lado e eu fico do meu. Tudo bem? — Disse e ele balançou a cabeça afirmando e saiu voando me abraçando, me fazendo flutuar alguns centímetros do chão. — Me solta.
Ele me soltou no chão.
— Desculpa. Eu... Desculpa-me. Apenas fiquei feliz. — Ele já tinha me soltado, mas ainda estava bem próximo a mim. Conseguia sentir a sua respiração, ela batia no meu nariz, por que ele era mais alto que eu.
— Não faça mais isso. — Disse me afastando e ele balançou a cabeça novamente. — Onde você dormia antes? Quer dizer, se você não tem lugar para dormir.
— Eu dormia naquela floresta, é bem legal sabe? Mas eu estou com saudades de uma cama.
— Tudo bem. Eu vou dar uma volta. — Disse.
— Posso ir com você?
— Se quiser.
Fui em direção à floresta, tinha um lugar que apenas eu conhecia, eu acho que só eu conhecia, não era muito frequentada pelos campistas, a maioria das pessoas não gostava de ir para a floresta sozinha. Fui andando e sentia o Jack atrás de mim. Depois de um tempo, chegamos a um lugar. Eu não ia muito lá, mas quando eu ia sempre me surpreendia. Tinha um pequeno laguinho que brilhava por causa do sol, não tinha muitas árvores por perto. Uma grande pedra cinza e um caule caindo do outro lado do lago. Era incrivelmente lindo o lugar e as árvores que tinha perto eram de frutas.
— Isso é incrível.
— É eu sei.
— Como você achou isso? — Ele voou e pegou duas maças numa árvore. Abaixou-se e me deu uma.
— Valeu. — Dei uma mordida na maça. — Eu andava muito por aqui, então achei.
Ele mordeu a maça e se sentou no caule. Sentei-me ao seu lado. Em pouco tempo nós dois tínhamos acabados as maças. Olhei para o lado, e lá estava Jack. Ele estava sorrindo como um bobo olhando para as árvores, seus cabelos brilhavam mais no sol, seus olhos pareciam cinza. Seu sorriso era perfeito, não era o sorriso que vimos todos os dias. Sorri olhando seu rosto. Abaixei o olhar, isso não devia acontecer, não podia acontecer de novo. Eu simplesmente odeio Afrodite.
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