Ice and Darkness
19 Festa
Notas iniciais
Entrei no chalé e esperei ansiosamente o Jack chegar, eu queria falar com ele. Eu não ia falar para ele que o tinha visto com a cria de Afrodite, mas eu queria que ele me falasse. Estava quase anoitecendo e eu já tinha tomado meu banho e colocado uma calça jeans escura quando Jack entrou no chalé.
— Onde você estava? — Perguntei colocando uma camiseta preta sem estampas.
— Em... Em lugar nenhum.
Balancei a cabeça concordando e me sentei na cama para colocar meus tênis.
— Aonde você vai?
Respirei fundo.
— Para uma festa no acampamento da minha irmã.
Ele ficou calado e se sentou na cama do lado da minha.
— Você... Quer ir? — Perguntei.
— Eu... Eu vou ficar aqui. Eu estou um pouco cansado.
Eu fiquei com uma mistura de raiva e tristeza quando ele falou isso.
— Tudo bem. — Eu disse secamente. Baguncei meu cabelo e entrei na sombra no meu quarto indo diretamente para frente do acampamento.
Não estava com muita vontade de ir, mas já que eu estava lá, eu resolvi entrar. Chegando lá logo soube onde era a festa pela quantidade de barulho, fui até o lugar e no caminho eu encontrei Reyna correndo em minha direção.
— Nico? Você veio. Quanto tempo. — Ela disse me abraçando, percebi que ela estava um pouco alterada. Pelo visto a festa teria bebida.
— Eu vim sim. — Ela me soltou e voltou correndo para a pista de dança.
Sorri com a cena e fui para o bar, pedi uma cerveja, já que eu estava lá, tinha que aproveitar. Fiquei em pé encostado em um dos pilares que tinha ao lado do bar, e fiquei olhando aquele monte de pessoas se esfregando umas nas outras e chamado aquilo de dança. Eu já tinha visto o Jason, Piper, Frank e Hazel naquela bagunça. Eu já tinha perdido a conta de quantas garrafas de cervejas tinha tomado depois da terceira. Eu ainda estava escorado no pilar quando alguém chegou perto de mim.
— Você que é o filho de Hades? — Perguntou um garoto ruivo, um pouco mais alto que eu, que ficou na minha frente. Ele bebeu um pouco da sua cerveja, mas sem desviar os olhos do meu.
— Sim, posso saber quem você seria? — Perguntei bebendo um pouco da cerveja.
— Meu nome é Drake. Filho de Vênus. E você seria Nico di Angelo, certo?
— Já ouviu falar de mim? — Perguntei.
— Ouvi muitas coisas sobre você, Nico di Angelo.
— Posso saber o que? — Perguntei bebendo mais um gole.
— Solitário. Emo. Entre outras coisas. — Revirei os olhos. — Mas esqueceram de mencionar o quão bonito é.
Desviei os olhos, sentindo meu rosto corar um pouco.
— Quer dançar um pouco? — Ele perguntou.
Eu fiquei tentado a recusar, sim eu tentei, não sei se foi pela cerveja, mas eu bebi o resto da cerveja da garrafa e pensei “Foda-se”.
— Porque não? — Respondi, ele sorriu e colocou a cerveja no balcão do lado dele e andou até a pista.
Peguei a sua cerveja e andei atrás dele, eu não sabia dançar muito bem, mas eu fiquei tentando. Eu olhava para Drake que me olhava com algum divertimento nos olhos, bebi um gole da sua cerveja e ele sorriu. Pegou a cerveja da minha mão e bebeu o resto. A música mudou para outra mais eletrônica e eu dançava com os olhos fechados. Quando abri de novo não vi o Drake na minha frente, quando eu senti alguém segurar minha cintura atrás de mim e me puxar para mais perto. Espiei pelo canto do olho e vi o cabelo ruivo de Drake. Comecei a rebolar um pouco e sentia a respiração dele na minha nuca e sorri um pouco. Virei-me para ele, ele ainda segurava minha cintura e eu passei meus braços pelo seu pescoço e comecei a me movimentar com ele. Não me importava se tinha alguém olhava para mim. Ele olhou para mim e se aproximou o rosto do meu, eu coloquei minhas mãos em seus ombros para empurra-lo. Mas eu não consegui empurra-lo. Ele apertou mais minha cintura e eu estava quase me rendendo. Mas olhei para a minha mão direita e vi o fino anel de prata do meu dedo e o empurrei.
— Eu não posso fazer isso. — Eu disse. E sai correndo.
O que eu ia fazer? Eu ia beijar aquele menino e eu nem o conhecia. “Como eu sou burro, o Jack nunca vai me perdoar” “Burro” Pensava comigo mesmo.
Entrei na primeira sombra que vi e apareci no meu chalé. Mas quando eu olhei para Jack, eu fiquei com raiva. O porquê eu não sei. Eu tentei andar um pouco, mas acabei tropeçando e caindo no chão. O Jack me ajudou a levantar.
— Está tudo bem com você? — Ele perguntou.
— Claro, porque não estaria?
— Eu não sei.
— Por que não esta tudo bem. Desculpe-me, Jack, me desculpe eu fui um idiota. Eu sou muito burro.
— Do que você está falando, Nico? Você precisa de um banho gelado.
— Eu não quero tomar banho. — Resmunguei.
— Pode me contar o que você fez? — Ele perguntou.
— Eu quase beijei um garoto. — Eu disse baixinho e quando eu olhei o seu rosto ele estava me olhando com tristeza. — Me desculpa. Eu estava com raiva.
— Porque estava com raiva? — Ele perguntou calmo
— Porque você mentiu para mim. — Eu disse com a voz meio arrastada. Ele me olhou confuso. — Eu vi você com aquela filha de Afrodite.
Ele respirou fundo.
— Eu vou explicar tudo. Mas eu preciso perguntar. Você beijou esse tal menino?
— Não. — Eu disse ligeiro. — Eu... Não, eu não beijei. Eu vi o anel na minha mão. Eu juro.
Ele me deu um pequeno sorriso.
— Agora vem para o banheiro.
— Eu não quero tomar banho. — Eu disse fazendo um bico. Ele riu e me arrastou para o banheiro e me fez sentar na privada.
Ele tirou minha camisa e colocou a mão no botão da minha calça e olhou para mim pedindo permissão. Eu balancei a afirmando e ele abriu minha calça e me levantou a fazendo cai. Ele tirou minha cueca, me colocou dentro do box e ligou o chuveiro. Quando eu senti a água gelada tocar na minha pele, eu gritei e ele riu.
— Está gelada. — Eu disse tentando me abraçar.
— Eu sei. — Ele disse.
Depois que terminei o banho, Jack me secou e eu me enrolei na toalha. Voltei para o quarto e me sentei na minha cama enquanto Jack pegava uma cueca e uma calça moletom para me vestir.
— Vai me explicar agora? — Perguntei.
— Explicar o que? — Ele foi para minha frente e me deu a roupa, me levantei e coloquei a roupa que ele tinha me dado.
— Por que estava com a aquela menina.
Sentei-me na cama novamente, encostando minhas costas na parede e Jack se sentou na ponta da cama do outro lado com as pernas cruzadas. Eu coloquei meus joelhos para cima e apoiei meus braços nele. Ele respirou fundo antes de começar a falar.
— Ela veio falar comigo dizendo que tinha percebido que eu gostava de você. Que tinha percebido o jeito que eu olhava para você e que queria me ajudar. — Eu olhei para ele confuso. — Eu sei que já estamos juntos, mas ninguém sabe e eu não sabia se você queria contar agora para os outros, então eu aceitei. Então ela me falou que era melhor eu deixar você ficar mais sozinho, mais livre, não ficar muito no seu pé, por isso eu falei para você que não queria ir para a festa, mas eu queria. Eu queria tentar ser um namorado melhor, eu sou novo nisso.
— Me faz um favor? — Perguntei.
— Qualquer coisa. — Ele respondeu.
— Não siga mais conselhos de ninguém. Ela não queria ajudar. Não precisa mudar, você é perfeito do jeito que é.
Deitei-me na cama e ele se deitou ao meu lado me abraçando e puxando para mais perto.
— Obrigado. Eu te amo. — Ele disse.
Eu sorri.
— Eu te amo. — Disse e cai no sono.
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