Ice and Darkness
21 Extra - P.O.V. Theo
Notas iniciais
POV Theo
“Um mês depois”
Estava dando uma volta pelo acampamento. Fazia um mês mais ou menos que aquele garoto desceu com um dragão no meio do acampamento. Foi a primeira vez que eu tinha visto algo daquele e, deuses, era realmente um dragão, aquilo era incrível. Nesse mês eu quase nunca falava com o Nico. Eu queria falar, mas ele às vezes estava com o Jack e às vezes treinando então eu achava melhor não falar. Mas ele ainda usava o colar que eu tinha dado a ele, e de um jeito estranho eu ficava feliz com isso. Eu sabia que não tinha chances com ele, não sei por que ainda doía vê-lo com o Jack. Eu nunca senti tanta raiva e inveja de alguém como eu sinto dele. Mas eu não poderia culpa-lo. Bufei e chutei uma pedrinha que estava na minha frente. Estava dentro da floresta andando para tentar esquecer um pouco as coisas. Até que eu escutei um soluço, como alguém chorando. Andei sem fazer barulho em direção à pessoa e encontrei um garoto sentado num tronco olhando um lago. Ele estava de costas para mim, então eu apenas vi o seu cabelo encaracolado. Estava com medo de andar até ele, caso ele quisesse ficar sozinho. Respirei fundo e andei em sua direção, mas eu pisei em um galho no caminho e ele me olhou assustado. Foi quando eu percebi que era o mesmo garoto que tinha descido no dragão. Ele sempre pareceu tão feliz, não entendi o motivo de tanta tristeza agora. Ele se virou para frente rapidamente limpando as lágrimas do rosto.
— Ahn... Oi? — Falei. Andei mais alguns passos.
— Oi. — Ele disse ainda de costas para mim.
— Posso me sentar aqui? — Perguntei apontando para o seu lado no tronco.
— Claro que pode. — Ele disse e se virou para mim, ele tinha um sorriso no rosto, mas seus olhos ainda estavam vermelhos.
Sentei-me ao seu lado. Pude perceber que suas orelhas eram pontudas, até parecia um elfo.
— Você está bem? — Perguntei, mesmo sabendo que era uma pergunta estupida.
— Estou sim, qual o seu nome?
— Theo. O seu é Leo, certo?
— Leo Valdez, filho de Hefesto. — Ele sorriu e eu sorri de volta.
Estava curioso com aquele garoto. Raramente eu o via, mas sempre via, ele estava brincando com o Jason e fazendo gracinhas para as filhas de Afrodite, mas sempre acabavam rindo dele.
— Se não se importar... — Hesitei por um momento. — Por que estava chorando?
— Eu não estava chorando. — Ele disse rapidamente e olhei para ele sabendo que não era verdade, ele respirou fundo. — Podemos não falar sobre isso?
— Claro. — Percebi que era um assunto delicado para o garoto, então resolvi deixar de lado.
Nós dois não falamos mais nada, e estava um silêncio estranhamente agradável. Olhei para as suas mãos que agora mexiam incontrolavelmente numa chave de fenda. Fiquei olhando e sorri um pouco.
— Você toca algum instrumento? — Leo perguntou. Deixando-me confuso por ter entrado nesse assunto tão rápido.
— Sim, como você... Como você sabe?
— Você se parece com os filhos de Apolo. Branquelos de olhos azuis. Então eu achei que tocava. Toca violão?
— Violão? Toco sim, eu já toquei para o... — Parei de falar, eu não podia falar que toquei para o Nico. — Já toquei na fogueira.
Ele sorriu e vi um pouco de cabelo nos seus olhos, eu tentei me controlar, mas quando percebi minha mão estava levantada afastando levemente os fios do seu rosto.
— Obrigado. — Ele disse corando um pouco e eu sorri para ele.
Virei-me para frente novamente e fiquei com a cabeça baixa. Pensei no que Nico poderia esta fazendo agora, mas depois me repreendi mentalmente por ter pensando nele. Eu não tinha chances com o Nico, agora ele tinha o Jack, ele estava feliz. Eu tinha que seguir em frente. Virei-me para Leo novamente e abri minha boca para falar algo, mas não foi isso que aconteceu. Naquele momento pareceu que tudo tinha acontecido em menos de um segundo. Ele tinha atacado meus lábios com os dele. Eu ainda estava sem acreditar, ele se afastou de mim e colocou a mão sobre os lábios.
— Me desculpe. Desculpe-me, eu não sei por que eu fiz isso. — Eu percebi que ele estava muito nervoso. E eu ainda não conseguia falar nada. — Ah meus deuses, você não vai falar nada?
Eu sem nem pensar direito puxei o seu pescoço fazendo com que meus lábios encostassem-se aos dele novamente. Ele colocou as mãos na minha nuca e eu puxei a sua cintura para grudar mais nossos corpos, pedi passagem com a língua e ele cedeu quase imediatamente. Apenas separamos quando o ar faltou. Ele me olhou com surpresa e saiu correndo. Eu ainda estava confuso, mas acabei sorrindo, e fui andando para o caminho do meu chalé.
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