Ice and Darkness
32 Eu queria
Notas iniciais
POV Jack
A coisa mais difícil do mundo é deixar a pessoa que você ama. Mesmo sabendo que vai ser o melhor para ela. Eu nunca me senti tão mal quanto estou sendo desde que eu deixei o Nico sozinho no chalé. Não fui para muito longe para ser sincero. O vi ficar me esperando pela janela, me esperando voltar. Como eu queria voltar. Voltar a sentir os seus lábios, ou escutar a sua voz. Queria tê-lo em meus braços novamente. Mas eu sabia que eu não podia ficar com ele. Isso só o faria ficar pior. Eu não podia ser tão egoísta e o deixar perder toda a sua vida para ficar comigo. Eu não poderia saber que foi por minha culpa que ele abriu a mão da sua vida. Se for para ter a maldição da eternidade, prefiro ter sozinho. Sem precisar arrastar ninguém comigo.
Eu ainda via o Nico de vez em quando. Alguns minutos enquanto ele dormia, mas nunca ficava muito tempo. Algumas vezes a vontade era tanta de entrar no quarto e tocar nos seus cabelos. E quando isso acontecia, eu logo saia dali. Quando eu o vi rasgando os desenhos que ele tinha feito, meu coração murchou. Eu ainda tentei procurar os desenhos, mas não os achei. Queria que ele seguisse em frente. Mesmo que fosse doer muito, eu apenas queria que ele seguisse em frente. Que ele me esquecesse. Mas no fundo eu não queria isso. Eu o amo. Não quero que ele me esqueça. Eu estava voando deitado olhando para as estrelas. Elas me lembravam de Nico. O brilho delas me lembrava dos seus olhos quando estava feliz. Senti algumas lágrimas escorrerem pela minha bochecha. Mas não me movi para limpa-las. Tirei o anel que ele tinha me dado quando eu o pedi em namoro e fiquei brincando com ele entre meus dedos.
É tão errado se sentir mal achando que esta fazendo algo bom? Por que é isso que eu estou sentindo. Fico pior pensando que era por minha causa que o Nico chorou. Por minha causa que ele quase não saia do chalé no começo. Que foi por minha causa que ele se afastou dos amigos novamente. Que se eu tivesse lá, ao seu lado, ele não estaria daquele jeito. Talvez estivesse sorrindo. Talvez nos estivéssemos abraçados em sua cama, com as roupas, provavelmente, jogadas em algum canto do chalé. Ou talvez eu o estivesse o acalmando por ele ter tido um pesadelo. Eu não sei, eu queria poder ter todas as opções acima. Eu queria ficar para sempre do lado do Nico. Por que nenhuma outra pessoa me fez sentir assim. Nenhuma outra pessoa acreditou em mim, mesmo sem nem ter ouvido falar antes da minha história.
Coloquei novamente o anel em meu dedo e continuei a olhar para as estrelas. Passei a mão pelo meu rosto secando as lágrimas quase imperceptíveis, mas mesmo assim continuavam a descer. Queria saber o que ele estava fazendo agora. Queria ir ao chalé e vê se ele estava dormindo. Mas eu não podia, eu não podia por que isso me faria a ter esperanças. E eu não posso ter. Não posso, porque eu sei que não posso ter o Nico de volta. E eu tenho que ficar repetindo isso a mim mesmo há quanto tempo for necessário até eu me convencer que é verdade. Seria muito mais fácil se eu se esquecesse de tudo. Que eu esquecesse que algum dia eu conheci o Nico. Mas eu não queria isso. Se esse fosse o caminho mais fácil eu prefiro enfrentar o mais difícil.
Eu quero sim que ele seja feliz, e se isso for com outra pessoa eu tenho que ficar feliz por ele. Mas eu nunca vou poder me esquecer dele. Nem se eu quisesse. Por que quero ter suas lembranças. Quero lembrar de que um dia ele me amou. Não importa o quanto isso doa.
Eu o queria em meus braços. Eu queria o abraçar. Queria o abraçar e dizer que o amava. Queria pedir desculpas por ter ido embora. Queria voltar a sentir o sabor de seus lábios. Queria poder tocar em todo o seu corpo novamente. Queria sentir o seu cheiro. Queria escutar novamente sua voz. Queria sentir a sua pele contra a minha. Queria segurar suas mãos. Queria passar a mão em seus cabelos. Queria voltar para o lago. Queria patinar com ele novamente. Queria poder defendê-lo. Queria que ele fosse meu novamente.
Eu tenho que me afastar ainda mais dele. Tenho que manter distância porque eu não suporto ficar tão perto e tão longe dele ao mesmo tempo. É uma sensação horrível. Voei até o chão e andei entre as árvores até chega à janela do seu chalé. O chalé estava escuro, nenhuma luz estava ligada. Mas com a luz da lua dava para ver o seu corpo na cama. Seu peito subindo e descendo pela respiração. Por impulso eu empurrei a janela e para a minha surpresa estava aberta. Voei com cuidado para dentro do chalé sem fazer barulho. Cheguei perto da cama e eu ia afastar os cabelos do seu rosto, mas me lembrei da época que nos conhecemos e ele percebeu que eu fui mexer que acabou com ele por cima de mim. Sorri comigo mesmo com a lembrança. Fiquei o olhando por alguns segundos seu rosto, ele parecia tão sereno, seu olhos fechados com calma e a boca entreaberta, respirei fundo e achei melhor ir embora.
Voltei para a janela e olhei uma vez para trás. Eu te amo Nico. Eu sempre vou te amar. Espero que não se esqueça de mim. Sai voando pela janela e não me atrevi a olhar para trás. Tinha medo que se eu fizesse isso não conseguiria ir embora.
Respirei fundo e passei a mão pelos meus cabelos. Eu iria embora agora sim. Eu tinha que ir. Era o melhor para mim e para ele. Mas eu não fazia ideia de quanto tempo eu iria conseguir passar sem tocar no meu Nico novamente.
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