Ice Queen

2 O Príncipe e a Rainha de Gelo


Notas iniciais
Primeiro Capítulo, espero que gostem.

Eu sou Hoshino Saeko, Presidente do Conselho Estudantil do Instituto Kiosei, que até ano passado era uma escola só para homens. Por questões financeiras, o colégio só para garotas que eu estudava teve de se juntar com Kiosei e assim o mesmo passou a ser uma escola mista. Infelizmente, muitos pais não gostaram da mudança e por isso transferiram suas filhas para outro colégio feminino e por isso agora 70% dos estudantes de Kiosei são homens. Inclusive o Conselho Estudantil, todos os membros são homens, menos a Presidente que sou eu.

Por possuir uma boa aparência, desde que entrei nesse colégio era perseguida diariamente pelos garotos e isso me causava um grande incomodo. Por isso eu decidi que tinha que mantê-los afastados de qualquer jeito e a única forma que eu encontrei foi de ser alguém com um pouco de superioridades. Assim eu me esforcei, me esforcei bastante e após muito tempo me matando nos estudos, nos clubes de Aikido e melhorando meu relacionamento com os professores, finalmente consegui ser a Presidente. Mas o resultado não foi tão bom quanto eu gostaria. Já não era mais perseguida, mas além de o Conselho ser formado por apenas homens, eu recebia quase todos os dias confissões de amor. Porque eu me incomodava com isso? A resposta era simples. Eu não sei lidar com homens.

Eu tenho duas irmãs, uma mais velha e uma mais nova e como nosso pai nos abandonou eu vivo apenas com minha mãe e minhas irmãs desde os meus 6 anos de idade. Além disso, sempre estudei em escolas só para garotas. Como não tive quase nenhum contato com garotos, eu não consigo conversar com eles e quase desmaio quando sou tocada por um. E para piorar, quando um deles vem conversar comigo, como para se confessar, eu só consigo olhá-los friamente e rejeitá-los. Com a tentativa de mudar a situação, minha mãe decidiu que eu tinha de estudar nessa escola mista e não me transferir como as outras garotas. “Você se acostumará a eles se conviver”, ela dizia. Foi mal mãe, mas por mais que eu tente, eu não consigo. Já não sei mais o que fazer. O único garoto com quem eu converso é meu vizinho e possível amigo de infância, mas acho que é porque eu achava que ele era uma garota quando éramos crianças e agora a presença dele já é algo definitivo, como se ele fosse um membro da família.

– Kaichou, Uehara-kun quer saber se você quer verificar os gastos mensais dos clubes agora... – Esse é o Vice-Presidente, Usui Kyohei. Por ser filho de um japonês com uma inglesa, possui uma aparência que realmente chama a atenção. Cabelos negros, olhos azuis e um corpo definido devido ao seu treino diário de Aikido. Com sua bela aparência e sua voz gentil, logo ficou conhecido como o Príncipe de Kiosei. — ... então vê se para de pensar em coisas pervertidas e responda logo. – É claro que suas palavras gentis não se aplicam a mim e é claro que ele na verdade é um playboy e não um príncipe.

– Aho! Não me coloque no mesmo nível que você, Usui! Eu estava pensando em... deixa isso para lá. Uehara Kouta, entregue-me as suas anotações!

– São os gastos dos clubes, Kaichou! – Disse o tesoureiro do Conselho e como sempre ele me olhava com olhos admirados, o que fez com que eu apenas pegasse os papéis sem dizer nada. Dou uma olhada nas contas e como nenhum dos clubes não haviam ultrapassado seus orçamentos esse mês, o que era um milagre, eu encerro a reunião.

– Você foi muito dura com o Uehara-kun não acha? – Disse Usui, que diferente dos demais que já tinha saído da sala, ainda se encontrava em seu lugar.

– Eu o tratei como ele deve ser tratado, afinal eu sou a Kaichou e ele apenas um tesoureiro! – Palavras afiadas, sempre fazia isso mesmo sem ter a intenção. Olho para meu caderno de anotações e querendo ardentemente que o mesmo se transformasse em um buraco em que eu pudesse enfiar minha cabeça.

– Uau, que fria! Não é à toa que você conseguiu o seu título como rainha do gelo. – Quieto, não precisa me lembrar disso. Eu sei que sou horrível aos olhos das pessoas por ser uma idiota, não precisa me fazer lembrar. – Sorte a sua que eu te conheço o suficiente para saber que isso é o que é, apenas palavras e não o que realmente sente. Sei que não é isso o que você queria dizer, não é mesmo, Saeko-san!? – É claro, esqueci de dizer a vocês, Usui Kyohei é aquele meu vizinho que é possivelmente meu amigo de infância. E ele também conhece o meu segredo. Apenas olho para ele e o ignoro. Ele se levanta e vai atrás de mim, apoia as suas mãos em meu pescoço e começa a massageá-lo. Usui era o único garoto que quando me tocava, não fazia com que eu tivesse um colapso nervoso.

– Se continuar assim, vai acabar virando uma Oba-san e sozinha!

– Tsc, isso não dá sua conta, Usui! Cuide da sua vida!

– O que é isso? Cadê aquela garotinha meiga e gentil que vivia falando “Kyo-chan, Kyo-chan” para todos os lados? – No momento em que iria lhe responder, um garoto aparece no vão da porta. Usui ao mesmo tempo retira suas mãos e se afasta.

– Er... eu gostaria de falar com Hoshino-san. – Mais uma vez um garoto vinha me procurar, estaria bem se fosse alguma coisa que envolvesse o Conselho, mas com certeza não era esse o caso.

– Bem, vou saindo então. Até mais Kaichou. – Então Usui sai da sala. Que traidor.

Eu me levanto e vou até o garoto. Ele não era um garoto feio, tinha cabelos loiros e olhos verdes e possuía uma expressão gentil no rosto. Provavelmente seria um bom namorado.

– Eu sou Takumi Kenta da 2-2, Kaichou-sama. – Apresenta-se o garoto.

– O que eu poderia fazer por você? – Digo sem nenhuma emoção. Já sabia o que estava por vir.

– Hoshino-san, eu gosto de você a muito tempo. Por favor saia comigo. – Aí estava. Mais uma confissão. Em questão de segundos, todas as confissões que eu havia recebido e que havia rejeitado vem em minha mente. Penso também nas palavras de Usui. Ele estava certo, se eu continuasse assim, eu ficaria sozinha. Ali na minha frente estava um garoto gentil, que gostava de mim. Para mudar esse futuro tudo o que eu tinha que fazer era sorrir e dizer: Eu gostaria muito de sair com você. Mas então, o que eu faria a seguir? Como eu poderia abraça-lo sem ficar nervosa e beijá-lo com certeza estava fora de questão. Não seria uma boa namorada, então o melhor era dá-lo a chance de ser feliz com uma garota que seja normal. Assim, eu abaixo minha cabeça e sussurro:

– Sumimasen, mas não correspondo aos seus sentimentos! – Então me afasto e caminho até a janela. Fecho os olhos e escuto seus passos se distanciando. Antes que eu pudesse evitar, uma lágrima se desprende de meus olhos e rola pela minha bochecha. Eu tenho sonhos como toda e qualquer garota. Sonho em me apaixonar, casar e ter uma linda família. Mas eram sonhos impossíveis por causa desse meu problema e isso me deixava muito triste e sozinha.

– Como pensei, você o rejeitou também não é? – Era o Usui. Não era uma boa hora para ele aparecer. – Já disse que se você continuar fazendo isso, você vai acabar... Saeko? – Não respondi. As lágrimas ainda caiam e minha voz com certeza estava embargada, se eu dissesse alguma coisa, ele notaria...

– Saeko – Sua voz estava muito próxima e ele com certeza viu que estava chorando, o que era péssimo. Nunca tinha chorado na frente de Usui, nem quando era criança. Ele agora tinha achado mais alguma coisa para poder zoar comigo. Pelo menos era isso o que eu pensava, mas estava enganada. Sem dizer nada, ele me envolve com seus braços e me abraça.

– O que pensa que está fazendo, seu pervertido?

– Estou te consolando, sua burra. Então fica quieta e chore o quanto precisar. – Ele não precisava dizer isso, eu já estava chorando muito. Por isso relaxo e apenas sussurro sem o afastar:

– Baka.

O calor de Usui me trazia uma grande sensação de aconchego e assim eu gradativamente fui relaxando até minhas lágrimas passarem a secar. Usui então me vira e me olha nos olhos, como se estivesse verificando se eu tinha parado de chorar. Quando ele teve a certeza, ele se afasta e senta na mesa. Passa a mão pelos cabelos e solta um suspiro.

– Graças a deus você parou de chorar. – Diz ele finalmente.

– Pensei que estivesse me consolando. – Digo e me surpreendo ao ver que minha voz estava tão rouca.

– Você já parou de chorar, não precisa mais que eu te console.

– Vai me zoar agora? – Ele então olha para mim e me lança um sorriso. Mas não era um sorriso de deboche, mas sim um sorriso doce, gentil.

– Por que zoaria? Você está sofrendo, não é? Eu seria um monstro se zoasse você por ter chorado. – Meus olhos arderam e senti vontade de chorar novamente. Usui notou isso e se levantou rapidamente, me pegando pelos ombros. – Oi, não vai chorar novamente não é? Eu fico sem reação quando garotas choram. – Seu rosto estava tão desconcertado e engraçado, que eu não consegui evitar de rir.

– Desculpe, mas você tinha de ver seu rosto agora. Está hilário. – E continuo rindo. Ele abre um sorriso de lado e larga meus ombros para apenas passar as mãos pelos cabelos.

– Bom, pelo menos você está rindo. – Olho-o e suspiro. Apesar de ser o Usui, confesso que ele me ajudou muito.

– Arigatou, Usui. – Vejo sua cara perplexa e me viro novamente para a janela. Respiro fundo algumas vezes e então digo baixinho. – A verdade é que eu não sei mais o que fazer. Eu realmente quero um dia ter um namorado, me casar e ter lindos filhos...

– São lindos sonhos...

– Deixa eu continuar.

– Ok.

– Bom, esses são meus sonhos. Mas quando penso em aceitar sair com um dos garotos, eu lembro o que eu tenho que fazer como namorada e isso me deixa nervosa. Não estou habituada a conviver com garotos e por isso tenho medo de não reagir bem quando o meu namorado conversar comigo e tenho mais medo ainda de como reagirei se ele tocasse em mim. Tudo isso passa pela minha mente e isso faz com que eu os rejeite. – Encosto minha testa e dou um suspiro. – Não sei mais o que fazer, Usui. – Então o silencio invade o local. Nem eu e nem Usui falávamos. Quando então decidi que o assunto tinha morrido e que eu tinha que ir para a casa, escuto Usui pigarrear antes de falar.

– Então o que precisamos fazer é com que você se acostume a ter um relacionamento com um garoto. – Franzo a testa tentando pensar aonde ele queria chegar. – Então vamos fazer o seguinte. Eu serei seu namorado por um mês. Nesse mês faremos tudo o que namorados fazem, como ir a encontros, segurar as mãos, nos abraçar e etc. Assim você se acostumará a fazer tais coisas e não haverá problemas em sair com os garotos. – De todas as coisas que tinha pensado, nenhuma era tão absurda. Viro-me para ele e digo:

– Você só pode estar brincando.

– Não, não estou. – Seu rosto estava sério e sua voz firme, ele realmente não estava brincando.

– Isso jamais daria certo. – Digo por fim.

– E por que não?

– Você é um playboy e tem várias namoradas, jamais namoraria alguém assim.

– Assim você me ofende. E nós só seremos namorados de mentira. Tem mais algum argumento? – Olho bem nos seus olhos e respondo.

– Sim e também o mais importante. Nós crescemos juntos, quase como irmãos. Quando sou tocada por você, não sinto desconforto e nem fico nervosa, então sair com você não resolverá meu problema. – Usui então se aproxima de mim e me beija nos lábios.

– Isso porque eu nunca tentei te seduzir, Saeko-san. – Ele se vira e começa a sair da sala, mas não antes de dizer: — Me encontre amanhã as 9h da manhã em frente a sua casa, teremos nosso primeiro encontro. Bye Bye. – E então ele some e eu desabo na cadeira. Foi um beijo rápido e provavelmente se encaixaria na categoria “selinho”, mas todo o meu corpo estava quente e minhas pernas estavam trêmulas. Pela primeira vez o meu coração havia sido disparado pelo Usui Kyohei.

GLOSSARIO:

AIKIDO:http://pt.wikipedia.org/wiki/Aikido

KAICHOU: Presidente Escolar

AHO: Idiota

OBA-SAN: Tia

SUMIMASEN: Desculpa (formal)

BAKA: Idiota

ARIGATOU: Obrigado

Notas finais
Então gostaria de saber a opiniao de você, o que acham de me darem seus Reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.