Ice Paper
2 Capítulo 2 Um novo Capuz e Mais um par de Ternos
Notas iniciais
O desespero cobriu sua mente, não pudera raciocinar como na situação que se encontrava a algum tempo atrás na escola Hikari, correu em direção a seu quarto e o abriu procurando uma solução, algo que o escondesse, os soldados já estavam no andar de baixo, pode-se ouvir barulhos de portas sendo arrombadas, vasos de vidro que ficavam enfeitando a janela da cozinha sendo jogados contra a parede e os cacos de vidro sendo pisados cada vez mais fortes.
O garoto sacou a pequena chave que trancava o armário o abriu e o fechou rapidamente, no mesmo segundo o som da batida ecoou pela casa que estava vazia.
–Droga de solidão! Nos atrapalha até em perseguições – Sussurrou para si mesmo, em seguida trancou o armário por dentro e ficou a espreita pelo buraco da fechadura, vendo um por um das forças armadas passarem, de um lado um chutava sua cama e quebrava a madeira em pedacinhos, outro sacou uma pequena pistola da parte direita do seu cinto e começou a dar tiros no piso, que foi facilmente sendo quebrado.
O garoto já estava ficando curioso, pra saber o que mais os soldados fariam e ao mesmo tempo agoniado quando viu um indivíduo vagarosamente andando em direção ao armário, já com a mão esticada, semelhante a um zumbi almejando o mais suculento e esplêndido cérebro.
–Se continuarmos assim nunca acabará! Ei Charles! Ande logo e use suas pistolas pra destruir este armário – Falou um que possuía algumas medalhas no peito esquerdo e algumas estrelas prateadas coladas em uma ombreira, sendo ele o único a usar uma dourada.
–... Está bem...- Falou decepcionado, no fundo ele queria pegar o armário e jogá-lo ao espaço, mas isso não tirou por completo seu ânimo, um sorriso maligno logo apareceu ao seu rosto um que por si só dizia – Eu ainda posso matá-lo – Como se ele soubesse que Zero se encontrava ali, Charles pegou em estilo cowboy de TV duas pistolas que aparentavam ser velhas, no gatilho possuíam uma tatuagem de caveira branca, ele formou um sinal de X com as mãos apontando as duas armas na direção oposta da mão na qual se encontravam.
–É assim que eu... morrerei? … — Sussurrou Zero, já escorregando e sentando abraçando suas pernas, ele abriu a mochila e olhou para o papel, ele seria seu único amigo no fim. Ele nunca teria uma vida com amigos, seus pais morreram antes dele sair do hospital, conseguiu escapar sem ir para um orfanato, foi morar com sua tia aquela que padecera sob seus olhos, o papel era sua única lembrança de sua família, a única coisa que o fazia ter vontade de viver.
Dos buracos no chão do piso de madeira, um gás de cor verde começou a vazar e percorrer todo o quarto, em seguida um homem encapuzado com máscara de gás teria aparecido sem mais nem menos, ajoelhado em frente aos soldados que apontavam cada um duas pistolas em direção a sua cabeça.
– Quem é V-... -Falou perdendo a voz o oficial com ombreiras douradas, que desmaiou junto com todos os soldados ali presentes, sem escutar nem ver nada o garoto no armário guardou na mochila o papel com cuidado para não amassá-lo, levantou o pé e com uma jogada arriscada arrombou o armário e saltou para frente, vendo os soldados caídos ele olhou para o encapuzado, e tentou falar porém a única letra que escapuliu foi um “Q” antes dele cair no chão.
Um som de pássaros cantando em todas as direções ecoou no seu ouvido, com esforço Zero abriu seus olhos vendo várias árvores ao seu redor, tapando metade do céu azul, acima delas o que daria para ver eram apenas nuvens passageiras buscando um rumo.
–Onde... eu e-e-estou? — Perguntou para o nada, sua cabeça estava um caos, sua testa ainda vermelha da queda que ele não consegui recordar, a única lembrança que tinha no momento era de ter se preparado para fugir, e ali estava no meio do nada perdido, ele se levantou e se sentou abrindo a mochila e puxando o mapa para estudá-lo, procurando por uma área coberta por árvores.
–O único lugar da cidade assim... é a floresta afastada da cidade, a South Down, mas... como diabos eu vim parar aqui...?- Sussurrou para si mesmo, antes de fechar o mapa e o guardar no bolso lateral esquerdo da mochila. Uma voz feminina pedindo socorro ecoou pelas árvores, mas pelo jeito que estavam alinhadas não era possível determinar de onde viria.
O garoto ficou confuso, alguém precisara de ajuda ali perto mas onde, o sol aumentou naquele mesmo instante, já era por volta de meio dia, ele observou bem o local e notou uma árvore diferente, maior que as demais e a única que possuía frutos, ele não parou para ver quais frutos teria, somente segurou em um galho , e o puxou, dando impulso para ele saltar e se sustentar em outro galho maior que aparentava ser forte, Zero deu um pulo passando das árvores e observando o horizonte, no mesmo instante, pôde ouvir melhor de onde viera o som.
–Sudoeste!- Falou correndo em direção ao mesmo, tendo em mente não deixar ninguém morrer a sua frente, ele não queria aquele sentimento de culpa assombrá-lo mais do que estaria a todo momento, a cada passo os gritos se tornaram mais próximos, uma garota apareceu correndo, a mesma que ele viu na escola quando esteve fugindo dos homens de terno, ele se escondeu, espremendo-se em uma árvore a sua direita, e ouviu mais dois passos, que estavam bem próximos dos da garota, quando ele viu os cabelos negros dela voarem ao seu lado, apareceu um homem baixo de pele branca e óculos de sol, e um grandão magro com as mesmas vestimentas e acessórios, correndo atrás dela.
Seu corpo se moveu por instinto e disparou um soco de raiva forte que acertou o baixinho, fazendo-o voar em cima do grandão e ambos caírem no chão.
–Como eu...?- Falou surpreso pelo que fez sem intenção alguma, os homens se levantaram e cada um puxou uma pistola mirando no peito do garoto, que começou a correr entre as árvores.
–NÃO IRÁ ESCAPAR MULEQUE! NINGUÉM FOGE QUANDO MACHUCA OS IRMÃOS TORA! -Gritou o grandalhão que começou a atirar certeiramente, acertando somente a grama e algumas árvores chegando a atirar até mesmo no céu.
–Calma... observe bem... -Falou o menor que tirou seus óculos, mostrando seus olhos negros, sobrancelhas imensas e olhar assustador, ele atirou em direção ao centro do corpo de Zero, o tempo começou a andar vagarosamente, pode-se ver que a bala estava indo no caminho certo, em poucos segundos a bala atravessaria o coração do garoto.
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