INcompletos
2 Yusei- Eu não sou pago pra suportar esses yamis
— Boa sorte com ele. – Melvin sussurrou para Ryou. Sério, alguém tem mesmo que ensinar o egípcio a manter a boca fechada, aquela língua solta ainda vai colocá-lo em sérios problemas.
— Boa sorte com as aulas de sussurros, Melvin. – respondi. Marik abafou o riso. Melvin revirou os olhos com o sorriso sumindo em seus lábios. – Vocês dois podem sair, preciso de privacidade com Akefia e Ryou.
— Espera... Vamos deixar o Ryou aqui? Sozinho? Nem pensar! E se acontecer alguma coisa como daquela vez? – Marik ficou tenso, os olhos lavanda me fitavam com angustia.
— já tomamos todos os cuidados. Aquilo não vai acontecer outra vez, Marik. Confie em mim.
Os gêmeos egípcios trocaram olhares quase melancólicos. Marik não queria que Ryou e seu yami passassem por tudo o que ele e Melvin viveram. Eu sabia mais que qualquer pessoa que ainda não tinham superado totalmente aquela noite. E eu era o culpado por boa parte disso.
— Tudo bem, tenha cuidado, por favor. – ele se mexeu desconfortável.
— Desculpa fundos... – o yami loiro se aproximou e deu uma tapa em meu ombro. – boa sorte com os irmãos albinos. Cuidado para não mata-los. – e saiu do quarto sendo seguido por Marik.
Antes de fechar a porta, Marik olhou uma última vez para mim e então para o amigo. – nós confiamos no senhor. — falou em um tom quase inaudível.
Preferi ficar cético quanto a sua última frase. Não, Marik não confia em mim. Ele acha que sou um duelista que saiu do nada, e de repente, decidiu virar algum tipo de cientista louco que explode experiências. Bom, para o povo daqui talvez eu seja isso mesmo.
“Vai ser um longo dia...”
— Ryou, deite-se, por favor. Examinarei-te daqui a pouco. –fiquei entre o espaço das duas camas. O yami parecia bem desorientado “só mais uma alma perdida procurando se redimir”, era a mesma coisa das outras vezes.
— Senhor Fudo, eu...
— Me chame só de Yusei, por favor.
— sim, se... Yusei, o que aconteceu noite passada?
— Esta perguntando sobre a separação? Atem, o yami de Yugi nos ajudou nesta tarefa. Parece que ele foi o faraó responsável por trancar as almas antigas em relíquias, como o anel do milênio que você possui. As informações são um tanto escassas, mas com a ajuda dos yami estamos conseguindo montar o quebra cabeça do passado. Ryou, nós temos uma parte oculta aqui dentro, quando encontramos dificuldades essa parte pode surgir se você acredita em si mesmo. Os yami são um tipo de “evolução” dessa nossa parte, eles podem tomar o controle, na verdade lutam por isso.
— Mas como essa separação é possível? Tipo, eles não criam um corpo do nada, não é?
—Não, não criam. Há alguns anos descobrimos uma caverna subterrânea, por ali existe uma sala onde a água é pura e cristais pendem do teto. De alguma forma, almas impuras que se banham naquela fonte acabam se regenerando. Ganhando uma segunda chance para viver. As lendas falam que há muito tempo, neste lugar existia uma fonte conhecida como a “fonte da vida”, uma cidade se ergueu ao redor da fonte, os livros dizem que era o verdadeiro paraíso na terra, mas alguma coisa aconteceu, alguma coisa grande. Os registros param no ano de 1600 a.c, mas semanas atrás descobrimos um diário que datava o ano de 2040 d.c, no estado em que se encontrava não parecia ter menos que 20 anos. Isso reforçou a teoria sobre realidades alternativas... São muitas perguntas e poucas respostas, acreditamos que os yami são as chaves que abrem as portas para esses segredos. Desde o ano passado estamos procurando pessoas como você Ryou, que tem essa alma escura dentro de si. Mas nossas informações são poucas e algo me diz que o tempo é curto. O diário fala de um evento catastrófico que colocará um fim em grande parte da população, uma dominação por meio de guerras, para ser mais preciso. Nós, cientistas, lutamos contra o relógio para impedir que algo assim aconteça. Precisamos de ajuda Ryou, precisamos da sua ajuda.
Ryou apenas calou e ficou encarando o teto com os olhos arregalados. Podia ver pequenas gotas de suor escorrendo pela lateral de seu rosto pálido. Acredito que não tinha palavras para expressar à confusão em que sua cabeça estava.
“Ontem um adolescente solitário e prestes a morrer, hoje um rapaz perdido em meio a uma possível guerra entre o tempo”.
Se me perguntassem qual a pior parte do meu trabalho eu responderia “a recuperação” sem pensar duas vezes. A mente cheia de perguntas e medos, os olhos perdidos e confusos enquanto tenta se acostumar com o novo mundo que lhe foi revelado. A vida pode ser assustadora, eles vão viver ela ao extremo.
O yami me olhava atordoado, ainda não tinha se acostumado com um corpo próprio. Olhando-o daquele jeito era impossível acreditar que aquele rapaz já foi capaz de fazer algum mal a alguém um dia. Parecia tão indefeso, tão inocente... Ora, mas é assim que o mal se apresenta. Como uma coisa pura para enganar aqueles que o perseguem. Terminei de examinar o yami e parti para Ryou.
— Ryou, necessito de uma amostra do seu sangue. Prometo que não vai doer mais que o necessário. – retirei uma seringa de uma das gavetas da cômoda branca ao lado das camas e a encaixei na agulha. O albino não disse nada, estendeu o braço soltando um pequeno gemido de dor ao sentir a agulha perfurar sua pele. 40 segundos depois e já tinha recolhido o necessário. – Já esta de bom tamanho. Obrigado.
— de nada – ele respondeu sem olhar para mim.
—Ryou, se não estiver muito tonto, você pode ir dar uma volta lá fora. A base fica linda nesta época do ano. – falei dando o melhor sorriso que podia.
— Pode ser... – ele se senta na cama e tenta levantar, o ajudei a ir até a porta, onde curiosamente Marik tentava espiar pela fechadura.
—Perdeu alguma coisa, Ishtar?
— não, senhor Fudo. Eu só estava passando mesmo.
— Entendo... Pode acompanhar Ryou pela base? Você parece estar bem livre.
— Claro. Vamos Ryou. Eu vou te mostrar o refeitório. Acho que você tá com fome, não é? Vamos lá, ainda esta na hora do café!– o loiro saiu arrastando o amigo pelo corredor
“Ryou esta em boas mãos” voltei para o quarto um pouco mais tranquilo, os dois pareciam serem bons amigos.
—Enfim sós Akéfia! – falei entrando no quarto.
O yami parecia já ter se acostumado com o ambiente. Agora eu era o principal alvo de seus olhos vermelhos. – Bak... Bakura... – ele gemeu a respiração estava pesada.
—Tudo bem Akefia. – respondi enquanto observava algumas máquinas que mostravam seus batimentos cardiacos. – Vai ficar tudo bem...
— com licença, mestre Fudo. – Valon entrou no quarto esbaforido. – Fiquei sabendo ocorrido e vim o mais rápido que pude. Atlas-sama também acabou de chegar, esta conversando com a senhorita Akiza na sala ao lado do laboratório.
“Eu e minha grande boca”
—Bom dia, Valon. Espero que tenha tido uma viagem agradável. – respondi sem olhar para o moreno. Alguns diriam que cumprimentar um conhecido sem olha-lo nos olhos era uma enorme falta de respeito, admito que seja verdade, mas não consigo deixar esse meu costume de lado. Do mesmo jeito são meus sorrisos, dificilmente consigo dar um que não seja tão forçado ao ponto de fazer criancinhas correrem chorando com o pensamento de que quero comê-las. Isso é uma característica minha, por mais que tente nunca vou conseguir apaga-la.
— senhor, eu posso ajudar em algo?
—Poderia ficar com Akefia? Tenho outros assuntos para resolver e acho que você já tem competência suficiente para cuidar de yamis, não é?
— acho que sim, senhor.
—Obrigado.
—Senhor, Seto Kaiba esta te esperando na sala ao norte. Ele parecia sério.
—Ah sim, então estou indo para lá. Obrigado mais uma vez, Valon.
— De nada. – ele me deu um sorriso pequeno.
Deixei os dois sozinhos e saí em direção à sala ao norte. A base era gigantesca. Quatro torres, norte, sul, leste e oeste. Cinco pavimentos, um labirinto de corredores, em cada esquina uma planta para os visitantes não se perderem naquele infinito branco. Não preciso mais olhar as placas com os mapas, até as plantas mais secretas já estão gravados em minha mente, esse é o lado bom de ter participado da construção do local. Um prédio grandioso construído próximo a um desfiladeiro, ótima paisagem para olhar pela janela ao acordar.
O mais “legal” é que durante a caminhada eu geralmente fico sabendo de todas as fofocas da semana.
Kisara terminou com a namorada e agora o caminho esta livre para o Kaiba; A Honda nova do Honda; Crow bebeu demais no fim de semana e confundiu um espantalho com uma modelo que ele admira desde os tempos de moleque e assim por diante. Assuntos irrelevantes que não vão mudar em nada na nossa vida, mas que mesmo assim gostamos de saber sobre.
— sejam bem vindos, Kaiba e Mokuba. – falei entrando na sala. Kaiba estava concentrado digitando alguma coisa no laptop, enquanto Mokuba olhava o teto com cara de paisagem. A grande janela de vidro iluminava o cômodo completamente. Aquela época do ano o desfiladeiro ficava ainda mais bonito em minha opinião, mas não parecia agradar aos outros.
—Oi Yusei! Onde estão os gêmeos? Eles já chegaram? Seto me deixa brincar com eles?
— Mokuba comporte-se. – kaiba respondeu sem tirar os olhos da tela.
—Mokuba pode ir brincar. Os dois devem estar no andar de cima fazendo alguma coisa estranha.
—Valeu Yusei! – e saiu correndo pelo prédio.
Kaiba levantou os olhos e me fitou com cara de “quem você pensa que é?”.
—O que foi? É uma criança, Seto. Tem que brincar. – sentei no sofá ao lado. “3... 2... 1...”
Ele fechou o aparelho ainda com os olhos em mim. – Fudo, eu não ligo para o que você quer fazer aqui, mas...
—É? Deveria...
—Não me interrompa! Eu e Mokuba viemos aqui para testar o novo sistema de duelos, ele veio aqui para me ajudar...
— É uma criança, Kaiba!
—Pode ser uma criança, mas é mais inteligente que muitos adultos. Ele tem que estar pronto para assumir caso aconteça alguma coisa comigo. Não pode ficar perdendo tempo com baboseiras infantis!
—Então você quer que o moleque perca a infância?!
—Ah, Yusei. Você me entendeu!
—Não, não entendi. E acho que nunca vou entender. Você cuidou tanto do garoto, para crescer e não deixá-lo aproveitar a infância? Por medo do que pode vir a acontecer com você? Preocupa-se mais com os negócios do que com a felicidade do Mokuba? Não vê que fazendo isso você esta parecendo ainda mais com o seu...
—ora deixe de besteira. Vamos logo duelar. – Kaiba abriu a porta, não vi a expressão que se formara em seu rosto, mas sabia que tinha cutucado a ferida com sucesso.
—Vamos.
A arena de duelos era enorme. Uma área que ficava debaixo da base, local perfeito para testes em que não sabíamos o que poderia dar errado.
Há alguns anos encontramos uma maquina aos arredores do penhasco, estava acabada, mas nada que um conserto não resolvesse. Na época ninguém sabia o que era nem de onde tinha vindo. A placa de identificação estava quase toda danificada, as únicas coisas legíveis eram:
“Propriedade de H.L.”.
—-----------------Ilegível -------------------------------
“Caso encontre entregar as autoridades.”
—--------------Ilegível-------------------------------------------
“Duele com seu coração!”
—-------Ilegível--------------------------------------
A resposta para o que era aquilo veio de uma visita um tanto estranha. O prédio ainda estava sendo construído quando, numa noite, uma criança apareceu simplesmente “do nada”. A levamos para dentro das tendas que ficavam ao redor da construção, tentamos tirar alguma informação dela, mas a única coisa que fazia era apontar para a estranha máquina e repetir infinitamente “Duelos de ação abrem as portas para a destruição” de um jeito rimado e tosco. Adormeceu na barraca de Crow e no outro dia havia sumido do mesmo jeito que apareceu. Foi aí que decidimos construir um andar no subsolo para colocar a estranha tecnologia. Como era uma coisa relacionada a duelos, achei que Kaiba e Pégasus se interessariam. Kaiba se manteve cético quanto à história, mas demonstrou interesse pela máquina. Já Pegasus pareceu digamos... Incomodado com a tal “tecnologia avançada entregue por uma criança de oito anos”, como ele nomeou a situação toda.
Seria a primeira vez que iríamos testar aquele tipo de duelo. Um duelo em que pode se sentir o dano causado pelos monstros, não sabia se deveria preocupar ou ficar animado, de qualquer forma minha animação não seria perceptível nem em um milhão de anos.
— seja bem vindo a nossa arena de duelos, Kaiba. – falei abrindo as enormes portas de aço. A pista onde testaríamos o mais novo duelo de velocidade brilhava em neon, para um piloto de D-wheel como eu, não poderia existir cenário mais perfeito como aquele.
—Akiza pode ligar os motores! – gritei para a sala de controle. – Kaiba sua moto vai estar no piloto automático, assim não vai precisar se preocupar com a direção.
Ele assentiu e foi até o D-wheel verde do outro lado da pista.
—Quando quiserem! – gritou Aki da sala.
Fui até meu D-wheel tentando não parecer muito animado com a situação. Kaiba já estava pronto para começar a partida. – Pode começar Aki.
DUELO INICIADO
YUSEI VS KAIBA
A pista ganhou uma coloração esverdeada, algumas partes cintilavam expostas as luzes do local. Kaiba fez uma curva perfeita. Sem demonstrar medo ou surpresa, se não o conhecesse diria que tinha vasta experiência com duelos de velocidade.
Kaiba: ativo a carta mágica: santuário do dragão, ela me permite enviar um monstro tipo dragão do meu deck para o cemitério e, depois, se esse monstro no meu cemitério for um monstro normal do tipo dragão posso enviar mais um monstro do tipo dragão do meu deck para o cemitério. Eu envio meus dois olhos azuis para o cemitério e em seguida ativo a carta mágica choro de prata, qua me permite invocar especialmente um monstro normal do tipo dragão do meu cemitério. Apareçam, meus olhos azuis! Ativo reviver monstro que me traz de volta meu segundo dragão branco! Invoco normalmente cavalo-marinho de kaiser, que pode ser tratado como dois tributos para a invocação-tributo de um monstro tipo luz. Três feras imortais que abrem as asas e mostram ao mundo sua beleza. Seus olhos azuis como as águas de uma fonte límpida iluminam as almas perdidas no pecado desta era! Contemple o esplendor das magníficas feras antigas que está a sua frente! Coloco uma carta virada para baixo e encerro meu turno.
LP: 4000/ CARDS: 0
Era absolutamente incrível. Os monstros ganhavam vida na frente de nossos olhos, eles se moviam e rugiam como criaturas mitológicas. Tinha a impressão de que se quisesse, poderia subir em suas costas e voar.
Yusei: Meu turno! Puxar! Da minha mão eu ativo a carta mágica “turbilhão de relâmpagos”, ao descartar um card eu posso destruir todos os monstros com a face para cima que meu oponente controla!
Kaiba: e por acaso você pensa que eu vou deixar isso acontecer?! Revelar carta virada para baixo: vigilância do campeão! Quando eu controlo um monstro normal de nível sete ou mais, quando um monstro seria invocado OU um card de magia/ armadilha for ativado ou posso negar a invocação ou ativação e, se isso acontecer, o card é destruído.
Yusei: Da minha mão eu ativo “feixe noturno” que me permite escolher um card de magia/ armadilha que meu oponente controla e destruí-lo. Você não pode ativar o card alvo em resposta a ativação deste card.
Kaiba: maldito seja...
Yusei: “essa foi quase... Não queria, mas vou ter que acelerar esse duelo”. Invoco sucata sincron e ativo seu efeito: quando ele é invocado de forma normal eu posso escolher um monstro do meu cemitério e invocar o alvo em modo de defesa com seus efeitos negados. Retorne! Ouriço parafusado! Utilizo sucata sincron e ouriço parafusado para uma invocação por sincronização! Um conjunto de estrelas irá formar uma nova força... Torne-se o caminho em que a luz brilha! Invocação por sincronização apareça, guerreiro sucata! Ataque Kaiba diretamente. Coloco uma carta virada para baixo e finalizo meu turno.
LP: 4000/ CARDS: 1
Kaiba: Meu turno! Puxar! Coloco um card virado para baixo. Eu encerro meu turno...
LP: 1.700/ CARDS: 0
Joery: tudo bem, Kaiba? Você parece meio... Sucateado! – o loiro começou a rir junto com Honda, conhecendo a rivalidade entre Kaiba a Jonouchi, era até engraçado ver o homem perdendo pra um desconhecido “favelado”- como Kaiba me chamava assim que nos conhecemos- não poderia culpá-lo, também estava achando tudo aquilo meio irônico.
Yusei: meu turno! Puxar! Eu invoco jato sincron e ativo a carta “erupção negra”, que me permite retirar um monstro tipo trevas com 1500 ou menos de ataque do cemitério a minha mão. Volte meu querido amigo, sucata sincron! Invoco sucata em modo de ataque e, novamente, ativo seu efeito, retorne, ouriço parafusado. Meu guerreiro sucata ganha ataque igual ao ataque total de todos os monstros de nível 2 ou menos no meu campo. Meus monstros unam suas forças e mostrem aos inimigos seus laços!
Guerreiro Sucata: 3100 ATK
Avante guerreiro da esperança! Ataque Kaiba diretament...
—Yusei! – Valon apareceu no monitor do D-Whell. Freei o mais rápido que pude antes da curva.
— O que foi Valon?! – respondi assim que minha cabeça parou de dar voltas. Via Kaiba se aproximando pelo retrovisor.
—O yami! Yusei, oh meu santo lacre de orichalcos... – o moreno estava em pânico, pálido com suor escorrendo pela testa e olhava para os lados insistentemente.
—Valon espere! Fique calmo e... – a ligação foi encerrada. – Akiza desligue os sistemas!
Depois de alguns segundos as luzes neon desligaram. Kaiba parou a uns dois metros atrás de mim.
Desci, jogando o capacete de qualquer jeito no D-whell e saí correndo em direção ao portão de entrada.
Kaiba esbravejava atrás de mim, eu até pararia para rir do quanto o rosto dele estava vermelho, mas não era hora de se importar com seus ataques de raiva.
—Yusei pra onde você vai? Yusei! – Jack saiu da sala de controle e me agarrou pelo braço.
—Jack, Valon me chamou. Parece que aconteceu alguma coisa com o yami. – arrastei o loiro para a parede. Meus braços tremiam, a adrenalina corria pelo meu corpo.
—Calma Yusei. Vamos, vamos procura-lo.
Kaiba, Akiza e Crow ficaram para trás. Eu e Jack corremos pelo infinito branco da base, a dor que se formara em meu peito era absurdamente forte. A lembrança do que aconteceu com marik me assustava, mas o que mais me incomodava era o passado de Akefia e o perigo que o ladrão representava para os que estavam na base.
—jack! Yusei! – uma garota ofegante gritou correndo até nós.
—Anzu, estamos ocupados agora, por favor, o que é que seja nos chame mais tarde. – Jack respondeu.
—É o Valon...
— não diga mais nada. Nos leve até ele.
Valon estava sentado em uma da cama da enfermaria. Seus pés batiam insistentemente contra o chão, estava nervoso, isso dava para perceber de longe. Com os olhos cheios de lágrimas e a respiração pesada ele começou a falar:
— o Yami já conseguia mexer os dedos e pronunciar algumas palavras... – ele respirou fundo. – não parecia desorientado, muito menos confuso. Tentei dialogar com ele, mas quase nunca me respondia algo que fizesse algum sentido... Um alarme disparou de repende e eu fui checar o que tinha acontecido quando senti duas mãos pesadas e frias me agarraram por trás com uma força incrível! Aquilo me golpeou e eu caí... Desculpe-me, Yusei. Sério, mil desculpas... Eu falhei na primeira tentativa, isso é...
—Ora, cale a boca Valon. Não foi culpa sua. Anzu se estiver livre, poderia ficar com ele?
—Claro senhor Fudo.
—obrigado. Jack, vamos procurar esse yami.
—Realmente você é uma comedia. – Jack riu quando saímos da sala. – Deixar um ajudante cuidar de uma entidade perigosa... Não, não, Yusei.
— Cale a boca, loiro oxigenado. Ou eu largava o yami, ou o Kaiba.
—Você largou os dois.
—que tal procurarmos em lugares diferentes?
Ele ri e depois pegou o corredor à esquerda. Jack é meu melhor amigo, não tem como negar, mas às vezes ele me tira do sério de um jeito que até Rá duvida.
Fui para a área dos dormitórios rezando para encontrar ao menos uma pista de onde o albino estava. Aquele lugar era sempre quieto, escuro e frio. Um local que mais parecia um daqueles becos onde você pode ser esfaqueado e morto a qualquer momento, caso queira saber minha opinião. Porém ruídos cortavam o silêncio do lugar, vozes antigas que sussurravam em um tom quase inaudível.
“por que não adivinhei logo?” dois parceiros de crime, inseparáveis desde a época do papiro.
—mas Akefia...
—Bakura, me chame de Bakura.
—Você sabe que eles virão até você, mas não tem ideia do que farão quando te encontrarem.
(resposta curta e incompreensível)
— O que me surpreende é você ter vagado por aí sem ter sido notado.
— não sou chamado de rei dos ladrões à toa. Eu poderia roubar suas cuecas e você nem perceberia.
(murmúrio)
— O que esta fazendo? – o homem apareceu por trás.
— Pelo amor que você tem ao seu red demons, cale a boca, Jack. Os yamis estão lá dentro!
— Atrapalhamos a festinha? – Melvin riu acompanhado de Bakura.
“eu mereço...”
— você não estava autorizado a sair, Akefia.
—Não preciso da autorização de ninguém, escutou loiro oxigenado? Sei cuidar do meu próprio nariz.
—Vamos lá Akefia, colabore...
— Me escute bem, Yusei, se você e o loiro do tchan querem prender os outros aqui tudo bem, mas não vamos nos render tão facilmente. – ele se aproximou, por um segundo eu pude ver o tamanho da raiva em seus olhos. – Não vou deixar você fazer com Ryou ou Bakura o que fez com Marik.
— ninguém merece... – revirei os olhso, já calculando o tamanho da dor de cabeça que teria no fim do dia.
Depois de muito tempo jogado fora, Jack cedeu aos desejos dos yamis e aceitou que Akefia ficasse no quarto dez, mas antes disso o loiro fez os dois jurarem de pé junto que não fariam nada ruim para os outros. Naquele momento eu só queria comer alguma coisa e deixar os problemáticos de lado.
— Oh não... Deixei Kaiba no vácuo lá na área de duelos. – falei saindo da área dos quartos.
—Acho melhor se esconder na despensa.
—Por quê?
— Porque ele vem aí.
—Yusei!
—eu vou deixar vocês a sós. Tchau, tenham um bom dia.
—Jack!- sussurrei irritado, mas meu “melhor amigo” já tinha escapado para longe. – Kaiba, me desculpe por mais cedo. Valon estava com problemas e eu não podia simplesmente ignorar, entende?
— Não estou nem aí para seus problemas, eu quero uma revanche! Da próxima vez irei te mostrar a verdadeira fúria de meus dragões.
“Oi?”
— Espera aí, você só esta preocupado com o resultado do duelo?
— não coloque nessas palavras. Tenho uma reputação a zelar e não posso perder para um favelado como você.
— Antes de qualquer coisa eu só gostaria de dizer que minha “favela” é mais moderna que a sua empresa.
—Vamos duelar ou não?
— Com prazer.
— irmão já está de ida? – Mokuba chegou pulando de alegria ao lado dos gêmeos.
Kaiba me olhou frio. – Gostaria de ficar aqui por mais um tempo? Mando alguém te buscar no fim da tarde.
— Mas e os nossos compromissos?
—Esqueça isso por hoje, tudo bem? Concentre-se em se divertir com aqueles dois.
Os olhos de Mokuba brilharam. – Obrigado, irmão! – a criança abraçou o mais velho o voou para os braços dos gêmeos, loucos para aproveitar ao máximo o tempo extra com o amigo.
A expressão preocupada de Kaiba me fez rir internamente, esta era a parte amorosa que o homem escondia do mundo. Somente Mokuba tinha a chave que abria as portas de seu coração.
—Eu tenho um compromisso importante agora. Cuide do meu irmão.
—Vou cuidar.
— Fudo,eu queria... Queria... Obrigado por tudo.
—Perdão, eu não ouvi.
— Muito obrigado. Agora eu tenho que ir. Adeus.
— Tchau.
Foi-se embora, agora ele parecia um pouco mais humano aos meus olhos. “Os brutos também amam”, sorri internamente. Eu consegui ver o verdadeiro Kaiba por alguns segundos, já era uma grande descoberta.
— Vocês dois se merecem.
—Não sabia que gostava de escutar as conversas alheias, Akiza.
—Estava procurando o quarto do yami quando vi você e Kaiba conversando, acho que pelos acontecimentos de hoje qualquer um curioso.
— E que tipo de assunto gostaria de tratar com o yami?
— Quero saber mais sobre ele. Tentei falar com Valon, mas Anzu quase me expulsou da enfermaria.
— Se quiser eu te conto algumas coisas. Mas vai ter que ser no refeitório. Estou com fome.
—Tudo bem, mas você tem que me prometer não engasgar.
— Juro pela minha alma que não engasgarei diante da senhorita. – fiz uma reverência um pouco desajeitada. Akiza estendeu a mão e eu a beijei.
— Acredito em ti, meu rei. – respondeu segurando minha mão. Em poucos segundos seu sorriso se desfez dando lugar a uma expressão preocupada. – Yusei você acha que vamos conseguir salvar a todos?
— certeza eu não tenho, mas somos loucos! Carregar o destino da humanidade nas costas é um risco ocupacional.
Rimos juntos e fomos para o refeitório de mãos dadas. Aos meus olhos, Aki nunca foi uma bruxa, sempre a vi como uma fada poderosa e incompreendida. Ela tinha enfeitiçado meu coração sem nem se dar conta disso.
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