INTERATIVA - Drama Total: A Grande Busca
3 Primeiro Interlúdio: Jessica e Jake
Notas iniciais
POV Jessica Lewis
Acho que desde que me entendo por gente estava destinada para brilhar entre os grandes estúdios de Hollywood, com seu imenso glamour e sua fabulosa grandiosidade. Para falar a verdade, descobri-me como uma atriz natural ainda no fundamental, quando fiz uma peça de teatro fabulosa, ao qual não recordo o nome (mas também, qual a importância disso? O fator sublime era a minha atuação e não o que estava ao meu redor!), mas lembro perfeitamente de como estava perfeita (acho que gosto de repetir algumas palavras..., talvez para dar enfoque no que quero dizer). Se bem que a minha perfeição já era natural, afinal, quantas pessoas são ruivas naturais iguais a mim? Aliás, acho que minhas sardas também são um charme à parte..., só lamento para os que não foram privilegiados com uma beleza fenomenal igual a minha..., isso até pode parecer arrogante da minha parte, mas quando é a verdade..., o que posso fazer?
Estava com esses pensamentos em frente a minha penteadeira (com um espelho na parede ao lado), quando todos os meus devaneios foram evaporados pela chegada da baranga da Mary, minha empregada. Lá vinha ela com algo para me irritar, sem sombra de dúvidas.
— Com licença, posso entrar? É importante, muito importante! – Disse a pobre coitada sem perceber que já tinha entrado. Mas eu não ia criticar isso, queria saber o que ela teria a dizer.
— O que é? – Perguntei, com um ar de pouca atenção para o que estava falando.
— Precisamos arrumar urgentemente suas malas, minha senhorita! O programa em que vai participar começa amanhã e precisa estar daqui a pouco no aeroporto! – Respondeu Mary de maneira muito angustiada.
Só naquele momento que me dei conta de que tinha me inscrito naquela porcaria de Drama Total. Acho que foi mais por impulso do que por qualquer outra coisa, já que quando vi o prêmio que o vencedor (no caso, eu) iria ganhar, nem hesitei. Era muita bolada para ser desperdiçada com uns pobres sem talento que iriam gastar tudo numa questão de semanas..., precisava de algum dono de classe..., e só poderia ser eu!
Como já estamos em maio e novamente fui aprovada com notas máximas, foi fácil do papai deixar..., mas também, como ele ousaria me negar algo? Ainda mais a sua própria filha? Bem, tudo correu bem e nem precisei droga-lo..., mas quanto ao dinheiro, quando eu ganhar, acho que já criarei uma poupança secundária, enquanto faço cursos nas melhores escolas do mundo..., então..., após poucos anos já estarei levantando um careca dourado e o levando para casa. Infelizmente, entre meu sonho e a realidade, tem os outros participantes..., mas para isso, já planejei tudinho! Não tem como dar errado...
— Senhorita? Você me escutou? – Perguntou a empregadinha me despertando de meus sonhos mais uma vez.
— Tá bom, tá bom..., então vamos logo fazer isso!
Enquanto ela arruma as minhas malas e eu indico o que eu quero, meu pai chega..., e parecia estar com lágrimas nos olhos por sei lá o quê. Deve estar emocionado ou algo do tipo, porque já chega dizendo:
— Minha estimada filha, como é bom vê-la como uma mulher já praticamente madura e em busca de seus sonhos! Oh, meu bem mais precioso. Apesar de me sentir feliz com seu advento, não consigo disfarçar meus sentimentos de saudade quem invadem o meu coração!
Já informei que meu pai, além de grande magnata publicitário, é também um poeta? Bom, acho que agora dá pra entender um pouco. Acho que essa viagem vai ser boa para espairecer a mente também..., ai,ai. Adeus, Vancouver!
...
POV Jake Arantes Smith
Tem certas coisas que me incomodam. E uma delas é como o pessoal aqui nos Estados é chato e preconceituoso. Poxa, tento um trabalho, e já logo me veem com esse olhar de: “sai daqui latino nojento”. Eu até posso ter morado na Espanha por alguns bons 10 anos, mas eu sou canadense! E eu sei que os estadunidenses possuem bons negócios com os meus semelhantes, então me deveriam receber bem também. Poxa, onde que você vai achar um profissional elegante, bonito e ainda bilíngue?
Bem, como vi que nada disso tava dando certo, acabei me inscrevendo num reality lá que vi num anúncio de jornal com uma bolada em jogo. Espero que seja verdade, já que os participantes devem comparecer ao aeroporto mais próximo, onde seremos encaminhados até o local da competição: algum lugar bem bonito pelo leste desse país. Acho que nesse jogo não vou ser muito de namorar, mas até posso criar algumas relações de mentira ou manipular algumas minas..., poxa! Eu sei que meus familiares não me educaram assim, afinal fui preparado para ser um letrado, mas eu ainda sou inteligente e sei jogar isso! Além de que preciso muito dessa grana. As minhas habilidades estratégicas vão me dar grande chances para o prêmio..., e, se for necessário, estarei preparado para pisar quem estiver em meu caminho e conseguirei destruir meus inimigos através de meu ótimo estudo do comportamento humano (Freud seja louvado!). Posso ser moralmente errado, mas só estou fazendo isso pelos meus objetivos.
Estive pensando tudo isso, enquanto viajava de metrô até a estação mais próxima do aeroporto de Sacramento, onde precisaria andar mais alguns quilômetros até o meu objetivo. Só espero que isso não seja uma brincadeira..., estou apostando tudo nisso!
Acho que quando faltava menos de 800 metros até a estação em que eu iria descer, um cartaz que vi passar num muro de uma construção qualquer me fez lembrar do meu tio..., era apenas um anúncio de show com flamenco, mas que de alguma forma, foram despertadas diversas lembranças no meu subconsciente.
O tio Carlos poderia até ser rígido com a minha educação, mas sabia ser amoroso e ainda mais gentil que minha tia Deisy, que muitas vezes se fechava em seu mundo por mágoas que insistem em ficar no seu coração e na sua mente. Como os dois eram casados, acho que um tomava a dor do outro, ainda mais depois de terem perdido seus dois filhos logo após o parto..., uma dor impossível de explicar.
Embora exista toda essa tristeza, meu tio sempre quando tinha tempo, me ensinava brincadeiras de sua época e me contava as mais diversas histórias..., aprendi com ele um pouco mais de Cervantes e de García Márquez. Aprendi como o Dom Quixote revolucionou o mundo e como Franco o destruiu. Compreendi como Orwell estudou a Espanha e as histórias que o influenciou. Senti a presença de suas refeições e o calor de suas relações humanas, o sofrimento de um povo e o prazer das danças culturais. Por fim, entendi que amava muito aquele lugar e que por isso entraria ali. Talvez, com todo aquele dinheiro, eu poderia fazer alguma coisa, mesmo que pequena, mas que modificasse e melhorasse a qualidade de vida dos muitos que precisam naquele lugar, que está sendo devastado pelo desemprego e pela fome. A partir daí uma coisa me foi clara: todos os meios questionáveis que irei fazer nesse jogo terão um bom objetivo, um bom fim. Para que isso seja verdade, eu devo ganhar e eu vou ganhar. A vitória é minha.
“A vitória é minha”. Foram com essas palavras que saí da estação. O meu sonho estava começando.
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