IMMORTALITY
2 Hermes gosta de golfinhos e ninguém queria Poseidon.
Notas iniciais
(ó a mãe da Candy se arrumando pra festinha. A velha é louca, tô avisando.)
(http://30.media.tumblr.com/tumblr_l9ipagSTY21qz6yoio1_250.gif)
– E ai, mãe. – disse, entrando no palácio branco
– Por Netuno, Candice! – A rainha ( a quem eu chamava de Mãe) deu um pulo pra trás, derrubando um espelho no chão – Você não pode adentrar em certos locais deste modo.
– Na verdade, eu posso sim. – dei de ombros – Até por que, eu sou a filha da rainha.
– Oh, você se lembra disso? – minha mãe ironizou – Achei que havia esquecido que pertenceste a família real. E não me refiro apenas a família real do mar...
– Okay mãe. – eu a cortei – Eu sei da onde pertenço.
– Gratificante. – Minha mãe disse, me fazendo rir.
Uma coisa engraçada dos reis e rainhas: Quando eles subiam ao poder, começavam a falar de um jeito estranho. Com classe exagerada, e um sotaque que diziam pertencer apenas a família real. Que por incrível que pareça, não havia sido herdado por mim.
Meu nome é Candice France, eu tenho quase 17 anos, e poderia ser uma adolescente normal. SE minha mãe não fossa a rainha de um dos reinos marinhos, e meu pai não fosse o rei dos céus. Detalhes...
Há mais ou menos 9 meses eu fui mandada a uma missão de ir até o Acampamento Júpiter em missão de paz. Eu falhei. Voltei ao Acampamento Meio-Sangue, mas já havia percebido que lá não era meu lar.
Viajei durante algumas semanas, até receber um chamado do mar.
Voltei para o meu reino, a tempo da minha mãe anunciar que eu estava fazendo 17 anos, e convidar todos os reinos para a minha festa.
Quer saber o problema de ser uma sereia e fazer 17 anos?
É com 17 anos que começam os casamentos.
No mar, há sete reinos.
Foram divididos no começo da era dos deuses, por ninguém mais, ninguém menos, que Poseidon.
Os sete reinos são divididos por importância no mar. Cada um, tem a função de fazer tudo funcionar corretamente em sua área.
A importância dos reinos é divida de acordo com que profundidade eles se encontrão.
O mais importante, é o mais fundo. E o menos, é o mais próximo da terra.
1º: Poseidon:
Sim, o primeiro reino tem o nome do rei. Grande Criatividade.
Esse reino, tem a função de governar os demais. De manter a ordem no mar. Desde o 7º reino, até a superfície. Eles são os reis dos reis. E lá, existem apenas 5 habitantes que possuem a capacidade de pensar, agir, e comparecer a festas dadas por outros reinos.
2º: Preciosos:
Os Preciosos, são o povo que cuidam da riqueza.
Administram todo o dinheiro marinho, e distribuem para os outros reinos.
É sempre lá que todo o ouro, diamante, ou qualquer riqueza vai parar.
O lugar é tão cheio de coisas, que até parece um lixão... de gente rica.
O número de habitantes é em cerca de 100.
3º: Belos.
Esse é o reino dos idiotas, que acham que a beleza é realmente importante.
O reino todo, é cercado de espelhos. E todos que pertencem a ele são extremamente lindos.
São responsáveis pelas roupas, espelhos, joias, e coisas fúteis que os 4º primeiros reinos podem pagar. Esse reino é a elite. Tão importante quanto o 1º.
Lá é produzida toda a magia do reino. Já que todas as sereias dependem da beleza, sem eles, nós não seriamos nada.
E adivinhem? É desse reino que eu pertenço.
Nosso número de habitantes é entre 200 a 500.
4º: Protetores:
Os Protetores são os nossos guardas. Eles guardam a fronteira de cada reino, e nos protegem de todos os monstros ou animais selvagens/ loucos.
São responsáveis por proteger o povo marinho, e por controlar quem sai e entra dos reinos.
Não se pode saber o número de habitantes daquele reino, por que todos os que nascem lá, são mandados pra proteger algum outro reino marinho.
5º: Proféticos:
A partir desse reino, as coisas não são mais tão importantes.
Os Proféticos, cuidam das profecias e da magia que vem do 3º reino.
As sereias são conhecidas por trazerem profecias com elas, sempre que sobem a terra em dois pés. E é de lá, que as profecias vêm.
O povo de lá, é extremamente louco. Como ciganos.
Seu número de habitantes é em cerca de 500.
6º Naturalistas:
Os Naturalistas são como os filhos de Deméter ou Perséfone.
Eles cuidam da natureza do mar, dos peixes e animais marinhos.
São responsáveis por fazerem as algas crescerem, e os animais viverem.
Eles são realmente legais. Humildes e amigáveis.
Entre todos os povos, esse é o que maior.
Tem entre 700 a 1000 habitantes.
7º: Predadores:
Os Predadores são os que matam.
Diferente de todos os reinos, esse não é nem um pouco amigável.
Eles não matam o povo marinho, eles matam os humanos.
Eles não tem exatamente uma responsabilidade em todo o reino, apenas matam.
Vivem muito perto da superfície, e são aquele tipo de sereia que seduzem humanos, levam para o fundo do mar, e sugam sua vida. É assim que eles sobrevivem.
– Oh, deuses! – Minhã mãe exclamou – Olhe só pra você...
– Mãe, não tem como não olhar. – falei – Tem espelhos por todo o reino.
Minha mãe me fuzilou com o olhar.
– Se eu não te conhecesse, diria que não gosta tanto de sua própria imagem, como todos no reino. – ela falou, andando ao meu redor.
– Se você me conhecesse, saberia que eu odeio vestidos. – falei, chutando a barra do vestido que eu usava.
Uma coisa legal de ser uma sereia meio-humana, é que você pode usar suas pernas, mesmo estando no fundo do mar.
Obviamente, eu só as usava para andar no palácio. Sair com pernas humanas em meio ao reino da beleza, era pedir para ser apedrejada.
– É claro que você gosta de vestidos. – Minha mãe disse, sorrindo – Toda garota gosta de vestido.
– Ah mãe. – eu revirei os olhos, puxando o zíper que fechava o vestido – Você conhece muito pouco das garotas.
E saí do cômodo.
Há duas semanas que eu estava naquele palácio, e isso estava se tornando insuportável.
Eu realmente gostava da minha mãe. Mais do que gostava do meu pai. Mas não era muito difícil gostar de alguém mais do que eu gostava do meu pai. Afinal, eu o odiava.
De qualquer modo, apesar de gostar muito da minha mãe, eu não gostava do reino.
Gostava de ser uma seria, ser livre e poder nadar pra todos os lados. Sem contar que sereias podem atravessar os mundos... Mas aquele reino fútil? Era realmente insuportável.
Essa noite, eu faço 17 anos. A grande festa é hoje. Há empregados correndo para todos os lados, arrumando o grande salão.
Maquiadores, cabelereiros e estilistas reais já passaram por mim, e agora me encontro em um grande vestido branco. Que combina com o meu cabelo, que foi completamente transformado.
Eu perdi a cor loira, e as mechas rosas, e agora ele está branco como a neve.
A maquiagem está perfeita. E realmente, eu não poderia estar mais linda.
Mas essa não é a verdadeira eu.
Você já sentiu como se fosse a única pessoa verdadeira em meio a tantas falsas?
Como se fosse uma daquelas bonecas com um defeito de fábrica?
Já sentiu que era a única a pessoa que achava inteligência mais importante que beleza?
Se já, então estamos no mesmo barco. Apesar de eu não precisar de um barco.
– Ei. – disse uma voz atrás de mim – Você está linda.
No reflexo, eu podia distinguir a pessoa que havia dito isso. Eu reconheceria aquele rosto entre milhares no mundo.
– Oi, Percy. – disse, me virando – Você veio...
– É claro que eu vim. – ele sorriu – Eu sou da família real, você sabe.
Perseu Jackson, filho de Poseidon. 1º Reino.
Foi meu melhor amigo, antes de estragar minha missão e meu relacionamento.
Quando voltamos ao Acampamento, conseguimos resolver boa parte de nossas diferenças. Obviamente, só foram resolvidas porque eu o espancava a cada palavra dita. Apenas pra passar o tempo.
– Não tem como eu me esquecer disso. – dei de ombros
– 17 anos, hein? – ele disse – Será que vai receber algum pedido de casamento?
– Argh. – eu disse – Se algum rei maluco e velho me propor casamento, eu juro que vou vomitar.
– Ha ha ha – ele riu – Sinto dó de você. – ele acariciou meu ombro
– Não preciso que sinta dó. – falei revirando os olhos – Preciso que me tire daqui, o mais rápido possível.
– Ah, sinto muito. – Percy riu de novo – Isso seria um crime... E eu não gosto de cometer crimes...
– Falou o garoto que causou um tsunami no Japão por que “estava entediado, e queria surfar”. Poupe-me, Jackson.
– Ah, desculpe, senhora “Eu não causo problemas, apenas destruo alguns monumentos históricos, como o Cristo Redentor” – Percy ironizou
– Oh, cale a boca. – eu disse – Nós dois sabemos que só for pra comparar destruições, nunca acabaríamos.
– Tudo bem. – ele disse, se virando pra janela de vidro, onde podíamos observar a movimentação no palácio. – Ei, aquilo é um mendigo?
– Uuuuuuuuuuuuuh... Não. – eu disse – Apenas seu pai.
– Oh, deuses. – Percy bateu a mão na testa – Porque ele insiste em pegar as roupas do Sr D. emprestadas?
– Pelo Oceano – eu disse – Não é o seu pai que tem uma personificação feminina que se autodenomina como a deusa do brilho.
– Ah, é – ele disse, descendo as escadas – sua vida deve ser realmente perturbadora, princesa. Mas conte-me, como é ter que lidar com uma deusa primordial revoltada que quer te matar apenas por ser o herói de uma profecia.
– Conte-me você – eu disse, assumindo o tom arrogante que usava pra discussões – Como é quando esses 7 heróis da profecia decidem destruir seu relacionamento e missão.
– Quer falar de relacionamentos? – Percy falou, parando na escada – Vamos falar sobre relacionamentos. Diga-me como é quando uma deusa louca decide te colocar pra hibernar, enquanto sua namorada o procura como uma louca desesperada atrás de seu pudim de chocolate.
– Você acha que tem problemas em seu relacionamento? – eu disse, empurrando-o com um dedo – Tudo bem. Eu me apaixonei pela minha melhor amiga, e ela disse que não queria nunca mais me ver na vida. Que não se importava comigo. E depois, me apaixonei por um garoto idiota e romano, e então um retardado grego, veio e estragou tudo. Você acha que tem problemas, querido? – eu empurrei mais um dedo em seu peito – Tente lidar com isso, e ainda manter um sorriso no rosto. Além do mais, você não precisa usar um corpete apertado, e nem um vestido que te faz parecer um floco de neve no meio desse circo marinho.
Percy me encarou sem palavras, enquanto eu balançava a cabeça, e descia as escadas.
– É um prazer te ter aqui, querido rei. – Eu disse, fazendo uma reverência ao projeto de mendigo com uma coroa a minha frente.
– Oh, querida. – disse Poseidon – Não precisamos de toda essa cerimônia!
– Ah, que bom. – falei – Escuta, eu tô ligada que você é o deus das tretas loucas, então olha só: Preciso de uma passagem para o México, identidade falsa, e que todos os malucos que tocarem em mim essa noite, sejam comidos por uma baleia com dor de dente.
– Hããããã... – murmurou Poseidon – Batata?
– Hey Jackson, qual era a doença que seu pai tinha no cérebro mesmo? – gritei pra Percy
– Síndrome de Down. – ele me respondeu
– Era só o que me faltava... – disse Poseidon – Ei, sobrinha. Você sabia que seu pai está vindo pra cá? Não é uma surpresa ótima?
– Não. – eu respondi – E também não é mais uma surpresa.
– Oops. – murmurou Poseidon.
– Como raios você teve a coragem de chamar Zeus para a minha festa? – perguntei
Minha mãe, me olhou caridosa, enquanto colocava seus brincos. Eu devia dizer que minha mãe não tinha nada que me fazia parecer ser sua filha. Éramos tão diferentes em personalidade quanto aparência. Mas eu não quero falar sobre sua aparência.
Nesse momento, eu preferia discutir sobre sua falta de memória, em lembrar que eu ODEIO meu progenitor.
– Ele é seu pai. – ela sorriu
– Yeah, eu sei. E eu o odeio.
– Deuses, Candice. – ela disse – Você tem que superar isso.
– Espera, que? – olhei pra ela chocada – Depois de tudo o que ele fez, você quer que eu supere? Simplesmente “supere”?
– Sim. – ela disse, se virando – Supere. Esqueça. Levante a cabeça e sorria. Não importa o que está sentindo em relação a ele. O que importa é o que você vai mostrar por fora.
– Eu... – olhei-a confusa – Mãe, você é tão inteligente. Por que continua agindo como se apenas a beleza importasse?
– Você é tão nova... – ela tocou minha bochecha – Não entende como são as coisas nesse mundo, minha querida.
– Mas...
– Vá. – ela beijou minha testa – É sua noite. Vai ser anunciada daqui a pouco. Precisa colocar os sapatos. Eu sei bem que você está de tênis por baixo desse vestido.
– Droga, mãe. – sorri – Até mais tarde.
– Divirta-se! – ela acenou, enquanto eu corria pra fora de seu quarto
Enquanto eu corria em disparada pelos milhares corredores do palácio, minha mente vagava em diversos lugares. Meus pensamentos estavam confusos, e meu cérebro se dividia em pensar em coisas como:
– Minha festa
– Casamentos
– Pôneis (eu sempre quis um)
– Octavian (meu ex-namorado)
– Marshmallows (Oh, eu adoro marshmallows!)
– Entre outras coisas loucas.
– OOOPA! – falei, quando trombei em alguém
– Princesa. – O alguém fez uma reverência
– ... ERIC! – gritei, pulando em seu pescoço.
Eric Queenin, 4º reino. Um protetor. Meu melhor amigo.
– Ah meus deuses, como eu senti sua falta. – falei, enquanto apertava o seu pescoço, em um abraço.
– Seu cabelo tá me matando, Rapunzel. – ele disse
– Cale a boca, Eric. – eu disse – Está estragando tudo.
– Oh, desculpe, vossa alteza. – ele ironizou depois me apertou.
– Você está tão bonito! – falei examinando- o
– Muito obrigado. – ele fez outra reverência – Agradeço elos elogios, e pelas duas costelas que quebrou com esse abraço de gorila.
– Olha aqui, meu filho. Você não vai falar assim comigo não. – apontei um dedo na cara dele
– Relaxa! – ele se afastou, rindo – Sem violência!
– Sem violência? Não diga isso pra mim. Eu sou totalmente calma.
– Você tentou me matar no dia em que nos conhecemos. – ele observou
– Uh, é mesmo. — lembrei – Eu tentei te esfaquear com uma colher...
– É... – ele riu – Você não era muito inteligente...
– Oh, cale a boca. – revirei os olhos – Vem, vamos descer. Antes que me achem aqui, e eu seja carregada até lá.
– Okay! – ele falou, e seguiu em direção as escadas. Então percebeu que eu não estava indo – Você não vem?
– Acho que eu gostaria de ser carregada. – balancei a cabeça – Gostaria mesmo...
– Santo Netuno. – ele revirou os olhos – Você não é normal.
Segui Eric até o centro do salão, onde estava minha mãe e...
– Zeus.
– Filha.
– Zeus.
– Filha.
– Zeus.
– Ai deuses, a gente já entendeu que ele é Zeus, menina – falou Percy, que também estava lá – Falem alguma coisa decente.
– Luke, eu sou seu pai! – gritou uma voz ao longe
– Quem convidou o Darth Vader pra minha festa? – perguntei confusa
– Não é o Darth Vader – Zeus bateu a mão na testa e gritou – Hermes, por favor! Já lhe disse que essa estátua NÃO É Luke.
– EU GOSTO DE GOLFINHOS! – Hermes gritou de volta, e saiu correndo.
Me virei pra Zeus.
– Porque raios você chamou Hermes pra minha festa?
– Por que ele é seu tio. – ele respondeu dando de ombros.
– Porque eu não fui adotada? – perguntei retoricamente
– Por que ninguém iria querer te adotar – Percy respondeu, dando de ombros.
Poseidon lhe deu um tapa na cabeça.
– Calado, imbecil. – disse Poseidon, o pai mais carinhoso do reino – Não jogue a verdade na cara da sua prima.
Zeus lhe deu um tapa na cabeça.
– Sua mãe também não te queria. – falou Zeus, pra Poseidon.
– Não foi eu que matei meu pai! – protestou Poseidon
– NÃO FOI VOCÊ POR QUE VOCÊ TINHA SIDO COMIDO! – ele gritou, jogando as mãos pra cima.
Enquanto os dois deuses discutiam sobre seus pais, Hermes corria atrás de golfinhos e minha mãe tentava explicar pra todos que a doença deles não era séria, eu me retirei de fininho.
E assim foi como três deuses estragaram minha festa de 17 anos.
Talvez eu devesse agradecê-los por me salvarem de pedidos de casamentos de reis nojentos.
Mas agora isso não importava mais.
Eu havia feito 17 anos.
Agora, eu sou imortal.
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