I will never forget you.
45 New life...
Notas iniciais
**Sophia com a Alice**
Meus joelhos cedem sobre a terra úmida, as lágrimas que não caíram durante os dois meses passados, agora caem copiosamente pela extensão do me corpo, tendo fim no punhado de terra abaixo de mim.
— Eu não sei nem o que falar. — Confesso para o nada — Só sei que te agradeço por ter me dado um dos melhores presentes de toda a minha vida.
Fico um tempo encarando a lápide que tem seu nome escrito. Com honra do exército. Grande coisa...
Só sei que a vida se encarrega de fazer o melhor para nós, e se não era para tê-lo em nossas vidas, aceitarei isso, como sempre acabei aceitando.
O caminho do cemitério até minha casa costumava ser longo, mas a enxurrada de lembranças me invadiu, e em um piscar de olhos já estou na porta de casa, onde tudo o que eu amo está.
Ao colocar meus pés em casa, o chorinho fino de Alice toma conta de meus ouvidos, e corro em direção ao andar de cima, onde fica seu quarto.
Me deparo com a cena de meus sonhos, a que vejo todos os dias, mas nunca me canso. Lucca tentando acalmar Alice. Sempre agradeço por poder tê-lo ao meu lado desde seu nascimento.
— Acho que agora é a mamãe que ela quer. — Sussurro em seu ouvido e ele me olha radiante.
Claro que aquele sorriso não continua o mesmo, ele também não continua o mesmo, mas estamos trabalhando isso.
Creio que deixei vocês um pouco confusos, sendo assim, vamos voltar um pouquinho no tempo.
Dois meses antes:
— E então? – Pergunto aflita e ela solta um sorriso.
— Ele está estável. Vai ficar bem. – Afirma e eu a abraço soltando lágrimas de felicidade.
— Eu já posso ver ele? – Pergunto extasiada.
— Pode, ele é todo seu. – Fala sorrindo, e durante a minha caminhada uma vozinha chama a minha atenção.
— Mamãe! – Chama Luquinha e em segundos sinto ele grudado em minha perna.
— Como você veio parar aqui? – Pergunto assustada.
— A tia Manu me trouxe. – Responde afobado.
— O papai está aqui. – Informo e vejo os olhos deles se encherem de lágrimas.
— Porque? – Pergunta soluçando.
— Calma, amor. Ele só está um pouco machucado, ele está bem. – Tento o acalmar.
— Ele tá vivo? Meu papai tá bem? – Indaga todo preocupado.
— Sim, e ele vai ficar melhor ainda se a gente for lá ver ele. Que tal?
— Vamos, mamãe! Agora! – Exige e eu sorrio.
Seguro em suas pequenas mãos e caminhamos até o quarto de Lucca.
— É esse? – Questiona e eu assinto.
Sem nem pedir permissão ou coisa parecida, ele abre a porta e corre quarto a dentro.
— Papai! – Grita e o vejo pular em sua cama.
— Campeão! – Exclama Lucca, com a voz falha e cheio de lágrima nos olhos, o jeito que ele aconchega nosso filho nos braços é encantador.
— Eu estava com saudades. – Choraminga meu pequeno.
— Eu também, você nem imagina o quanto. – Sussurra ainda preso no abraço.
— Será que tem um espacinho aí para mim? – Pergunto e ele parece finalmente notar minha presença.
Vejo seus olhos se arregalarem ao visualizar minha barriga, que está gigante.
— Você...está... – Gagueja e seu tom de pele fica mais branco que o normal.
— Papai, é grande né? – Comenta Lucca me fazendo rir
— Estou grávida. – Falo por fim e me sento ao seu lado na maca. Ele ainda está estático.
— Eu te amo tanto. – Ele fala me puxando para um beijo.
O beijo que tanto esperava, o beijo que fiquei sem durante todo esse tempo.
A boca dele macia como sempre, me envolvendo em um beijo terno e apaixonado, que dura até onde a paciência de nosso filho permite.
— Eu tô aqui! – Exclama chamando nossa atenção, e nos fazendo rir.
Nossa bolha de felicidade é indestrutível, sinto que nada irá estragar esse momento.
—**-
— Lucca. – O chamo com a voz fraca.
Nada, e a dor das contrações só aumentam.
— Lucca! – Dessa vez grito, irritada.
— O que? – Levanta alarmando, a escuridão não permite que eu veja sua expressão.
— A Alice... – Resmungo quando outra onda de dor toma conta do meu corpo.
— O que? – Pergunta confuso, o que me faz ficar irada.
— ELA VAI NASCER, INFERNO! – Grito e ele dá um salto da cama.
— Calma, amor. Vai dar tudo certo. – Tenta me acalmar, mas só vejo ele com a mão na cabeça andando de um lado para o outro.
— Você vai me levar para o hospital ou eu vou ter que ir andando? – Pergunto impaciente.
— Ah é, claro, claro. Vamos para o hospital. – Declara me ajudando a levantar da cama.
— Pega as bolsas, estão na poltrona. – Explico e ele corre para pega-las.
— Filha! Está tudo bem? – Meus pais entram alarmados no quarto.
— A Alice vai nascer! – Lucca grita com as bolsas na mão.
— Nossa neta? Ai meu Deus, vocês têm que ir para o hospital agora! – Minha mãe se desespera um pouquinho.
— Fiquem com o Lucca, a gente vai ligando. – Digo e Lucca começa a descer as escadas comigo
— Respira. Inspira. – Dita a única coisa que sabe sobre partos.
— Eu sei disso, você pode ir mais rápido? – Pergunto quando uma contração acaba de ir embora.
— Sim, sim. Já estamos chegando.
Já era para eu estar acostumada com esse tipo de coisa, então tento me acalmar e começo a pensar em outras coisas que não seja a dor.
Flashback:
— Ah, desisto! – Fala jogando o manual de instruções no chão.
Lembra quando eu disse que queria aquela cena dele estressado tentando montar o berço? Então, eu consegui.
— Vai deixar nossa filha dormir no chão? – Indago chamando a sua atenção.
— Claro que não, mas são muito parafusos, preciso de ajuda.
— Estou meio impossibilitada com a barriga desse tamanho, mas que tal um apoio moral? – Indago e ele abre um sorriso.
Como senti falta disso.
Lucca está passando por acompanhamento psiquiátrico, assim como Rafa, Thiago e o irmão de Clara, que graças a Deus voltaram quase inteiros daquela maldita guerrra.
O trauma foi enorme, os pesadelos são constantes, e tudo que eu posso fazer eu faço, não vou abandonar ele nem por um segundo.
Flashback off:
— Já estou vendo a cabeça. – Informa a médica e um pequeno alivio vem. – No três você começa a empurrar novamente.
— Um – Começa a contagem e eu estrangulo as mãos de Lucca. – Dois, três.
Um berro maior do que eu pensei que seria capaz de dar sai da minha garganta, e é seguido por um choro fininho, que parece sumir com todo o estresse anterior.
— Quer cortar o cordão, papai? – A médica pergunta e após alguns segundos ele volta para a realidade e assente.
— Obriga, eu te amo tanto. – Declara beijando minha cabeça e sinto as lágrimas caindo do rosto dele.
E então finalmente ela é entregue para mim, seu choro cessa assim que sente o meu toque, posso fazer isso milhares de vezes e nunca irei me cansar, é simplesmente mágico.
— Bem-vinda ao mundo, Alice. – Lucca sussurra acariciando uma de suas pequenas mãos.
E instantes seguintes a porta é aberta bruscamente pelo nosso pequeno furacão.
— Lili! – Exclama encantado ao ver a irmã em meus braços.
— Ela é linda, parabéns filha. – Meu pai parabeniza beijando minha cabeça, seguido por minha mãe.
— Posso segurar ela? – Luquinha indaga animado.
— Senta aqui do meu lado. – Peço e Lucca o coloca na cama. – Agora segura firme a cabecinha dela – oriento e ele o faz e quando já está sob controle total do corpo da pequena, transfere um beijo em sua testa.
— Obrigado por ter me dado os melhores filhos. – Lucca agradece e envolve seus braços sobre meu corpo.
E assim ficamos, grudados um no outro admirando nossos filhos.
Dias atuais:
Me acomodo na poltrona e espero Lucca colocar nossa princesa em meus braços, e quando a recebo, uma carga de felicidade me atinge.
Com seus dois meses, Alice está parecendo uma bola fofa, só quer saber de mamar e ficar no colo do pai babão. Fico enciumada, ela só quer saber de mim na hora de mamar! Mas eu não reclamo, consigo ver como ela vem fazendo bem para ele, então deixo ele se esbaldar nos cuidados com ela.
— Que tal a gente ir dar uma volta no parque. – Sugere assim que coloco Alice para arrotar.
— Acho ótimo. – Concordo e começo a ajeitar Alice no carrinho.
— Vamos buscar o Lucca, nós três, ele vai adorar.
— Com certeza, ele é louco por essa irmã. – Falo fazendo voz fininha e enchendo ela de beijos.
—**-
— Lili! – Grita quando vê a irmã, nem lembra que tem pai e mãe.
— Gostou da surpresa? – Indago e ele assente sem ao menos me olhar, fica todo empolgado brincando com a irmã.
— Vamos ao parque? – Pergunta Lucca para ele que sorri animado.
— Você tem que crescer logo para poder correr comigo por aqui. – Fala enquanto a segura nos braços.
— Enquanto ela não cresce que tal brincar comigo. – Sugere Lucca e Luquinha assente animado.
— Pega ela, mamãe. – Pede e eu a pego.
Me ajeito no gramado com ela em meus braços, antes que eu a encha de beijos, um filme passa por minha cabeça. Lembro do dia em que reencontrei Lucca, a cena era a mesma. Os dois brincando de futebol nesse mesmo parque. Pensar em como minha vida mudou daquele dia para cá é um tanto surreal.
Quando que eu imaginaria que ele iria aparecer em minha vida e iria tornar tudo mais perfeito? Quando que eu me imaginaria mãe de dois filhos dele? Quando que eu imaginaria que ele iria me amar na mesma proporção que eu o amo?
É, é bem essa a resposta: Nunca.
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