I will never forget you.

4 Keep the past in the past!


Notas iniciais
Obrigada pelos comentários, não foram muitos, mas de qualquer jeito é um começo. Espero que gostem!

Desde o ocorrido no parque, fiquei me sentindo uma verdadeira idiota, sair daquele jeito não foi o mais maduro de resolver as coisas, mas as recordações daquela época não me fazem bem. Me arrependo de ter gastado tanto tempo de minha vida apenas pensando nele, mas fazer o que? Agora já sou uma adulta e a única pessoa com quem posso gastar meu tempo é meu filho.

Nada melhor que um bom dia de trabalho para deixar os pensamentos fluírem. Combino com a babá de Lucca para não o levar naquele parque, por enquanto quero eles afastados.

Hoje o dia no hospital foi tumultuado, muitas crianças doentes e o pior de tudo: as mortes. Acho que nunca vou me acostumar com isso. Mas o pior é quando tenho que dar a notícia, ver o sofrimento de seus familiares, e principalmente da mãe. Não gosto nem de imaginar minha vida sem meu filho.

Com o fim de meu plantão, corro para minha casa, com uma decisão tomada. Não vou ser idiota de novo, já deixei de ser adolescente, me tornei mais forte. E no momento, meu foco é meu filho e nada mais.

Chego em casa e logo dispenso Lara. Subo para meu quarto, mas antes fico um tempão admirando meu filho pela porta, será que esse afastamento faria bem para ele? Ele gosta tanto de Lucca, não suportaria vê-lo triste, mas eu não quero me reaproximar de Lucca. Não quero voltar para a parte terrível de minha adolescência, mas agora acho que já é hora de parar de pensar no passado, vou focar no presente, sem crises, sem neuras.

Escuto o bipe de meu celular e corro para ver quem é. Para minha surpresa, mas nem tanto, afinal, o deixei plantado na praça sem nenhuma explicação. Nada comparado com o que ele fez comigo no passado. Foco Sophia, foco no presente.

"Oi, Sophia! Desculpas pelo horário, mas é que fiquei um pouco atordoado com a sua saída, eu fiz alguma de errado? Se sim, me desculpe mesmo não foi minha intenção, Beijos."

Não sei nem o que digitar, muito menos o que sentir, talvez eu deixe o passado para sempre e dê uma chance para o futuro, mas o meu medo de ser machucada novamente é mais forte do que tudo. Porque eu sou tão complicada? A todo o segundo mudo de opinião, isso me estressa!

Acabo por não responder à mensagem, se ele realmente quer que sejamos pelo menos amigos (pois disso não passa nossa relação, criei meu filho sozinha por todo esse tempo, seria uma grande mudança e não gosto da ideia de ficar dependendo de terceiros e agora não é o melhor momento para me envolver com alguém) terá que provar ser uma boa pessoa, senão nada feito.

Acordo feliz por poder passar a manhã inteira com meu baby. Por conta dos vários plantões que faço, ficamos cada vez mais afastados e sinto que ele sofre com tal afastamento.

Faço um café daquele e logo vou acordar Lucca, ainda bem que ele não é manhoso para acordar, pelo contrário já acorda abraçando, beijando e ainda fala que ama! Posso com isso? Espero que ele sempre seja carinhoso assim.

Entramos no maior bate papo sobre seus desenhos favoritos, ele fala disso com tanta alegria, que é impossível deixar meu dia triste, adoro ter esses momentos com meu filhote, penso em como minha vida seria monótona sem ele, cada dia me surpreendendo mais. Acho que ele é a única coisa pela qual posso agradecer à Miguel.

Ele insiste tanto em ir para o parque que acabo cedendo, mas agora não estou com aquele calafrio ou até aquele medo de encontrar Lucca. Poxa, já sou uma mulher formada e com filho, que história é essa de ficar se esquivando de paixões insignificantes? Essa definitivamente não sou eu!

Chegando ao parque, Lucca corre para brincar com seus amigos. Fico observando ele sentada em um banco próximo enquanto converso com algumas amigas pelo celular. Ainda não contei para nenhuma delas sobre o reencontro com Lucca, conhecendo elas como eu conheço tenho certeza das palavras que iam falar: Ah, aquilo foi passado, se entregue ao presente e seja feliz. Sim, elas iam supor que ele estava dando em cima de mim e que eu ainda sou apaixonada por ele. Talvez eu ainda seja, mas vamos fingir que não, certo? E como já disse, se nós formos nos reaproximar será apenas amizade.

Não demora muito para ele aparecer e correr para o encontro do meu filho, de longe consigo ver o brilho nos olhos de ambos, é incrível o jeito que eles se gostam, mas agora eu penso: o que será que ele faz da vida? Pelo que Lara me disse as vezes eles chegavam a ficar horas e horas brincando. A não ser que ele tenha ganho na loteria, pois de brisa ninguém vive.

Quando ele me vê, vem para meu encontro e me cumprimenta com um beijo na bochecha, lembro como esperava por isso na minha adolescência. Foco Sophia, foco no presente.

– E aí, tudo bem? — Ele questiona

– Tudo sim, e você?

– Também. Aconteceu alguma coisa? É que eu não vi ele ontem no parque. – Ele pergunta se referindo à Lucca.

– Ah... é que a babá dele não estava muito bem, então acho melhor não vir- Minto

– Entendi, mas você recebeu minha mensagem? – Ele pergunta intrigado.

– Mensagem? Acho que não vi- Minto novamente. Será que estou ficando boa nisso?

– Ah tá- Ele diz e ficamos um bom tempo em silêncio, apenas sentindo a brisa que batia em nossa cara.

– Mas porque você saiu correndo aquele dia? — Ele pergunta sem jeito

– Ah, é que eu lembrei que estava atrasada para um encontro — Meu Deus eu só me enrosco cada vez mais!

– Entendo.- Ele fala desanimado

– Nos falamos bastante sobre mim aquele dia, mas não sei praticamente nada sobre você — Pergunto curiosa

– O que você tem interesse em saber sobre a minha pessoa? – Ele pergunta brincando.

– Ah, sei lá. Se formou? Trabalha? – Pergunto o encarando

– Ah, sou formado em engenharia, mas estou fora do mercado, tenho uma longa licença — ele diz e percebo na hora que ele se arrepende do que disse, me deixando cada vez mais curiosa.

– Entendo, mas você não saiu daqui? Quero dizer de São Paulo? — Pergunto

– Até tentei fazer uns cursos fora, mas não me acostumei.

– Se eu fosse você eu aproveitava, não é sempre que temos essa chance... – Digo sonhadora

– Você tem vontade de morar fora?

– Sempre tive, meu sonho ainda é morar no Canadá, mas tenho receio por conta do Lucca... se adaptar em outro país não deve ser fácil para a idade dele.

– Ainda bem.- ele fala e um ponto de interrogação cobre meu rosto.

– Quero dizer, me acostumei tanto com ele que estranharia não vê-lo regularmente- Ele fala e eu realmente não tinha essa noção de proximidade entre eles, chega a ser meio bizarro, não?

– Você não tem vontade de ter filhos? — Questiono

Ele fica abrindo e fechando a boca, mas nada responde, fico intrigada, não foi nada demais, é só uma pergunta como outra qualquer.

– Tudo bem se não quiser falar- Digo sem jeito e ele assente.

– Já está ficando tarde, acho que já vou indo- Digo me levantando

Ele se despede com um beijo na minha bochecha e com um longo abraço em Lucca.

Meu filho fica o resto do dia feliz e saltitante, vê-lo assim me deixa feliz e com uma única certeza. Nunca mais vou afasta-los, por mais que eu não entenda esse afeto enorme que eles possuem, não vou deixar meu passado ridículo interferir na vida de meu filho, só tenho que ter certeza de quem Lucca é agora pois ele estava meio misterioso e eu não gostei disso.

Notas finais
Gostaram? O que será que Lucca esconde? Alguém desconfia? Se sim, digam nos comentários!