I will find you
4 Capitulo 2
Notas iniciais
Perdi a noção de quanto tempo eu fiquei ali analisando aquele pedaço de papel, era simplesmente inacreditável, fazia anos que não nos víamos. Continuamos amigos depois daquele dia no acampamento, fomos para a faculdade no ano seguinte e perdemos contato. UAU, aquele era Tobias, eu estava certa quando disse que ele poderia ser bonito um dia.
Meu dia passou entre casos e Tobias, eu ainda não acreditava, não conseguia me concentrar direito. Fui para casa assim que possível, precisava de um banho frio para me livrar dos pensamentos.
***
Acordei com uma claridade em meu rosto. Eu havia esquecido de fechar a janela ontem a noite, olhei para o relógio 6:15 da manha, eu estava uma hora adiantada, resolvi sair para correr. Troquei de roupa e peguei uma fruta para comer no caminho, coloquei uma musica no celular e sai. Eu estava próxima ao cais quando decidi parar na Starbucks para comprar um café e rosquinhas
Fiz meu pedido e sentei para esperar Foi quando o vi entrando, Tobias. Brincadeira idiota do destino em fazer ele me ver dessa forma, abaixei-me o máximo que pude no banco para parecer menor, eu havia crescido desde meus 1,62 aos 16 anos, mas ainda conseguia passar despercebida.
Vi ele passar próximo, foi um alivio ele não ter me notado.
–Bom dia advogada- senti meu sangue gelar e ir todo para os pés. Acalme-se Beatrice, é só um conhecido.
–Bom dia-
–Vejo que estava correndo- pude sentir o olhar dele em mim, essa roupa não ajudava em nada também
– É necessário para manter a forma- Nesse momento meu pedido chegou e eu senti uma vergonha enorme de ter dito aquilo depois de ver uma caixa de rosquinhas na minha frente
–Estou vendo- disse rindo
–Eu já vou indo, com licença- me levantei para ir embora
–Sabe, eu ainda não sei seu nome-fiz menção de começar a falar mas ele me interrompeu-Não, não. Deixe-me adivinhar. Ashley? não. Donna? não. Já sei, Beatrice.
– Esta escrito no como, agora eu já vou indo
–Beatrice- ele repetiu meu nome baixo de forma que talvez eu não ouvisse se não estivesse prestando atenção, sai e fui em direção a um táxi. Me pergunto se ele pode estar me reconhecendo.
***
–Bom dia Jenny-
–Bom dia Srta. Prior, seu irmão ligou e disse que esta lhe esperando para almoçar hoje, no Rivers- Caleb nunca me chamava para almoçar, nossas conversas geralmente eram tratadas aqui.
– Tudo bem Jenny, obrigada.-
Desde que nos mudamos para Chicago, minha relação com Caleb melhorou,nos aproximamos um pouco durante o semestre antes de ele ira para Oxford cursar engenharia, no ano seguinte eu fui aprovada em Yale e com isso nos víamos pouco, agora meu escritório o representava juridicamente, ele era o cliente pelo qual eu lutava com Tobias.
–Com licença, Srta. Prior, mandaram lhe entregar algo e o rapaz disse que só tinha autorização de lhe entregar em mãos-
–Tudo bem-
Assinei o papel e abri o envelope. Era um Pen Drive, pus no computador e nele continha um áudio.
–Sabe, pessoas costumam pagar para que coisas assim deem certo- era a voz de Caleb- Eu não estou sugerindo isso, mas sim oferecer-lhe uma recompensa. Pessoas merecem serem recompensadas, ainda mais alguém que trabalha tanto quanto você srta. Zane. Daniel deve pegar pesado com você, sr. Parthman é um homem de negócios, e homens de negócios são ocupados.- a gravação acabava assim, Caleb havia comprometido o processo.
***
–Irmãzinha, que bom que veio-
–Poupe-me Caleb, nós precisamos conversar- apressei-em dizer assim que o vi no restaurante.
–Você recebeu?- sua voz era uma mistura de emoções
–Se eu recebi? Você acha que eles cometeriam o erro de não me mandar a gravação? Francamente, como você pode fazer isso?-
–Eu achei que era uma maneira mais fácil de resolver tudo, não imaginei que fossem gravar-
–Suborno Caleb?- mantive o tom de voz sem alteração, isso era algo que havia aprendido da pior maneira, as pessoas ao meu redor não precisavam escutar minhas desavenças com meus clientes- Suborno não ajuda em nada.
–Você pode dizer que não ouviu ou que não recebeu-
– E cometer perjúrio? Não. Alem do mais, eu assinei o comprovante de que recebi-
–E agora, o que vamos fazer?-
–Eu vou tentar um novo acordo, e fique torcendo para que o aceitem-
***
Voltei para o escritório o mais rápido que pude, não consegui comer por conta do que aconteceu, peguei o cartão de Tobias.
–Alô?- sua voz era ainda mais rouca e atraente pelo telefone- Pare de brincadeira e fale logo!- nao percebi que havia um tempo que ele tinha atendido.
–Espero que esteja feliz, eu tenho algo melhor para você- falei
–Ora vejam só, advogada das rosquinhas, bom saber que talvez haja um acordo-
–Onde podemos nos encontrar?-perguntei
–Passe aqui mais tarde, lhe enviarei o endereço-
–Tudo bem-
–Eu aguardo, até mais-
Pouco tempo depois de eu desligar recebi um e-mail contendo o endereço de seu escritório.
–Jenny, desmarque tudo que eu tiver hoje depois das 15hs, eu tenho um acordo para fazer, e uma pessoa para ver- essa ultima parte saiu quase como um sussurro por minha boca.
Fui para a sala de aquivos, eu teria 2 horas e muito trabalho a fazer.
***
Enquanto entrava no prédio, percebi pouca presença feminina, alem das secretarias. Maldito machismo.
–Com licença- disse à secretaria- a sala do Tobias Eaton, imagino que ele esteja me esperando-
–Ah sim, por aqui- a segui até uma sala ampla de um tom azul claro e uma vista para a cidade.
–Por que uma mesa tao afastada dessa vista?- Tobias me encarou um pouco de tempo e sorriu logo em seguida.
–Acho que não estamos aqui para discutir sobre minha decoração-
–Certo, temos uma nova proposta-
–Diga-me-
–Desistam de tudo isso, ou vão perder cada centavo que ainda tem- um sorriso surgiu no canto de minha boca, mas eu o reprimi
–Você so pode estar brincando- Tobias sorriu
–A não, permita-me explicar. A empresa de seu cliente esta decretando falência, o banco não aprovou o empréstimo e bem, as finanças já estavam ruins tendo que pagar os funcionários em seus horários normais, agora imagine como será se ele tiver que pagar todas as horas extras trabalhadas durante esse período de cortes. Sim eu fiz uma busca- dei uma pausa para ficar mai fácil de assimilar- Então, a não ser que queira ver seu cliente perder tudo e passar da riqueza à miséria em pouco tempo, sugiro que assine esse acordo, que alias, voltou a ser o de valor anterior- deixei um sorriso vitorioso surgir em meus lábios.
–Eu vou falar com ele sobre isso- sua ironia era notável
– Ótimo, o espero em meu escritório com o acordo assinado-
–Como conseguiu essa informação?-
– Se você quer a verdade você tem que exigi-la, e isso pode vir de seus secretários- o suborno de Caleb havia servido para alguma coisa, bastou um telefonema e tudo estava resolvido. Virei-me para ir embora.
–Muito bem advogada- ouvi Tobias dizer
–Tris- sorri para ele- acho que me conhece melhor assim- deixei sua sala enquanto via seu sorriso.
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