Notas iniciais
Eu queria agradecer a paciência pela espera e dizer que eu sou tão apaixonada pela Iwasawa quanto Hisako é. Aproveitem.

O relógio despertou cedo como sempre, às cinco e meia da manhã. Meu corpo ainda estava adormecido por conta do dia anterior, porém hoje não é nem de longe um dia para fraquejar ou resolver se esconder no dormitório. Hoje é o dia de...

— O show! – Iwasawa despertou rapidamente, quase num pulo. Seus olhos se abriram e um sorriso transpareceu claramente em sua face. – Hoje é o dia do show!

— Você acordou animada mesmo. – Ri baixinho ao coçar os olhos. Os raios fracos do Sol se espremiam pelas frestas da janela, incomodando minha íris sensível pela luz. Iwasawa se mexeu por entre o cobertor e procurou no criado mudo suas recentes composições freneticamente.

— Mas é claro! É como se eu tivesse esperando por isso a minha vida toda. – Sua animação ofuscava todo o meu sentimento de sono, acabando por me fazer levantar junto a ela.

— Isso vai ser incrível. – Decidi abrir de vez a janela e observei o horizonte avermelhado pelo nascer do Sol. Iluminou suficientemente o cômodo e assim iniciamos nossa breve organização.

— Não tenho dúvidas disso. – Iwasawa piscou pra mim e se trancou no banheiro para escovar os dentes, assim tive tempo para começar a limpar as guitarras com uma flanela que eu costumava carregar na bolsa.

— Depois eu vou tomar um banho rápido, se importa?! – Gritei um pouco para que ela pudesse ouvir com a porta fechada.

— Tudo bem! Só não demora muito! – Ela gritou de volta e eu guardei de volta as guitarras nas mochilas. Estavam perfeitamente afinadas. Foi bem simples já que apenas as cordas Mi e Sol estavam desafinadas.

— Certo. – Pisquei para ela assim que a vi sair e entrei rápido no pequeno banheiro. O banho não durou mais que oito minutos, eu queria estar limpa e ser prática ao mesmo tempo. Costuma dar certo às vezes. O uniforme da escola estava passado e pendurado no cabide, apressadamente me vesti enquanto Iwasawa guardava suas composições na mochila. Seus olhos me analisaram por um segundo e percebi as bochechas se pintando de vermelho, quase da cor de seus olhos.

— Então... Vamos ensaiar mais uma vez antes de subir no palco? – Ela desviou o olhar para o zíper da bolsa preta de sua stratocaster.

— Com certeza! – Um sorriso bobo se instalou nos meus lábios e terminei de vestir a roupa, dando um beijo suave na bochecha de Iwasawa. O vermelho se intensificou no rosto dela.

— Hisako... – Ela continuou desviando o olhar e eu ri baixinho, até olhar a hora no relógio de centro da parede.

— Oh, uau. – Levantei o quanto antes e coloquei minha mochila nas costas. – Precisamos descer para um café. Logo o ensaio final vai começar.

— Eu estou bem atrás de você. – Ela calçou os sapatos e me seguiu, levando a guitarra. Eu ajudei a levar a mochila com o violão.

Ao descermos para a área de alimentação, avistamos nossos amigos por ali. Eram Yuri, Shiina, Kanade e TK. Eles estavam sentados nas mesas que ficavam perto da cafeteria. Eu e Iwasawa pegamos latas de café e sanduíches como qualquer estudante normal, sem precisar roubar nada desta vez. Assim, nos juntamos à líder e sua turma.

— Olha quem vem ali. Senão são as nossas estrelas de rock! – Yuri apontou para nós assim que nos viu, convidando para um lugar ao seu lado.

— Bom dia, Yurippe-san. – Iwasawa acenou e sentou-se à esquerda de Yuri, debruçando seu lanche sobre a mesa branca. – Bom dia a todos.

— Good morning, girls! – TK abriu um sorriso e voltou para o prato de gelatina dele.

— Oi gente! Bom dia. – Eu sorri e garanti meu lugar à esquerda da minha namorada.

— Vocês acordaram cedo hoje. – Kanade disse baixinho, antes de levar um pouco da sopa de missoshiru a boca.

— Nós estamos muito animadas para o concerto. – Iwasawa parecia radiante ao lembrar-se do show.

— Não se esqueçam do jogo, gente! Vamos destruir com aqueles moleques! – Yuri apertou os hashis no alto da cabeça, quase subindo sobre a mesa.

— Que mente pequena. – Shiina suspirou na cadeira ao fundo, perto da parede.

— Heey, keep calm! – O loiro segurou uma risada e mandou um sinal positivo. – Vamos arrasar com eles.

— E você, vê se não foge depois da apresentação, Hisako! – Yuri provocou, apontando disfarçadamente para Iwasawa.

— Hahaha, eu não contaria com isso. – Uma risada maldosa soou atrás da minha nuca antes de eu me levantar para responder à altura.

— Sekine-chan, ela é nossa líder de banda... – Irie apertou a manga da blusa da namorada, que puxou uma mesa para perto da nossa.

— O que você quer dizer com isso, sua bastarda? – Ralhei antes de beliscar um pedaço grande do meu sanduíche, mastigando com força. – Quer que eu enfie isso na sua garganta inteiro de uma vez só? – Apontei a comida para o nariz de Sekine de uma vez.

— Que mente pequena. – Shiina repetiu, cruzando os braços.

— What a shame... – TK coçou a nuca, ainda tentando terminar o lanche. Kanade continuou quieta e aproveitando o prato de sopa.

— C-Calma, Hisako... – Iwasawa acariciou minhas costas, me fazendo voltar para o assento.

— Vocês são muito bobas. Acham mesmo que Hisako vai sair correndo? Essa garota nunca perde uma partida! – Hinata chegou empurrando Yui na cadeira, apesar de que ela não precisava desse mimo, afinal, ela poderia manipular sozinha sem esforço algum.

— Você está atrasado! – Yuri revirou os olhos e guardou o punho sob a mesa para não desferir um golpe logo cedo.

— Bom diaaaaaaaa! – Yui balançou as mãos no alto ao ver quase todos ali reunidos envolta da mesa.

— Me desculpe. Você deve imaginar como deve ser acordar essa doida aqui. – Hinata afagou levemente os cabelos da namorada.

— Ei! Eu não sou doida, seu idiota! – Ela deu um tapa no braço do garoto, trincando os dentes detrás.

— Isso dói! – Ele respondeu, esfregando o local avermelhado.

— Que mente pequena. – Novamente Shiina sussurrou.

— Bom dia pra todos que chegaram. – Kanade olhou como se estivesse analisando-nos com seus enigmáticos olhos dourados e frios. Todos se calaram e se acomodaram nas cadeiras.

—Precisamos nos concentrar no que virá por agora. – Bebi um gole do café e olhei para Yui, que parecia estar contente. – Yui, você quer mesmo tocar conosco, certo?

— E você ainda pergunta? Vai ser demais! – Seus olhos rosados brilharam, eu quase poderia ver ela se levantando daquela cadeira e rodando com a guitarra vermelha por aí.

— É muito bom saber que você vai tocar com a gente hoje. – Iwasawa sorriu com os olhos e isso iluminou o rosto da pequena Yui.

— Obrigada, Iwasawa-senpai! Eu prometo não decepcionar. – Ela olhou para Yuri e para Shiina.

— Ugh. – A ninja apenas direcionou o olhar para o lado.

— Pra sua informação, a Iwasawa-san gostou muito da minha performance no baixo! – Yuri cerrou os olhos com desdém.

— Quanto ressentimento. – Apoiei meu cotovelo sobre a mesa o rosto sobre minha própria mão. O último gole do café desceu pela minha garganta.

— Hehehe, Yurippe-san não precisa ficar brava por isso. Quem sabe um dia eu te ensino a tocar o meu baixo. – Sekine provocou a nossa líder, deixando novamente Irie um pouco aflita.

— Let’s play! – TK deu um de seus giros ao terminar o café.

— Está quase na hora do último ensaio antes da abertura dos jogos. – Iwasawa se ergueu lentamente da cadeira e me chamou com um movimento do rosto.

— Não vamos esperar a Yui terminar o café? – Olhei para ela e dei de ombros.

— Fique tranquila, enquanto ela não chega, vamos ajeitar os instrumentos no palco. – Sendo assim, voltei a vestir a alça do case de guitarra e acenei para todos, assim como Iwasawa.

— Certo. Até logo, pessoal. – Fiz reverência e segui logo atrás da minha namorada. A brisa fria e refrescante da manhã acariciou meu rosto, assim como os raios do Sol refletiam o brilho nos olhos de uma vocalista muito ansiosa.

Uma revoada de corvos passou em frente ao astro rei enquanto caminhávamos pelo pátio da escola, seguindo para a sala de música que ficava do outro lado.

— Isso é algum sinal? – Coloquei a palma da minha mão acima da testa para livrar as minhas vistas da luz intensa que vinha em minha direção, observando tais aves negras e agitadas.

—Eu diria que elas estão no mesmo espírito que nós. – Iwasawa sorriu disfarçadamente ao ouvir o crocitar alto e escandaloso.

— Com certeza. – Apertei de leve o seu ombro e aproveitei os sons até entrar novamente no prédio.

Ao chegarmos à sala, encostamos os cases no canto e nos pusemos a procurar os cabos elétricos e os pedais. Tínhamos cerca de quatro ou cinco desses, então os levamos logo com as estantes de partitura. Os equipamentos de som como os amplificadores não eram problema, já que quase todos estavam sobre o palco, menos o do baixo, mas deixamos esse trabalho para Sekine fazer já que preciso ficar de olho em Iwasawa que não poderá carregar tanto peso assim.

Olhando de cima, nós conseguíamos ver os times treinando ao fundo, inclusive o de Naoi, que era composto apenas por garotos. Observei minuciosamente o que estavam a tramar no momento. Até agora não havia nada suspeito, tirando o fato de que o vimos planejar algo anteriormente às escondidas.

— Eles estão logo ali. E nem dá para saber o que eles estão tentando aprontar. – Cruzei os braços, murmurando.

— Não pense demais. Eu sei que você vai dar um jeito quando as coisas estiverem acontecendo na frente dos nossos olhos. – Iwasawa sentou à beira do palco, após termos conectado os cabos nos amplificadores. O tempo parecia bom e com algumas nuvens para amenizar o ofuscar do brilho do Sol durante as partidas.

— Eu espero que sim. – Suspirei uma vez, ajeitando o coque na parte detrás na minha cabeça.

— Você é uma das jogadoras que mais entende de truques que eu conheço, Hisako. – Uma risada baixa escapou de seus belos lábios levemente rosados.

— Está me chamando de trapaceira? – Coloquei as mãos na cintura e levantei uma das sobrancelhas. No fundo, eu queria muito rir. Eu não me orgulhava das vezes que ganhei com meus melhores coringas sob a manga, mas confesso que eu não termino um campeonato sem me dar bem nele.

— Eu? Você sabe muito bem o que faz. – Ela continuou farfalhando e eu concordei com a cabeça, apenas. – Oh, mas o que é aquilo?

Voltamos os olhares para o fundo da quadra, onde o grupo do garoto Ayato estava a treinar e percebemos que um dos seus jogadores estava num tipo de revolta contra o líder, balançando uma espada de bambu na frente do rosto dele. Depois disso, outro rapaz alto o expulsou de lá, puxando-o pela camisa, as ordens de Naoi.

— Esses garotos me dão dor de estômago de desgosto. – Cuspi para fora do palco e me recusei a continuar a ver tanto massacre. – Vamos?

— Oh, claro. – Iwasawa estreitou os olhos na direção da briga e me seguiu, coçando levemente o queixo. – Tenho a impressão de que já tinha visto aquelas pessoas antes.

— Eu não sei... – Coloquei as mãos nos bolsos da minha blusa, seguindo até a sala novamente. – Mas sei que garotos encrenqueiros surgem em todos os locais possíveis.

— Nem me fale. Esse meu namorado é um mala. – Nós demos de cara com a pequena Yui na entrada do cômodo, assim que demos um passo para dentro. Hinata estava atrás, segurando a guitarra dela no colo.

— Onde você vai aprender a ser um pouco menos grossa, pirralha? – Ele revirou os olhos. – Respeite seu namorado e senpai.

— Oh céus. – Iwasawa pegou o case de seu violão e o vestiu lentamente, enquanto eu segurava o riso.

— Ele inventou essa de que tenho que continuar o chamando de senpai. – Yui mostrou a língua e se remexeu na cadeira.

— Vocês dois, parem já. Temos que terminar de montar os instrumentos. Aliás, cadê Sekine e Irie pra levar aquela bateria enorme? – Cruzei os braços e bati o pé no chão de nervoso. Não tínhamos muito tempo.

— Já estamos aqui, Iwasawa-senpai. – Irie veio arrastando a baixista pela camisa, elas entraram rapidamente e dava pra ver claramente a expressão de preguiça de Sekine.

— Sekine está quase dormindo como sempre. – Suspirei e coloquei rapidamente o bumbo nas mãos dela.

— Uff! Você tem ideia do quanto isso é pesado? – Ela resmungou entre dentes, saindo pela porta. Irie seguiu atrás com o surdo.

— Isso não é nada. — Eu segurei os tons depois de entregar o chimbal para Yui e os pratos para Iwasawa. Hinata se encarregou de levar o banquinho e a caixa nas costas e seguimos para o palco.

— Tomara que o jogo de hoje não tenha nenhum imprevisto. – Hinata comentou enquanto andava ao lado da cadeira de Yui.

— Eu não contaria com isso. – Prolatei infeliz, lembrando-me do caso que houve mais cedo.

— Aquele Naoi não sabe com quem está mexendo! – Yui murmurou enquanto guiava cuidadosamente a cadeira pelo corredor.

— Eu não sei bem, mas ele já estava fazendo seleção natural no time dele hoje cedo. – Iwasawa nos guiou até a quadra, receosa de cair com os pratos. Ajudei subir, assim como Hinata fez o mesmo com Yui após colocar os instrumentos no palco.

— Como assim, Iwasawa-senpai? – Irie coçou a bochecha, colocando o surdo ao lado direito do bumbo. Sekine se esparramou pelo chão, visivelmente exausta.

— Expulsaram um dos membros de lá. Não sabemos bem o porquê. – Ela respondeu, conectando os cabos nas guitarras.

— A única coisa que posso pressupor é que um dos jogadores discordou das táticas de jogo dele e resolveu se rebelar contra ele. – Coloquei a alça da guitarra por cima dos meus ombros e toquei um fá sustenido menor, verificando novamente a afinação.

— Uau! Isso parece tão familiar. – Hinata passou a mão sobre a testa e riu baixinho, tentando imaginar a cena.

— Chega de enrolar. Eu quero tocar com as senpais! – Yui colocou o chimbal no chão com força, ao lado da caixa.

— Ei, assim você vai quebrar meus pedestais! – A baixista no chão cerrou os dentes.

— Desculpe, hehe... – A rosada coçou a nuca, se virando e deitando a guitarra no colo.

— Vamos começar então? – Irie sentou atrás do bumbo, descansando o pé sobre o pedal.

— Não tem jeito, Miyukichi. – Sekine respondeu emburrada, afinando o baixo.

— Vamos começar a pela nova canção. – Iwasawa piscou para nós e se colocou a frente do microfone. Hinata sentou perto da cadeira de Yui, no chão mesmo.

— Okay! Prontas? – Acenei com a palheta em riste.

— Sim! – Elas responderam em coro.

O ensaio foi bastante tranquilo. Foi preciso passar o som umas três ou quatro vezes por conta do amplificador que Sekine não tinha trago. Felizmente os professores nos emprestaram um que servia exatamente para a Fender dela. Após isso, tocamos quase todas as músicas duas vezes para garantir a harmonia. Lá embaixo, Yurippe organizava o time e os acessórios. Hinata fez questão de analisar todas as suas luvas e os bastões.

E então, finalmente chegou a hora de abrir os jogos escolares. Todas nós estávamos muito nervosas e sentindo o corpo tremer ao ver tantas pessoas na plateia. Não tinham apenas as equipes que iriam disputar. A escola inteira estava lá na quadra, envolta e na frente do palco. Nossa diretora tomou a frente e entrou com o microfone nas mãos.

— Bom dia, queridos alunos! É com muito prazer que eu anuncio a abertura dos jogos escolares da Academia. E especialmente porque hoje, celebramos a volta de uma das nossas melhores estudantes. E com vocês, a banda Girls Dead Monster!

Todos os olhares foram direcionados à direita, exatamente onde nós estávamos reunidas. Yuri e nossa turma deram uma forcinha e puxaram as palmas e a histeria dos espectadores enquanto nos dirigíamos ao meio do palco, cada uma em sua respectiva posição. Nós nos entreolhamos uma vez e eu poderia jurar que Iwasawa gritaria de tanta felicidade. Meu corpo arrepiou ao ouvir os tiques das baquetas de Irie.

— Um, dois, três! – Ela gritou e tocou o chimbal quatro vezes e Crow Song soou por toda a escola. Nós podíamos ver Yuri agitando com Hinata lá atrás, balançando seus cabelos e pulando. Yui nos ajudou nos backvocals durante toda a canção. A plateia estava animada e batendo palmas e erguendo os braços a todo o momento.

Aquela revoada de corvos se movia no alto do céu e algumas penas alcançavam-nos pelo vento. A voz de Iwasawa soava doce e cheia de energia até Alchemy. Foi maravilhoso poder compartilhar os solos ao lado dela, sempre batalhando com as guitarras, nos olhando nos olhos. Era uma das melhores maneiras de compartilhar nosso amor uma pela outra e pela música.

— Hey minna! – Nós somos as Girls Dead Monster! – Iwasawa exclamou no microfone para todos ouvirem. Todos gritaram em resposta com muita vigor.

— Nós estamos muito felizes de voltar aos palcos outra vez. Eu espero que vocês aproveitem o show. – Acenei após falar no microfone timidamente.

— Prontos para sair do chão, galera? Queremos ver vocês cantando com a gente! – Yui levantou a guitarra e assim iniciamos outra música. Essa se chamava Little Braver e tinha os vocais todos voltados para Yui.

Mesmo presa àquela cadeira de rodas, ela estava brilhando a frente do palco. Iwasawa ficou ao meu lado, tocando a base da guitarra e sorrindo por todo o tempo. Ela respeitava todas as notas de uma maneira impressionante, mesmo tendo tocado por poucas vezes a música, já havia decorado toda a partitura. Após a música acabar, chegou o ápice do show.

— É sua hora de brilhar. – Sussurrei na orelha de Iwasawa antes que ela voltasse para o microfone do centro. Ela piscou para mim e se pôs próxima ao objeto.

— O nome dessa música se chama Hot Meal. Dedico ela a todos os amigos que estiveram aqui até agora me apoiando em cada momento.

O solo da guitarra levou todos a loucura. Muitos diriam que ela tocava guitarra desde pequena, mas nem sempre foi assim. Ainda bem que eu tive a oportunidade de ser a primeira pessoa a fazê-la encarar uma guitarra elétrica. Após isso, a batida da bateria acompanhou seguida do baixo de Sekine e a minha guitarra com a de Yui. Os solos dessa música eram particularmente os meus favoritos de se fazer.

Tirar a paz e tranquilidade com alegria!
Eu vou ficar bem, mesmo com apenas uma hora de sono
Este lugar é nosso palco ao vivo até o sol nascer
Aquelas latas de café em suas mãos -
Usaremos como microfones, e vamos todos cantar juntos.
Vou manter o ritmo!

Quando você está perdido, você pode sempre voltar a esse lugar de novo
Porque eu sempre estarei cantando aqui, sem saber para onde estou indo...”.

A parte final dessa música era a melhor na minha concepção, pois eu, Yui, Sekine e Iwasawa nos olhávamos para fazer o solo final. Foi incrível e todos na plateia foram à loucura. Acho que não era muito comum na escola se ver garotas tocando numa banda de rock e muito menos solando. A recepção foi bastante agradável a nosso ver.

— Muito obrigada, minna-san! Nós todas desejamos bons jogos a todos. Até mais! – Iwasawa segurou no microfone sobre o pedestal para falar e Irie e Sekine se aproximaram para dar-nos as mãos e todas reverenciamos juntas. Yuri estava sobre os ombros de Hinata e gritando algo que não conseguíamos bem entender. No fim, acenamos e descemos do palco, ouvindo os gritos das pessoas pedindo outra música.

— Parece que você precisa escrever mais outra música, Iwasawa-san. – Sekine deu de ombros enquanto carregava seu baixo nas mãos.

— E eu?! – Yui implicou, guiando sua cadeira cuidadosamente pela rampa.

— Você também, Yui-chan... – Irie sorriu para a amiga e eu continuei apenas andando.

— Vou adorar ver composições suas. As letras sempre vêm do coração. – Iwasawa passou a mão sobre a cabeça da kohai e ajeitou a guitarra sobre os ombros. – Eu já estou com um projeto a caminho, Sekine.

— Uiui, será uma música de amor? – A baixista provocou, me olhando torto.

— Por que você não escreve uma? – Respondi com desdém.

— Meninas, vocês foram demais! – Yuri veio nos cumprimentar, trazendo toda a trupe atrás.

— Vocês não perderam o espírito de modo algum. – Matsushita Godan sorriu.

— Great! – TK apontou para nós, rodopiando como de costume.

— Muito obrigada. – Yui disse sorridente.

— Os equipamentos já estão a postos? – Coloquei as mãos na cintura, olhando para Yuri.

— Com certeza sim! Estamos prontos pra começar a qualquer momento. Algo me diz que aquele Naoi está tramando para passar por cima de nós a qualquer custo... – Ela coçou o queixo e olhamos para a quadra. Quem iria assistir se dirigia as cadeiras e os jogadores foram para as bases.

O garoto que carregava uma espada de madeira estava por ali rondando. Observei-o por alguns segundos até ele sumir na plateia.

— Aquele jovem não me é estranho... – Shiina disse ao estreitar os olhos e seguir o garoto com os olhos vermelhos.

— Eu também acho.

Espreguicei-me por um momento e Yuri jogou uma das luvas de beisebol para mim. Era hora de me preparar.

Notas finais
Continua... Até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.