Acordei com o barulho irritante do despertador. Pisquei os olhos algumas vezes para me acomodar com a luz, e sentei na beirada da cama. Vi as horas, 7:30h, tinha dormido demais.

Levantei correndo as pressas para tomar um banho e me vestir. Nem sequer tomei o café da manhã. Meu irmão iria me matar! Corri até a garagem e entrei no carro e dirigi as pressas.

Chegando no studio de gravação vou até a máquina de café e pego um capuccino.

-Está atrasada!- meu irmão diz com raiva — Você que é a responsável, o que houve Mary?Me pertubou tanto para chegar aqui cedo e você chega atrasada.

Damon era meu irmão gêmeo, 3 minutos mais novo que eu.

-Não aconteceu nada -digo tomando um gole do café — Só, dormi demais.

-John já estava para andar pelas paredes se você atrasasse mais um minuto -disse olhando para o diretor da série que iriamos gravar do outro lado do set -Vou avisar a ele que você já chegou!- ele diz e vai em direção ao diretor.

Começo a olha as pessoas ao meu redor. Muitos eu nem conheço, e outras só comprimentei ou conversei no dia da audição para os papéis. Vejo um rapaz de não mais do que vinte e sete anos de costas, pelo que vi parecia ser simpático.

Meu irmão vem em minha direção com um sorriso.

-Ainda bem que ele está de bom humor -diz com um ar de sarcasmo — Temos muita coisa pra fazer hoje... Já conheceu o Benjamin Anderson? O cara que vai ser seu par romântico.

-Não — digo terminando meu café e jogando o copo descartável no lixo — Se não se lembra não tive muito tempo.

Me lembro do trabalho que tive para fazer com que Henri não visse essa série como uma ameaça. Afinal, estava alí para trabalhar.

Observo de novo o rapaz e vejo que ele me encara. Meu irmão diz algo mas nem presto atenção, e por um breve e mísero segundo tudo parou. Não havia série, nada de Henri, nem um trabalho na TV, só nós dois.

-... Entendeu?- Damon pergunta estralando os dedos na minha frente.

-Cla-claro que entendi maninho — falo com um sorriso amarelo no rosto afastando aqueles pensamentos de minha mente.

O rapaz moreno que me encarava caminhava até minha direção. Meu coração começou a bater naquele instante, mandei ficar queto mas ele não obedeceu. Por que não obedeceu?

-Oi, você é a Mary?- concordei com a cabeça — Prazer, eu sou o Ben! — ele disse e me estendeu a mão para comprimentar. Retribui.

O que pensar de uma pessoa que eu nem conheço? Sinto que estava destruindo o coração de uma pessoa e ao mesmo tempo o meu estava começando a bater. Passei tanto tempo me dedicando aos meus estudos. Falava a mim mesma que o amor era para os fracos, os fortes sabiam escolher, conseguiam mandar em seu próprio coração. Mas, afinal, quem é que consegue mandar em seu coração? Quem consegue escolher quem amar? Essas perguntar começaram a se acumular em minha cabeça. Tentei não pensar nisso, mas falhei, eu só pensei nisso. No meio de uma cena John ficou estralando os dedos em minha frente.

-Terra chamando Mary. Está aqui Mary?- perguntou com seu tom de ironia de sempre.

Olhei para ele e concordei com a cabeça e continuamos a cena. Tentei fazer com que aquilo fosse normal. De noite, ligaria para o meu namorado em Londres, jantaria com a minha família e ficaria até tarde contando meu dia para a Elena. Como sempre, tudo normal.

Mas, eu estava mentindo! Estavamos em um intervalo e eu não parava de me remoer por dentro.

-Dia difícil?- Benjamin pegou ao se aproximar.

-Você nem imagina!-digo encarando meus pés com a sapatilha bege impecável.

-Me pergunto o que seria de nós se não houvesse dias assim, talvez não saberiamos identificar a felicidade! — disse fitando uma garota loura de olhos castanhos -Ainda bem que encontrei alguém com quem compartilhar essa felicidade. Todos estamos atrás de algo. Alguns não sabem outros temem tentar...

Ele se distanciou e foi em direção a garota e lhe beijou os lábios, deveria ser a namorada dele. Ela sorriu e retribuiu. Senti algo, como se fosse um corte, e quando me dei conta, Damon me perguntava porque eu deixara cair a xícara de chá. O fitei e ele se calou como se entendesse que eu não sabia o que havia acontecido comigo aquele dia. Sai e fui até o banheiro e fiquei olhando o espelho. O que havia acontecido comigo?

Quando terminamos nosso primeiro dia, todos bateram palmas. Após entrar em meu carro para ir embora comecei a relembrar as coisas que fiz, e quando percebi já estava estacionando o carro na garagem. Era como se eu estivesse hipnotizada, chagualhei a cabeça para que esses pensamentos fossem embora. Entrei em casa e subi até meu quarto, desabei na cama tirando a jaqueta de couro.

Meu telefone começa a tocar dentro da bolsa, Henri ligando. Deixo tocar e no dia seguinte ligo dizendo que não o ouvi tocar e a bateria teria acabado. Ele teria que acreditar.

Entro na banheiro e fico analizando meu dia como sempre. Por hoje ser terça, teria um jantar na casa de meu pais, não muito longe do condomínio que moro. Coloco um vestido azul com um elástico fino na cintura, e minhas sandálias favoritas, pego o casaco e a bolsa e saio. O jantar em família foi como sempre fora que Damon apresentou sua nova namora, Maureen, a nossos pais.

Chegando em casa, visto meu pijama mais folgado e me preparo para dormir, e fito através da janela a casa de meu mais novo vizinho da frente, a janela esta aberta e as persianas se balançam como vento. Ainda não sabia quem havia se mudado, então vejo Ben e a garota que havia beijado no set, para piorar ele era meu mais novo vizinho. Deito e durmo com a sensação que aquilo era só o começo

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.