I want you...hungry.

32 No games just a slave to you totally


Notas iniciais
Nota 1: Mais de quarenta e três mil visualizações, UAU! Eu não sei a média, mas pra mim isso é MARAVILHOSO. Muito obrigada à todos que sentem junto comigo essa história. Nota 2: Muito trabalho e correria, isso não é uma desistência, muito menos um abandono. Só estou indo no ritmo que eu consigo. Sobre as personagens: 'Cause I don't care about what they say about you virgo And you don't care about what they say about me virgo But you know what they say about trouble' Como sempre, capítulo com amor e... bom... com aquilo que quem ama faz' (os sortudos, claro) Espero que curtam amadinhos...

–Esse lugar é realmente lindo, Marina – Virgílio começou a falar com a voz branda sentado na grande mesa posta no jardim da casa – Um pedacinho de paz no Rio de Janeiro. Fora o fato de abrigar um trabalho tão esplendoroso. Fiquei realmente encantado com as fotos que a Vanessa me mostrou.

–Ah, que gentileza Virgílio, eu procuro fazer o meu trabalho com entrega, acho que isso acaba transparecendo nas minhas fotos – Sorriu largo um sorriso que era extremamente particular, encantadora.

–Ela não sabe ser modesta – Vanessa implicou carinhosa – Tenta, mas não consegue – Sorriu para a parceira de trabalho e amiga com uma cara engraçada — Ela é boa mesmo, essa é a grande verdade, imensamente talentosa.

–Eu chamaria de dom – Flavia acrescentou sentada do lado oposto do móvel largo repleto de gente, o tom sensual de praxe fez todos sorrirem silenciosos.

–Falando em dom – A voz da matriarca da família Fernandes apareceu mais alta – Parece que meu neto querido saiu com esse presentinho também – A avó coruja disse acariciando os cabelos do menino enquanto apontava para as fotos espalhadas no jardim.

–É verdade – Marina concordou – Ele tem sensibilidade, visão, talento – Sorriu com os olhos rasgados acrescentando – Mas eu quero que ele estude, já conversamos sobre como a fotografia é também os livros que lemos, os filmes que vemos, as músicas que ouvimos.

–A Marina vai me ensinar um monte de coisas vó, tem que ver, essas eu tirei mexendo em uma câmera... – Pausou depois de falar a frase apressado e rouco – É... An... –Tentava se lembrar da palavra

–Ana... – Marina ajudou dando uma dica

–Analógica – Exclamou feliz por ter lembrado – Sabe, vó? De filme!

–Sei sim meu amor. Na minha época era com essas que fotografávamos.

–Muito legal – O menino sorriu sincero.

–Que família mais tagarela, é a fome? – Clara se aproximou animando todos que estavam sentados ao redor da mesa. Minha especialidade, farofa de ovo.

–Nossa irmã, você quer acabar com a gente mesmo né... Não acredito que estava lá dentro fazendo essa maravilha – Helena disse enquanto se servia sem cerimônias.

Clara acomodou-se do lado esquerdo de Marina passando o braço na cintura dela deitando levemente a cabeça em seu ombro, gostava de observar a família se servindo. Não precisou montar o prato do filho, a avó apaixonada já estava o fazendo com muito gosto.

–Quer dizer então que Marina Meirelles gosta de um bom churrasco – Ouviram Felipe brincar enquanto colocava pedaços de carne em seu prato – E com farofa.

–Se eu te disser que é o primeiro organizado por mim, você vai acreditar? – Sorriu enquanto fazia carinho na testa da amada que ainda repousava carinhosamente o rosto no seu ombro.

–Vou achar um desperdício de tempo – Estava animando fazendo todos rirem – Ainda mais com essas caipirinhas deliciosas – Viu Vanessa concordar erguendo o copo que tinha nas mãos.

–Mas eu sinceramente acho que já deu de bebida, hein Felipe? – Chica o repreendeu fazendo a ruiva se encolher torcendo o cenho em um misto de careta e vergonha.

–Pois é, to começando a achar que foi um desperdício sim – Marina tentou descontrair – Nunca fui de churrasco, nem muito do dia, pra falar a verdade.

–Isso eu tenho que concordar – Ricardo levantou a cabeça dando uma pausa na comida por breves segundos fazendo com que todo mundo percebesse seu empenho no prato que estava a sua frente, a risada foi generalizada – O que foi? – Perguntou confuso vendo a prima continuar.

–Todas as festas que dava aqui eram a noite, no máximo oferecia uns almoços – Pensou – Mas querem saber, to achando ótimo esse dia, muito agradável. Só vou ter que fazer mais quinze horas de Pilates Funcional pra queimar tanta comida.

–Não vem de graça não que além de tudo a senhorita nasceu com uma genética muito da boa, viu... – Vanessa cutucou a amiga dando risada.

–É bom não dar sorte pro azar – A fotógrafa respondeu dando uma piscada.

Viram o almoço passar aprazível, a mesa estava debaixo de uma grande sombra o que amenizava o calor, uma brisa morna cortava de leve o enorme jardim e o cheiro das árvores vinham soprados juntos à ela.

Todos terminaram satisfeito e como resultado da mistura de tanta bebida e comida foram se empoleirando em pequenos grupos pela grande casa.

Vanessa e Felipe cochilaram de tanto falar em duas espreguiçadeiras que ficavam perto de uma das entradas.

Chica passeava com o genro pelo jardim observando a beleza natural do lugar, Juliana e Nando estavam na sala principal vendo juntos um grande livro de fotografia.

Flavinha aproveitava o sol para se bronzear junto de Gisele, mas quem as olhasse podia jurar que também estavam passeando no mundo distante dos sonhos.

Ricardo havia se despedido de todos a pouco, voaria mais tarde e preferiu ir para casa, descansar e sair com um horário mais folgado.

Ivan e Marina dividiam uma espreguiçadeira em uma das sombras na área da piscina, pegaram no sono enquanto folheavam um livro infantil.

As irmãs, Helena e Clara os observavam do outro lado da borda com olhos apaixonados, a cena era tão amável que derreteria até o mais duro dos corações.

–Você consegue sentir essa paz? – Clara perguntou rouca sem mudar a direção dos olhos.

–Quem não conseguiria – Helena sorriu verdadeiramente feliz pela caçula – Sabe irmã... Não posso negar que quando você me contou, depois assim... depois sozinha, perdida em meus pensamentos eu não tenha pensado que era uma grande loucura, que não daria certo, que você estava equivocada... Sabe como é, nós adultos, sempre tão cheios de preconceitos, julgamentos sem fundamentos – Suspirou fundo – Fico profundamente feliz de ver que estava errada e que aquelas concepções eram completamente estúpidas.

–Tudo bem – Viu Clara sorrir para ela com ternura – Eu não quero mudar o mundo de uma hora pra outra, nem tenho essa pretensão, sabe Leninha... Fico feliz por estar fazendo a minha parte, com a minha família, vendo isso – Fez um círculo com o dedo indicando o que estavam vivendo – Mudar um pouquinho cada um pra melhor – Deram as mãos trocando um carinho fraterno.

–Ela é linda, gente, hoje no almoço eu fiquei observando enquanto ela falava, que mulher encantadora. Agora eu sei por que você ficou caidinha– Cutucou a barriga da mais nova.

–Olha lá hein, você tira esse olho! – Exclamou de brincadeira.

–Pode deixar, não vou arrancar a sedutora Marina da minha irmãzinha – Helena sabia ser bem divertida quando queria, ainda mais depois de beber algumas doses extras de álcool – Mas vem cá, me conta, existe o lado sexual aflorado também? Sabe... Ou é só mais essa coisa de envolvimento emocional – Terminou tomando um susto com uma Clara engasgada na própria bebida, ajudou como pode dando tapinhas nas costas da irmã, mas as risadas não se continham e saiam tão divertidas ao ponto de doer a barriga.

–Respira, Clara, pelo amor – Pedia tentando acalmar o riso frouxo – Isso, isso... Meu Deus, mas o que eu falei de tão absurdo? – Voltou a rir descontrolada.

–Ai... – Suspirou tentando respirar fundo – Não falou nada irmã, eu só não esperava essa pergunta, me engasguei sem querer, ufa... – Agora o ar entrava livre novamente enquanto passava a mão na testa.

–Ah, sei lá né... Fiquei curiosa – Sorriu fraternal – A gente sempre dividiu tudo, sempre conversamos sobre tudo, não achei que seria de mal grado perguntar.

–E não foi – Viu a irmã sorrir de volta com os olhos – Sabe, é que se tratando dela – Apontou a figura da mulher que dormia aninhada com seu filho com a cabeça – Esse assunto mexe muito comigo – Respirou fundo – Eu realmente nunca senti na vida nada parecido irmã, absolutamente nada.

–Jura? Mas é assim... Isso tudo?

–É muito mais que isso, Leninha... É ver a sanidade ir embora, é um prazer tão pleno que destrói todas as barreiras. Quando estamos vivendo esses momentos tudo o que queremos e nos experimentar, e conhecer tudo. Eu acho que não saberia explicar melhor que isso, é muito mais sensação do que palavras.

–UAU – Viu a irmã soltar o ar olhando para o nada – Observando vocês, esse amor que irradia, não dá pra imaginar o tamanho que isso tenha em sensações, sabe? – Riu antes de falar – Sexuais...

–Vocês são serenas juntas, passam paz, passam calma, companheirismo. Acaba se tornando ainda mais interessante saber que esse outro lado da moeda existe e é tão intenso assim. Só mostra como conhecemos e enxergamos pouco dos que estão à nossa volta, mesmo sendo minha irmãzinha né? –Brincou fazendo cócegas onde alcançou na mais nova — Todo mundo tem mundos particulares que dividem com quem desejam. O universo é adoravelmente complexo mesmo – Terminou ainda sorrindo.

–Pois é – Disse olhando para o céu – Às vezes acho que vou enlouquecer, de tanto que... Eu sinto... É... Extraordinário.

E assim ficaram. Compartilhando de um silêncio agradável já conhecido entre elas.

Sem ao menos perceber que havia dormido foi acordada pela voz rouca e doce já conhecida

–Mãe – O menino a balançava com cuidado – Mãe, acorda dormideira.

– É dorminhoca, bichinho – Corrigiu ainda com os olhos fechados e a voz semelhante à do menino

–Vem comer o doce que a vovó fez, ela ta chamando – O menino sorriu depois de ouvir a palavra nova.

–Mais comida? – Clara exclamou sentando-se na cadeira vendo o menino rir com os olhos arregalados do seu susto proposital.

–Eu não vou engordar sozinha não amor – Ouviu outra voz conhecida e particular aproximar-se deles – Pode vir comer o doce comigo – Marina sorriu, estava corada, cabelos bagunçados depois de provavelmente mais banho de piscina, o sol batia neles trazendo para a figura da mulher um ar ainda mais felino, óculos escuros cobriam seus olhos, mas Clara podia desenhá-los perfeitamente por trás das lentes –Vem? – A mão esticou-se em um convite irrecusável, não seria possível negar nada com um sorriso daquele em seus lábios.

–Vamos – Sorriu devagar, sentiu que seus olhos brilhavam, iluminados com a figura exibida à sua frente – Virou-se para o filho que assistia a cena com a cabeça unicamente no doce da avó que os esperava, não podia captar com sua mente infantil todo esse tipo de energia que vagava por entre elas – Vamos filhotinho – Passou as mãos com ternura pelas bochechas sujas de protetor solar – Mas só um pouquinho – Agora falava para os dois.

O menino levantou rapidamente segurando na mão da mãe, entre ela e Marina, a mão vaga subiu convidativa para a fotógrafa que caminhava paralelamente aos dois, veio com um sorriso puro de criança, definitivamente Ivan criara por ela um carinho especial.

Reuniram-se ao resto da família que degustavam com prazer o mimo feito pela matriarca.

–Ué, cadê a Vanessa? – Marina passeou os olhos pelo redor em busca da amiga – Tava aqui agora mesmo.

–Acho que passou um pouco do ponto – Flávia respondeu com um sorriso leve – Foi tomar um banho pra ver se melhora.

–Bom, vou falar pra guardarem um pouquinho pra ela então – A chefe preocupada disse chamando um de seus ajudantes, sempre tivera um carinho enorme pela amiga e sócia, apesar da amargura e implicância constante.

Comeram ainda com muito papo, conversas intermináveis e risadas fáceis entre uma família que agora crescia um pouco mais, com a chegada de Marina, Gisele, de Ricardo, que mesmo não estando mais ali se fazia presente nas palavras de um Chica completamente apaixonada.

–Bom, meninas – Helena chamou a atenção para falar com o dia que já se esvaia – Estamos indo .

–Poxa, mas já? – Marina foi sincera

–Sim, o dia começou cedo, estamos cansados – Sorriu – Mas foi maravilhoso, honestamente querida, foi maravilhoso – Terminou abraçando a figura esguia com carinho, um carinho que estendia do amor que sentia pela irmã – Obrigada por tudo.

–Ah, Marina – Ouviu Chica suspirar – Foi delicioso mesmo, que dia mais agradável... – Terminou agradecendo por mais de uma vez o convite da nora.

–Mais uma vez parabéns pelo seu trabalho, Marina, fiquei verdadeiramente encantado — Virgílio não cansava de elogiar tudo o que tinha visto.

Viram um Felipe um tanto passado caminhar para o carro dando um tchau breve para a irmã, iria esperar ali mesmo, não parecia estar nas melhores condições.

Todos se despediram deixando a casa, que só não ficou completamente silenciosa devido a uma animada conversa entre Ivan e Flavinha que vinha do interior da mansão. Agora se posicionavam ainda com roupa de piscina em frente ao videogame.

Clara e Marina divagavam observando o último resquício de dia no horizonte cor de fogo. O corpo claro, agora levemente rosado, estava relaxado quando sentiu a quentura ofegante de Clara encaixar atrás de si. O coração acelerou de imediato respondendo com devoção ao toque tão amado. Duas mãos encaixaram em seus quadris os forçando vagarosamente para trás. O movimento veio anexado de uma respiração ardente que soprava em seu ouvido. A fotógrafa sentiu a pele arder em chamas, o rosto queimar em brasa, aquele toque podia desorganizar todo o seu organismo em questão de segundo.

–Eu não esqueci – Uma Clara dominada falava com os olhos grudados na lateral do olhar rasgado que tentava manter-se aberto.

Marina apoiou sem pressa suas mãos sobre as garras que apertavam com certo pudor suas laterais, os dedos se entrelaçaram, mas não perderam suas funções. Aumentando como a tensão sexual entre as duas, a força imposta fazia agora os corpos juntarem-se ainda mais em uma necessidade descontrolada de atrito.

–Nem eu – A fotógrafa girou dentro do abraço conhecido – Esta sendo difícil esperar? – Sorriu já regida pelo prazer que sentia. Mas não obteve resposta, só um sorriso ruborizado – Hein, sentiu falta? Tava pensando em mim esse tempo todo? Eu te deixo louca? Eu quero ouvir... – Realmente queria, definitivamente queria ouvir.

–Se você quer ouvir então eu falo – Clara sorriu travessa – Sim, muito difícil esperar – Puxou o corpo da fotógrafa pra mais perto de si – Sim, senti falta disso o dia todo – Agora o rosto roçava contra o dela levemente – E sim – Os lábios aproximaram serenos do ouvido que tanto queria escutar – Você me deixa completamente louca.

A fotógrafa gemeu baixo, soprado, um arrepio tomou conta de cada centímetro do seu corpo, não teve tempo de se recompor, ouviu a namorada continuar

–Você me domina Marina – Amava pronunciar esse nome – Você toma conta de mim – As palavras saiam com tanto desejo que quase se transformavam em gemidos na metade do caminho

–Eu sei – Os olhos felinos agora olhavam no fundo dos seus, dominantes, desafiadores – Eu poderia apostar... – Pausou demonstrando poder, um poder que ela tinha de sobra, colando os lábios nos da amada antes de continuar – Poderia apostar que... Se eu passasse minha língua assim – Depositou uma lambida vagarosa na boca ofegante da morena – No meio das suas pernas, te encontraria completamente melada – Gemeu no final com as próprias palavras – Posso te sentir pulsando sem nem encostar em você.

–Eu te amo – Ouviu um sussurro escapar da boca da morena – Eu te amo incondicionalmente e por isso mesmo eu me entrego – Fitou com desejo a mulher mais linda que conhecera – Por isso meu sexo pulsa, por isso me deixa sempre tão melada, até mesmo sem me tocar.

–Você é o meu maior presente, Clara – Sorriu ainda em chamas – Você é a representação de um amor que eu pensava não existir, mas que no fundo sempre busquei. E é minha...

–Sua –Sussurrou no ouvido da fotógrafa – Repete?

–Minha – Clara viu a mão direita da amada subir certeira para seu pescoço o envolvendo com um toque tão delicado que parecia mais encostar-se a sua pele do que segurá-la. Os dedos esguios envolvia toda a região acompanhados de olhos famintos. Subiu suas duas mãos repousando-as sobre o contato que a fotógrafa fazia, apertando-o um pouco mais.

–Toma conta de mim – Clara pediu ligeiramente submissa, pertencer à Marina fazia seu mundo girar.

–Vou tomar – Viu os olhos carinhosos aparecerem ao responder – Pra sempre.

–Eu sei – A morena estava experimentando um de seus adoráveis momentos de insanidade consciente – Mas to falando de agora.

Ela se entregava, se doava, Marina era sua dona, isso movimentava seus sentidos, seu sangue e sua alma.

–Me espera no quarto, sem fazer nada, já estou subindo – A fotógrafa agiu com seu domínio natural, domínio com o qual tinha facilidade na vida, pra tratar de seus projetos, seus negócios, suas entrevistas. Domínio o qual Clara adorava, e dar isso pra ela fazia Marina derreter de tanto prazer, saía espontâneo, instintivo.

Viu Clara obedecer sem questionar entrando pela casa por outra porta. A fotógrafa seguiu até a sala de TV e pediu pra Flávia cuidar de Ivan. Deu um beijo carinhoso no pequeno que retribuiu com um carinho doce voltando logo sua atenção para o jogo.

–Pode colocar ele na cama um pouco mais tarde, meia noite ta bom pra você Ivan? – Sorriu sabendo que essa era uma hora de criança estar dormindo.

–Sim – O menino concentrado respondeu animado

–O quarto de hospedes ta arrumado pra ele, a Clara deixou a mochila dele lá também – Passou as instruções para a amiga – Te devo essa – Disse baixinho dando uma piscada marota para a assistente que sorriu largo enxotando ela de brincadeira com as mãos

–Vai, vai Marina. Pode deixar o pequeno príncipe comigo – Sorriu pegando o outro controle do jogo.

Seguiu em frente subindo as escadas que levavam para a ala de seu quarto, o coração pulsava com cada passo que avançava. Aquele calor, que literalmente a queimava por dentro com a aproximação do toque, do contato chegava para dominar todo um organismo apaixonado, toda uma mente que amava além das pequenezas de um mundo que sendo delas, poderia ser muito maior, ir muito mais além.

Abriu a porta e pôde ouvir a música' que se iniciava, viu a figura que em tão pouco tempo já regia seu mundo, suas alegrias, estava de costas, virada para um espelho, fitando seus próprios olhos com dedicação. Não durou quando sentiu a presença da amada se aproximar. Tinha na vista a força de uma vontade inacabada, de um desejo inesgotável.

Marina a pegou pela mão silenciosamente traçando um caminho de passadas lânguidas até o grande banheiro. Combinou um jogo de luzes que deixou o ambiente receptivo, morno, sensual.

Tirou ainda silenciosamente a roupa que cobria o corpo mais dourado pelo sol, soltou os cabelos que caíram selvagens pelo ombro nu da morena. Depois tirou delicadamente a própria roupa como quem presenteasse a namorada com tais movimentos.

–Eu vou te dar banho – Falou trazendo consigo o corpo carregado de prazer. Estava explícito o jogo sensual que tomava conta delas. Clara queria, necessitava ser cuidada, dominada e tinha em sua namorada a figura que realizaria todos os seus desejos. Não respondeu, apenas sorriu em uma obediência carnal.

Entraram juntas no grande espaço destinado ao chuveiro, Marina rapidamente pegou o sabonete e com a própria mão espalhava pelo corpo liso a espuma que ele formava contra a pele de Clara. Passeou pelo pescoço, limpando com delicadeza a área, descendo pelos seios, cada pedaço deles sendo lavados, com uma atenção especial para os pequenos mamilos. Já estavam rígidos.

–Levanta os braços – A fotógrafa ordenou com certa doçura, lavando com devoção cada parte da mulher que tanto amava.

Virou a morena de costas passeando com as mãos por toda a pele exposta, alcançando sem pressa a bunda perfeitamente desenhada. Lavou todo o exterior daquele pedaço que tirava seu fôlego escorregando minuciosamente para o ponto rosado escondido. Também cuidou dele com carinho, lavando cada pequena parte que o compunha.

Quando chegou ao sexo se viu lutando contra os próprios sentidos, queria ir com calma, queria amansar sua fome, precisava aprender a se controlar. O que se tornava uma missão quase dolorosa com o encontro do líquido melado que insistia em lambuzar cada pedaço daquela intimidade.

Ambas respiravam com uma deliciosa sofreguidão, não era fácil lidar com tamanho desejo. Mas em uma comunhão silenciosa, era exatamente o que queriam fazer.

Lavou os cabelos castanhos por último e a deixou observar seu próprio banho, ali bem perto, mas não se tocavam mais.

Saíram juntas do Box e Marina enxugou ambas com delicadeza, vestiu Clara com uma camiseta larga, confortável e não muito comprida, colou nela uma calcinha também aconchegante que pertencia a si. Depois repetiu o mesmo consigo. Enxugou os cabelos da amada antes de enxugar os seus para penteá-los.

O clima era apaixonado, calmo, mas muito... Muito dominador. Como a calmaria que prescindia as tempestades, vinha com outra música que tomava conta do ar.

Um cheiro delicioso de banho dominava o ambiente.

A fotógrafa deitou a namorada na cama e aninhou-se ao seu lado, chegando em movimentos pausados.

–Sabe o que eu gosto? – Marina perguntou enquanto subia e descia a mão acariciando a barriga dourada exposta – Gosto de olhar pra você nos lugares e pensar que você é a minha mulher. De te observar comendo e lembrar que a boca que mastiga e envolve o garfo já provou cada um dos meus sabores – Pausou enquanto os dedos subiam leves levantando alguns centímetros da camiseta, desistindo em seguida da ideia, trilhou então um caminho que passava pelo pescoço e logo alcançara os lábios entregues. Dois dedos forçaram a entrada para o interior, passando as pontas graciosamente na superfície da língua quente.

–Que a língua formadora de palavras e frases que tanto admiro, necessita entrar em mim, como um vício – Ainda acariciava o músculo quente e úmido que fez uma rápida menção de lamber os dedos intrusos, mas eles saíram imediatamente.

Deram lugar aos lábios macios de Marina que com urgência voltaram a encostar-se aos de Clara, sem consumar o beijo. Respiravam pesadamente por ali, os corpos ardiam por dentro e por fora. Viu a boca delicada se afastar dando lugar ao nariz bem desenhado, que a cheirava com vontade, cada pedaço daquele rosto perfeitamente contorcido de prazer. Alcançou um dos ouvidos da morena, respirando fundo, o som que aquele ato emitia no interior da cabeça de Clara podia fazer ela alcançar a loucura.

A mão voltou a passear pela barriga da morena, sem pressa, mas com uma firmeza maior do que a anterior. Sentia toda a pele da região pelas pontas dos dedos que revezavam com uma mão macia e espalmada. Não demorou para o caminho por debaixo da camiseta ser alcançado, dançava com movimentos tentadores pelas bases das curvas dos pequenos seios, era convidativo sentir aquela região, extremamente estimulante. Ambas soltavam em sussurros gemidos pesados e profundos.

Marina não aguentaria mais um segundo, agarrou de mão cheia um dos seios, ainda sob o pano, segurando em sua base e fazendo o mamilo já rígido dançar por debaixo dele, apontando com orgulho para cima. Viu o gemido da namorada tornar-se continuou trazendo para si uma sensação delirante.

–Você gosta? – Sorriu o espetacular sorriso de Marina Meirelles — De ficar ai quietinha... Me vendo mexer em você?

–Amo – Os olhos se fecharam em uma palavra sincera e cheia de poder.

Com a mão do seu braço de apoio a fotógrafa fez um esforço tirando de cima do seio ainda segurado por ela o pano leve da camiseta. Apertava a base do pequeno pedaço de Clara exibindo-o para ambas com orgulho e volúpia. A morena olhava o próprio mamilo ofegante, estava sendo manejada por sua dona, exatamente da forma que ela gostaria.

–Hoje eu quero dormir aqui – A fotógrafa apontou para a pequena ponta rosa com os olhos afrouxando o toque.

–Marina – Ouviu a voz tremulante sussurrar – Eu... –Gaguejou ainda deitada de barriga para cima – Você... -Não conseguiu terminar, não sabia nem o que gostaria de falar, sentiu vontade de pedir pelo toque, mas gostava da forma como sua amada conduzia as coisas. Ao mesmo tempo em que era sofrida, a ânsia imediata pelo sexo, era a fonte de prazer mais potente que poderia haver.

Não precisou responder, nem perguntar o que Clara gostaria de dizer. Sentia em sua respiração, em seus movimentos, via nos seus olhos, nos lábios entreabertos que não conseguiam mais se fechar a confusão deliciosa que se instalava dentro da morena.

A mão continuava passeando pelo corpo arrepiado, não queria maltratar, não era por mal, mas a pele cada vez mais febril e dourada fazia seu sexo pulsar. Acariciar Clara sem pressa, dominante, daquele jeito, estava fazendo Marina escorrer por sua calcinha.

Pensou na certeza de que a morena estaria da mesma forma, e sentiu uma vontade desesperadora tocar. A mão desceu da base dos seios caminhando mais uma vez pela barriga, alcançando o ventre e finalmente o tecido que se iniciava ali. Escorregou mais um pouco para o centro das pernas que já estavam ligeiramente abertas encontrando um toque encharcado. Ambas gemeram com o contato.

–Tão gostosa – Marina sussurrou

–Você me deixa assim – Respondeu derretendo

–E você adora me provocar – Sorriu com a boca ainda colada no rosto da amada – Acha que esqueci no seu pedido na piscina?

–Eu só queria ver, só um pouquinho – Fazia uma cara de culpada

–Queria me enlouquecer – Agora a boca colada depositava um beijo de língua na lateral do rosto dourado.

–Clara – Sussurrou bem baixo dando um beijo agora mais leve, ainda molhado, tinha um toque romântico na voz, carregada de paixão, o nome pronunciado vinha com uma carga adorável – Ajoelha – Apontou sorrindo com o rosto colado no dela, para o chão, ali, na beirada da cama.

Viu o corpo dourado deslizar pelo lençol que ainda não estava bagunçado e ajoelhar sensualmente no chão, as mãos repousando sobre a cama, os olhos pedindo, não sabia exatamente o que, mas eram pedintes.

Percorreu o mesmo caminho engatinhando como uma felina. Se fosse um animal selvagem, Marina certamente seria da família dos felídeos. Tinha em si o poder de tais animais, o andar, o porte, a força, e principalmente, a fome.

Sentou na mesma beirada que dividiriam, as pernas envolveram a cintura descoberta da morena. As mãos tocaram o início da calcinha, mas não desceriam, não agora. Subiram lentamente pela lateral do corpo que esperava. Ergueu com o caminho o pano que cobria a pele de sua amada, não o queria mais ali. A camiseta foi tirada e jogada para longe. Os movimentos eram precisos, sensuais, viu a namorada ajoelhada morder os lábios, ela a desejava. Estava desesperada.

–Quer me beijar? – Marina perguntou com a feição quente. Viu a cabeça da morena balançar em uma afirmação um tanto afobada. Aproximou com calma os lábios dos dela e falou – Primeiro em outro lugar.

Levantou arrancando de si a própria blusa, jogando-a na mesma direção. O sexo agora na altura de uma Clara desesperada, amolecida, o corpo vertido em sua própria existência. A perna direita apoiou no colchão, criando um ângulo perfeito entre elas. Estavam próximas, mas não se tocavam. A morena a comia, com os olhos. O líquido dominava o fundo da peça íntima de Marina, estava tão molhada que ficava completamente visível mesmo coberta.

–Não quer ver mais?

–Mais do que qualquer coisa – Dançou um pouco nos joelhos posicionando da melhor maneira para fitar o que seria oferecido.

Com dois dedos firmes, a fotógrafa puxou a peça para o lado fazendo com que Clara literalmente parasse de respirar.

O sexo estava melado, ostensivamente melado, o prazer de Marina agora não se mostravam só pelos seus olhos lascivos, por sua respiração fora do ritmo, ou por suas palavras desmedidas.

Via o olhar da morena brilhar, como se visse o seu maior objeto de desejo, a obra de arte mais bela do mundo. Não podia mais deixá-la esperar, tirou a calcinha voltando para a mesma posição, o pedido seguinte veio mais como uma ordem

–Me beija – Ambas respiraram – Como se beijasse a minha boca – Terminou de falar enquanto os dedos afastavam os grandes lábios.

Clara gemeu com as palavras, e gemeu ainda mais quando a superfície da sua língua passou macia e explanada pela entrada do sexo oferecido para si. Ajoelhada com o corpo um pouco curvado, a face voltada para cima e uma das mãos segurando a perna levantada que Marina apoiava na cama, essa era sua realidade agora.

Viu a fotógrafa soltar os lábios de seu prazer que ela segurava, eles envolveram delicadamente a boca da morena que revirou os olhos instintivamente em um espasmo. Era como se Marina também a beijasse.

–Me beija... Assim Clarinha – Gemia ousando na boca da amada

O Corpo esguio movimentava-se para cima e para baixo com uma margem pequena, apenas criando um movimento de retorno para a mulher que lambuzava-se nela. A ponta da língua forçou uma entrada, passeou um pouco pela porta do interior da fotógrafa, fazendo Marina gemer, agora alto, sem se controlar mais.

O beijo concentrou-se no pequeno ponto, era envolvido em um carinho ardente, Clara o podia sentir pulsar em sua boca. O sugou com vontade, se pudesse o engoliria, tamanho era seu desejo.

Sentiu Marina rebolar em sua boa e sem pensar duas vezes a sentou na beirada da cama. Agora ela quem tinha uma vontade absurda de dominá-la.

Pegou com as duas mãos as pernas da fotógrafa pelos tornozelos, apoiando os pés na beira do colchão.

Viu completamente aberto, na sua frente, o sexo que durante a tarde tanto desejara. Era todo seu, Marina completamente entregue, rebolando na sua boca. Definitivamente ela fazia a espera valer todas as penas.

–Me come – Ouviu a namorada pedir em desespero, na boca ainda tinha o clitóris delicioso e pulsante – Me come amor, por favor.

A mão de Clara passeou pela perna bem desenhada da amada, sentindo com calma cada pedacinho, cada centímetro, buscando em seu toque todas as sensações que conseguia encontrar. Subiu pelo interior da coxa, indo até uma das bandas do bumbum firme, apertando com gosto, mas não tinha intenção de demorar. Fez o caminho inverso parando na metade, no sexo que tanto a desejava, encontrando a entrada maravilhosamente escorregadia. Dois dedos penetraram de uma só vez, tornaram-se apressados naquele exato momento. Foram fundo, o mais fundo que conseguiram. O sexo os envolvia, devorando com fome, querendo tudo para si.

–Tão apertadinha – Clara disse com a boca ocupada, sentindo a força que pressionava seus dedos – Deliciosa.

–Então coloca mais um – Marina gemeu agarrando nos cabelos da mulher com as duas mãos – Assim, vai amor, me come... assim – Gemia sensualmente – Fundo...

Era atendida, Clara a comia com vontade, sentindo nas pontas de seus três dedos o fundo de seu interior, o que espalhava choque elétricos por todo o seu corpo. Os dedos deslizavam enquanto a fotógrafa rebolava no movimento inverso, oferecendo para a morena todo o seu prazer

–Eu vou gozar na sua boca – Gemeu com suas últimas forças

–Vem – Respondeu a morena desesperada de prazer – Me dá – Pedia pelo orgasmo como se fosse o seu e assim foi. Viu Marina despencar suada para trás quando o corpo parou de responder. As pernas penderam na cama e os braços estavam esticados acima de sua cabeça.

–Minhas mãos estão formigando – Conseguiu dizer em meio um sorriso – E meu rosto também – Terminou em estado de êxtase.

Clara aproximou-se subindo na cama e a puxando para o centro do grande móvel, aninhou a namorada em seus braços e apertou dando-lhe proteção.

–Espero que a sensação seja boa – Sorriu com o que Marina havia dito.

–Acho que saí do meu corpo – Respondeu baixinho como se aquilo realmente fosse algo bom – Transcendi – Beijou o interior do braço da morena que a envolvia.

Se apertaram um pouco mais, se sentiam, se amavam profundamente

–Amor – Clara chamou sua atenção – Você acha que alguém que nos conheça consiga imaginar essa nossa ligação? – Pausou tentando achar as melhores palavras para explicar a pergunta – Consiga imaginar que nos experimentamos tanto assim? Que vivemos momentos tão absolutos como esse?

–Eu não sei meu amor – Sorriu enquanto fazia carinho no colo de Clara – Por que você ta pensando nisso? – Perguntou doce

–Uma conversa que tive com a minha irmã hoje de tarde, sobre particularidades, sobre mundos – Fitava o teto – Esse nosso mundo é tão completo, tão maravilhoso, é tão sem paradigmas que nos segurem. Tava pensando se isso seria transparente para pessoas que não conhecem esses sentimentos, esse tipo de entrega — Pensou um pouco mais — Se pudesse escolher, gostaria que todos vivessem ao menos uma vez algo assim, acho que o mundo teria menos gente amarga e frustrada com a vida. Me libertar com você é a minha melhor terapia – Agora o sorriso era extremamente largo, típico do rosto iluminado da morena

– Eu sempre vou querer ser sua putinha – Agora a expressão voltava, o fogo ainda estava aceso, a conversa poderia ter sido, além de uma linda declaração, uma ótima oportunidade de descanso – E eu to louca pra te dar – Clara terminou

Notas finais
eeeeeeeeeeeita clarinha... O que acharam???????????? Curiosa nível HARD. Não revisei pq tá tarde e amanhã acordo cedo. Esperando vocês.