I still adore you

4 Please, don't cry


Notas iniciais
Boa leitura!

But I crumble completely when you cry

It seems like once again you've had to greet me with goodbye

I'm always just about to go and spoil the surprise

Take my hands off of your eyes too soon

Começara a chover, e eu me perguntava o que Emily poderia estar fazendo. Ela já teria acordado? Estaria sonhando? Estaria procurando por mim? Eram três horas da manhã da manhã. Talvez ela tenha – como sempre – acordado para comer alguma coisa e tenha percebido que eu não estava por lá.

Depois de tanto pensar, percebo que não deveria ter saído sem antes conversar. Mas conversar não adiantaria, ela me faria ficar sem nem mesmo me fazer pensar. Não importa o que ela dissesse me explicaria como aquele maldito sutiã azul – que já a vi usando inúmeras vezes – foi parar no quarto do Draco.

Eu queria saber o que teria acontecido se eu conversasse com ela. “Hey Emily, você me traiu?” “Claro que não querido, venha dormir.” Ela responderia isso mentindo ou não... Mas e se ela não estivesse mentindo? Eu estaria fazendo merda.

E se ela estivesse mentindo?

O problema não era a mentira, mas sim a traição, mas ambos um dia ela perdoou.

–/-/-

Eu estava sentado na frente do bar de alguma boate qualquer de Londres. Entediado, semi-bêbado, irritado... Esse era eu após uma briga com Emily. Ela era mandona demais, e eu estava cansado disso. Dramática. Tudo para ela era uma perfeita cena, sua vida era como uma peça e cada lugar era um cenário no palco da Broadway.

Me virei para o cara do balcão.

– Mais uma, por favor. – Pedi.

Quando ele voltou com minha bebida bebi tudo de uma vez. Uma loira bonita de cabelos cacheados e olhos azuis parara na minha frente.

– Oi. – Ela falou.

– Oi.

– Eu estive te olhando a noite toda. – Ela falou com um sotaque diferente.

– Ah... Que bom... Meu nome é Neville, e o seu?

– Brittany. – Ela estendeu a mão para me cumprimentar, e eu a apertei.

– Você não é britânica, é? – Perguntei sem conseguir me refrear.

– Não, sou de New Jersey. – Ela sorriu, revelando ter um sorriso tão bonito quanto seu rosto, ou seu corpo, ou seu cabelo.

Ela se sentou ao meu lado e conversamos por muito tempo, sobre muitos assuntos. Descobri que ela estava apenas viajando, que chegou na cidade a apenas dois dias. Que era fã de futebol e mesmo sendo dos Estados Unidos, sempre torceu pelo Tottenham Hotspur... O que era engraçado já que eu conhecia apenas quatro pessoas torcedoras do Tottenham, se eu contasse com ela. Quando a boate estava prestes a fechar, nós saímos juntos.

– Então Neville, foi um prazer te conhecer. – Ela me entregou um papel com seu número.

– Quer que eu te leve em casa? – Perguntei enquanto guardava o papel com seu número no meu bolso.

– Não obrigada, eu posso pegar um taxi.

– Permita-me fazer uma coisa?

– Não sei o que é, mas sim.

Eu a beijei, ali mesmo na frente da boate... E por uma infeliz coincidência, Emily tinha vindo me procurar para se desculpar.

Após o beijo eu a vi parada olhando para mim. Emily. Ela poderia fazer um escândalo ali, e tinha todo o direito, mas permaneceu parada em silêncio até Brittany entrar no táxi.

– Emily...

– Não fala nada. – Ela fez sinal para o próximo taxi e foi embora. Eu entrei no meu carro e a segui, pelo menos sabia que ela estava indo pra casa.

Quando cheguei na entrada do edifício, a porta do elevador que Emily estava tinha acabado de se fechar. Apertei o botão desesperadamente, mas em vão, já que não adiantaria nada. O elevador só voltaria após Emily chegar ao 18º andar.

Após o que me pareceu uma eternidade, consegui chegar ao último andar e entrar em casa. Emily estava trancada no nosso quarto.

– Emily? Abre essa porta. – Eu pedia.

– Não! – Ela gritou e jogou algo contra a porta. O objeto, com a força do impacto se quebrara e pelo barulho que fez, era vidro.

–Por favor, precisamos conversar.

– Não temos nada para conversar, saia daqui agora. – Mais um objeto quebrado contra a porta. – Volte para Leeds e me deixe em paz.

– Emy, por favor, eu lhe imploro. – Outro objeto arremessado na porta... Pelo jeito das coisas nós perderíamos todos os enfeites do quarto. – Abra a porta e vamos conversar civilizadamente.

– Já disse que não.

– Foi um erro eu sei, mas me deixe explicar.

– Explicar o que? “Não era o que você está pensando”? – Percebi a ironia em sua voz. – Eu não pensei, eu vi e isso nada vai mudar.

– Eu sei que te magoei, mas eu te amo e...

– CALA A BOCA! VOCÊ NÃO AMA LONGBOTTOM! VOCÊ TEM UMA MÁQUINA NO LUGAR DO CORAÇÃO.

– Não diga isso, eu amo você. – Minha voz beirava o desespero.

– E se eu abrir esta porta? Você vai dizer que ela lhe agarrou?

– Não, eu confessarei que a culpa é minha e pedirei perdão.

– Isso você já está fazendo mesmo com a porta fechada. – Eu pude ver mentalmente ela revirando os olhos.

– Ok, você venceu. Eu vou embora.

Eu já estava na metade do caminho quando ouvi Emily chutando a porta. Parei e olhei para trás. Ela abriu a porta lentamente. Seu rosto estava inchado e sua mão estava sangrando por causa de um dos objetos de vidro que ela havia jogado.

– Por que? É o cabelo loiro ou os olhos azuis?

– É a bebida.

– Não venha com essa. – Ela revirou os olhos. – Eu quero a verdade.

– Vocês são bem diferentes, claro, e com certeza ela é linda. Mas você é tão linda quanto, e é você quem eu amo. E eu sei que você vale a pena.

– Promete?

– Prometo.

Ela veio em minha direção e me abraçou.

– Eu te amo. – Falei.

Após fazer curativo em sua mão, e ela tomar um calmante, nós fomos dormir. Ainda tento recompensá-la por tudo que fiz.

–/-/-

Ela me perdoou, mas era diferente. Brittany era uma mulher que eu conheci naquela noite, quando eu estava bêbado. Draco é o ex-namorado dela, eles têm uma história juntos. Uma história muito maior que a nossa.

Me lembrei do sorriso dela quando eu chego, tão único e puro. Lembro-me de como eu tinha tanta certeza que enquanto aquele sorriso existisse, eu estaria bem... Em lembrar que um dia Draco foi o motivo daquele sorriso.

“Não guardo rancor depois de tudo que ele fez para mim. Acho já até o perdoei” Essas tinham sido as palavras dela quando um dia perguntei como teria ficado a história dela com Draco. “Acho que só não seremos como antes, mas não desejo mal a ele”.

E se naquela época já estivessem juntos de novo?