Notas iniciais
Eu, sinceramente, não sei de onde tiro isso!! Provavelmente do tédio!

Sirius Black havia encarado a morte por toda sua vida.

Nunca foi de se achar uma pessoa sã, e por todos os acontecimentos de sua vida, ele sabia que não tinha nada de normal.

A cada passo Sirius pensava que estava achando um modo de aproveitar a vida, sem saber que aqueles passos em falso apenas faziam ele perder a si mesmo. Com a sanidade não era diferente. E a cada duelo e passeio na floresta negra, ele a sentia.

Se por algum momento você prestasse bastante atenção nos olhos do garoto, veria que, apenas por alguns distantes, eles eram direcionados ao canto sala. E Sirius sentia vontade de gritar.

Não sou louco. Não sou louco. Não sou louco.

Por anos, Sirius definiu aquilo como apenas uma alucinação por causa da adrenalina daqueles momentos. Porque eram apenas momentos. Lampejos de uma figura sombria, que possuía um sorriso.

Lidou com os lampejos. Mas o sorriso nunca saiu de seus pesadelos.

E aquele momento era único, o transformando completamente.

A sensação que vinha antes de cada batalha, era o que fazia a vida de Sirius valer a pena. A sensação da figura sombria o observando, com aquele sorriso que só ele poderia ver, o deixava eufórico.

E o sorriso indecifrável o perseguia.

Nas noites de lua cheia, se esguichando no meio das sombras da casa dos gritos, observando ele e seus amigos lutarem contra ela.

Fazendo o garoto se sentir frustrado.

E ela não estava apenas nas zonas de perigo, ela estava em cada sentimento de Sirius. Houveram momentos em que desejava mais a morte do que um bom firewhisky, e aquilo era quase que impossível.

Mas mesmo assim Sirius dava valor ao pouco que tinha.

No pior dia de sua vida, ele pôde sentir o calafrio que antecedia a cada visita de sua companheira.

Naquele 31 de Outubro. No dia que perdeu tudo o que tinha e tudo o que poderia conseguir, quando perdeu a honra que tantas vezes tentara negar.

Ele a viu enquanto corria atrás de Peter, o observando com aquele mesmo sorriso que deixava o poderoso e impetuoso Sirius Black com medo.

Passou por muitas coisas, mas nada chegou perto da dor que sentiu naquele halloween.

Foi naquele dia que Sirius Black morreu.

E ele gritou, gritou e gritou para que a morte sorridente, no canto na cela em Azkaban, dissesse o motivo dela não o levar embora. Sirius já não suportava o título de traidor que não o pertencia.

Louco, mas nunca um traidor.

E quando conseguiu sair, ele apenas queria que a morte se afastasse dele o máximo possível. Porque ele queria ver tudo aquilo terminado, queria ver Harry bem, e queria que os últimos 12 anos em Azkaban não tivessem sido em vão.

Mas enquanto lutava junto a Harry no departamento de mistérios, ele a viu no canto, apenas o observando. E naquele dia quem estava sorrindo era Sirius. E ele não conseguiu entender como soube que aquela era a última vez que se veriam.

Foi tudo muito rápido. Mas ele era Sirius Black, e as pessoas se lembrariam do homem sem sanidade que fez tudo o que podia por aqueles amava, com honra e coragem. Sem deixar o sorriso debochado vacilar.

Eu sou. Eu sou. Eu sou.

Aquele sorriso o acompanharia pela eternidade.

Mas naquele 18 de junho de 1996, durante a Batalha do Departamento de Mistérios, a morte não sorriu.

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