I really fuckying love you
5 Capítulo 5
Narrado por Denis
– O que? Ela estava no carro? – Perguntou Dodo exaltado.
– Relaxa, Dodo. – Disse indiferente. – Aquela lá é medrosa pra porra, não vai dar com a língua nos dentes.
– Você é confiante demais, Ville. – Disse Andrey.
– Em mim? Sim. – Concluí. – Eu pus medo na medrosinha, ela não vai falar nada, e se falar, eu a mato.
– Ville! – Exclamou Lucas.
– E a aposta? – Perguntou Matheus.
– Não creio que tenho conquistado a confiança dela, ela é chata demais, não tive paciência.
– Típico. – Dodo disse com convicção.
– Obrigado. – Sorri cínico.
– Você tem duas semanas para pegar a mina, Denis.
– Beleza. Eu vou pensar em algo, não se esqueçam que eu ainda tenho um acordo com a vadia da universidade.
– Não esquecemos. – Lucas respondeu.
– Ótimo.
Narrado por Luisa
Acordei com o corpo um pouco dolorido, olhei em volta e as meninas não estavam no quarto, me arrastei até o banheiro para fazer minhas higienes matinais e quando voltei lá estava Amanda sentada em sua cama mirando o chão.
– Amanda? Está tudo bem? – Perguntei preocupada.
– Está sim. Eu apenas estou de ressaca.
– Quer um remédio?
– Não, obrigada, já tenho um. – Abriu sua mão me mostrando o comprido na mesma.
– Onde esteve?
– Percebi que não havia água no frigobar e fui buscar um pouco na cozinha central e... MEU DEUS!
– O que foi? – Perguntei assustada.
– O que é isso na sua cara?
O que eu iria dizer? "Ah, é que eu fui assaltada e quase estuprada noite passada. E aliás, adivinha quem me salvou? Denis Ville! Mas fica tranquila, eu estou bem." É claro que não! Muito menos depois de Denis ter sido bem claro ao dizer que era para eu ficar de boca calada.
Eu tinha que pensar em uma desculpa convincente o suficiente.
– Eu... Hum... Bem... Bati com o rosto na quina da bancada do banheiro.
– Você precisa passar uma pomada aí. – Disse mais tranquila.
– Talvez depois.
– Não. Você vai fazer isso agora! – Ela ordenou com humor. – Você tem exatamente dez minutos pois iremos a livraria comprar os livros do semestre.
– Tudo bem, tudo bem. – Me rendi logo após ter bufado impaciente. — Mas onde ta a Poliana? — perguntei curiosa
– Onde você acha? na cozinha claro — disse amanda ironica
Narrado por Denis
– Denis eu vou viajar por um tempo. – Lucas disse.
– Viajar? Por que viajar? – Perguntei confuso.
– Taylor. – Andrey disse por ele.
– Lucas roubou o carregamento de drogas que ele estava para pôr para dentro da cidade e agora ele está o caçando descontroladamente. – Matheus disse.
– Roubou o carregamento? Porra, Lucas, como você fez isso sem avisar a ninguém? – Gritei estressado.
– Eu estava precisando de adrenalina, cara. Foi mal. – Ele tentou se desculpar.
– Eu só espero que você vá para bem longe daqui, cara. Se algo acontecer a você eu não respondo por mim!
– Vou ficar bem.
– É claro que vai. Caso o contrário eu te caço até no inferno!
Nos aproximando dele, demos um abraço em grupo para desejá-lo boa sorte. Foi um momento descontraído, mas, mesmo assim, a raiva ainda tomava conta de mim. Lucas não deveria ter sido tão egoísta assim, ao ponto de agir sem comunicar a ninguém.
Narrado por Luisa
Três semanas mais tarde...
Já havia falado com meu pai poucas vezes, Amanda e Poliana haviam desistido de ir a festas já que agora só se dedicavam ao seu novo emprego como modelo fotográfica, o meu mais novo meio-irmão ainda não havia nascido e minha mãe... Bem, eu sei que ela está viva, mas não há uma noticia sequer dela.
Agora cá estou trabalhando no turno da noite devido a uma festa no clube o qual sou garçonete. Forçada a usar uma roupa que para mim era extramente vulgar, andei por todo o clube atendendo os clientes que chegavam, anotando seus pedidos e quando prontos, entregando-os.
Já estava de madrugada e aquela festa parecia nunca terminar, foi quando o gerente pediu para que eu carregasse uma caixa de papelão repleta de lixo para a lixeira dos fundos.
Com os olhos focados na caixa temendo derrubá-la no salão, não percebi quando por um descuido esbarrei em um rapaz que passava, e que, infelizmente derrubou cerveja por todo o vestido que eu usava.
– Me desculpe. – Eu disse.
– Olha para onde anda, medrosinha. – Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
– Denis?
– Em carne e osso. – Sorriu. – Não sabia que trabalhava aqui.
– Pois trabalho. Olha, eu poderia parar para conversar mas – Mudei minha expressão. – eu não quero parar para conversar.
Andando mais alguns centímetros senti alguém me puxando pelo braço, como já era de se esperar, ele:
– Não vai me cumprimentar direito?
– Não é porque me salvou que devemos ser melhores amigos para sempre, darmos festas do pijama e fofocarmos sobre nossos pretendentes enquanto fazemos as unhas.
– Continua me enfrentando, medrosinha. Eu acho que eles não dariam falta se eu sumisse com você por um minuto. – Senti meu corpo se arrepiar e meus olhos arregalarem. – Calma! – Ele gargalhou. – Estou falando no bom sentido. – Acalmei-me. – Eu fiz um acordo com os caras, esbarraria numa mina, derrubaria cerveja em sua roupa e em seguida a levaria para a sala privada. – Ele riu de si mesmo. – Mas por incrível que pareça, — Riu mais uma vez. – eu não quero fazer isso com você. Então, por que não senta para conversarmos?
– O que você quer conversar comigo? – Perguntei desconfiada.
– Continua com os mesmos interrogatórios. – Ele concluiu e andou mais um pouco até virar para mim, que continuava parada no mesmo lugar olhando-lhe com dúvida. – Você vem?
Eu sei que normalmente você não aceita um convite para ficar sozinha com um criminoso o qual você teme muito, mas, havia algo nele, que, apesar de todo o medo e horror que me corroia me fazia querer saber um pouco mais. É estranho, eu sei, mas eu nunca fui de enfrentar os meus medos e agora já está na hora de mudar um pouco.
Segui-o até uma mesa um pouco distante de onde estávamos anteriormente, larguei a caixa de papelão em qualquer canto e sentei, em seguida foi sua vez. Passei a observar os pés envergonhada com a situação, mantinha a todo tempo minha cabeça baixa até ele puxar um frasco espelhado do bolso de seu casaco.
– Aceita? – Ele ofereceu e eu neguei com a cabeça.
– Não bebo em serviço. – Mordi o lábio inferior.
– Regra número 1: sempre desafie as regras.
Cedendo, puxei severamente o frasco de sua mão e pegando um gole do liquido alcoólico que nele continha fazendo minha garganta arder.
– Bela tentativa. – Ele disse pegando o frasco de volta. – Mas você não consegue esconder sua face de nojo. – Ele gargalhou.
– Não sou acostumada com bebidas tão fortes. – Dei de ombros me rendendo.
Depois de certos minutos conversando, eu já não estava mais tão aflita com relação a presença de Denis. Eu já não estava totalmente sóbria, houveram minutos os quais eu pegava goles das bebidas de Denis, mas, estava sóbria o suficiente para saber que havia um motivo para ele querer conversar comigo e eu não deixaria aquilo em branco.
Não mesmo.
– Há um motivo para você querer falar comigo. – Concluí vitoriosa. – Eu sempre fui muito observadora, então eu sei quando mentem. – Continuava com um sorriso em minha face. – Já você quando mente – Me aproximei apoiando os cotovelos na mesa. – seus lábios sorriem mas seus olhos não.
– Você manda bem, medrosinha. – Gargalhou.
– "Medrosinha" é meu novo apelido agora?
– Por minha parte sim. – Deu de ombros.
– Ótimo. Agora me diga o que quer. – Encarei-o.
– O que eu já te disse sobre me desafiar?
– Não muda de assunto.
– Você é estranha, uma hora está com medo e outra me desafia. Não se esqueça quem eu sou e o que eu posso fazer. – Disse ríspido.
– Certo, agora diga.
– Puta que pariu! – Gritou dando-me um susto. – Você é chata para caralho.
– Desembucha logo!
– Tudo bem, tudo bem. – Ele cedeu. – Você não contou para ninguém o que aconteceu há algumas semanas, não é?
– Não. – Respondi indiferente. – Assim como você ordenou. – Bufei.
– Boa garota. – Disse cínico. – Não estava nos meus planos matá-los. – Completou apoiando seus braços sob a mesa de madeira a nossa frente.
– Então eu alterei seus planos? – Gargalhei debochando dele.
– Cala a boca! Se alguém descobre, pode chegar aos ouvidos errados e aí o bagulho ferve. Então fica com a boquinha bem fechadinha.
– Eu não contei a ninguém. Até porque eu não teria orgulho de dizer que no mesmo dia estive no carro de um criminoso.
– Você está desafiando o perigo, medrosinha. – Ele sorriu. – E isso não parece ser muito comum para você.
– Estou tentando experimentar e ser coisas diferentes. – Respondi.
– Certo, – Sentimos seu celular vibrar sob a mesa, ele pegou-o para ver o que se passava. – então eu te pego às 7:00 p.m. – Disse e guardou seu celular de volta no bolso. – Esteja pronta.
– Do que está falando? – Perguntei confusa.
– Eu tenho que fazer uns serviços, mas preciso conversar mais.
– Não sou sua psicóloga.
– Finja ser. – Ele sorriu vitorioso.
– E se eu não quiser? – Perguntei desafiadora.
– Eu te obrigo a ser.
– Será que posso pelos pegar o número do seu celular para qualquer coisa eu te contatar? – Perguntei cautelosa.
– Geralmente quem pega o número de alguém é o cara.
– Só quando ele tem intenções a mais. – Eu disse. – E eu não tenho nenhuma intenção a não ser ligar para você caso aconteça algo ou sei lá. Mas e você? Não tem nenhuma intenção a mais não é? – Cruzei os braços serrando os olhos para ele.
– Não.
– Eu sei. – Sorri vitoriosa. – Seus olhos não mentiram.
– Digo e repito: você é muito estranha.
– Vou levar isso como um elogio, obrigada. Agora me dá seu número.
Entreguei-o meu celular e ele digitou seu número entregando-me o aparelho logo em seguida.
– Não me dê bolo, medrosinha. – Ele disse.
– Isso eu não posso garantir, não se esqueça de que eu trabalho e que eu tenho uma vida também.
– Não vou me esquecer.
– Ótimo.
Ele girou em seus calcanhares e seguiu a direção oposto logo em seguida que deixou umas notas sob a mesa a qual estávamos anteriormente. Liberei um sorriso vitorioso. Que diabos você tinha acabado de fazer Luisa Pereira Pusebon? Você acabou de desafiar, encarar e marcar de sair com um criminoso! Bem, ele me ajudou, eu acho que sou mais que grata a ele, não é?
Balancei a cabeça para me livrar dos meus loucos e engraçados pensamentos logo após que Steven, meu chefe chamou meu nome.
Passei o resto daquela fria e agitada noite de sexta naquele lugar lavando pratos por consequência de ter dado papo por tanto tempo a Denis. Mas pensando bem, valeu a pena. Digo, eu desafiei o meu medo e a minha timidez de falar com alguém do sexo oposto.
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