I really fuckying love you
2 Capítulo 2
Narrado por Luisa
Se eu disser que não me assustei com as palavras de Amanda estarei mentindo, eu não havia percebido até ouvir o que ela disse que aqueles olhos cor de mel eram vazios, e que em todo momento um jovem ia até ele para pegar saquinhos de cocaína.
Ele me devorava com seus olhares, o medo já tomava conta de mim. Não era um costume ver alguém como ele nas poucas festas que frequento.
– Vou pegar mais bebidas, Amanda vem comigo? — Amanda acentiu
– Espera a gente aqui — disse Poliana
– Tudo bem. — respondi
Pude observar as meninas adentrando meio a multidão e sumindo aos poucos, tudo isso para conseguir meras bebidas.
– Por que está distante de todos? – Disse uma voz masculina próxima ao meu ouvido.
Meu corpo se arrepiou até a espinha, a voz não me era familiar e eu não sabia se deveria continuar ali e agir normalmente ou sair correndo.
Mas meu corpo não respondeu as minhas ordens.
– Qual foi? O gato mordeu sua língua? – Ele insistiu simpático.
Me virando para saber quem falava comigo, me deparei com um rapaz que não aparentava ter a minha idade, mas era jovem. Possuía cabelos castanhos claros jogados para cima num topete mal feito, brinco enorme em uma das orelhas, e tinha um sorriso amedrontador em sua face.
– Por que está distante de todos? – Ele insistiu.
– É... Bem... Eu...
– Você está com medo? – Neguei com a cabeça. – Vergonha?
– Talvez. – Respondi insegura.
– Então você é tímida. – Ele concluiu. – Hum, legal. – Completou. – Por isso está distante de todos?
– Na verdade, — Comecei a dizer. – eu não tenho muitos amigos.
– Por que? Você é tão adorável. Achei que estivesse acompanhada e...
– Mas estou. – Cortei-o.
– É mesmo?
– Sim, das minhas amigas.
– Não foi bem isso que eu quis dizer. – Ele disse malicioso.
– Pena.
– Hum, prazer meu nome é Matheus. – Ele disse tentando ser simpático.
– Luisa. – Disse e em seguida estendi minha mão para apertar a dele.
Narrado por Denis
– Mano, não tem uma vadia que preste nesse lugar! – Exclamei impaciente.
– Relaxa Ville, nós viemos a negócios, não pra pegar vadias. – Disse Matheus.
– Foda-se eu não posso ir a um lugar sem deixar minha marca registrada. – Disse em seguida pegando um gole de whisky do meu copo. – To cansado dessas atiradas que vem para cima de mim. Quero experimentar carne nova. – Disse seguindo de mais um gole de whisky. – Opa, opa, opa.
– O que foi, cara? – Perguntou Andrey.
– Temos três gatinhas se aproximando da festa. – Disse apontando com a cabeça para três mini jovens que se aproximavam.
As jovens eram lindas, se me permitem dizer. Uma era loira, rosto redondo, vestia um vestido extremamente curto e provocante, a outra, morena, cabelos longos tambem vestindo com um vestido curto, mas embora não seja sua intenção foi a que mais se destacou, vestia uma blusa de banda com um dos ombros caídos, um short rasgado não tão curto seguido de uma meia calça também rasgada. Não usava maquiagem nenhuma – diferente de suas amigas – e não aparentava ser rockeira, nem nada do tipo, aquele só era seu estilo. Ela parecia ser tímida e ingênua, o tipo perfeito.
– Você tá louco, cara? – Perguntou Matheus. – A morena até vai mas olha a loirinha ''rockeira'', que roupas são aquelas?
– Eu quero carne nova. – Repeti. – Eu quero a loirinha.
– Eu não sei vocês, mas eu to de olho na outra loirinha. – Disse Dodo por sua vez.
– Ei você! – Chamei por um rapaz que passava. – Larga de ser boiola e venha cá! – Completei ao perceber sua aflição ao me dirigir a ele. – Você tem até o fim da festa para me dizer tudo sobre aquela moreninha ali. – Disse colocando uma nota de cem dólares em seu bolso. – E lembre-se, se não aparecer eu te acho. – Forcei um sorriso cínico. O rapaz continuou parado no mesmo lugar. – Tá esperando o que, filho da puta? É para agora!
– Você não presta, Ville. – Disse Andrey em meio a gargalhadas.
– Eu sei. – Disse com um sorriso satisfeito em meu rosto. – Agora eu vou catar umazinha por aí enquanto aquela lá não cai aos meus pés.
[...]
O nome dela é Luisa Pusebon, dezoito anos, vive aqui mas está de mudança para Miami. – Disse o rapaz aflito.
– E quando ela vai? – Perguntei com os braços cruzados encarando-o.
– Tudo indica que amanhã.
– E para que ela vai? – Cerrei os olhos para ele.
– Faculdade.
– Ótimo. Bom trabalho. – Sorri cínico. – Já vi que tem amor à vida.
Pude observar o rapaz se afastando praticamente mijando em suas calças com medo do que eu poderia fazer com ele. Adoro essa sensação de ser superior e amedrontador, são motivos para eu receber o respeito que mereço.
– Finatti! Vai testar a carne para mim. – Ordenei.
– Eu? Mas, por que eu? – Ele perguntou confuso.
– Por que depois de mim você é o único de nós que tem o poder da cantada. – Respondi indiferente.
– Ei! – Exclamaram os demais garotos ofendidos.
– Só digo a verdade. – Ergui os braços me defendendo. – Matheus? Ta esperando o que, cara? É agora! – Disse ao vê-lo ainda parado no mesmo lugar. – E não a beije! Isso é comigo. – Completei quando ele começou a se afastar.
[...]
Finatti já estava de volta completamente cabisbaixo devido aos foras que a loirinha havia lhe dado e durante toda a história que ele me contava eu não podia conter a minhas gargalhadas, assim como os demais caras.
– A mina é difícil, cara. – Concluiu. – Boa sorte.
– Com essa sua cara feia é óbvio que a mina vai ser difícil, mas estamos falando do cara aqui. – Disse apontando para mim mesmo com os polegares.
– Boa sorte. – Repetiu Andrey. – Mas vamos levar isso mais a sério. – Sorriu malicioso. – Que tal uma aposta?
– Uma aposta? – Perguntei interessado no assunto.
– Isso, se tu beijar a garota cada um de nós terá que lhe dar duzentas pratas.
– Mas... – Dodo iria dizer algo mas fui mais rápido.
– "Mas"? Comigo não tem "mas"! – Disse convencido.
– Sempre há uma exceção, Ville. – Matheus disse.
– Tudo bem, caso haja um "mas" eu pago duzentas pratas para cada um de vocês. – Disse cedendo.
– Ótimo.
Juntamos nossas mãos e fizemos nosso típico cumprimento com as mãos, os mesmos que costumávamos fazer quando haviam juramentos, apostas e afins. Socamos as nossas mãos em sintonia seguindo de um cuspe para o lado esquerdo.
– Mas, espera aí. – Eu cortei o clima. – E se a mina for fácil o suficiente para ir pra cama comigo?
– Você é convencido demais, Ville. – Debochou Dodo.
– Cara, nós estamos falando do Denis. – Andrey começou a falar. – Querem fazer uma lista de quantas vadias ele já levou pra cama em apostas como essa?
– Qual é Andrey, vai dar moral pra ele agora? – Foi a vez de Finatti debochar.
– Vai me dizer que não é verdade, Matheus? – Andrey disse.
– Parem crianças, assim fico envergonhado. – Afinei um pouco a voz com o intuito de imitar uma garota. – Mas eu concordo com o Andrey. – Completei com a voz normal. – Quero mil pratas de cada um se ela for para a cama comigo.
– MIL? – Matheus perguntou perplexo.
– Vocês tem dinheiro de sobra, o que são mil pratas perto disto? – Respondi indiferente.
– Eu topo. – Disse Dodo.
– Eu também. – Disseram os demais garotos.
Com a aposta e cumprimentos já feitos – novamente – cruzei os braços encarando – novamente – a tal de Luisa. Para dizer a verdade, desde que meus olhos chocaram com a sua presença, eu não consegui desviá-los dela, tinha que observar o meu alvo e pensar em como agiria.
Não seria tão difícil fisgá-la, eu sou Denis Ville, as garotas caem em meus pés, eu querendo ou não.
– Tá esperando o que para agir, Denis? – Dodo perguntou.
– Vocês são uns idiotas mesmo. Se eu for para cima agora vai dar muito na cara. Ela vai para Miami, agirei lá.
– Eu tenho que dizer, Ville, você é bem inteligente. – Concluiu Andrey.
– Andrey, eu estou começando a achar que você tem uma queda por mim. – Debochei.
– Está me estranhando? – Ele levantou os braços se rendendo levando-nos a gargalhada.
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