I ran away

5 Reencontro.


Notas iniciais
Nem tenho palavras para me desculpar pela demora. Mas as coisas ficaram sérias nesse final/começo de ano. Quase desisti de I ran away e teria desistido mesmo, não fosse o fato de a história está me assombrando. I Ran Away será contada ou eu nunca mais dormirei direito.. Rsrsrs.. Desculpem-me pela demora. Prometo terminar o quanto antes.

As ruas eram iluminadas por pequenas tochas invisíveis dentro de recipientes transparentes, erguidas por portes bem maiores que os encontrados nas vilas de seu mundo. Casas pequenas e próximas demais, feitas de uma madeira polida e a maioria pintada com cores fortes, mas estranhamente, em uma combinação harmoniosa. Não havia muitas sombras, nem lugares escuros, talvez dois ou três muros, nenhuma fortaleza. Aparentemente um lugar sem muito mistério, com nada a esconder.

Mais uma esquina e finalmente algum sinal de vida: pessoas reunidas em frente a uma simpática casinha com enfeites luminosos.

Ariel rodopiou à sua frente e lhe lançou outro sorriso largo, ela tinha feito aquilo durante todo o percurso.

– Encontramos eles! Seu sortudo... Lá está a Xerife. – Os cabelos ruivos e molhados pareciam começar a ter pequenos pedaços de gelo. Mas Robin não a via mais, não enquanto tinha um grupo de pessoas tão próximo esperando para ser vasculhado por sua visão que, já estava à procura dos únicos dois rostos que o interessava no universo inteiro. Roland e Regina.

E não demorou muito para que ele visse o primeiro deles. Regina o encarando com os olhos sérios, fixos e lindos, cheios de alívio mudo. Ele seguiu em direção a ela como que hipnotizado. Até que, por fim, Roland apareceu e segurou firme a mão de Regina, com uma expressão grave e quando viu o pai permaneceu imóvel como se esperasse permissão para correr em direção a ele. Aquela era uma criança extremamente tímida e, assustada como estava agora, ficava ainda mais cautelosa.

Robin sorriu, com um sorriso torto magnífico, direcionado para os dois, era como um soldado que voltava para casa e encontrava a família. Infelizmente, para ele, não poderia abraçar e beijar aquela a quem reservara o papel de esposa.Os olhos dele repousavam sobre os dela enquanto o burburinho das pessoas ao redor aumentava. Ariel explicava de maneira luminosa — com sua extensa cabeleira alaranjada balançando e um lado para o outro — como o encontrava e percebera de imediato que todos sabiam quem era o grande homem de casaco encharcado que agora segurava o filho no colo.

– Bem acho que deixo você bem assistido, afinal. – A sereia deu um sorriso agridoce para a criança que Robin segurava. – Mantenha-se, pelo menos um quilômetro perto da costa da próxima vez... Por favor. – Ariel tinha alguma coisa encantadora e teria tido total atenção do arqueiro enquanto se despedia de todos, não fosse a presença de Regina que, para Robin, transformava tudo ao redor em borrões sem cor.

– Se for para deixar as coisas mais fáceis pra você... Prometo tentar! – Robin olhou para o rosto dela pelo que pareceu ser a primeira vez e ficou perplexo de ver como ela parecia ser uma pessoa feliz. Sentiu alguma coisa bastante fraternal quando se lembrou da irmã que perdera quando era criança, ela tinha olhos verdes e cabelos ruivos como os da moça.

– Acho bom! – Ariel disse de maneira petulante como se Robin fosse mesmo seu irmão. – Vejo você por ai. – Deu-lhe um soco de leve no braço e, suave como uma borboleta que deixa a flor, ela partiu sorridente em direção ao mar. O mar era para ela como um grande berço e tê-lo tão perto sempre fora um ponto reconfortante em Storybrooke. Naquela noite, ao nadar até mais além do lugar onde encontrara Robin, Ariel pensou em como ele tinha olhado para Regina e se perguntou se ela também o olhara igual, não costumava fitar muito o rosto daquela mulher, às vezes por medo, outras por conveniência, nunca gostara da profundeza do olhar de Regina – parecia que se podia cair lá dentro por mero vacilo – depois achava que a Rainha aprovava mais a solidão e a apatia. Desejou que ele a amasse loucamente e que a salvasse de seu próprio oceano profundo, escuro e vazio.

– Estávamos indo buscar você, cara! – Neal sorriu para ele e o abraçou como se abraçasse um companheiro de torcida no final de um campeonato em que o time vencera. Então apresentou empolgado o filho, Emma e todos da rodada, exceto Regina que, a despeito de tudo o que acontecera, era a única que realmente importava para o arqueiro. – Como veio parar em Storybrooke? – A pergunta fez Robin olhar imediatamente para Regina, por reflexo, de modo intenso e curioso. Nesse meio tempo, antes da pergunta, estivera evitando fixar os olhos no rosto dela, achava que o modo como a olhava entregava o quão desesperadamente ele queria falar com ela, ouvir sua voz, tocar-lhe o rosto e beijar-lhe a boca. E estava certo quanto a isso.

– Não tenho certeza... – Fora sincero e discreto, seu tom de voz maquiava a própria dúvida, dando um toque de desinteresse aos acontecimentos que o levaram àquele mundo estranho. Porém Regina sabia que a verdade era o contrário: Robin iria querer saber o que aconteceu e não o julgava por isso.

– Vamos entrar... Aposto que a Granny te arranja toalhas secas e você pode tomar alguma coisa quente também... – Tinker disse por fim e todos assentiram. Robin pensou que aquele pessoal era um bocado gentil, enquanto entrava no pequeno e aconchegante café tendo a cautela de não a perder na sua visão periférica, principalmente por ela não ter seguido a pequena multidão porta adentro.

– Vamos, mãe? Você precisa de um café! – Henry puxou sua mãe pelo braço, livrando-a da terrível tendência de ficar só.

“Mãe” o garoto dissera, o coração de Robin acelerou e a palavra zoou por sua cabeça cheia de significado: aquele era o filho de Neal o próprio o apresentara como tal, então ela era... Ela era a garota de Neal?!

– O garoto é filho dela?! – Robin perguntou tentando parecer descontraído, no entanto estava ansioso demais para soar convincente.

– Não! – Neal respondeu prontamente. – Emma, a xerife, é. Eu sou o pai. – E ele parecia ter descoberto isso horas antes dessa conversa de tão extasiado com a ideia de ser pai... – Mas Regina o criou. – Disse por fim a contra gosto sorvendo o primeiro gole de café.

– Ah. – Robin disse como se não tivesse um milhão de perguntas que gostaria de fazer. Tudo parecia confuso demais e por um instante, pensando sobre o assunto, sentiu pena de Regina, sentada na primeira mesa, solitária, com uma xícara de café fulminante. Talvez ela estivesse mesmo só em todo o universo.

Robin falou qualquer coisa para Neal e o deixou no balcão com sua xícara de café, depois seguiu em direção a Regina. Finalmente se deu conta que não importava o que aquela gente pensaria sobre os dois, não a deixaria sozinha nem por mais um minuto. Sentou-se ruidosamente no lado oposto da mesa dela, tentando chamar sua atenção.

Seus olhos encararam a face dele como duas ônix, escuras e brilhantes. Ele queria saber tudo a seu respeito, e havia tão pouco que ela lhe queria contar.

– Você voltou pra casa... – Os olhos dele estavam calmos e, não podendo evitar, curiosos também. Num instante Regina presumiu o turbilhão de perguntas que seguiriam aquele comentário, mas nenhuma pergunta veio e ele apenas continuou tomando o café: – Não temos isso de onde eu venho. – Robin sorriu serenamente e olhou pela janela, dando a ela um tempo longe de seus olhares.

– A maioria das pessoas desse mundo morreria sem café... – Ela sorriu pra ele, sem humor, consciente de que teria que começar a falar sobre o mundo para onde o havia arrastado, e arrastado seu filho, e a todos naquela cidade. Robin voltou ao rosto dela com ar distraído e balançou a cabeça. De certa forma o ambiente se modificou depois daquela frase fortuita e as coisas ficaram mais leves. – Vocês precisam descansar... Roland está cansado e você... Você está péssimo! – Regina sorriu desafiadoramente, como uma criança e, de repente, pareceu incrivelmente jovem.

– Desculpe-me, senhora, mas perdi meu traje de gala no mar. – O sorriso dele era o reflexo do dela e agora os dois pareciam um casal qualquer sentados em uma lanchonete numa noite fria.

– Vocês ficarão na minha casa... o tempo que precisarem. Tenho muitos quartos vazios e seria o mínimo depois de... – Regina parou de falar cautelosamente, mas fora bastante enfática, não iria esperar para que a velha Granny viesse oferecer a eles seus quartos empoeirados.

– Não queremos incomodar. – Robin com certeza era do tipo orgulhoso, porém a ideia de não perdê-la de vista foi tentadora demais. Sentia como se Regina fosse evaporar e desaparecer para sempre, exatamente igual à moça do sonho que tivera duas noites atrás. Tudo parecia ter acontecido há uma vida e a mera lembrança do medo de ficar longe dela o fez engolir qualquer orgulho – Mas... na verdade, acho que estou começando a ficar surdo de tanto sono... – Era a confirmação de que Regina precisava.

– Então podemos ir. – estava claramente aliviada por sair dali.

– Hã?! – Os dois riram enquanto levantavam-se. As despedidas foram rápidas e as explicações curtas: Robin disse-lhes que ficaria na casa de Regina e que não seria necessário que a senhora Granny se incomodasse, seguido de um “até logo” que deixou todos, estranhamente, aturdidos.

Henry caminhou ao lado da mãe em direção à mansão Mills, seguidos de Robin e Roland.

– O seu amigo... ele não sabe quem ela é, sabe? – Leroy perguntou para Neal enquanto os observavam afastar-se do café.

– Não. Com certeza não. – Respondeu imerso em pensamentos.

– E não deverá saber, Leroy... Nenhum de nós vai contar. Ela própria o fará quando achar que é o momento. – Mary Margaret disse compassiva.

– Mas ela é o próprio demônio. Não seria muito justo com ele e... Tem a criança... – Leroy mostrou-se disposto a argumentar.

– Ahhh, pelo amor de Deus. – Emma desencorajou a dialética de Leroy e dos que concordavam com ele. – Regina não oferece nenhum perigo para nenhum deles! – Essa era uma das poucas certezas que tinha sobre a prefeita.

– Estamos em Storybrooke. Ela não pode esconder a verdade dele por muito tempo. Cada criatura dessa cidade a odeia. – Gold disse já se afastando, segurando gentilmente o braço de Belle.

Tinker permaneceu parada ali vendo todos irem para casa, prevendo a tempestade que viria a seguir: Regina teria que ser forte. Muito forte! Nada nunca fora fácil para aquela mulher, nem quando o destino parecia benevolente com ela, nunca o era de fato. Mesmo agora, desaparecendo no horizonte ao lado do seu homem de tatuagem e coração de leão... Regina ainda sagraria.

Não tiveram que andar muito, mesmo assim Regina desejou está com seu carro, o cansaço mostrava-se impiedoso. Durante o percurso conversaram sobre eletricidade e as luzes da rua. “São para o Natal. Que é a comemoração de boa parte do povo desse mundo. Tudo fica iluminado para homenagear a vinda do deus deles... Umaluz para o povo”. Regina havia resumido milênios de tradição em uma frase e Robin tinha os mesmos olhos curiosos que Roland.

Não havia nenhum muro, nem portão na mansão Mills, apenas algumas macieiras tão carregadas de frutas cor-bordô que quebrava a monotonia do branco impecável responsável por cobrir a casa. Uma propriedade bastante elegante e um tanto pretensiosa. Com uma aparência aconchegante e convidativa.

Era bastante coisa para os novos moradores da Terra digerirem. Até os interruptores de luz pareciam-lhes mágicos e, Henry chegou à conclusão de que seria melhor não ligar a TV, pelo menos por ora.

Foi um alívio quando Robin deitou na confortável cama de hóspedes, usando roupas limpas que Regina trouxera sem explicar de onde tinham vindo. Ele não perguntou, porque tinha a impressão de que não se lembraria no dia seguinte. Sentia-se completamente bêbado pelo cansaço. E não demorou muito para que ambos caíssem no sono, separados por uma dúzia de paredes, porém embaixo do mesmo teto; nenhum dos dois deixou de notar.