I ran away

11 Incêndio.


Notas iniciais
Leia com música! Playlist Indicada: http://hypster.com/playlists/user/NatZurc?6970344 (copie e cole) ^.^ Espero que gostem.

A tarde de sábado estava bastante agitada para os padrões de Storybrooke, o céu límpido e brilhante; um dia ensolarado e até quente, se considerasse a época do ano. Algumas pessoas começavam a tirar suas luvas e cachecóis, a animação delas parecia aumentar na medida em que o gelo das árvores e calçadas desaparecia. Henry e Roland estavam preparando um acampamento com Neal e David, falaram sobre isso a semana toda. Dias como aqueles eram raros no inverno e ninguém costumava passá-los em casa.

Claro que, o Granny’s Dinner estaria lotado. Até em momentos menos movimentados o lugar estava sempre cheio de clientes, agora, não seria diferente. Regina e Robin perceberam isso quando viraram a esquina e viram alguns grupos em frente à lanchonete, que mantinha a porta aberta para facilitar o grande fluxo de pessoas daquela tarde. Isso os desanimou fortemente. Eles tinham saído de casa em busca de sol e café, a mistura perfeita para tardes como aquelas, mas definitivamente, queriam se livrar das dezenas de olhares especulativos e do inconveniente burburinho que os acompanhava como trilha sonora todas as vezes que saíam juntos.

Os dois pararam na frente do famoso café da cidade e observaram o que parecia a bilheteria de um clássico Yankees x Red Sox.

– Eu não vou entrar aí! – Regina avisou depois se encolheu de frio. Ela usava um vestido básico de cor azul-marinho com zíper nas costas, um corte clássico da Dior, usava também um casaco bege, um cachecol cor de areia, mas havia dispensado a meia-calça e se arrependera completamente.

– Vem! Eu conheço um lugar. – Robin indicou com a cabeça e esperou que ela tomasse a frente, desconfiada. “Como assim conhece um lugar? Essa cidade é minha!”.

_________

Regina nunca tinha ido ao lugar, pelo menos não depois que o relógio da Praça Central voltou a funcionar. O lugar era novo, mas parecia completamente antiquado, a moldes de uma lanchonete dos anos sessenta. Era pequeno e possuía uma única vitrine com um adesivo em letras garrafais escrito: Hans’s. Os bancos acolchoados marrons davam um leve ar claustrofóbico, mas as paredes brancas aliviavam, além de causar grande impressão de limpeza. Robin bateu no vidro da porta transparente.

Tão rápido quanto possível um senhor idoso de avental branco e impecável abriu a porta. Ele tinha um largo sorriso de dentes que nem sempre foram seus.

– Boa tarde, policial. – O senhor de olhos grandes apertou a mão de Robin. Depois viu a expressão curiosa de Regina e sorriu ainda mais. – Rose, querida. Venha aqui. Robin trouxe a namorada. – ele gritou para alguém fora do campo visual.

– Não somos namorados. – Regina negou e pisou pesadamente no pé do sorridente Robin, antes que ele se acomodasse no banco alto do balcão da lanchonete.

– É uma belezura mesmo assim! Eu sou o Hans do “Hans’s”. – O velho sorriu e piscou. Uma piscadela galante que fez metade do rosto dele enrugar-se por completo e sua boca ficar em um formato engraçado. Regina, por um segundo, perguntou-se sobre está realmente em Storybrooke e, se estava, como aquele senhor não sabia quem ela era? Como era possível? Robin gargalhou com a investida de Hans. O velho virou-se novamente e foi em busca de sua esposa, Rose.

– Vou usar seus dentes em um colar se não parar de sorrir. – Regina inclinou a cabeça em direção a Robin e sussurrou. Mas Robin sorriu outra vez.

– Por que não pede alguns para o seu Hans? Ele não ia se importar. – Os dois sorriram e pararam quando Hans voltou.

– Pedir o quê? – O velho tinha ouvidos de avestruz.

– Café! Dois, por favor. – Robin fora rápido.

– Ah, meu Deus, Hans! Por que não me disse antes que a prefeita estava em nossa casa? – Uma senhora de cabelos grisalhos e olhos ainda maiores que os do marido apareceu limpando as mãos em um avental igual ao de Hans. – Robin, devia ter nos avisado. – Ela estendeu a mão em direção a Regina, que a apertou prontamente. Que lugar era aquele? – É um prazer!

O café estava bom e Regina ouvira Rose e Hans contar o quanto estavam animados com o novo negócio. Contaram ainda sobre como Robin havia sido atencioso ao tirar doninhas da chaminé deles na semana passada. “Eu sei que não é problema da polícia, mas eu não sabia o que fazer.” Rose dissera, depois acrescentara despreocupadamente: “Robin é um bom garoto e é bonitão!”. Regina olhou para ele e sorriu contida, mas com olhos cheios de uma excêntrica diversão.

Quando saíram Regina se sentia muito bem, aquelas pessoas não a odiavam e isso era realmente uma novidade. Hans e Rose não eram do tipo que odiavam, não tinham motivos para isso. Regina os transformara de um casal de corujas em uma floresta mágica, para um casal de humanos e eles agora tinham uma lanchonete. A moça era como uma fada madrinha para eles.

Robin parou por um tempo, observando um rapaz elevar um saco enorme de farinha-de-trigo em uma complicada engenhoca com polias, como um piano sendo levado até a janela de um apartamento. Parecia bem mais trabalhoso que simplesmente colocá-lo nas costas e subir até o segundo andar da casa do Sr. Hans, mas funcionava. O saco pesado estava elevado até o topo, pronto a ser puxado pela janela.

– Robin, você vem? – Regina começava a sentir frio novamente. Robin seguiu o som da voz dela como em câmera lenta e demorou um tempo para identificar algo que trepidava dentro dele de maneira alarmante. Uma espécie de grito vigoroso que o impelia em direção a ela.

O rosto do rapaz estava sério e focado, olhos fixos em Regina, que nem ao menos percebeu a presença dele – ainda imersa na atmosfera de que o mundo não a odiava.– enquanto se mantinha exatamente embaixo do pesado e flutuante saco de trigo. Os olhos jovens e insanos do garoto entregaram seu plano. Robin deu dois passos largos, rápidos e fortes, batendo contra Regina de maneira violenta, ao mesmo tempo em que as mãos do carregador soltaram a corda e o saco de farinha chocou-se contra o chão em um baque abafado fazendo uma enorme nuvem branca encobrir toda a cena.

A tosse obrigatória de ambos durou até que a inconveniente e poeirenta cortina branca estivesse totalmente sedimentada. Regina seguiu o olhar de Robin que observava o rapaz se afastar correndo por entre as árvores próximas ao Hans’s – como um fantasma branco – decidindo que ir atrás dele causaria mais dano a ela do que àquela pessoa abominável. Não valia a pena. O próprio Hans saiu do estabelecimento com um rosto de tragédia, suas mãos meio trêmulas:

– Nossa! O que é que aquele moleque fez? – O velho reprimiu a vontade de limpar o rosto de Regina com o próprio avental. – Ele não faz nada direito. Está sempre me causando problema.

– Foi um acidente! O garoto escorregou e a corta soltou. – Robin mentiu olhando para Regina e seu rosto de máscara pálida.

– Entrem! Vamos tirar um pouco de toda essa farinha de vocês. – Hans parecia falar com crianças, a voz de repente muito velha.

– Não! – Regina disse. – Obrigada. Mas eu vou para casa. – outra vez o mundo a odiava.

_________

Regina seguiu direto para a cozinha, Robin foi atrás dela. Ambos ainda sacudiam-se, tentando se livrar do pó branco. Ele pensava em como o rosto do rapaz parecera calmo enquanto soltava a corda, fazendo a polia liberar o saco de farinha, claramente proposital. Mas o “Por quê?” ainda era a questão. Ela, por sua vez, lembrava-se apenas das mãos firmes e rápidas de seu herói.

– Você está bem pior que eu. – Regina sorriu e jogou um guardanapo em direção a ele.

– Deveríamos ter usado a sua cafeteira. – Robin também sorriu e começou a limpar-se.

– Não. Eu gostei do lugar. É bem melhor que o Granny’s Dinner. – Ela disse com um orgulho no rosto. – Dá para acreditar neles? Rose e Hans?!

– Eu pensei que Hans fosse atacar você. – Robin sorriu vigoroso.

– Mas você que é o “Bonitão”! — O sorriso deles aumentou quando Robin piscou imitando a exata expressão de Hans.

A gargalhada cessou após um tempo. Houve silêncio. E de repente, por mais que cada um tentasse, ao seu modo, encontrar um assunto, ninguém falou nada. Uma tensão gritante tomou conta da cozinha e do mundo.

Robin observou uma pequena mecha de cabelo escuro escorregando sobre o rosto dela. A pele tinha um tom rosado pelo atrito do guardanapo, a boca... Ah, a boca! O estava deixando louco; os lábios mantinham-se contraídos de maneira tensa, mas ainda volumosos e bastante vermelhos. Os olhos, agora, tristes, dois poços profundos cheios de segredos. Ainda mais triste enquanto tentava encarar qualquer coisa que não fosse o verde intenso dos olhos dele.

Regina levantou a cabeça e livrou-se impaciente da mecha de cabelo, deixando um suspiro pesado escapar enquanto lembrava-se de todos os detalhes vivos e preservados do beijo na noite de Natal: os lábios dele contra os dela, a temperatura, o movimento, o sabor. Regina sabia que jamais provaria aquela sensação novamente. Se ela fosse uma boa garota, claro. Mas ela não costumava ser. Não por muito tempo e, ficar sozinha com ele, em um espaço tão pequeno, era um insuportável campo minado.

Estava tentando reparar o erro da proximidade quando deixou o guardanapo branco cair sobre a pia e caminhou em direção à sala sem dizer nenhuma palavra, sem ao menos olhá-lo nos olhos, nem que fosse para implorar que ele não a seguisse.

O arqueiro encostou-se ao balcão de mármore fria do centro da cozinha e ouviu os passos das botas dela se afastando, parecia poder vê-los; os elegantes e sincronizados passos da mulher que o fazia sucumbir na consciência de uma paixão esmagadora. Por que é que ela estava sempre fugindo? Sempre o som das botas fujonas no assoalho!

Tentando escapar da frustração de ser deixado por ela, desta vez, era ele quem revivia o beijo dos dois. A memória da extraordinária sensação de tê-la em seus braços, de sentir o gosto daqueles lábios. Só a lembrança já o tornava o mais poderoso dos homens. Robin, O Inabalável, novamente.

Os passos pararam e o coração dele quase fez o mesmo. Imediatamente saiu da cozinha, como um sonâmbulo que acorda em um lugar estranho, rodopiando a visão em busca de alguma coisa familiar e, lá estava ela: encarando o jardim através do vidro da porta ao sul, parecia, aos olhos dele, uma criança triste observando a chuva que estragara o dia de brincadeiras. Porém, Regina estava mais para alguém que parava diante de uma saída de emergência sem nenhuma ideia de como abri-la, ou apenas sem coragem de escapar do incêndio que, naquele caso, acontecia dentro dela.

– Regina? – o nome soou pela casa com tom de apelo. Regina fechou os olhos e uma teimosa lágrima cedeu à gravidade, escorrendo lhe pela face. Ele não iria embora. Não tornaria nada fácil. – Você só precisa me dizer e eu nunca mais... – a voz falhou, mas Robin continuou, ignorando o pavor daquela promessa: –... E eu nunca mais chegarei perto de você outra vez. – falava com a mesma intensidade de está olhando-a nos olhos. – Não estou pedindo todas as respostas. Preciso apenas de uma!

Nem pareciam as mesmas pessoas que sorriam na cozinha minutos atrás. A respiração dos dois estava acelerada e, pelo que pareceu uma eternidade, Regina permaneceu de costas. Talvez ela tivesse gritado: “Não podemos!”. Só não encontrou a voz. Não estava acostumada com situações como aquela; o mundo de Regina era cheio de pessoas que a odiavam, pessoas marcadas pela maldade dela, crianças que ouviam coisas sobre a Rainha Má as castigando caso não se comportassem bem, olhares de pavor, sangue, morte, pesadelos, maldições, dor, culpa e a interminável lista pensável de horrores. Nesse mundo não cabia homens encantadores, íntegros e apaixonados implorando para aproximar-se. Não era natural. Mas deixá-lo partir também não parecia natural, nem justo, mesmo admitindo que seu senso de justiça não era lá grande coisa.

Ela virou-se, por fim, para olhar o rosto confuso e consternado dele. Lindo. Como se estivesse estampado na capa da Vogue.

Robin caminhou com pés alados no mesmo instante em que o olhar dela pareceu exausto demais — dois olhos tão negros quanto uma noite sem lua – ele queria poder tirá-la daquele lugar, do que Regina ia quando sofria. Porém a conhecia bem o bastante para saber que ninguém podia chegar lá, para o desapontamento dele e, de tantos outros antes disso; ela parecia inalcançável.

Estavam tão próximos agora; a ponto de ser impossível, para Robin, esconder a respiração veloz, acreditando que, talvez, ela até pudesse ouvir as pancadas furiosas de seu coração sob o suéter de lã branca.

Uma fibrilação depois e Regina não recuou, nem um milímetro. Mesmo paralelamente alinhados, nenhuma parte dos corpos deles se tocaram. Ambos podiam sentir o gosto da tensão no ar. Pareciam dissolver-se, lentamente, em fogo flamejante.

Robin lançou sua mão direita em direção ao rosto dela, tocando-o e inclinando-o delicadamente, direcionando para si até que os lábios dos dois se encontrassem. Não em um beijo de fato, mas em um contato cheio de delírio silencioso. Apenas um toque e era como emergir de um mergulho profundo. Regina deu um passo para trás — saindo do alcance das mãos dele – obedecendo ao apelo alto que sua consciência fazia e causando a conhecida dor latejante em suas veias. O que estavam fazendo era errado, apesar de não parecer, com certeza era errado. Robin Hood e Rainha Má juntos, vivendo um romance?! Parecia roteiro de piada infame, ou pior, de tragédia mórbida.

– Não!... Não deveríamos fazer isso. – Ela balançou a cabeça fazendo sinal negativo tão exageradamente que parecia tentar convencer a si própria, mas se soubesse como seus olhos a entregava teria permanecido imóvel.

– Por que não? – Robin perguntou docemente. Observando a como um caçador que admira, de respiração contida, o magnífico pássaro antes de capturá-lo. Viu o movimento nervoso que a glote dela fazia seguindo o desordenado ritmo de olhares: ora para ele, ora para o nada. Sentiam-se como adolescentes prestes a cometer um grave crime. E ela estava adorável daquela maneira quase frágil, ele pensou.

Sem nenhum aviso prévio, com a mesma sutileza de um tornado tocando o mar, Robin puxou Regina pela cintura e a encostou na parede, o braço livre diminuiu o impacto das costas dela contra a madeira firme. Ele a beijou de maneira obstinada e apaixonada por um longo momento até que não conseguissem mais respirar. Seus sentidos ameaçavam, subitamente, romper as barreiras que o impedia de voar.

– Robin?! – ela começou sua última tentativa de fazer o certo.

– Shhhhh... – O sussurro dele tinha o som abafado pelos cabelos dela. Então mais um beijo demorado que se estendeu pelo queixo e garganta, com a barba atritando contra o pescoço de Regina – trucidando qualquer resto de escrúpulo que a teria mantido longe – agora, ela poderia implorar para que ele continuasse.

Ela própria tirou seu cachecol, entregando-se por fim. Nada podia ficar no caminho entre a pele dele e a dela. Abria-se, portanto, uma dança coreografada e urgente de louca jovialidade. Robin a ajudava com a ansiedade de uma criança ao abrir um presente e a experiência de um profissional: primeiro os botões felpudos do casaco entre intervalos de beijos quentes e mãos trêmulas – provavelmente tenha sido esse o motivo de ele ter simplesmente arrancado os dois últimos – depois o zíper do vestido, deslizando fácil e libertando a pele de seda branca daquelas costas flexíveis. As roupas deles fizeram um pequeno montinho no chão do corredor.

Ela era ainda mais extraordinária nua, com membros mais alongados e elegantes do que ele poderia imaginar. O brilho trêmulo e macio da pele dela atribuía-lhe uma natureza quase nínfica.

O corpo inteiro de Robin tremeu com o toque dela. O arqueiro, por um momento, sentiu-se nervoso, quase amador, diante da perfeição que mantinha as duas mãos deslizantes sobre seu abdome. Ele pareceu vacilar por um instante, diminuindo o ritmo. Mas os olhares dos dois encontraram-se novamente e, Robin pode ver: era ela ali. Sua Regina. Finalmente sua! Com um olhar tão cumplice e intimo, compartilhado tão profundamente aquele desejo que, até teria devolvido sua calma, não fosse o contrário — o caos — ser ainda mais sedutor.

Regina segurou seu rosto, lançando lhe um olhar abarrotado de impudência, como se o desafiasse maliciosamente, evocando o feroz e resoluto homem de um segundo atrás.

Deu certo! O beijo dessa vez foi violentamente avassalador, sem nenhuma virtude, percorrendo o caminho de seus ombros, busto e seios; excitando-a com uma inacreditável proficiência. Só quando suas pernas falharam por fim é que Regina se deu conta de que era ele quem a segurava, servindo-se impunimente de seu corpo. Com fome. Uma devoradora e extasiante fome.

Há ambos aquele momento parecia um milagre tão grande que precisava ser vivido com a intensidade do último instante de suas vidas. Ficou claro para eles que ninguém poderia sobreviver à tamanha dose de paixão; depois dali morreriam imediatamente e estava bom assim.

Robin olhou novamente o rosto dela ruborizado – como se a qualquer momento o sangue fosse brotar de sua pele – os olhos eram duas chamas de fogo castanho-avermelhado. Amá-la era como mergulhar em um oceano profundo e cheio de segredos, oceano do qual Robin sabia jamais poder retornar.

Em meio a uma sessão de beijos quentes eles caíram ao chão, com um baque oco ao atingir o carvalho. Remexeram-se agoniados, urgentes, um sobre o outro, trocando suspiros e sussurros, provando o sabor da carne fervente. O atrito, o toque, a pele, o cheiro, tudo fazia parte de um pacto de incêndio contra qualquer coisa que os houvesse magoado até aquele momento. Não havia mundo além daquelas paredes, além daqueles corpos, apenas os dois importavam. Era uma sensação arrebatadora e, de repente, egoísmo pareceu uma palavra linda. Resumiram-se a corpos jovens e sadios em selvagem extravagância, como escravos de suas almas apaixonadas.

As mãos de Regina permaneciam ágeis em uma longa e obstinada viagem pelo corpo dele, seu tato conhecendo cada centímetro daquela virilidade excepcional, enquanto ele traçava mapas avermelhados na pele dela – pela fricção de sua boca. – Ela jamais fora tocada daquela maneira.

Robin encontrou suavemente a boca de Regina, depois a olhou sério como aviso do que viria a seguir, seu corpo ardendo em brasa e sua alma furiosa com a cautela. Mas Regina o desejava, o desejava mais que sua própria absolvição e era isso que seus olhos diziam. Robin pode ver, então puxou uma das pernas dela, impondo-se, definitivo, por entre suas coxas macias e arredondadas... Ele a penetrou lentamente ainda olhando-a nos olhos, observando cada pequena mudança de expressão, cada pequeno movimento de seu corpo sob o dele. Contudo era preciso um autodomínio sobre-humano: ele estava finalmente dentro da mulher que amava e, quando o abdômen dela retraiu-se com a presença invasora, o corpo dele tremeu como um prenúncio de insanidade.

Regina inclinou a cabeça para trás com um movimento suave, sonâmbulo e quase angustiado, com as unhas cravadas nas costas dele como se estivesse se segurando, depois lançou lhe um olhar tão perversamente cheio de descaramento que Robin pensou ter finalmente enlouquecido, desejou parar o tempo naquele momento. Então a possuiu por completo, com generosidade disposta oferecendo-a tudo.

Mergulhando, por fim, na piscina de larva que tanto os atormentava antes, puseram-se em fogo, foi divino, nem o chão frio poderia os aliviar. Os dois encaixados, como um quebra cabeça, encontrando o ritmo do próprio amor. Um ritmo vivo que parecia estremecer o mundo. Por um tempo que durou a eternidade.

Ele a puxou em uma flor-de-lis, ela o seguiu, naturalmente. Havia no ar o contraponto entre a magnífica grandiosidade da paixão que exploravam e grunhidos de prazer intenso. Fizeram amor de maneira ora sentimental, ora intrépida, a ponto de suas humanidades serem reduzidas a mera anatomia. A ponto de se tornarem vis animais.

As mãos dele apertavam tão fortemente as costas dela que a causaria hematomas: agora era ele quem se segurava, louco como estava, observando a decisão do ritmo de sua respiração, de seus batimentos e de sua vida. Ela decidia! Alongando-se sobre ele com o rosto virado para cima, como se ignorasse a presença dele, mas não era o que de fato fazia, era a presença dele que a elevava ao êxtase.

A dor não tinha mais acessos a eles, nem mesmo os secretos, nada lhes passavam pela cabeça, além do frenesi de posse mútua. Amaram-se veementemente até ficarem imóveis. Ofegantes. Na anestesia produzida pelo orgasmo.

Se alguém testemunhasse a cena e, por acaso, decidisse retratá-la em uma imagem, pintando o cosmo que o amor deles emanava: precisaria de todas as cores do mundo.

Notas finais
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