Notas iniciais
Leiam e deixeeeem um review(zinho)

Olhei em frente e vi o meu irmão estendido no chão, sem forças sequer para olhar para mim.
Olhei para a sua esquerda r vi um homem vestido de preto, de cara tapada e de arma na mão. Eu temia o pior...
Tentei-me mexer para o poder auxiliar mas não conseguia, não tinha forças.
Tentei-me mexer outra vez e ele pegou-lhe pelo capuz da camisola e apontou-lhe a arma à cabeça.

- Nããão! Não lhe toques, não lhe faças mal! — gritei com as poucas forças que me restavam

Mas de nada me valeu... Ele destravou a arma e disparou...

- Tenha calma Jane, respire fundo e controle a respiração — sentia um peso nos meus braços e um aperto no peito. Queria respirar mas parecia que não sabia como faze-lo
- Onde estou? Quem é o senhor? — perguntei olhando em redor tentando encontrar algo familiar. Sentia-me tonta
- Respire com calma sff. Eu sou o doutor Eduardo e tenho estado a cuidar de si nos ultimos sete meses — explicou
- Ultimos sete meses? — não estava a perceber — Não me lembro de alguma vez o ter visto — estaria eu doida?
-É normal Jane. Acordou agora de um coma de sete meses, por isso é normal não se lembrar de mim, esteve sempre a dormir — explicou mais uma vez
- Eu estive em coma? Por sete meses? — questionei
- Sim, esteve. Quando aqui chegou já vinha inconsciente e com multiplas fraturas. Alguns cortes profundos, um osso partido, com grandes niveis de inchaco, principalmente no rosto... — continuo a explicar mais algumas coisas e eu tentava ouvir.

Após explicar mais algumas coisas, das quais maior parte não ouvi, saiu e deixou-me repousar um pouco. Acho que já tinha repousado muito nos ultimos sete meses...
Eu não queria, mas cada vez que tentava fechar os olhos a imagem do meu irmão vinha-me à cabeça. Então deixei de tentar descansar.
Até ha uns minutos eu pensei que fosse tudo um grande pesadelo, mas não... Não era! Era tudo real, muito real...
Apetecia-me chorar, gritar e correr dali para fora. Apetecia-me morrer.
E o velório do meu irmão? E o enterro? Tinha tudo sido feito sem mim?
Claro que tinha sido, eu estive em coma durante sete meses. Sete meses porra! Nem me consegui despedir dele. Eu não me quero despedir dele...
Que preparou tudo?

Boa tarde Jane, está aqui o seu lanche. Se precisar de mais alguma coisa basta tocar nesse botão que está ao seu lado — eu tinha la fome ou vontade para alguma coisa
- Obrigado. Sim, não se preocupe

Retirou-se. Olhei para o comer e... Um iogurte, bolachas e fruta. Tipico... Mas já que andaram a poupar durante sete meses em comida para mim, ao menos que agora me dessem algo decente. Não que eu fosse comer, mas sempre lhes ficava bem.
Olhei para o tal botão e carreguei.
Precisava de fazer umas perguntas. Segundos depois, a enfermeira de à pouco voltou a entrar.

- Dona enfermeira, seria possivel chamar o meu doutor? Preciso de falar com ele — perguntei
- Deixe-me só verificar... — Pegou na ficha médica — O doutor Eduardo agora está a falar com a familia de um dos seus pacientes. Se puder aguardar um pouco ele já ca vem — disse
- Sim, claro, eu espero. Obrigado — agradeci e ela voltou a sair

Estava farta de estar em constante batalha com os meus pensamentos. Queria para de pensar nisto... Queria, mas não conseguia. Queria voltar uns meses atrás... Queria, mas não podia.
Então a unica coisa que me restava era querer.

Olá de novo Jane. Não vai comer? — perguntou ao ver a comida intacta
Obrigado por ter cá vindo. Não doutor, não tenho fome alguma — expliquei
Mas tem de comer, ou pelo menos tentar. Não pode ficar sem fazê-lo. Mas diga lá, o que é que queria falar comigo? — eu n.ã.o tinha fome
- Vou fazer um esforco doutor. Queria fazer-lhe umas perguntas, acha que seria possivel me responder?
- Eu acho que sim. Tudo o que eu souber e poder responder, responder-lhe-ei — sentou-se de frente pra mim
- Bem... gostaria de saber quando vou ter alta
- Isso será muito relativo Jane, se fizer um esforço para comer e recuperar forças já será um avanço significativo — acenti
- Tem alguma informação sobre o meu irmão?
- Não, não tenho, lamento. A sua mãe ou o seu pai serão as pessoas mais indicadas para lhe responderem a isso
- O meu pai... Ele já morreu... — escapou-me. Eu não gostava de falar sobre o assunto
- Lamento, não sabia. Pensei que a pessoa que a tem vindo ver nos ultimos sete meses, fosse o seu pai. Talvez seja um tio, lamento
- Um homem tem me vindo visitar? Quem é esse homem? Não tem um nome?
- Como lhe disse, pensei ser o seu pai. Sim tem, ele disse que se chamava Robert, salvo erro. Conhece?
- Hum... — pensei um pouco — Robert só conheco o irmão do meu pai — fiquei pensativa
- Então deverá ser ele Jane
- Sim... Posso pedir-lhe uma coisa doutor?
- Sim claro, diga
- Não quero receber visitas de mais ninguém
- Tem a certeza Jane? Agora que acordou iria ser bom para si.
- Sim, de certeza. Agradeço a preocupação, mas não quero ter mais visitas.
- Está bem. Então assim farei. Quer-me perguntar algo mais?
- Não, acho que não doutor. Obrigado mais uma vez
- Se precisar basta mandar chamarem-me. Não tem de agradecer. Até já e veja se come — insistiu e voltou a sair

Se eu comer uma bolacha já é algo. Já não se pode dizer que não comi. Olhei para as bolachas mas não lhes consegui tocar. Não porque estivessem longe ou porque eu tivesse preguiça. Era só mesmo porque sentia que elas iam sair instantaneamente por onde entraram. Talvez ao jantar eu tivesse fome. Talvez não. Provavelmente não.
Fiquei a olhar para o tecto e a falar comigo mesma.
Eu já estava bem, eu podia ir embora agora mesmo e tirar todos os fios que estavam ligados a mim, tirar estas roupas de hospital, tomar banho e sair pelos meus próprios pés.
Não era tão dificil assim.
Bem, deixando-me de devaneios... Eu precisava de falar com a minha mãe, era a unica maneira de saber dele. Não que eu quisesse falar com ela, mas tinha de ser.
Quando me vierem entregar o jantar eu pergunto se lhe podem ligar. Até lá, fico aqui...
Olhando para o nada. Um nada não tão grande e vazio como o meu eu interior. Esse sim, agora era gigante... Eu perdera a única coisa que tinha de boa na vida... Eu perdera a pessoa que me punha um sorriso na cara quando lágrimas escorriam no meu rosto.
A vida é tão irónica... Hoje, choro pela única pessoa que me fazia sorris quando chorava. E agora, quem me fará sorrir?
Após tanto chorar, o meu corpo cedeu e acabei por adormecer, e nem jantei nem liguei a minha mãe

Notas finais
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