Em uma sexta feira após uma semana difícil Reade assistia a um jogo enquanto tomava uma cerveja. Meg havia viajado e deveria voltar na manhã seguinte. O toque do telefone tirou sua concentração no lance do jogo.

— Alô.

— Reade – Patterson parecia aflita no outro lado da linha telefônica. – Você tem notícia de Tasha?

— A última vez que a vi foi quando eu estava vindo embora e ela estava em seu laboratório. Aconteceu alguma coisa?

— É só que ela não estava bem. Ela havia chorado. Eu pensei que ela tivesse falado com você. – A loira pensou antes de falar. – Deixa pra lá, vou tentar o celular dela de novo. Não deve ser nada.

Depois que Patterson desligou Reade tentou o celular de Tasha, depois o telefone da casa dela, e nada. Deixou mensagem na caixa postal e esperou uns cinco minutos depois resolveu sair.

Tasha sempre fora uma incógnita pra ele, Reade até chegou a beijá-la uma vez, mas logo se arrependeu, pois ela disse que não tinha sentimentos por ele e que eram apenas amigos. Ele se confundiu com alguns sinais que ela havia mostrado, ele só a beijou porque pensou que ela sentisse algo por ele, mas não tinha de verdade. Eles eram amigos há tanto tempo e tinham muita liberdade pra conversar sobre muitas coisas, mas sobre seus sentimentos ele nunca teve coragem de se abrir. Preferiu seguir em frente e não insistir, pois o que tinham era precioso demais para estragar por sentimentos que ele nem tinha certeza se tinha mesmo. E depois Tasha foi embora trabalhar pra CIA e eles ficaram um bom tempo sem se falar. Reade se magoara por ela o deixar. Nesse intervalo ele conheceu Meg e colocou uma pedra sobre tudo que achava que sentia.

Reade andou em três bares diferentes e não a encontrou, então ele lembrou de um bar que eles foram há uns dois anos e foi onde a encontrou. Tasha estava sentada em um canto com um copo de bebida pela metade e um olhar perdido. Seu coração se comoveu, pois ela não parecia estar bem.

— Tasha, você está bem? – Ela estava bêbada e com os olhos vermelhos.

— Reade, como você me achou aqui?

Tasha havia perdido todas as suas esperanças, preferia se afogar na bebida do que falar com ele. Reade estava muito bem com Meg, ela o merecia, Tasha não. Ela era uma bagunça e nunca quis envolvê-lo em sua vida sentimental pra não estragar a amizade e a cumplicidade que tinham.

— Vamos, vou te levar embora e nós conversamos quando chegarmos na sua casa. – Reade ofereceu a mão para apoiá-la e a ajudou a se levantar.

— Me deixa, vai pra casa ficar com a Meg que eu chamo um táxi. – A morena respondeu com desânimo na voz.

— De jeito nenhum. Você vem comigo. – Reade estranhou o tom que ela usou ao falar de Meg, mas deixou passar, pois ela estava muito bêbada e nem sabia o que falava.

Os dois permaneceram em silêncio até chegarem à casa dela. Tasha estava encostada na porta do passageiro olhando através do vidro e não queria saber de conversa. Reade apenas dirigia silenciosamente.

— Você quer um copo de água? Posso fazer um café pra te ajudar a melhorar. – Tasha estava sentada no sofá de sua sala e Reade se abaixou perto dela enquanto conversava.

— Não precisa, Reade, vai embora. Me deixa sozinha com meus problemas. Você já me ajudou a chegar até aqui.

— Não posso deixar você assim, você bebeu muito e não está bem, não vou enquanto você não estiver melhor. Patterson me disse que você tinha chorado. Quer conversar? Você sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa.

— Patterson... ela não sabe ficar de boca fechada. – Tasha cuspiu essas palavras e virou o rosto pro outro lado.

— Ela só estava preocupada, e me pediu para ajudá-la a te encontrar. E, sinceramente, se eu não tivesse chegado não sei como você voltaria para casa.

— Reade, vai pra sua casa, você não precisa ficar aqui. –Tasha sabia que Reade não tinha culpa de como ela estava se sentindo e preferia que ele fosse embora pra não despejar nele todas as suas merdas.

— Vou te levar pro seu quarto. Venha. – Ele se levantou, a segurou pela mão e a levou pro quarto.

Tasha caiu na cama sem trocar de roupa. Reade se sentiu na obrigação de ajudá-la a ficar mais confortável, mas não queria invadir a privacidade dela dessa forma.

— Olha, Tasha, eu sou seu amigo e sempre estarei aqui pra você. Eu vou embora e se amanhã você quiser nós conversamos.

Reade colocou um cobertor sobre ela na tentativa de deixá-la mais confortável. – Eu já vou. Agora que você está acomodada eu fico mais tranquilo. – Ele disse sentando na cama ao lado dela.

Tasha se sentou e se aproximou rapidamente dele e o beijou nos lábios. Reade se viu sem reação, apenas a puxou de encontro a ele e a beijou também. Os lábios dela eram macios e doces e tinham um leve gosto de álcool. Ele se sentiu hipnotizado pela intensidade do beijo e pela forma como ela enlaçou o pescoço dele com os braços. Ele não teve forças para interrompê-la, pois nem mesmo ele sabia o quanto também queria beijá-la.

— Eu amo você... – Tasha sussurrou essas palavras e se deitou virando para o lado.

Quando Reade encontrou forças para se levantar e ir embora ela já havia dormido. Ele quase não dormiu. Não parava de pensar no beijo e nas palavras que ela lhe disse. Devia ser o álcool, não era possível ela realmente sentir algo por ele, porque ela era a Tasha e porque se fosse esse o caso ela poderia ter lhe dito, afinal eles conversavam sobre tudo.

Notas finais
Prometo atualizar em breve!