Notas iniciais
Ás vezes, os pensamentos se organizam melhor, quando você organiza eles no papel (by me).

Se alguém me falasse que uns 10 meses atrás você apareceria na minha frente, me daria um beijo e viraria minha vida de ponta cabeça, eu diria que essa pessoa é louca. Mas por incrível que pareça, foi exatamente isso que aconteceu. De repente todos os filmes idiotas e clichês que eu adorava assistir para não deixar aquele último fio de esperança se esvair, fizeram sentido.

Eu só fui naquela festa porque precisava esquecer o embuste que eu estava saindo. Não que eu precisasse de uma festa para esquecer gente bosta, mas eu precisava de uma festa apenas para sentir viva novamente. Até hoje não sei como o universo decidiu agir ao meu favor e te colocou no meu caminho.

Eu fui naquele esquenta, porque não conhecia ninguém, apenas meu amigo que dividia o apartamento comigo na época, que aliás era seu colega, e porque eu não iria a uma festa sozinha se ele também ia. Na minha cabeça isso fazia muito sentido, ou não.

Você estava lá, lindo, de camisa social preta, ressaltava o tom branco da sua pele e o claro do seu cabelo, meus olhos caíram em você, e sem perceber, você já estava na minha cabeça, mesmo eu repetidamente dizendo para mim mesma que não, eu não poderia fazer isso. Depois de algumas horas e meia garrafa de cachaça, meus olhos te encontraram de novo, meu subconsciente já estava na sua antes mesmo de eu perceber isso.

Mal entramos na festa, e eu só vi você e seu amigo quando todo mundo sumiu e eu fui te perguntar onde raios eles estavam, você falou que não sabia, e no segundo seguinte, sua boca estava na minha. Que beijo senhoras e senhores! E durou uma eternidade. Depois do seu beijo, eu não quis beijar mais ninguém naquela festa, você segurou minha mão, dançamos juntos, rebolei em você até cansar e você me trouxe para casa. Aposto que se eu tivesse pedido para você dormir aqui, você tinha ficado. Mas conversamos o final de semana todo, e na segunda te vi na faculdade, almoçamos juntos, assim que te vi, te beijei, foi instantâneo e natural.

Seguimos assim por semanas, almoçando juntos, eventuais beijos, andando de mãos dadas, quando percebi, estava apaixonada. Você estava tão atrelado em mim, e eu em você, que montávamos (e fazemos isso até hoje) a semana juntos.

Você é o tipo de relacionamento que eu sempre quis, em público somos tranquilos, nada de mais, mas sozinhos pegamos fogo, e eu amo esse seu jeito, assim como eu amo você. Ou amava.

Amo quando nossas frequências estão sintonizadas, e amo quando elas não estão.

Amo seu sorriso, seus olhos.

Amo sua lerdeza.

E por mais diferentes que somos, amo cada momento que passei com você nesses últimos meses. Mesmo quando eles acabaram.

Sabe os filmes românticos que eu falei no início? Pois então, clichês adolescentes só existem lá, e nem tudo pode durar para sempre, mesmo quando é uma paixão arrebatadora, um dia, as coisas acabam.

Mas sabe o engraçado disso? É que ao mesmo tempo que digo que as coisas não duram para sempre, nossas histórias são infinitas. Nós somos infinitos. Marcando o mundo ou não, sempre iremos marcar alguém, e essa marca é eterna.

Você me marcou assim, e sei que te marquei assim também. Tanto que 4 meses depois estou sentada escrevendo isso enquanto consigo observar seu rosto interrogativo para os olhares que te lanço de vez em quando e seu sorriso sem graça.

Certas coisas não mudam. Não é babe?

E aqui estamos mais uma vez falando um para o outro que bem aqui foi a última vez, que não voltaremos a isso, mas sempre que um precisar do outro estaremos bem aqui, acima de cada lágrima, de cada discussão e de cada sentimento. Afinal se o amor não deu certo, a amizade pode dar, porque um dia todas as feridas fecham e você simplesmente passa por cima de tudo.

Até porque eu acabo sempre voltando para você e você para mim.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!