I haven't seen you coming
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Regina esperava o elevador abrir enquanto admirava sua escolha de roupa para usar por cima do maiô. Nunca fora muito fã de estampas, e se quisesse poderia apenas sair andando de hobby até a piscina, já que estava num SPA e as pessoas faziam isso o tempo todo, mas como sempre não queria se igualar aos demais e preferiu usá-lo somente na privacidade de seu quarto ou atrás das portas fechadas das salas de massagem. Então lá estava vestida com uma saia comprida de tecido fino, repleta de flores laranja e amarela num fundo branco, com uma fenda na lateral direita que ia da altura do joelho até o fim na barra, e uma blusa preta leve, apenas para cobrir as curvas e decotes da roupa de banho até não ser mais necessário.
Ao som do ding do elevador despertou um pouco dos seus pensamentos e entrou, vendo de relance a senhora que ocupava um lugar no canto. Enquanto descia notou pela milésima vez o que estava prestes a fazer.
– Eu vou estar lá?! Realmente? Você podia simplesmente ter dito não, agora enfrente as consequências. – só percebeu que aquilo tinha saído em voz alta quando a mulher ao seu lado a encarou franzindo o cenho – O que? – perguntou, irritada.
– Nada. – encolheu os ombros e quando as portas se abriram passou na frente, provavelmente assustada pelo humor da morena.
Fez o caminho por todo o hall até sair no jardim, o qual atravessou até chegar nas piscinas. O clima estava agradável, com o sol não muito forte, havia algumas pessoas ali, mas nenhuma delas era Emma.
“Pelo visto pontualidade não é o forte dela.” – pensou enquanto estendia a toalha que havia trazido na cadeira, colocou seus óculos escuros e deitou, olhando para o céu azul e limpo.
Minutos se passaram, vários deles, até que sentiu uma presença perto de si e abaixou os óculos, dando de cara com Emma que usava um short jeans e a parte de cima do biquíni vermelho à mostra.
– Você que chegou cedo ou eu que estou atrasada?
– Acredito que já saiba a resposta.
– Ok, desculpa, eu tenho um pequeno problema com horários.
Retirou o short e naquela altura Regina já havia colocado os óculos de volta no lugar, camuflando o seu olhar na direção do corpo da loira.
Ela não queria olhar, se tivesse a opção não olharia, mas quando deu por si já estava e não conseguia mais parar.
“Ela deve levar a malhação a sério.” – pensou ao ver as pernas magras e firmes.
Viu quando Emma colocou o short na cadeira ao lado da dela e uma toalha dobrada junto, parou na beira da piscina e mergulhou em seguida.
A morena nem teve tempo de se irritar pela água espirrada em sua direção, pois logo a loira emergiu passando a mão pelo rosto e com os cabelos encharcados caindo sob os ombros.
– Se eu soubesse que a água era boa assim tinha vindo aqui antes. – comentou apoiando os cotovelos na borda da piscina para se manter olhando para Regina.
– Então essa é a primeira vez? – perguntou e ganhou um aceno positivo – E ontem falou comigo como se eu tivesse algum problema mental por não ter vindo ainda... Qual o sentido nisso?
– Eu estava decidida a não ir embora sem fazer isso, mas não posso dizer o mesmo sobre você, né?
– Não tem como saber.
– Não vou comentar sobre isso, com licença. – e mergulhou de volta.
Regina via o corpo de Emma passando por de baixo d’água, a cor do biquíni era gritante tornando mais fácil reconhecê-la. Alguns minutos depois e ela estava de volta na superfície, ofegante e com as bochechas coradas, mas com um sorriso nos lábios.
– Parece uma criança, Srta. Swan. – comentou.
– Posso ser criança, mas pelo menos estou aproveitando ao invés de ficar sentada aí encarando o vento.
– Você fazia o mesmo ontem à noite.
– Era diferente.
– Como, exatamente?
– Não tente me distrair Srta. Mills, eu tenho um objetivo, você vai sair dessa cadeira e entrar aqui.
– Lamento desapontá-la, mas não, eu não vou.
Emma semicerrou os olhos.
– Qual o problema? Vai me dizer que não sabe nadar?!
– É claro que eu sei nadar, que absurdo. – alterou a voz.
– Mesmo? Acho que preciso de provas.
– E eu acho que precisa parar de me irritar.
– Ah vamos, você veio até aqui pra ficar parada?
– Estou tomando sol, caso não tenha notado.
Emma revirou os olhos e nadou até os degraus da piscina, por onde saiu. Pegou a toalha e se secou rapidamente antes de estendê-la e deitar na cadeira.
– Alguma chance de que eu consiga te fazer mudar de ideia?
– Nenhuma. Terá que superar isso, querida. – sorriu.
– Pode, por favor... Não me chamar assim?
Regina virou para olhá-la.
– Se me disser o motivo, quem sabe.
– Eu não sei... É meio estranho.
“Ora, ora, finalmente encontrei algo que a deixa nervosa, bom saber.”
– Claro, sem problemas... Querida.
Emma se preparou para retrucar, mas todas as palavras sumiram quando olhou para o lado e viu Regina em pé, retirando a blusa que usava.
A loira não era muito conhecida por sua sutileza e autocontrole quando o assunto era encarar, então não era de se surpreender que naquele momento seus olhos estavam praticamente grudados em cada gesto da morena, que por estar de lado não percebeu nada.
Quando tirou a saia Emma engoliu em seco ao se deparar com um belo par de pernas, junto com o conjunto completo de um corpo de tirar o fôlego, coberto apenas por um maiô preto, bem justo, com um decote generoso na parte da frente e uma fenda por toda a extensão das costas, parando um pouco antes de chegar no traseiro.
“Deus, aposto que ela está se mexendo normalmente, então por que eu estou vendo tudo em câmera lenta?!”
Distraiu-se entre respirações profundas e quando voltou a si Regina já estava deitada e com uma expressão intrigada.
– Algum problema? – perguntou.
“Não, eu só estava quase babando por sua causa.”
– Não, está tudo bem. – sorriu e fechou os olhos para tentar relaxar.
Enquanto aproveitavam o sol, Emma abriu os olhos de repente ao ouvir o barulho excessivamente alto de alguém dando um mergulho, e Regina fez o mesmo. O responsável era ninguém mais ninguém menos do que George, o tarado da aula de ioga do primeiro dia, que sem nem ao menos disfarçar dava braçadas para exibir os músculos e sorria abertamente para as duas, principalmente Emma.
– Ah, por favor, qual o problema desse cara? – reclamou.
– Eu diria que ele está interessado em você, Srta. Swan. – provocou.
– Mas por que eu? Não falo nem do fato de não gostar da coisa, é só que... Eu não estou sozinha aqui, por que ele tem que cismar comigo?
– Se está à procura de elogios pelo seu corpo devo informar que não receberá nenhum, até porque não acho necessário.
– Como assim?
– Usaria um biquíni desses se estivesse insegura de alguma maneira?
– Não, eu... Pode parar de responder uma pergunta com outra pergunta?
– Não sei, eu posso?
Emma riu.
– Já entendi, seu humor melhora quando sou assediada sexualmente.
– Não seja dramática, ele ainda está apenas... – olhou para a piscina – Nadando e sorrindo a uma distância segura.
– Isso enquanto me imagina nua, provavelmente.
“Não é um tarefa difícil já que esse biquíni não cobre muito... Está bem, chega!” – pensou, mas a voz de Emma a fez se concentrar de novo.
– Que falta eu sinto da minha arma.
– Você tem uma arma?
– É, policiais geralmente precisam de uma.
– Então... É policial?
– Sim, e você parece surpresa.
– Bem, não pode me culpar por não conseguir imaginá-la durante uma perseguição sem esbarrar em algo e estragar tudo. – brincou.
– Hahaha, muito engraçado. E pro seu governo existe todo tipo de policial, eu sou aquela mais... Despojada.
– Desastrada, você quer dizer.
– Não, não quero. – riu – E você? O que faz da vida? – mas antes que pudesse responder a loira continuou – Espera, deixa eu adivinhar... Médica? – um aceno negativo – Hum... Escritora? – outro aceno – Herdeira?
– Não, e saiba que fico feliz por ver como nossa polícia é bem preparada, sua intuição é realmente impressionante. – em resposta Emma apenas revirou os olhos – Sou advogada.
– Sério? Isso é bem legal.
– Na teoria...
– Aposto que só diz isso por hábito, no fundo deve gostar do que faz.
– Pensa que me conhece? – e não esperou pela resposta – De qualquer maneira, corrigindo seu pequeno erro: herdeira não é uma profissão.
– Não exatamente, mas explicaria o dinheiro.
– Se você diz. Eu acho melhor subirmos, o sol está enfraquecendo.
Emma olhou para o céu.
– Concordo, e o meu querido amigo George está distraído passando bronzeador e acariciando a si mesmo, vou aproveitar a deixa.
Regina riu levemente, ato esse que não passou despercebido pela loira que não poderia ter ficado mais satisfeita por ter feito aquilo.
As duas fizeram todo o caminho até o elevador em silêncio, já com suas roupas. Durante o trajeto até seus quartos também não disseram nada, e surpreendentemente aquilo não era incômodo.
Quando enfim chegaram ao seu destino cada uma parou na sua respectiva porta.
– Eu vou tomar um banho, tenho mais cloro do que pele no momento. – Emma disse.
– Está bem.
– Nos vemos depois.
Em resposta apenas um breve aceno e cada uma entrou em seu quarto.
Swan tratou de fazer logo o que disse que iria e não deixou a mente livre para pensamentos complexos. Tomou banho, secou o cabelo, trocou de roupa e foi assistir TV, onde passou cerca de uma hora até olhar o relógio. Eram quase sete da noite, e finalmente seus pensamentos começaram a se libertar.
“É praticamente hora do jantar, então não seria estranho se eu... Seria? Eu posso ter amigas, claro que posso, Mary é minha amiga e não há nada de errado nisso. Claro que eu nunca fiquei babando por ela, essa é a diferença. Mas caramba, que corpo era aquele afinal de contas? Não, Emma, são apenas instintos, você vê uma mulher bonita que te desafia e você olha, nada além disso. Não pira.”
Decidida a provar algo que nem ela mesma entendia, levantou e pegou seu celular, colocando-o no bolso da calça, desligou a TV, abriu a porta e saiu. Parou em frente à porta de Regina e bateu três vezes, não muito forte como fazia durante o trabalho, pois não queria assustá-la, — embora a morena não parecesse o tipo que se assusta facilmente -, mas também não muito fraco para não correr o risco de não ser ouvida. E logo a maçaneta se mexeu e a outra mulher apareceu do outro lado com uma expressão confusa, que logo mudou para diversão.
– O que aconteceu? George descobriu o seu quarto e você o trancou no banheiro pra poder pedir ajuda?
– Não, e só pra constar eu não precisaria pedir ajuda, fui treinada pra derrubar caras muito maiores. – sorriu orgulhosa.
– Claro, mas enfim, o que deseja?
“Você. Espera, de onde veio isso?” fez uma careta, que Regina notou.
– Está com... Dor?
– O que? Não, eu só... Queria saber se você gostaria de descer pra jantar comigo... – Regina abriu a boca para responder, mas Emma ainda não tinha acabado – Você vai dizer sim ou não de uma vez ou eu vou ter que fazer um discurso pra te convencer de novo?
– Era isso o que esperava? – cruzou os braços.
– Sinceramente? Sim.
– Pois bem... Sim, vamos jantar.
“Olha, aparentemente alguém não gosta de fazer o que os outros esperam que ela faça, uma rebelde dentro do corpo de uma madame, quem diria.”
Regina entrou rapidamente e pegou sua pequena bolsa, trancou a porta e acompanhou Emma até o restaurante, onde assim que chegaram conseguiram uma mesa do lado direito, e logo Ruby veio na direção delas.
– Hey Em... Srta. Swan. – corrigiu assim que viu Regina – E Srta. Mills. – sorriu nervosa.
– Aprecio sua capacidade de decorar sobrenomes, agora nossos pedidos, por favor.
Emma lançou um olhar de desculpas para a garçonete pelo tom da morena, e o pequeno momento não passou despercebido, fazendo Regina arquear uma sobrancelha, mas optou por não comentar.
Fizeram seus pedidos e enquanto comiam a loira se viu entediada pelo silêncio, e decidiu puxar assunto.
– Então... Seu filho te mandou pra cá?
Regina levantou o olhar.
– Sim.
– E como exatamente ele conseguiu isso?
– Aparecendo de surpresa no meu escritório com um panfleto em mãos e um discurso pré-preparado.
Emma sorriu.
– Isso me lembra minha amiga Mary, ela ligou tarde da noite avisando que me faria uma visita no dia seguinte, e então lá estava ela como combinado carregando o site daqui aberto no celular, uma folha de papel cheia de anotações e respostas na ponta da língua.
– E como ela convenceu você?
– Não precisou de muito na verdade, pensando bem eu acho que não teria resistido por muito tempo, se ficasse lá acabaria... Enlouquecendo e levando meus amigos junto. – murmurou.
– É a primeira vez que admite isso?
– Bom, sim... Sim. – sorriu – Acho que conta como progresso. Já pensou em ser psicóloga?
– Não, e mesmo que tivesse não acho que daria certo.
– Tem razão, você é muito certinha, psicólogos tem que ser um pouco loucos pra poder funcionar. – naquele momento um homem que comia na mesa ao lado a encarou, irritado, provavelmente por ser psicólogo e não ter gostado do comentário – Foi mal. – encolheu os ombros e voltou sua atenção para Regina, que tinha um sorriso nos lábios.
– Ignorando seu pequeno momento constrangedor, eu gostaria de saber o que a faz pensar que sou... Certinha.
– Quer em ordem cronológica ou alfabética?
– Está fugindo da questão.
– Não, não estou. Tudo bem, talvez eu não possa dizer muito porque nós só nos conhecemos há três dias, mas você não parece o tipo de pessoa que... Sai da linha.
– Em que sentido?
– Eu não sei.
– Mas sabe que ter confiança sobre um argumento ajuda, certo?
– Desculpe, eu não sabia que estava conversando com minha advogada.
Trocaram sorrisos.
Regina não conseguia entender por que sentia a necessidade de provar para Emma que não era tão certinha quanto ela pensava, e ao mesmo tempo não queria enforcá-la por ter a ousadia de pensar que já a conhecia, como faria com qualquer outra pessoa.
Voltaram a comer em silêncio, que foi rompido outra vez pela loira.
– Você falou sobre seu filho, mas nunca me disse o nome dele.
– Henry.
– É bonito, você que escolheu? – ao notar o olhar de desconforto, continuou – Eu disse algo errado?
– Não, eu só não estou acostumada a...
– Se abrir com estranhos?
– Você é uma estranha?
– Vai começar a me responder com perguntas de novo? – brincou – Olha, nós só temos mais dois dias aqui, depois disso pronto, acabou. Tenho certeza que você não vai ter que me ver nunca mais, a não ser é claro que defenda alguém que eu quero colocar na cadeira, aí as coisas complicam um pouco, mas se isso não aconteceu até hoje eu não vejo como...
– Srta. Swan! – interrompeu.
– Sim?
– Estava divagando.
– Certo... O que eu quis dizer é que isso tudo é temporário, não está nos meus planos voltar num lugar como esse tão cedo, bem provável que eu nem volte. Então... Ah quer saber? Não importa, vamos comer. – pegou o garfo e durante alguns segundos comeu sem se atrever a olhar para Regina.
– Era o nome do meu pai. – começou em voz baixa, logo ganhando a atenção da loira novamente – Ele... Ele morreu quando faltavam poucos meses para o nascimento... Vítima de um tumor cerebral inoperável. Então resolvi prestar essa pequena homenagem.
Seus olhos tristes logo foram detectados, e mesmo que tentasse esconder e olha que ela tentava com todas as suas forças, quando queria Emma era uma ótima observadora, e nada daquilo passou batido, o que só a fez se sentir mal.
– Eu sinto muito... Não devia ter perguntado, não é bom... Reviver essas coisas.
– Pode não ser bom, mas às vezes é necessário.
– Mesmo assim, eu...
– Pare. – interrompeu – Não quero um pedido de desculpas, você não me obrigou a falar.
– Está bem.
E o resto da refeição se seguiu em silêncio, até que chegou a hora de pagar. Quando Emma viu Regina mexendo na bolsa, se adiantou.
– Não, nem pensar. Eu te convidei. – retirou as notas da carteira.
– Isso não foi um encontro, não precisa se incomodar.
– Acha que eu só pago quando estou em encontros? Agora é uma questão de honra. – ergueu a mão e chamou garçonete, que no caso era Ruby.
– Tudo bem, já que insiste tanto estarei esperando lá fora.
Levantou e passou por entre as mesas, ao tempo em que Ruby parou do lado de Emma com um sorriso malicioso nos lábios.
– Sério? – perguntou – Ela? Você não poderia arrumar uma menos acessível?
– Calma aí, mente suja, estávamos apenas fazendo companhia uma pra outra. – em resposta ganhou uma sobrancelha arqueada e dois braços cruzados em desafio – O que? É verdade! – entregou o dinheiro para Ruby – Além do mais eu me lembro de ter te contado minha história aquele dia, então você sabe...
– Sobre a Mulan? Sim, eu sei. Era tudo tão recente e você precisava desabafar, conheço a história Emma, e entendo, mas isso não pode te impedir de viver.
– E não vai.
– Ótimo, e a prova disso é dar em cima da Srta. Sarcasmo ali?
– Sabe que ela te mata se souber que a chamou assim, né?
– Matar não, mas meu emprego ela me faz perder com certeza. Sorte que não sou a única que fala isso por aqui.
– Não é?
– Ah vamos, pensa um pouquinho, ela anda por aí como se estivesse num tapete vermelho, ignora cumprimentos, não diz “obrigada” por nada e pra ninguém, você queria o que?
– Não sei, eu só acho meio... Precipitado.
– Claro que acha, você está afim dela, os hormônios estão te cegando.
– Eu já disse que não é nada disso.
– Tudo bem, acho melhor você ir agora, a majestade deve estar impaciente.
– Majestade?
– Sim, ela age como se fosse uma rainha, vai me dizer que não percebeu?!
– Rainha é?... – sorriu – Gostei.
– Ok, você está me assustando. – brincou – Vai.
– Boa noite Ruby.
– Boa noite.

Ao chegar do lado de fora do restaurante Regina a esperava com cara de poucos amigos.
– Resolveu repetir a sobremesa?
– Oi?
– Por que demorou tanto?
– Ah, eu... Fui ao banheiro.
– Não, não foi, mas não importa. Vamos?
– Claro.
“O que deu nela?” pensou e a seguiu em direção ao elevador.
Quando finalmente chegaram à porta dos quartos, Emma decidiu quebrar o gelo.
– Se você está aqui seu filho ficou na cidade, certo? – com um aceno positivo ela continuou – Com o pai, seu... Marido?
Bastou terminar a frase para se arrepender imediatamente, pois Regina lançou-lhe um olhar num misto de frieza, irritação e mágoa.
“Parabéns Emma, se existisse um campeonato de quem dá mais bola fora você ganhava em disparada.”
Aquele era um olhar muito parecido com o de quando ela havia mencionado o pai, e ele estava morto, logo isso queria dizer...
– Ele está...
– Morto? Sim, está. – respondeu friamente.
– Ai meu Deus, me desculpa, eu não sabia... Preciso mesmo aprender a ficar de boca fechada.
– Acho que essa é a primeira vez que concordo com você, mas... – limpou a garganta – Está tudo bem.
– Não, não está, você ficou chateada, eu sei.
Num flash a irritação tomou conta de Regina.
– Ah sabe? Como? Há quanto tempo nos conhecemos mesmo? Anos? Meses? Semanas? Não, Srta. Swan, nos conhecemos há três dias! Então não ouse pensar que sabe algo sobre mim.
– Eu...
– E muito menos dizer que poderia saber caso eu permitisse, porque isso não vai acontecer.
– Tudo bem, você está irritada, eu entendo...
– Entende? O que exatamente você entende? Sua vida é uma eterna comédia, vive fazendo piadas, sendo gentil com as pessoas, aposto que na cidade há dezenas de amigos te esperando ansiosamente, e sem contar é claro uma família de braços abertos para a querida Emma.
– Acha mesmo que minha vida é uma comédia? Pois fique sabendo que nem tudo é o que parece, Srta. Mills. Sim, eu tenho vários amigos que gostam de mim, e sim eu sou gentil com os outros porque se tem uma coisa que eu aprendi é que não importa o quão ferrada você esteja por dentro, isso não te dá o direito de descontar em quem não tem nada a ver. Claro que reconhecer isso é difícil, mas eu consigo porque não estou ocupada demais me afogando em soberba¹. E sobre família... Não posso dizer muito já que nunca os conheci, se quiser saber algo depois passo o nome do orfanato em que cresci e você faz sua própria pesquisa.
Dito isso deu meia volta e entrou em seu quarto, deixando Regina estagnada no mesmo lugar, envolvida por uma neblina de pensamentos.
No momento ela não sabia definir ao certo o que sentia, era um misto de raiva, tristeza, cansaço e arrependimento.
Com certeza não estava esperando por aquela “chuva” de verdades, já que afinal estava acostumada com as pessoas se rendendo à sua autoridade sempre, então todo aquele furacão que era Emma Swan a deixava sem saber ao certo o que fazer, o que pensar e até mesmo o que sentir.
“Preciso de um banho e remédio pra dor de cabeça, depois vejo o que fazer... Provavelmente não farei nada, ou melhor, não preciso fazer nada, preciso?”
Sacudiu a cabeça e entrou no quarto.
Às vezes quanto mais cedo a chuva vem, mais cedo o sol aparece.
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