I haven't seen you coming
18 Capítulo 18
Notas iniciais
— Regina, refresque minha memória... Que tipo de bar é esse mesmo? — Tinker perguntou ao descer do carro da amiga em frente ao estabelecimento cujo endereço tinham seguido.
— Emma disse… — teve a fala interrompida pelos gritos de alguns homens que assistiam o jogo na televisão dentro do local, pelo vidro na lateral podiam vê-los – Ela disse que costuma vir aqui às vezes depois do trabalho, é algum tipo de bar policial eu acho.
Olhou para cima e leu o letreiro grande e robusto onde estava escrito o peculiar nome “The Habbit Hole”.
Era uma noite de segunda feira, e depois de acertarem os detalhes cada uma decidiu enfim apresentar suas respectivas amigas.
Emma sugeriu o tal bar por ser bem localizado e seguro, já que oitenta por cento de sua clientela era composta por detetives e policiais.
Regina estaria mentindo se dissesse que aquela situação a deixava completamente confortável, mas optou por ignorar os sinais de alerta e enfrentar um passo de cada vez.
Tinker é claro não precisou ser convidada duas vezes, não fazia a menor questão de esconder seu entusiasmo em conhecer Emma.
— Certo… Bom, vamos fazer isso!
As luzes do lado de dentro eram baixas e uma música suave e ao mesmo tempo dançante embalava o ambiente, no canto direito haviam várias mesas com quase metade ocupadas, mesmo em dia de semana. No outro canto uma pequena pista de dança, uma mesa de bilhar, e no meio do espaço o bar, onde Emma estava sentada.
Seu cabelo loiro comprido descia pelas costas e mexia enquanto ela balançava a cabeça rindo de algo que o bartender, homem alto, de meia idade e barba, falava.
Estava tão distraída que só notou a chegada de Regina quando ela parou ao seu lado e lhe tocou no ombro.
— Hey, você veio! — sorriu ao virar, e olhou para Tinker, ganhando um tom rosado nas bochechas – Desculpa, vocês vieram… — levantou e estendeu a mão para a loirinha que continuava em silêncio – Oi, você deve ser…
Não conseguiu completar ao ser engolida em um abraço apertado e sacudida algumas vezes com alguns pulinhos, tendo que se ajustar a estatura mais baixa de Tinker para se equilibrar.
— Olha só essa pele, esses olhos… — disse ao dar um passo para trás e analisá-la da cabeça aos pés – Aquela foto não fez jus a você.
— Obrigada… Mas, o que? — perguntou confusa.
— Ela só está feliz por te conhecer. — Regina interrompeu antes que Emma descobrisse que Tinker a havia stalkeado – Então, teremos uma mesa?
— Sim, claro! Venham comigo. — Emma as levou até uma mesa perto da parede, um local mais afastado mas que permitia uma visão ampla do lugar – O que vão querer beber?
— Eu aceito uma cerveja! — Tinker respondeu.
— Eu estou dirigindo então ficarei só com uma água com limão.
— Eu também estou dirigindo, você pode tomar uma sem álcool junto comigo… — viu que errou na sugestão ao notar o olhar impassível da morena, como quem diz “eu pareço o tipo de mulher que sequer considera beber cerveja com ou sem álcool?” – Ok, já volto.
E saiu.
— Ela é linda, Regina. — a loirinha comentou enquanto analisava Emma de longe.
— Eu sei. — sorriu involuntariamente.
— Em comparação com as outras com quem você quase… — balançou a sobrancelhas sugestivamente – Eu sou muito mais ela.
— Ora obrigada, o que seria de mim sem a sua aprovação?! — ironizou recebendo uma careta da amiga.
Logo Emma voltou e entregou a água e a cerveja já aberta, e sentou-se ao lado de Regina e de frente para Tinker.
— Será que eu devia ter pedido a sua identidade primeiro? Parece que você mal acabou de entrar na casa dos vinte. — comentou observando melhor a aparência da loirinha.
Ela se vestia e se portava completamente diferente de Regina. O cabelo estava erguido num coque desarrumado e suas expressões exibiam uma jovialidade imensa.
— Não se preocupe, detetive. — disse rindo – Eu já passei dos vinte um faz um bom tempo.
— Ela foi presenteada com bons genes. — Regina disse.
— Não, eu fui presenteada com o dom da serenidade, neurose demais causa rugas, sabia? — rebateu.
— Está sugerindo alguma coisa, querida? — perguntou.
— Ok, eu não quis começar nenhuma guerra. — Emma interrompeu e segurou na mão de Regina por cima da mesa, ganhando sua atenção imediata – E você é deslumbrante.
Regina se perdeu olhando nos olhos esverdeados por alguns segundos, presa pelo elogio e o toque da loira. Porém, antes que pudesse formular uma resposta Tinker interveio.
— Olha eu realmente não quero segurar vela, será que vocês podem pelo menos esperar a sua amiga, Emma? Ela vem, não é?
Regina que havia até esquecido da amiga de Emma, voltou o rosto para ela também aguardando a resposta.
— Vem sim, só me pediu pra avisar que ia se atrasar um pouquinho.
— Ok então, se segurem aí até ela chegar. — Tinker pediu – Assim eu tenho com quem conversar enquanto vocês se afogam uma na outra. — tomou mais um gole de cerveja e teve que controlar o riso para não engasgar ao ver a cara de puro choque de Regina – Se quiser evitar as rugas é melhor não manter essa expressão por muito tempo, Gina.
Aquela foi a cartada final e a morena endireitou a postura na cadeira para falar com mais ênfase, mas foi interrompida antes que pudesse.
— Gina, é? — Emma sorriu e pendeu a cabeça para o lado – Tá aí… Gostei!
— Muito obrigada por isso! — disse para Tinker – Nem pense em começar com esse apelido você também, o lugar dele é enterrado junto com meus anos de colégio.
— Por que? Seu nome ainda é o mesmo. — Emma rebateu e viu com o canto dos olhos o sorriso de satisfação de Tinker.
— Já que estamos no tópico apelidos, por que não comentamos sobre o dela? — apontou para a amiga, mas sem tirar os olhos de Emma – É mais exótico, não acha?
— Claro, eu também quero saber o motivo dela carregar o nome de uma fada, mesmo adulta, sem ofensas… — olhou rapidamente para Tinker, que acenou a mão como quem diz “sem problema” – Mas é que provocar você é bem mais interessante. — sorriu, dissimulada.
— É mesmo, Senhorita Swan? Talvez queira tentar me provocar enquanto eu vou embora… — fez menção de se levantar mas teve o braço segurado.
— Eu estou brincando, relaxa. O que de tão vergonhoso sua amiga poderia me contar?
Ela logo percebeu que não devia ter feito essa pergunta ao ver Tinker ajeitar a postura e se preparar para falar.
— Que tal sobre o fato de que ela mesma apresentou esse apelido e praticamente obrigou todos que falassem com ela a chamá-la assim? — contou rindo – Sim, pode acreditar. Achava tão maravilhoso e agora fica aí renegando o passado.
— O que eu posso dizer? Desculpe por não ter mais a mesma mentalidade dos meus quinze anos? — debochou – Até onde eu sei isso é o esperado.
— Sabe, eu estou com vocês há menos de dez minutos e acho que já consigo listar umas mil e uma diferenças uma da outra… — Emma disse, ganhando a atenção delas – E já admiro seja lá o que foi manteve essa amizade forte.
— Ela não vive sem mim. — Tinker se gabou sorrindo, e ganhou um revirar de olhos de Regina – Certo, Gina?
— Ah por favor… — revirou os olhos – Onde está sua amiga, Emma? Ela pretende chegar ainda essa noite?
— Claro, eu tenho certeza que ela já deve estar aparecendo por aí…
Mary Margaret de fato já havia aparecido, apenas não para elas.
Estava do lado de fora do bar olhando as três mulheres conversando na mesa, sem acreditar que o destino tinha mesmo pregado aquela peça nela.
Havia se atrasado por causa de algumas provas dos alunos que ficaram de recuperação, e quando finalmente conseguiu sair estava animada para conhecer Regina, mas por essa ela não esperava.
Rapidamente pegou o celular e mandou uma mensagem para a amiga.
Emma sorria ouvindo as histórias que Tinker contava apesar das objeções de Regina, até sentir seu celular vibrar.
Mary M.: estou aqui fora, mas não diga nada só venha me encontrar
Mary M.: é urgente!
Estranhou a mensagem, sabia que Mary tinha uma veia forte para o drama, mas havia ficado curiosa e também precisava trazê-la para dentro logo.
— Eu tenho que fazer uma ligação, já volto. — quando chegou na calçada encontrou Mary andando de um lado para o outro, aflita – O que foi que aconteceu? Por que você não entrou ainda?
— Desculpa Emma, eu ia mas… Quando eu vi… — parou e respirou fundo – Lembra daquela mãe que quase me fez ser demitida?
— Sim claro, mas você não podia escolher outra noite pra relembrar o passado?
— Não quando o passado em questão está saindo com a minha melhor amiga.
— O que?
— É ela. — revelou – Regina.
— Espera… Não, não pode ser…
— Acredite, eu jamais vou esquecer aquele rosto. — insistiu – Quando você me disse o nome dela eu nem pensei que pudesse ser a mesma pessoa, afinal sabemos o tamanho dessa cidade… Bem, agora aí está.
— Você está dizendo que a mulher que eu conheci no SPA, e que estou tentando namorar incansavelmente há um mês é a mesma mulher que fez aquela confusão toda porque você… — então se lembrou de um detalhe – Meu Deus, isso quer dizer que foi pro Henry que você passou… — e começou a rir.
— Emma, para! Isso é sério. Eu não posso entrar lá.
— Ah, mas não só pode como vai, isso foi há três anos. Passou da hora de superar, vamos… — pegou Mary pelo braço que no começo relutou mas parou ao notar que estava chamando atenção.
Foi fácil perceber que Regina também não tinha esquecido o passado ao ver a expressão dela quando reconheceu a professora.
— Me diga que isso é algum tipo de brincadeira.
— Eu gostaria. — Mary murmurou, evitando olhá-la nos olhos.
— Não me dirigi a você. — rebateu.
— Ok, que capítulo eu perdi? — perguntou Tinker, confusa.
— Querida, você se lembra da professora depravada que quase destruiu a inocência do meu filho? — disse Regina ainda queimando a outra com seu olhar.
— Por favor, não diga isso! Foi um acidente, eu estava… Eu… — olhou para a amiga em busca de ajuda – Emma, me traz um copo d’água, estou ficando tonta.
— Ah vamos, não exagera. Senta aqui. — puxou a cadeira da ponta da mesa, o mais longe possível de Regina – Antes de mais nada eu quero esclarecer que eu não fazia ideia, nunca imaginei que se tratasse da mesma pessoa. Mas sinceramente não vejo nada de demais.
— Nem eu. — Tinker concordou, e recebeu um olhar fuzilante da morena – O que? É verdade. Já faz um bom tempo, eu pensei que você tivesse superado essa história.
— Bem, me desculpe por não esquecer facilmente a irresponsável que como lição de casa mandou meu filho assistir um filme pornô!
— Foi um acidente! Quantas vezes eu vou ter que repetir? Eu estava… — olhou para Emma – Você pode explicar por mim, por favor?
— O que? Não, nem pensar. Nessa situação quanto menos eu me meter, melhor.
Tinker riu discretamente e assentiu, estava gostando do jeito da outra loira.
Mary Margaret suspirou derrotada, reunindo coragem para prosseguir diante do olhar intimidador de Regina.
— Eu estava no começo do meu atual relacionamento… Descobri esse filme que aliás nunca chegou a ser classificado como… Pornô. -sussurrou olhando em volta para conferir que ninguém tinha ouvido – E anotei o nome para não esquecer. Mas na hora de distribuir as tarefas e os respectivos filmes que os alunos deviam assistir eu acabei trocando os papéis. — explicou – Foi isso, um infeliz e terrível acidente, que eu só não expliquei melhor na época porque não achei apropriado.
— Mas foi completamente apropriado carregar aquele papel consigo durante seu expediente como professora da quarta série, não é? — rebateu, ainda zangada – Tenho certeza que acompanhou o lado dela da história senhorita Swan, mas permita-me dizer o meu… — Emma assentiu e se ajeitou melhor na cadeira pra escutar, na verdade ela só queria que as duas se entendessem de uma vez, mas isso não seria fácil de alcançar – Henry pediu minha ajuda para traduzir o título do filme, que era em francês. Agora imagine o meu choque quando me deparei com um clássico erótico e de puro mau gosto bem diante dos meus olhos, e por pouco diante dos olhos do meu filho, de apenas dez anos?
— Bom, com certeza não foi nada agradável…
— Isso é um eufemismo! — interrompeu – A sua sorte foi Henry ter me implorado para não insistir mais pela sua demissão! — esbravejou voltando seu olhar para Mary Margaret – Onde fica o banheiro nesse lugar?
— Naquele corredor, segunda porta à esquerda. — Emma orientou e viu a morena se afastar à passos largos.
Tinker nem se ofereceu para ir junto ou tentou segui-la, sabia que naquele humor Regina era imprevisível, e não queria perder o desenrolar da história ali.
Mary Margaret parecia estar apavorada.
— Viu só, Emma? Eu não posso ficar aqui. — arrastou a cadeira para se levantar mas logo sentiu a mão da loira em seu ombro, segurando-a no lugar.
— Nem pense nisso, vocês estão aqui pra se conhecer, e é isso que vão fazer!
— Mas nós já nos conhecemos, e foi um desastre!
— Não, vocês conhecem a parte errada uma da outra. Vamos mudar isso hoje.
— Você é das minhas, não perde o foco mesmo. — Tinker interveio – Mas nesse caso devo avisar que ela conheceu a parte certa da Regina. Bom, se tratando do filho pelo menos… Ela vira uma verdadeira mamãe urso.
— É claro, eu entendo… Nós entendemos. — gesticulou para a amiga também – Mas eu não quero que as coisas continuem assim, até porque isso tudo aconteceu há três anos.
— Eu sei, também não entendo esse estoque infinito que ela tem pra guardar raiva.
Logo em seguida Regina voltou, ainda com o semblante fechado e a postura rígida, e nem sequer sentou de volta na cadeira para falar.
— Eu vou embora, acredito que já vi e ouvi o suficiente por essa noite.
— Não! Espera! — Mary praticamente gritou, surpreendendo as três já que há dois segundos ela estava completamente calada e pensativa – Você não precisa gostar de mim, está bem? Ninguém está te pedindo isso. Apenas fique mais um pouco. Eu ainda não sou mãe mas consigo entender sua indignação com o que aconteceu, ou quase aconteceu… Enfim, eu fui distraída e irresponsável, e lamento muito. — segundos se passaram onde elas apenas se encaravam sem piscar, enquanto Emma e Tinker revezam sua atenção de uma para a outra, esperando qualquer palavra em sinal de trégua – Eu não quero estragar essa noite para Emma por minha causa. Não é justo, por favor. — completou e gesticulou para que a morena voltasse a sentar.
Com um suspiro pesado a advogada finalmente retomou seu lugar à mesa, mas manteve a postura superior.
— Está bem, mas não farei nenhuma promessa.
— Ninguém está esperando uma. Emma sorriu – Então, Mary você me conhece como ninguém e Tinker… Acho que posso dizer o mesmo sobre você e a Regina, então por que vocês duas não conversam um pouco? Obrigada. — dito isso ela virou a cadeira de um jeito nada discreto para focar somente na morena.
— Ok nós fomos oficialmente dispensadas. — Tinker disse, sorrindo – Mas me conta, você tem algum outro filme picante pra recomendar?
Mary Margaret perdeu a fala por alguns instantes, mas logo riu e engrenou na conversa.
Enquanto isso Emma reduziu o tom de voz com Regina e perguntou – Você está bem?
— Dentro do possível, sim. — respondeu com a atenção ainda um pouco capturada pela interação entre sua melhor amiga e a melhor amiga de Emma.
Voltou a si quando sentiu sua mão ser coberta pela da outra.
— Ei… Eu realmente não sabia de nada. — repetiu.
— E eu acredito em você, só… Não esperava por isso.
— Estamos no mesmo clube. — sorriu – Pelo menos eu posso dizer que gostei da sua amiga, então cinquenta por cento da nossa intenção deu certo.
Regina sorriu levemente com a tentativa da loira de aliviar o clima. Precisava sim colocar seus pensamentos em ordem, coisa que logo descobriu impossível de fazer no banheiro de um lugar ainda desconhecido, e como escolheu por ceder e ficar, teria que guardar sua auto-análise para mais tarde.
— Bem, a noite ainda não acabou.
— Não mesmo, aliás… — apontou o dedo no ar quando uma música começou a tocar nos alto falantes – Conhece essa? — Regina negou com a cabeça, vendo o sorriso da loira aumentar – Agora vai conhecer, vem… — estendeu a mão ao levantar.
— Onde?
— Dançar.
— Mas ninguém está dançando.
— E daí? Vamos dar o exemplo. Vem! — pediu de novo e Regina aceitou segurando-a pela mão.
— Você tem o gosto musical de uma adolescente.
— Eu prefiro dizer que sou eclética, mas tudo bem…
Chegaram no meio da pequena pista de dança ao lado do balcão e de frente para a janela. Emma circulou a cintura de Regina com os braços e a morena instintivamente passou os braços pelo pescoço da loira. Seus corpos se unindo imediatamente, movendo-se juntos no ritmo da música.
— Como foi seu dia? — Emma perguntou, com o rosto colado no de Regina.
— Ocupado. Mas isso não é novidade. Estou atualmente focando em apenas um caso, então… E o seu?
— Ah, o de sempre… Tive que desviar de alguns socos.
— O que? — alarmou-se e tentou se afastar para olhá-la nos olhos, mas Emma impediu.
— Eu estou bem, não se preocupe… É o de sempre.
— Desviar de socos? — repetiu ainda incomodada.
— Sim, às vezes revidar também. Entre outras coisas um pouco piores. — disse pensando nas situações que enfrentava em seu trabalho, se fosse levar tudo a sério já estaria louca – Mas não vamos falar disso agora. — rodopiou num passo quando a música chegou no refrão com a batida mais animada, e trouxe Regina junto consigo até pararem na mesma posição de antes, mas de costas para a janela – Seu filho ficou sozinho?
— Sim, atualmente ele está numa missão de me convencer que já pode se cuidar sozinho.
— É, nessa idade é assim. Eu lembro dos meus treze anos… — riu – Dava um baile em quem quer que estivesse responsável por mim.
— Você esteve em muitos lares adotivos? — perguntou levada pela curiosidade, mas pronta caso Emma não quisesse falar sobre o assunto.
— Depende do que você considera muitos, mas digamos que eu nunca fiquei mais de dois anos em um.
— Bem, isso é… Desculpe, não precisamos falar sobre isso.
— Não, tudo bem. — sorriu – É bom ver que você quer saber algo sobre mim.
— Mas é claro, não sou nenhuma narcisista. — sorriu.
— Jamais pensei o contrário, madame.
Sorriram uma para a outra e Regina revirou os olhos para o apelido.
— Parece que nossas amigas estão se dando bem. — disse Emma olhando Tinker e Mary Margaret rindo e conversando.
— Aquilo é uma mesa de sinuca? Meu Deus, eu não jogo desde a faculdade! — disse Tinker animada e levantando da mesa e puxando Mary pelo braço – Regina! — chamou – Eu vou jogar sinuca!
— Sim, eu estou vendo. — riu.
— Nossa, ela é tão bem humorada. Como vocês se tornaram amigas mesmo? — riu – Ai! — reclamou ao receber um tapa no braço.
— Nossos pais sempre foram amigos e depois sócios, temos quase a mesma idade e uma coisa levou à outra. — explicou.
— Ela é mais nova então?
— Sim, dois anos.
De repente a música parou e deu lugar a um chiado chato.
— Droga, tropecei no fio outra vez! — reclamou o homem atrás do balcão – Swan! Venha fazer sua mágica. — chamou.
— Só um minutinho, já volto… — pediu e foi em direção ao problema – Não é nenhuma mágica, Louis. E não tem fio nenhum também, lembra que eu te expliquei que era tudo wireless? Você deve ter esbarrado em algum botão enquanto se mexia… — mexeu nas configurações do sistema de som e em poucos segundos a música voltou a tocar – Pronto.
— Continua sendo mágica pra mim. — disse rindo.
— Ano passado eu juntei um pessoal e a gente fez uma vaquinha pra comprar esse som… — disse ao voltar para perto da morena – Se dependesse do Louis ele ainda estaria brigando com um rádio velho que tinha aqui.
— Ele não parece se entender muito bem com esse também. — Regina comentou observando o homem tentar não encostar no som acidentalmente outra vez.
— Pois é, né! — riu – E olha que eu vivo explicando, mas fazer o que… — então uma música lenta começou a tocar e Emma aproveitou a oportunidade para trazer Regina junto de si novamente.
A advogada se permitiu levar por alguns segundos, inebriada pelo momento, o toque da loira e a música, até se lembrar de onde estava.
— As pessoas estão…
— Deixa que olhem. — interrompeu – Você não deve satisfação pra nenhum deles. E nem eu.
— Eu sei, mas… Eles sabem que você…
— Eu não escondo minha sexualidade, Regina. — respondeu – Claro que não saio por aí gritando aos quatro ventos pra todo mundo ouvir. Mas quem é importante para mim sabe, o resto descobriu sozinho ou através de alguma fofoca. Seja como for, não me importa. Desde que não venham me falar besteira.
— Isso já aconteceu? Aqui, eu quero dizer. — perguntou.
— Uma vez sim. Mas faz tempo e o idiota estava em minoria e nunca mais apareceu por aqui. O resto do pessoal já me conhece há anos e sabendo ou não sabendo, me respeitam. Mas não vamos mais falar sobre isso, essa música é bonita demais.
E realmente era, mas ainda mais bonita era a cena das duas dançando e trocando olhares, sozinhas na pequena pista de dança improvisada, sem perceberem que eram observadas por suas respectivas amigas. Ambas com sorrisos nos lábios diante da premissa daquela história.
Os minutos passaram e depois de mais duas músicas elas voltaram para a mesa, Tinker pediu mais bebida e lá se foi mais meia hora adentro.
O celular de Regina apitou avisando o horário, como ela havia programado para fazer.
— Eu tenho que ir. — disse.
Emma quis pedir para que ela ficasse um pouco mais, mas preferiu deixar encerrar a noite naquele clima bom em que estavam.
Regina foi pegar o carro para deixá-lo mais perto do bar, já que Tinker estava meio alegre pela bebida.
Emma estava quase saindo também para ajudar Mary que tinha ficado de companhia para a loirinha na calçada, mas lembrou que precisava acertar sua conta com Louis antes que esquecesse de novo e ela crescesse demais. Teve que persegui-lo na cozinha e depois esperar enquanto ele remexia no caixa em busca do troco, e quando finalmente pisou na rua seus ouvidos imediatamente capturaram a conversa de Regina com Tinker.
— Mas por que não?! — perguntou a loirinha já sentada no banco do carona, mas com a porta ainda aberta – Ela é linda, engraçada e o jeito que você estavam dançando foi tão…
— Chega desse assunto, não vou considerar a opinião de alguém que se embriaga com duas garrafas de cerveja. Agora coloque o cinto e fique quieta. — mandou.
Emma teve que segurar a risada para não denunciar sua presença, olhou para o lado e viu Mary encostada na parede também se divertindo com a cena.
— Estraga prazeres… — Tinker resmungou – E eu não estou embriagada, ok? E não tenho culpa se enxergo melhor que você.
— Você enxerga além da realidade, isso sim. Foi uma noite agradável, mas é algo passageiro, então pare.
Emma sentiu o peso daquela frase e deu alguns passos para trás, voltando para dentro do bar, onde esperou vários segundos antes de sair novamente.
Dessa vez Regina já tinha fechado a porta do carro e estava olhando algo no celular quando virou e deu de cara com a loira.
— Há quanto tempo está aí? — perguntou.
— Acabei de chegar. — mentiu – Vejo que conseguiu fazer ela se acalmar.
— Sim, já adquiri uma certa prática. Acredite, ela não é muito diferente quando está sóbria.
Regina sentia que havia algo pairando no ar, mas não conseguia dizer o que era. Reparou que Mary Margaret parecia nervosa e não a olhava nos olhos, mas pensando ser por toda a confusão que tiveram no passado, resolveu desconsiderar.
Emma no entanto, não tinha nenhum motivo para ficar estranha. Era o que ela acreditava.
— Então… Sobrevivemos a essa noite. — Emma disse – Quero dizer… Foi ótimo estar com você, Regina.
— Digo o mesmo. — sorriu.
Num impulso a loira se lançou sobre ela e lhe roubou um selinho de despedida.
— Diriga com cuidado.
— Você também… — respondeu e se afastou para contornar o carro, abriu a porta e antes de entrar perguntou – Nos falamos essa semana?
— Sim, claro.
E enquanto via a Mercedes se afastar Emma sentiu Mary parar ao seu lado.
— Você não vai contar pra ela o que ouviu?
— Não.
— Emma, eu tenho certeza que ela não quis…
— Não importa. — interrompeu – Talvez ela esteja certa. — disse num tom resignado, porém triste – Vamos, eu te dou carona.
E com isso as duas caminharam em silêncio até o carro mais adiante na rua. Até mesmo Mary Margaret que era conhecida por ser um tanto quanto tagarela, sabia reconhecer quando sua amiga precisava de silêncio para pensar.
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Então nos próximos dias, ao contrário do que havia sido dito, elas não se falaram. Não como antes pelo menos.
Emma inventou um caso importante no trabalho que estava tomando quase todo seu tempo e deixando-a exausta nas horas que sobravam.
E Regina acreditou, até por falta de experiência com situações como aquela. Em anos não havia se importado com alguém o suficiente para notar quando algo estivesse mudado.
E a seu ver o trabalho de Emma poderia sim ocupá-la daquela forma, o que ela ainda não sabia é que mesmo se fosse isso a loira não deixaria de tentar encontrar um jeito para que elas mantivessem contato.
Assim a semana passou, e na sexta feira durante a hora do almoço Regina estava na porta de um restaurante andando de um lado para o outro enquanto falava no celular.
— Quem esse homem pensa que é? — perguntou indignada – Eu desmarquei outros compromissos para abrir esse espaço e ele decide não aparecer?!
— Sim, por mais revoltante que seja Sra. Mills, eu…— disse Jasmine, ansiosa com o nervosismo da chefe.
— Você ligou para a irmã dele? — interrompeu.
— Não… Eu deveria?
— Imediatamente! Pergunte se ela gostaria que eu a represente.
— Mas e quanto ao Sr. Smith?
— Não sei e não me importa. Não tenho paciência com quem me faz perder tempo. Ligue e se ela disser sim marque uma reunião.
— Sim senhora. E… Já que seu almoço foi cancelado, eu devo já pedir o de sempre daquele delivery?
Regina estava pronta para confirmar quando olhou para cima e leu a placa da rua, percebendo que estava apenas a duas quadras de distância da lanchonete na qual Emma almoçava.
— Não, eu mesma resolvo. — e desligou.
Pensou rapidamente se andava ou dirigia até lá, mas já que seus saltos não eram exatamente apropriados para caminhar, optou pelo carro.
Por sorte achou uma vaga do outro lado da rua, e assim que saiu viu Emma pela vidraça da lanchonete. Folheando uma revista distraidamente.
Regina então pegou o celular e ligou para ela, planejava sugerir que se encontrassem ali e aparecer de surpresa em seguida.
Não tinha como dar errado, certo?!
Ela observou como Emma hesitou por um segundo antes de atender, mas não teve tempo para tentar analisar aquilo.
— Alô.
— Como vai, detetive?
— Vou bem, não no estilo Sherlock Holmes bem, mas eu sei me virar. — sorriu se recostando na cadeira – E a senhora advogada?
— Não faço ideia, não há nenhuma senhora aqui.
— Certo, desculpe. A madame advogada.
— Emma… — alertou.
— Regina… — imitou.
— Pois bem, não foi para isso que eu liguei. Na verdade… Gostaria de saber se você me faria companhia no almoço. Estou perto daquele lugar em que costuma comer, podemos nos encontrar lá.
— Bom, é que eu… — não terminou.
— O que? — perguntou, estranhando a mudança no tom e na postura da loira, que parecia tensa.
— Eu não posso sair, estou cheia de coisas pra fazer e o pessoal decidiu pedir comida. Vou ficar por aqui, mas…
— Então… — interrompeu – Está dizendo que não vai comer fora?
— Isso, não. Estou na minha mesa encarando o computador.
Regina perdeu a fala por alguns segundos, sem saber como prosseguir diante daquilo.
Emma estava ali, do outro lado da rua. Não havia nenhuma dúvida, era ela.
Então por que estava mentindo?
Ela não entendia e não entender as coisas a deixava frustrada e na defensiva.
Sem contar na pontada estranha que sentiu no coração.
— Entendo… — mentiu – Está bem. Então eu vou seguir meu caminho de sempre. Sem… Desvios.
— Regina…
— Sim? — respondeu na esperança de que ela fosse explicar o porquê de estar fazendo aquilo.
— Tenha um bom dia.
— Igualmente… — respondeu após alguns segundos e desligou.
Como que automaticamente seu apetite desapareceu, ela então entrou no carro e foi embora. Sem ver a expressão angustiada que Emma tinha no rosto.
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No fim daquele dia...
— Swan! Chega por hoje, vamos embora. — chamou David ao encontrá-la na sala de descanso lendo arquivos do caso em que estavam trabalhando.
— Eu vou ficar mais um pouco. — disse sem erguer os olhos.
— Mary quer falar com você, ela está lá em baixo.
Emma suspirou, já tinha uma boa ideia de qual seria o assunto.
Mary Margaret assim como Emma havia ouvido o que Regina disse para Tinker, e acompanhou de perto a recusa da amiga em lidar com a situação. E não concordava nem um pouco.
Mas antes que ela pudesse dizer alguma coisa, Graham apareceu na porta.
— E então, Emma? Por que ainda está aqui? Nós temos que estar lá às oito e meia. Você pode conversar o que tiver que conversar com a Mary depois, mas me deve isso!
Ela revirou os olhos, e começou a recolher os arquivos de cima da mesa. Detestava ser cobrada assim, mas sabia que ele estava certo.
— Vai mesmo fazer isso? — perguntou David – Foi uma aposta idiota, não precisa levar adiante.
— Ei, claro que ela precisa! — rebateu Graham – Eu ganhei honestamente e ela prometeu me ajudar.
— Ele está certo, além do mais é só por uma noite. — disse Emma, passando por entre os dois.
Cerca de duas semanas antes, ela e Graham haviam apostado num jogo bobo de bilhar, era sábado, ambos estavam levemente embriagados, e Emma convencida de que iria ganhar. Graham então apostou que se ela perdesse, teria que fingir ser sua namorada na frente da ex dele, que faria a despedida de solteiro numa boate da cidade, segundo “fontes” haviam informado. Normalmente ele não mentiria de tal forma, pois sempre foi muito correto em tudo na vida, mas aquela mulher em questão tinha namorado com ele por mais de dois anos e quando ele a pediu em casamento ela simplesmente fugiu e terminou o relacionamento no dia seguinte, por mensagem. E então nos mês anterior ele descobriu que ela estava noiva de outro homem, depois de apenas seis meses de namoro.
— Você vai passar em casa antes, não é? — perguntou para Emma enquanto a via guardar as pastas na gaveta de sua mesa e trancá-la.
— Vou, por que?
— Bom, é que se você vai ser minha namorada por uma noite seria bom se não estivesse usando suas roupas do dia a dia. Afinal…
— Afinal o que? — interrompeu – Algum problema com as minhas roupas?
— Não! Só que… Bom, eu já te vejo nelas todos os dias, prefiro que não seja assim hoje. Sabe… Pra diferenciar as coisas.
Emma continuou encarando-o como se o desafiasse a dizer mais alguma coisa, mas ele apenas engoliu em seco e permaneceu em silêncio.
David sorria diante da cena.
— Se esse é seu medo, não se preocupe. Eu vou pra casa me trocar.
— Ok, ótimo. — riu – Eu vou indo na frente, ainda preciso descobrir direito onde ela vai estar naquela boate enorme.
E com isso ele saiu.
Poucos minutos depois Emma desceu com David, encontrando de fato Mary Margaret esperando por eles.
— Vocês demoraram. — disse ela – Graham passou por mim como um foguete, nem sequer me ouviu chamá-lo.
— Ele está ansioso com esse teatrinho que vai fazer pra ex. — respondeu David, e depois a abraçou dando-lhe um beijo que teria se intensificado se não fosse por Emma limpando a garganta.
— Então é isso que você vai fazer hoje, Emma? — Mary perguntou depois de se recompor – Ao invés de procurar Regina, vai fingir ser namorada do seu amigo? Mesmo?!
— Mary…
— Você sabe qual é minha opinião.
— Sim, eu sei. Você faz questão de deixar claro, o tempo todo… Mas eu não vou procurar ela. Mesmo essa presepada com o Graham não sendo o melhor jeito de passar minha sexta feira à noite, é o que eu vou fazer.
— Emma, vamos… Você precisa esclarecer isso. Eu sinto que ela não quis dizer aquilo, não de verdade pe...
— Não importa. — interrompeu – Eu não estou com cabeça pra lidar com isso agora. Vou pra casa, ainda tenho que me preparar pra interpretar a hétero. Tchau.
E saiu sem dar tempo para que Mary insistisse mais no assunto.
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Enquanto isso, no centro, Tinker acabava de chegar ao escritório de advocacia, ia pegar uma carona com Regina para casa. Mas quando parou na frente da secretária dela, soube que algo estava errado.
Escutou a porta da sala de Regina bater com força, e Jasmine estremecer.
— Dia ruim? — perguntou para ela.
— Um dos piores! — respondeu num tom que parecia pedir por socorro – Eu não sei o que aconteceu, ela tinha um almoço marcado com um possível cliente mas mesmo quando ele cancelou ela não me pareceu tão irritada assim. Disse que iria almoçar fora, mas voltou rápido, dizendo que tinha perdido o apetite e está assim desde então.
— Ok, respira Jasmine. Vai tomar uma água, eu vou lá falar com ela.
— Mas…
— Relaxa, eu não tenho medo da fera. — sorriu e foi em direção à sala de Regina, nem sequer se preocupou em bater na porta e já foi entrando – Fiquei sabendo que você está soltando fogo pelas ventas.
— Agora não, Tinker.
— Bom, você me prometeu carona hoje. Então agora sim. — rebateu entrando e fechando a porta – O que aconteceu?
— Não quero falar sobre isso.
— Tudo bem, vou ficar só olhando pra sua cara então. — puxou a cadeira de frente para a amiga e sentou.
Dado alguns segundos de silêncio e sentindo os olhos de Tinker queimando em cima de si, ela enfim parou de fingir que estava concentrada no computador.
— Aquela… — suspirou – Emma.
— Ok, elabora… O que tem ela?
Então Regina contou o que havia acontecido mais cedo.
— Ela mentiu pra você?
— Sim! Quem ela pensa que é? — levantou – Que audácia! Aquela…
— Você está magoada. — concluiu.
— O que? Não! — indignou-se.
— Regina, para. Pode até estar revoltada, mas eu sei que também tem mágoa aí dentro. — apontou para o coração dela – E tudo bem.
— Só se for para você… — andou até o sofá e sentou nele, o que só a fez pensar ainda mais em Emma – Eu não… Eu não entendo. — admitiu em voz baixa.
— O que?
— O porquê disso. Começo a pensar que os desencontros que tivemos essa semana foram todos inventados também. Que provavelmente nem o tal caso complicado realmente existiu.
— É, pode ser que…
— Você não está ajudando.
— Se você me deixar falar talvez eu consiga. Eu ia dizer que pode ser sim que ela tenha criado esses empecilhos, mas que se for o caso, você precisa tentar descobrir o motivo.
“Acho que o motivo é simples, ela não quer mais se envolver comigo.” pensou, mas não disse.
— Não, eu não vou tentar coisa alguma. Não fiz nada que justifique esse comportamento! Estava tudo bem até… — parou, parecendo se lembrar de alguma coisa.
— Até o que?
— Não, não pode ser…
— O que não pode ser? — sem resposta – Regina!
— Você não deve se lembrar já que estava um tanto quanto alterada, mas…
— Você fala como se eu tivesse tomado todas, foram só algumas cervejas. Eu não estava sóbria, mas me lembro de tudo sim. Então não exagera. — disse – Agora continua.
— E se lembra da última coisa que eu disse depois de te colocar no carro?
Tinker arregalou os olhos e foi sentar do lado de Regina.
— Você acha que ela ouviu?
— Eu não sei, talvez… Quando eu me virei ela apareceu e estava… Diferente.
— É nisso que dá ficar dificultando as coisas, agora isso. Se ela ouviu mesmo deve ter decidido facilitar pra você e se afastar.
— Mas… Não era isso o que eu queria.
— Eu sei. Mas ela não sabe. Então acho que vocês precisam conversar.
— Eu vou pensar no que fazer.
— Ótimo! — comemorou e levantou – Mas e a minha carona? Vai demorar muito? Eu tenho umas coisas pra fazer em casa e você precisa falar logo com a sua policial, então se puder dar uma acelerada estaria ajudando nós duas.
— Sabe… — Regina começou, se levantando também – Está mais do que na hora de você comprar um carro. Ou uma bicicleta, até mesmo um par de patins. Qualquer coisa que funcione como meio de transporte e te impeça de ficar me perturbando.
— Até parece que você não adora esses nossos momentos! — brincou.
— Para sua sorte eu já estava terminando tudo por aqui, só faltava…
— Se certificar de matar sua secretária de nervoso antes de sair? — completou.
— Não… — pegou a bolsa e a pendurou no ombro, indo ao encontro de Tinker na porta – Uma simples queda de pressão bastaria, o plano de saúde que nós oferecemos cuidaria bem dela.
Tinker riu e as duas saíram lado a lado, ao passarem na mesa de Jasmine, Regina não disse nada, mas a loirinha fez um sinal de jóia e deu uma piscada, como se dissesse “crise resolvida!”.
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— E aí? Feliz? — Emma perguntou para Graham quando os dois chegaram a uma parte mais afastada da boate, longe de onde estava a ex dele – Ela olhou pra mim como se eu fosse um inseto que precisava ser esmagado.
— Também não era pra menos… Você foi sensacional, merecia um Oscar de melhor atriz! — elogiou animado.
— Eu dei o melhor de mim… — sorriu – Mas me fala, vocês dois… Não tem mais volta mesmo? Porque o jeito que ela ficou quando você me apresentou foi meio suspeito, e pra você querer montar essa mentira toda só pra atormentar ela, é porque ainda tem alguma faísca.
— Só se for faísca de raiva… Eu não gosto de repetir os meus erros, e ela foi um.
— Entendi. — disse – Bom, minha parte aqui já foi feita. Agora eu vou pra ca…
— Nem pensar! — interrompeu – Você vai ficar e se divertir, vou pegar algo pra você beber e…
— Não, Graham. Vai que a fulana lá vê a gente de longe e desconfia de alguma coisa. Melhor eu ir e…
— Muito pelo contrário, se você for e eu não é que vai ser estranho. E eu não quero ir, não por enquanto pelo menos.
— Mas eu… — parou ao ver a ruiva, ex dele, saindo da mesa em que estava com as amigas e indo para a saída – Olha lá, ela está indo embora.
— E o que tem isso? Eu vou ficar e quem sabe encontrar uma namorada de verdade. Como você disse, sua parte foi feita. A aposta está paga. Mas o bar fica logo ali, toma… — pegou uma nota de vinte da carteira e enfiou no bolso da jaqueta de couro preta que ela usava – Você merece! — e saiu, pra em seguida se misturar no meio das pessoas que dançavam.
Emma esperou ele se afastar e decidiu comprar um drink qualquer e ir embora. Mas de repente sentiu o celular vibrar no bolso da jaqueta, e ao pegá-lo viu que era Regina.
Pensou por alguns segundos se atendia ou não, até que num ímpeto foi para o corredor que dava acesso aos banheiros, onde a música chegava mais baixa, e aceitou a chamada.
— Oi.
— Emma? Está me ouvindo? — perguntou elevando o tom.
— Estou. Aconteceu alguma coisa?
— Não, mas… Que barulho é esse? Onde você está?
— Numa boate. Pagando uma aposta que eu perdi pra um amigo. Tive que bancar a namorada dele. — explicou.
— Namorada? Como assim?— perguntou nervosa.
— Coisa boba, ele queria se vingar de uma ex ou algo assim… Foi até engraçado, pra ser sincera. — encostou na parede.
— Imagino…— silêncio, ela adoraria estar num lugar mais calmo para poder analisar melhor a voz de Regina — E vai ficar aí até quando?
— Eu estava pra ir embora quando você ligou. Não é como se eu tivesse nada melhor pra fazer também…
— Na verdade eu liguei exatamente para isso, pensei se você poderia vir…
Nesse momento uma mulher que saiu do banheiro feminino e estava visivelmente bêbada esbarrou em Emma e quase a fez derrubar o celular.
— Opa, cuidado. — disse segurando-a pelo braço.
— É, eu devia mesmo ter parado na terceira dose… — tinha a fala arrastada e mole – Ok, está melhorando… Obrigada loira linda.
Emma acenou rapidamente e colocou o celular de volta na orelha.
— Desculpa por isso. — pediu – Uma mulher trombou em mim aqui.
— Eu imaginei… Era ela falando? — mesmo com a música ela conseguiu detectar um Q de ciúmes.
— Era. Mas o que você estava dizendo antes? Eu não consegui escutar.
— Não importa, eu… Eu acho que você deve ir embora daí.
— Oi? — perguntou confusa.
— Você precisa sair desse lugar.— repetiu.
— E por que exatamente? — não obteve resposta e por um milagre o DJ deu uma pausa e ela pôde ouvir o som de passos do outro lado da linha, que indicavam que Regina provavelmente estava andando pelo piso de madeira do apartamento – Regina?
— Porque eu estou pedindo.— veio a resposta — Sabe-se lá quantas outras mulheres vão esbarrar em você.
— O que isso… Ah! — exclamou finalmente entendendo – Não é uma boate lgbt, Regina. Então…
— Então nada.— cortou — Muitas mulheres tem curiosidade, e outras que não são heterossexuais frequentam essas boates com amigos que são. As possibilidades são infinitas.
O DJ voltou com a música mas algo em Emma dizia que Regina continuava andando enquanto elas conversavam.
— Eu acho a palavra “infinitas” meio exagerada nesse caso, mas ok… Mesmo assim se alguém tentar alguma coisa eu dou meu jeito de desviar. Imagina se for homem? Vou usar algo do tipo “olha é até bom saber que alguém me quer, mas essa realmente não é a minha praia”. — riu do próprio exemplo idiota.
— Você tem alguém assim.— aquilo a pegou totalmente de surpresa e cortou sua risada — Que te quer. — completou.
— Eu… Eu tenho?
— Sim. E talvez você possa confirmar isso vindo até minha casa.— disse.
— Ah… — Emma não sabia o que dizer, seu cérebro parecia ter virado mingau – Bom… Hoje?
— Sim, hoje. Presumindo que já tenha terminado de cumprir a tal aposta…
— Terminei. — afirmou.
— Então venha. Estarei esperando.
E com isso Regina desligou.
Apesar de ter decidido se afastar, Emma não se manteve forte por muito mais tempo. Tanto que saiu praticamente correndo e parou apenas para acenar se despedindo de Graham.
Seu carro estava estacionado na rua de trás e chegar nele foi rápido, mas infelizmente não teve sorte no trânsito, que a segurou por mais de meia hora até chegar na rua do prédio de Regina.
O porteiro da vez era outro e aparentemente também já estava avisado e a deixou subir sem precisar se identificar.
Mas bater na porta do apartamento seria sempre um momento de nervosismo para ela.
Regina abriu a porta, se apresentando em um hobby de seda vinho, um tanto quanto transparente, que dava visão à camisola da mesma cor por baixo dele.
— Já era tempo… Essa tal boate fica do outro lado da cidade?
— Não, mas é noite de sexta então… Trânsito. — engoliu em seco, sentindo seu corpo esquentar – Você sempre recebe as pessoas vestida assim?
— Somente aquelas que tentam se esquivar de mim durante dias, pensando que eu não vou notar.
— Eu não esta…
— Suas explicações podem esperar. Entre. — passou para o lado.
Dizer que Emma estava aflita seria um eufemismo. Enquanto dava aqueles passos para dentro sentia que estava caminhando em direção à uma armadilha. Só não sabia se seria do tipo bom ou ruim.
— E seu filho? — perguntou de repente se lembrando do menino.
— No quarto, provavelmente jogando algum jogo ao invés de dormir.
— É sexta, não tem escola amanhã.
— Não sabia que havia se tornado advogada do meu filho, senhorita Swan.
— O que eu posso dizer? A mãe não pode representar ele, seria conflito de interesses.
Regina sorriu com a piada boba, não admitiria em voz alta, mas sentiu falta do humor da loira marcando presença em seus dias.
— Me acompanhe. — liderou o caminho até seu quarto.
Emma não prestou muita atenção nas coisas do escritório ao passar por ele, afinal já havia estado lá. Mas todo seu foco se concentrou no quarto de Regina, com uma cama de casal enorme no meio e móveis em tons de madeira escuros e detalhes em tons de vinho e cinza escuro.
— Quarto bonito, gostei do… — parou ao se deparar com Regina encarando-a de braços cruzados, e sentiu no olhar dela que aquele não era o momento para elogiar a decoração, então reuniu forças para tocar no assunto e não se deixar desconcentrar pelo decote do hobby e em como a pose de Regina evidenciava o volume dos seios, ela voltou a falar – Eu não estava me esquivando, como eu disse, minha semana foi uma correria e eu não…
— Eu estava do outro lado da rua, Emma. — confessou, interrompendo – Hoje, na hora do almoço, eu estava lá ouvindo e vendo você mentir para mim.
— O que? Por que? — perguntou, surpresa.
— Embora esse não seja o assunto principal aqui, eu havia acabado de ter meu almoço com um cliente cancelado, e quando notei estar perto do lugar em que você costuma comer, resolvi arriscar.
— Mas… Você me ligou. — disse, ainda confusa – Eu não entendo, se você me viu e estava logo do outro lado da rua, por que não apareceu?
— Porque eu planejava te surpreender! Mas no final a surpresa foi minha, não é mesmo?!
— Regina…
— Não. Eu quero entender o que foi aquilo, e porque aconteceu.
— Eu só estou tentando facilitar tudo, ok?! — extravasou – Aquilo que você disse pra sua amiga na segunda, sobre como nós duas somos algo passageiro… Você é sempre tão segura quando diz as coisas, e eu entendi que não tinha como você ter dito aquilo sem querer. Então decidi dar o primeiro passo e me afastar, enquanto ainda… — respirou fundo, juntando fôlego para terminar – Enquanto ainda estamos no começo e não tem muito o que machucar.
— Emma… — começou, dando um passo para frente.
— Não. — cortou, recuando – Eu não posso fazer isso assim. Sabe, eu vim até aqui porque eu quis, e eu quis porque apesar da minha decisão, eu senti sua falta. Mas eu não posso continuar com isso que a gente tem se você for guardar o que pensa ou sente e dizer pras outras pessoas, e não pra mim. Não estou te cobrando um compromisso nem nada do tipo, não quero que você finja ser o que não é, eu quero você. Você de verdade. Só isso.
Regina escutou tudo, cada palavra. E sua cabeça queria dar uma resposta, mas seu coração queria outra. E nesse impasse, ela só conseguia piscar e abrir e fechar a boca várias vezes, sem dizer nada.
O que acabou passando a mensagem errada para Emma.
— Está bem… Pelo menos tudo foi esclarecido, agora eu posso realmente ir e… — mas ao tentar chegar até a porta teve a passagem bloqueada pela morena.
— Não será fácil. — avisou.
— Eu nunca pensei que seria.
— Eu não sou fácil, Emma. — reformulou – Você precisa estar plenamente ciente disso. Não me relaciono com alguém há muitos anos, foi uma escolha minha. E continuava sendo até… Até você. Mas essa mudança não significa que todo o resto vá simplesmente desaparecer.
— Eu sei disso. — disse Emma – Sei que você tem um passado, uma história, problemas… Todo mundo tem, inclusive eu. Só que eu estou disposta a tentar superar. Mas… — abaixou o olhar – Eu vou entender se você não quiser o mesmo, não importa o que aconteça você sempre vai ser o motivo que fez meus dias naquele SPA valerem a pena. — sorriu.
— Você sempre sabe o que dizer, não é?!
— Tenho um roteiro todo preparado… — brincou.
Regina sorriu e revirou os olhos, deu a volta no corpo de Emma e foi para o outro lado do quarto. Onde de costas, voltou a falar.
— Não sei como será isso, mas estou disposta a… Tentar. — disse.
— Ótimo, então acho…
— Desde que… — interrompeu, virando para olhá-la – Você entenda perfeitamente uma coisa… — em passos lentos voltou para perto de Emma – Se fizer novamente o que fez essa semana, eu não responderei pelos meus atos.
— Sério? E isso significa o que? — provocou de volta – Vai me castigar?
De acordo com a mudança no tom da conversa, as expressões de ambas mudaram também.
O olhar de Regina carregava malícia.
— Você não faz ideia. — respondeu.
— Não mesmo, então bem que você podia mostrar… — puxou-a pela cintura e levou a boca até o ouvido da morena – Sentiu saudade de mim, Majestade? — em resposta Regina só conseguiu gemer baixinho e apertar seu corpo contra o de Emma ainda mais – Vou encarar isso como um sim.
E no segundo seguinte estavam se beijando com paixão. Brigando por domínio, por controle. No melhor dos duelos.
Mas de repente Regina sentiu um desejo enorme de comandar e parou o beijo, empurrando Emma na cama.
— Hoje é a minha vez. — avisou e sentou no colo dela voltando a beijá-la – O que fez no cabelo? — perguntou olhando melhor os fios loiros completamente lisos, sem as ondas e cachos nas pontas.
— Nada, só alisei. Sabe, pra entrar mais no papel de mulher hétero apaixonada pelo namorado.
— E fez mais alguma coisa durante o pagamento dessa aposta? — sondou.
— Quer saber se eu tive que beijar meu amigo? — riu – Não, deixei bem claro desde o começo que isso estava fora de questão.
— Bom saber. — e voltou a beijá-la.
Entre os beijos em menos de um minuto Emma não estava mais de jaqueta, a blusa de baixa também fora lançada em algum canto do quarto e Regina começou lutar com o fecho da calça jeans.
— Espera, deixa eu ajudar… — pediu assumindo o comando e abrindo a calça, Regina saiu de cima dela rapidamente enquanto a via retirar a calça e não perdeu um segundo antes de voltar quando a viu livre – Nossa, alguém está com pressa.
— Não imagina o quanto… — disse olhando-a com desejo mas quando tentou beijá-la Emma desviou.
— E eu? Não vou te ver fora disso? — perguntou segurando o hobby entre os dedos.
— Eu deveria incluir como castigo, mas como você mesma disse… Estou com pressa.
E com isso ela tirou o hobby e a camisola de seda em dois movimentos rápidos, deixando Emma ainda mais impressionada e sem fôlego. Quando ela tentou alcançar os seios de Regina teve as mãos seguradas.
— Agora não. — disse.
Antes que a loira pudesse responder alguma coisa sentiu seus próprios seios serem segurados com firmeza ainda por cima do sutiã, e ofegou. Logo a peça foi retirada do seu corpo e as unhas de Regina fizeram um caminho por entre os seios deixando marcas vermelhas. Mas nem se ela quisesse reclamaria, a ardência que sentia valia completamente à pena.
Tão pouco Regina parou de arranhá-la e tomou o seio esquerdo na boca, chupando e lambendo com vontade.
— Se for pra te deixar assim… — Emma começou, tomada pelo momento – Eu vou ignorar umas ligações suas daqui pra frente. — brincou e logo soltou um gritinho de surpresa ao sentir uma mordida de leve no seio.
— Experimente. — desafiou.
Então lentamente Regina começou a puxar a pequena calcinha preta que Emma usava, a única peça que ainda a cobria.
Emma fechou os olhos quando viu a morena subir e distribuir beijos por seu pescoço e descendo, mas quando sentiu para onde ela estava indo, ficou em alerta.
— Regina, espera… — pediu – O que você vai fazer?
— O que parece que eu vou fazer, querida? — rebateu provocante, e deslizou o corpo mais para baixo na cama, sem quebrar o contato visual.
— Você não precisa…
— Eu sei. — interrompeu – Mas eu quero.
E depois disso nenhuma outra palavra foi dita.
Regina separou as pernas da loira e olhou para ela ali exposta, dessa vez realmente apreciando e memorizando cada detalhe.
Nunca pensou que a visão do corpo de outra mulher nua e disponível para ela pudesse deixá-la naquele estado. Mas ela sabia muito bem como estava o tecido da calcinha que vestia.
Umedeceu os lábios e num movimento lento passou a língua de baixo para cima na vagina da loira, explorando. E quando registrou o sabor dela, soube que era diferente de tudo o que havia imaginado, e mil vezes melhor.
Gemeu ainda com a boca ali e isso fez Emma perder o pouco de controle que ainda tinha, segurou a cabeceira da cama com a mão esquerda, com a direita agarrou o cabelo de Regina e se permitiu gemer. Mas ainda mantendo em mente o volume, já que não estavam sozinhas no apartamento.
Já Regina ao entender a aprovação, decidiu continuar. E passou a chupar com dedicação. Se parasse para pensar talvez hesitasse já que era a primeira vez fazendo aquilo e não tinha a menor experiência, mas de alguma forma seu desejo e instintos falaram mais alto que qualquer insegurança no momento, e quando deu por si já estava acrescentando dois dedos e trazendo Emma cada vez mais perto do ápice.
Então bastou apenas tocar o clitóris com o polegar e ela se desfez jogando a cabeça para trás e erguendo o corpo da cama, onde Regina teve que segurá-la pela cintura para não perder o contato.
Ao ver o estado da loira ela retirou os dedos encharcados e mordeu de leve a coxa esquerda, sorrindo para si mesma.
— Eu não consigo nem… — Emma ofegou tentando falar – Como você… Tem certeza que nunca fez isso antes?
— Absoluta. — respondeu deitando ao lado dela.
— Imagina se já tivesse feito. — riu – Mas ainda acho que seria bom se eu te desse umas aulas, você sabe… Práticas. — disse tocando a barra da calcinha de Regina, com malícia.
— Estou sempre aberta a isso. — disse em duplo sentido enquanto abria as pernas para receber a loira.
E assim, dando prazer uma à outra elas se levaram até a exaustão e adormeceram juntas.
No dia seguinte teriam outras coisas para lidar.
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