Notas iniciais
OLHA QUEM VOLTOU MAIS CEDO! Oremos, não é mesmo?! Esse capítulo foi tranquilo de escrever pra mim, só tive que encontrar um tempo pra arrumar alguns errinhos e postar. Era pra ter vindo ontem mas não deu... Mas aqui estou, e espero que vocês gostem. A música que eu usei pra quem não conhece é Addicted to you - Avicii, deixei o link no capítulo. Boa leitura ♥

O tempo é relativo. Para uma pessoa que está com pressa de chegar a um lugar ele se arrasta, já para outra que deseja que tudo aconteça devagar, ele voa. Como quando você se diverte muito fazendo algo e quando vê o tempo passou, ou quando está entediado e os minutos parecem engatinhar.

Emma havia passado por todos esses exemplos como qualquer pessoa, mas naquela noite seu problema com o tempo era outro.

Passava das nove da noite e ela estava sentada em sua cama, segurando o celular. Já tinha tomado banho, comido e até visto dois episódios de Friends, como sempre fazia já que seu amor por essa série parecia não ter fim.

Ela queria ligar para Regina como havia combinado, mas não conhecia bem os horários dela e estava com certo medo de incomodá-la ou talvez atrapalhar seu jantar com Henry. Mas por outro lado sua ansiedade aumentava a cada segundo, então simplesmente desbloqueou a tela que já exibia o contato da morena, fechou os olhos e tocou no ícone de chamada.

— Olá…— atendeu três toques depois.

— Oi, eu não sabia direito que horas ligar. Você não estava comendo ou dormindo, estava? — perguntou embora a segunda opção não parecesse mais possível, pois a voz de Regina não demonstrava sinais de quem acaba de acordar.

— Não, querida. Acabei de jantar, na verdade. E não irei para a cama dentro da próxima hora.

— Ok, que alívio. — riu – Como foi o dia com seu filho? Algum sinal de rebeldia eminente? — brincou.

— Não que eu tenha reparado. — respondeu — E espero que assim continue… Mas como isso veio parar aqui?

— O que? — perguntou confusa.

— Desculpe, eu me referia a uma ficha de um cliente antigo que deveria ter sido arquivada. — então ao fundo Emma ouviu o som de papéis sendo mexidos.

— Você está trabalhando essa hora?

— Não é trabalho, apenas vim até meu escritório tentar esvaziar um pouco minha pasta.— explicou.

— Escritório? Mas você não está em casa?

— Meu escritório em casa, Emma. — esclareceu.

— Ah sim, claro… Bom, mesmo assim você disse que acabou de comer, devia estar relaxando e não mexendo com papéis.

— Já estou terminando, foi uma tarefa rápida. E você, o que está fazendo?

— Ah eu estou numa super aventura encarando o teto do meu quarto… — ouviu a risada da morena e sorriu – Não via a hora de falar com você de novo. — confessou e foi recebida com silêncio, o que não era nenhuma novidade – Não precisa dizer de volta. Eu digo porque tenho vontade, não esperando que você retribua. — ok aquilo não era totalmente verdade, uma grande parte dela queria sim que Regina retribuísse alguma vez suas pequenas “declarações”, mas a outra repetia que era cedo demais e talvez ela estivesse acelerando as coisas.

— Está bem.— suspirou — Você estará livre amanhã à noite?

“É isso mesmo que eu estou pensando? Outro convite de livre e espontânea vontade? Não sei onde foi que eu acertei, mas espero continuar.”

— Acho que sim, a não ser que apareça um caso grande. Mas as chances disso acontecer são bem menores do que as séries fazem parecer. — pegou o travesseiro extra e colocou no colo, para ter no que mexer enquanto falava – Por que?

— Bem… Estive pensando e talvez possamos nos encontrar em um bar social, aqui no meu bairro.— ofereceu enfim.

— Seu bairro, é? — não gostava muito da ideia de ir a um lugar muito refinado, e conhecendo Regina provavelmente seria o tipo de lugar que o bairro dela teria – Não é um daqueles bares onde uma cerveja custa cinquenta dólares, né?

— Não sei, querida. Nunca fui lá, minha amiga recomendou.

— Aquela com nome de fada?

— Ela mesma.— riu — E não se preocupe, caso o ambiente não seja tão bom quanto Tinker fez parecer, nós podemos procurar outro.

— Ok, tudo bem. Me manda o endereço por mensagem depois.

— Sim, mandarei e… Só um momento. — silêncio – Está na gaveta de baixo, querido. — não precisava ser nenhum gênio para saber com quem Regina falava — Achou?— a voz dela estava mais distante — Não, esse não é… Eu estou indo aí. — ouviu um chiado — Emma? Preciso desligar. Henry está tentando fazer pipoca e a probabilidade de que ele destrua minha cozinha se eu não ajudar é alta.

Aquilo fez Emma rir.

— Claro, vai lá. Só não esquece de me mandar o endereço. — relembrou.

— Eu nunca me esqueço de nada.— não soube dizer se foi de propósito ou não, mas aquilo soou… Sexy.

— Ok então, até amanhã.

— Sim, até. Boa noite.— desejou.

— Boa noite.

Depois de desligar o celular ela se pegou sorrindo como uma adolescente. Sabia que tinha fama de se comportar como uma menina na maioria das vezes, mas ninguém nunca a tinha deixado daquele jeito. Era novidade. A sorte era que ela lidava muito bem com novidades.

De repente o celular já dispensado do outro lado da cama tocou, e na tela apareceu um nome que ela não esperava ver.

— Ruby?

— Hey, loira.— a voz era igualzinha a de pessoalmente então ela teve sua confirmação — Vejo que salvou meu número, ótimo… Mas se eu não te ligo a gente nunca mais se fala né?

— Foi mal… Eu andei meio ocupada.

— Sei, ocupada com a toda poderosa, eu aposto.— disse maliciosa.

— É, tipo isso… — respondeu meio sem jeito.

— Vou querer os detalhes, bom talvez não todos. Mas ainda assim você vai ter que me atualizar, que tal amanhã na hora do almoço?

— Você está na cidade?

— Não, mas amanhã vou estar. E aí? Topa?

— Claro! — aceitou, afinal o jeito maluquinho e divertido de Ruby fazia dela uma ótima companhia – Pode ser numa lanchonete perto do meu trabalho? Sempre vou lá comer então...

— Beleza.— concordou — Diz aí onde fica.

Ela falou e logo depois as duas se despediram.

Emma ainda estava bem disposta, então foi para a Netflix procurar algo para assistir até o sono chegar.

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“Qual o problema desse cara? Meu Deus!”

Pensava inconformada com os olhares azedos nada discretos que o dono da lanchonete lhe direcionava. Resolveu tentar conseguir ganhar as três coroas numa música do joguinho Piano Tiles enquanto esperava por Ruby.

Na terceira tentativa e já frustrada com as teclas, quando tocou em start sua espera acabou.

— Emma? — olhou para cima e viu Ruby sorrindo, ela tinha uma mochila vermelha de couro nas costas e estava usando uma calça jeans ao invés dos shorts ou saias curtas de sempre – Oi! — e lançou o corpo na direção da loira, abraçando-a.

Mesmo sem esperar Emma retribuiu o abraço.

— Oi… Como você está? — perguntou enquanto a morena se sentava na outra cadeira e pendurava a mochila.

— Muito bem, e você?

— Estou bem, na mesma correria de sempre.

— Sei, correria… — e lá estava a malícia de volta – Essa correria tem nome, sobrenome e um corpão de tirar o folêgo, não tem? — em resposta Emma apenas desviou o olhar e riu – Então vocês levaram toda aquela tensão sexual pra frente fora do SPA hein, gostei de ver…

— É, digamos que eu levei aquele seu conselho a sério. — relembrou da conversa que tiveram na beira da piscina.

— E fez muito bem, mesmo que eu ainda não entenda direito sua fixação na madame, tem gosto pra tudo e se você insistiu é porque consegue domar a fera. — brincou.

— Domar eu não digo, mas acho que estou amansando. — sorriu pensando em encontrar Regina no fim daquele dia, num convite feito por ela, pela segunda vez – Sei que ela quase te fez ser demitida e tudo mais, mas…

— Ah relaxa. — interrompeu – Eu já esqueci isso, até porque… Eu mesma pedi demissão faz alguns dias. — revelou.

— O que? Por que? — perguntou surpresa – Aconteceu alguma coisa?

— Não, não foi nada ruim. — tranquilizou – É que minha avó e eu estamos com um projeto próprio fora do SPA e eu precisei sair primeiro, por isso vim pra cidade.

— Projeto próprio?

— É, lembra que eu disse que estava esperando o banco aprovar o empréstimo pra comprar um lugar e abrir um restaurante? — Emma assentiu, recordando – Então, o dinheiro saiu!

— Nossa, que notícia ótima! Imagino como vocês deve estar felizes. — sorriu.

— E estamos mesmo. Sabe... — respirou fundo – Minha avó sempre quis ter um lugar dela pra cuidar, fazer a comida e etc, mas depois que teve que me criar as coisas ficaram difíceis e ela precisou do emprego no SPA, porque eles davam a casa pra morar e isso cortava os gastos. Mas agora que eu já estou bem crescidinha, obrigada… — indicou o próprio corpo definido, fazendo graça – Ela resolveu dar continuidade a isso eu embarquei junto, também por tudo que ela já fez por mim, isso não é nada.

— E você veio pra cá pra cuidar de tudo?

— Foi, a papelada já está toda pronta mas eu ainda preciso assinar umas coisas. Legalmente vai ser tudo meu, mas minha avó que vai mandar e desmandar, do jeito que ela gosta. — riu – Na verdade, loira… — pausou se preparando – Eu preciso te pedir um favor.

— Se eu puder ajudar, diz aí. — incentivou.

— Bom, até tudo ficar pronto, entre os documentos e uma reforminha que eu vou mandar fazer por lá, acho que vai demorar umas duas, três semanas no máximo. E eu vou ter que ficar por aqui, já tinha até combinado de ir pra casa de uma amiga mas ela é meio errada das ideias, se é que você me entende… E eu queria tentar fugir disso, aí lembrei que você comentou que morava sozinha e…

— Você quer ficar no meu apartamento durante esse tempo? — concluiu.

— Isso aí, eu sei que é tudo em cima da hora mas eu só lembrei ontem e resolvi arriscar. Se você não puder ou quiser, tudo bem. Eu me viro e vou pra casa dessa minha amiga, vou ter que fazer uns bicos no bufê da mãe dela de qualquer jeito mesmo.

Emma pensou por alguns segundos, não conhecia Ruby tão bem assim, no máximos há dois meses, mas seu instinto não a enganava e ela sentia que a garota era realmente do bem.

— Olha, por mim tudo bem, eu tenho um quarto vago mesmo. Minha amiga deixou a cama de solteiro e até o armário quando foi morar com o namorado. Está tudo pronto esperando receber alguém, por que não você?!

— Sério? Ai Meu Deus, obrigada! — pegou as mãos de Emma e apertou sorrindo – Se você quiser pode puxar minha ficha pra se sentir mais segura e tal, é limpinha. Ok, não totalmente, você vai achar uma ou duas acusações por atentado ao pudor, mas eu juro que passei dessa fase!

Emma deu uma gargalhada com aquilo e Ruby a acompanhou, ambas sentiam que aquele era só o começo de uma bela amizade.

— Tudo bem, eu acredito em você. Mas e aí, como a gente faz? Porque eu não tenho uma cópia da chave aqui e só posso ir pra casa de noite.

— Ah sem problemas, eu também ainda tenho um monte de coisas pra fazer. A gente pode se encontrar de noite no seu prédio. — sugeriu.

— É, então… — começou – Eu tenho planos pra de noite.

— Planos? Hummmmm… Longe de mim atrapalhar né, mas você vai direto da delegacia?

— Não sei ainda, depende da hora que eu sair de lá. Mas de qualquer jeito eu te ligo ou mando mensagem e a gente combina.

— Ok, fechado. Quando eu sair daqui vou dispensar o convite da minha amiga, só toma cuidado pra a gente não se desencontrar e eu acabar tendo que dormir na rua. Sou linda demais pra isso, seria um pecado.

— Pode deixar, você vai descansar sua beleza numa cama quentinha. — disse – Mas agora vamos comer né. — fez sinal para a garçonete, que se aproximou.

Emma pediu o especial do dia, como sempre fazia, e Ruby quis um hamburguer completo, ela era outra falsa magra que comia o que queria e mesmo sem fazer muito esforço conseguia manter o corpo em forma.

Enquanto esperavam Emma viu o dono do lugar conversando todo simpático com um cliente e depois mudando de expressão ao vê-la.

— Não tem como acelerar esse restaurante da sua avó, não? — perguntou, ganhando a atenção de Ruby – Eu preciso de outro lugar pra comer, urgente.

— Não que eu não goste do seu entusiasmo, loira. Mas não entendi, o que tem de errado com esse aqui? — seguiu a linha de visão de Emma e entendeu a mensagem – O dono não vai com a sua cara é? O que você fez?

— O que eu fiz foi salvar ele de um assalto uns meses atrás, mas só porque algumas coisas quebraram no processo ele fica me encarando daquele jeito. — contou — Ingrato.

Ruby riu.

— Nesse caso ainda bem que seus dias de ameaças silenciosas estão contados.

— Onde é esse lugar que vocês vão comprar? — perguntou torcendo para que fosse perto.

— Fica a umas duas quadras daqui, quase na esquina do… — arregalou os olhos – Do prédio da delegacia!

— Ruby! Eu que sou loira e você que esquece uma informação dessas?!

— Desculpa, não conectei as coisas. — riu – Quer dizer, até escolhi esse lugar por causa da delegacia, dizem que os policiais são uns esfomeados, só não me liguei que você podia trabalhar nessa daí. Mas como eu te servi por uma semana posso entender de onde vem essa fama.

— Ei! Nós precisamos de energia! — disse defendendo sua classe – Mas pensando aqui agora… Eu sei que lugar é esse, estava pra vender fazia mais de um ano.

— Esperando eu colocar meus lindos olhinhos nele, é claro. — piscou – E agora pelo visto mesmo depois que eu sair do seu apartamento, você vai ter que me aguentar.

— Deus me ajude. — brincou.

Logo a garçonete voltou com os pedidos e elas comeram entre risos e uma conversa divertida.

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— Droga de fivela! — Regina reclamava em seu quarto naquela noite.

Estava quase uma hora atrasada para se encontrar com Emma. Faltando poucos minutos para sair do escritório tudo começou a dar incrivelmente errado, primeiro uma rápida queda de energia desligou o computador justo quando ela terminava de digitar um documento para um processo, e a fez gastar vinte minutos refazendo tudo. Depois já no estacionamento do prédio lembrou que tinha deixado o celular em cima da mesa e teve que subir novamente para buscá-lo. Quando saiu dirigindo o trânsito se revelou intenso, fazendo-a demorar para chegar em casa, e ao chegar seu único consolo era saber que não precisaria se preocupar com o jantar do filho, pois ele iria passar a noite na casa de um amigo que morava no prédio mesmo, mas alguns andares abaixo. Não gostava de deixá-lo dormir fora, mas às vezes abria uma exceção. Até porque não era nenhum lugar longe e ela podia manter um olho nele sempre que quisesse.

Durante o banho ouviu a campainha tocar, mas continuou calmamente já sabendo que devia ser Tinker, que tinha avisado que passaria por lá.

Ela estava conseguindo se arrumar aparentemente sem mais imprevistos. Escolheu um vestido roxo escuro que marcava bem suas curvas, brincos dourados discretos, uma maquiagem mais forte delineando os olhos, seu batom vermelho, os cabelos soltos e macios esbarrando nos ombros e… O maldito sapato afivelado que parecia ter resolvido medir forças com ela.

— O que foi? — Tinker perguntou, entrando no quarto.

— Estou tentando calçar esse sapato, mas ele parece simplesmente contra… — puxou mais uma vez o couro tentando encaixar a fivela no buraco, mas não conseguiu.

— Vai ver ele decidiu se rebelar quando percebeu que você queria calçá-lo com a metade de outro par. — disse rindo.

— O que? — olhou melhor para baixo e finalmente viu que estava com um sapato azul escuro em um pé e um preto no outro, eles eram realmente parecidos a não ser pela cor, mas isso por si só seria mais do que o suficiente para que ela notasse a diferença em qualquer outro dia – Era só o que faltava… — rapidamente tirou o sapato azul e calçou o outro preto, enfim conseguindo afivelar os dois.

— Por que esse nervosismo todo? — perguntou ao ver a morena andar apressadamente pelo quarto, procurando algumas coisas e guardando outras.

— Você já viu a hora? Estou atrasada, e detesto me atrasar.

Tinker sabia bem disso, teve quase trinta de anos de experiência para aprende que Regina Mills odiava atrasos, fossem com ela ou da parte dela. Embora esse último caso fosse mais raro, às vezes acontecia e ela não reagia nada bem.

— Não sei quantas vezes ainda vou precisar te dizer isso, mas você não é dona do tempo e se atrasar é humano. — sentou na cama – Já avisou a Emma, não foi?

— Sim. — desbloqueou o celular e releu as mensagens trocadas com a detetive logo depois do banho.

Regina: Tive alguns imprevistos e acabei me atrasando. Já está no bar?

Emma: Tudo bem, eu imaginei. E sim, estou aqui guardando seu lugar com todo carinho ;)

Regina: Excelente, querida. Continue assim. Logo estarei aí.

E em resposta Emma mandou o emoji de uma mãozinha acenando e outro de uma carinha sorridente.

— Então pronto. — viu Regina dar uma última olhada no espelho e suspirou – Chega, está ótima. — pegou o celular da mão dela e colocou na bolsa já separada e entregou ao mesmo tempo em que a conduzia para fora do quarto.

— Está bem, estou indo… — disse ao parar no meio da sala – Henry, estou saindo! — avisou elevando a voz.

— Ok, mãe. Divirta-se! — respondeu do topo da escada antes de correr de volta para o quarto para continuar arrumando suas coisas antes de sair também.

— Vou ter que me acostumar com esse tipo de despedida, não é?

— Você sabe que ele está crescendo, Regina. Faz parte. — relembrou, embora entendesse a nostalgia da amiga – Agora vai.

— Certo… — abriu a porta e virou para trás – Não esquece de me avisar quando deixar ele na casa dos Smith.

— Claro, e depois eu dou o fora daqui pra você poder trazer a Emma pra cá. — disse bloqueando a porta para impedir caso a morena resolvesse voltar para dentro.

— Eu não vou trazê-la pra cá.

— E por que não? Henry não vai estar, esse espaço todo seria só de vocês. — gesticulou para o amplo apartamento atrás de si – Por que não aproveitar?

Aquela era uma ótima pergunta.

Regina realmente não tinha pensado em levar Emma até lá naquela noite. Seria uma oportunidade perfeita. Mas não fazia parte dos seus planos e isso era o bastante para alarmá-la, por mais que não admitisse.

— Não preciso pensar nisso agora, vou me concentrar em chegar naquele bar primeiro. — desconversou – E aliás, espero que faça jus à sua propaganda.

— Vai fazer, agora tchau. — e com isso ela fechou a porta.

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O bar era praticamente no quarteirão do prédio então ela optou por indo andando, mesmo sendo de noite o bairro era conhecido por ser seguro.

A fachada do lugar como era de se esperar chamava atenção com o nome “Dark Shield” em preto num letreiro vermelho sangue.

— Meio mórbido né? — olhou para frente e viu Emma saindo – Foi o que eu achei pelo menos, mas o lugar é bem legal.

— Sim, o nome é… Peculiar. — analisou melhor a loira – O que está fazendo aqui fora?

— Eles precisaram da nossa mesa e eu tive que ceder, já que você estava demorando. — explicou – Tentei conversar, mas…

— Eu mesma resolvo isso. — mal deu dois passos para dentro do local e teve o braço segurado.

— Não precisa, deixa pra lá.

— E existe outra disponível?

— Não, está lotado, mas… Que tal não se estressar por isso? Eu pensei que a gente podia fazer algo que não envolve ficar sentada.

Regina estreitou os olhos.

— O que exatamente?

— Dançar.

— Dançar? Eu não sei se…

— Você consegue, vem vamos lá. — pegou-a pela mão – Deixa sua bolsa com aquela moça ali.

— Não posso por enquanto, estou esperando… — então como se o universo pudesse ouvi-la o celular tocou.

Tinker: Deixei seu pacote no destinatário em segurança.

Regina: Meu filho não é um pacote, mas obrigada.

Tinker: Disponha, bye.

— E aí? Tudo bem? — perguntou ao ver a morena guardar de volta o aparelho.

— Sim, Henry vai dormir na casa de um amigo e Tinker o deixou lá pra mim. — explicou.

— Ah sim. Olha, se você quiser a gente pode… — então uma de suas músicas favoritas começou a tocar e ela esqueceu o que estava dizendo – Eu amo essa música, vem!

Regina só teve tempo de entregar a bolsa para a moça responsável pelo guarda volumes e assinar o nome rapidamente, antes de se encontrar com Emma que já estava na pequena pista de dança, um pouco afastada das mesas.

https://youtu.be/Qc9c12q3mrc

I don't know just how it happened

(Eu não sei exatamente como isso aconteceu)

I let down my guard

(Eu baixei minha guarda)

Swore I'd never fall in love again but I fell hard

(Jurei que nunca me apaixonaria de novo, mas me apaixonei)

Regina tirou alguns segundos para observar Emma que movia o corpo de acordo com a música, não era nenhuma profissional mas a energia que ela transmitia parecia contagiar todos à sua volta. E logo as várias pessoas que estavam ali mesmo ainda sendo dia de semana começaram a ir para a pista também.

— Regina! — chamou – Vem pra cá.

— Eu não… — não conseguiu terminar e se viu com o corpo colado ao da loira, que sorria.

— Se deixa levar. — pediu.

Guess I should have seen it coming

(Acho que eu deveria ter visto isso chegando)

Caught me by surprise

(Me pegou de surpresa)

I wasn’t looking where I was going and I fell into your eyes

(Eu não olhei para onde estava indo e caí em seus olhos)

A letra parecia ter sido feito para elas, e isso tornou o momento ainda mais intenso. Mesmo que a batida fosse agitada Emma achou um jeito de manter Regina perto de si, segurando a pela cintura.

You came into my crazy world like a cool and cleansing weave

(Você chegou no meu mundo louco como uma onda calma e pura)

Before I knew what hit me baby

(Antes que eu soubesse o que me atingia, querida)

You were flowing through my veins

(Você estava fluindo pelas minhas veias)

I'm addicted to you

(Estou viciada em você)

Hooked on your love

(Presa no seu amor)

Like a powerful drug

(Como uma droga poderosa)

I can't get enough of

(Não consigo o suficiente)

Lost in your eyes

(Perdida em seus olhos)

Drowning in blue

(Me afogando em azul)

Out of control

(Fora de controle)

What can I do?

(O que eu posso fazer?)

I'm addicted to you

(Estou viciada em você)

— Por que gosta dessa música? — Regina perguntou.

— Bom… O clipe é lindo, o ritmo é uma delícia e a letra é… — abraçou a morena, que instintivamente devolveu o gesto e colocou o queixo em seu ombro – Perfeita. — terminou.

Midnight blows in through the window

(A noite sopra pela janela)

Dances round the room

(Dança por toda a sala)

Got me hypnotized

(Me deixa hipnotizada)

I'm getting high on the perfume

(Estou ficando chapada com o perfume)

I couldn't live without you now, oh, I know I'd go insane

(Eu não poderia viver sem você agora, eu sei que eu ficaria maluca)

I wouldn't last one night alone baby

(Eu não duraria uma noite sozinha, querida)

I couldn't stand the pain

(Não suportaria a dor)

A melodia ia se misturando com a letra e elas balançavam seus corpos de forma rápida e ainda assim provocante. Tão próximas quanto era fisicamente possível.

Emma desceu as mãos pelas costas de Regina até chegar na bunda maravilhosamente apertada dentro do vestido, e ao não encontrar nenhuma resistência deu ali um pequeno aperto, que resultou em um gemido sexy e uma leve mordida em seu ombro.

Talvez sem aquela música e aquela proximidade Regina percebesse o que estava acontecendo e tentasse se controlar, mas não foi o caso.

Quando a música foi chegando ao final Emma fez questão de dizer as duas últimas linhas no ouvido da morena.

— What can I do? I’m addicted to you.

E a resposta que ela recebeu foi bem clara quando Regina se afastou por um segundo, lhe segurou o rosto e beijou-a ferozmente, exigindo entrada com a língua e agarrando-se a Emma como se ela fosse um bote salva vidas no meio do mar aberto.

— Olha o que me faz fazer, Senhorita Swan. — disse ao parar para respirar – Preciso beber alguma coisa.

— Ah, claro… — respirou fundo tentando se recompor – Vem, vamos pedir algo. Descobri que as coisas não são tão caras como eu pensei que fossem.

No bar Emma pediu uma cerveja sem álcool já que estava dirigindo e se surpreendeu quando Regina quis whisky e pediu que o bartender deixasse a garrafa no balcão.

— Algum motivo pra você estar bebendo whisky? — perguntou.

— É mais forte. — tomou alguns goles.

— Ok… — ainda estava confusa – E por que precisa de uma bebida mais forte? Está tentando criar coragem pra alguma coisa?

— Eu não uso álcool para criar nada, Emma. — encheu o copo mais uma vez – Já te ocorreu que posso estar apenas querendo variar?

— Não, mas tudo bem. — sorriu – Você está linda aliás, eu queria ter conseguido me arrumar melhor. — olhou para sua calça jeans justa e blusa branca – Mas só tive tempo de tomar um banho rápido e vestir a primeira coisa que apareceu na minha frente. Meu apartamento não é perto daqui então não podia enrolar muito.

— Não se preocupe, você está… — olhou para a barriga que estava coberta pela blusa, mas ela se lembrava muito bem como era definida – Ótima. — concluiu – E no final quem se atrasou fui eu.

— É, eu percebi. Anda tentando roubar meu lugar? — brincou.

— Não mesmo, querida. Pelo que depender de mim nunca mais volto a ocupá-lo.

— Nunca diga nunca. — piscou – E seu bairro é do jeitinho que eu imaginava.

— E o que você imaginava?

— Bem frequentado… Combina com você.

— Devo agradecer? — provocou.

— Com um beijo, se possível.

Talvez fosse o whisky entrando em seu sistema, mas Regina se viu ainda mais solta e beijou Emma livremente. Passando as unhas pela nuca dela e depois se afastando novamente.

— Como esse? — perguntou lambendo os lábios borrados.

— É, exatamente como esse. — ela parecia hipnotizada por alguns segundos, então pigarreou e recuperou o foco, ficou somente observando a morena beber, de vez em quando dava alguns goles em sua cerveja.

— O que está olhando, querida?

— Você. — usou a mão esquerda para acariciar o rosto de Regina e sorrir – Abençoada seja Mary Margaret e aquele SPA.

Regina entendeu bem o que ela quis dizer com aquilo e abaixou a cabeça, se sentindo nervosa.

— Acho melhor encerrarmos a noite por aqui. — disse em voz baixa.

— O que? Não, você acabou de chegar. — com a ponta dos dedos ergueu o rosto da morena – Não se fecha assim.

— Eu não estou… — suspirou, sabia que estava e mentir não adiantaria – Só quero ir para casa.

— Regina…

— Por favor. — interrompeu.

Emma recolheu a mão e pagou a conta, sem dizer mais nada. Elas andaram até a saída, Regina pegou de volta a bolsa e na calçada voltaram a se olhar.

— Quer que eu te acompanhe até seu carro? — Emma perguntou.

— Eu vim andando, moro aqui perto.

— Então vem que eu te dou uma carona.

— Não, Emma… — tentou.

— Está tarde, você bebeu e eu não vou me sentir bem se te deixar por aí sozinha. Mesmo que sejam só alguns metros. — insistiu – E não se preocupa, não vou decorar seu endereço e te perseguir como uma stalker maluca.

Ela estava chateada, isso Regina percebeu sem o menor esforço pela forma com que ela falava e principalmente o jeito com que começou a andar sem esperá-la.

Quis poder discutir, cobrá-la por bons modos, mas sabia que não era o momento, então apenas aceitou e entrou no carro.

O curto trajeto foi silencioso, vez ou outra Regina se arriscava a olhar para Emma, mas ela permaneceu concentrada na direção, olhando só para frente.

— É aquele segundo prédio. — apontou.

Emma parou na entrada do edifício, mas sua postura continuava a mesma. Maxilar travado e olhos fixos no para-brisa.

Regina tirou o cinto e se preparou para sair, ela não sabia o que dizer e temia só piorar as coisas. Mas quando tocou a maçaneta interna sua boca pareceu ter vontade própria.

— Desculpe, sei que não sou…

— Tudo bem. — cortou – Bom, não agora, mas vai ficar. Eu quis dizer o que eu disse antes, foi bom te conhecer.

“Isso parece uma… Ela está se despedindo?”

— Emma...

— Eu. — ainda não olhava para Regina e aquilo a deixou agitada.

Emma sempre procurava seus olhos, sempre a tocava de alguma forma, sempre sorria para ela.

Aquela versão dela lhe causava um desconforto estranho.

Como ainda não confiava nas próprias palavras, resolveu agir e segurou o rosto da loira com as duas mãos, virando-a para si, e olhou nos olhos verdes entristecidos por um momento antes de beijá-la.

Diferente da maioria dos beijos que tinham trocado aquele foi calmo, lento e até mais… Romântico.

— Você precisa olhar para mim — pediu – Quando estivermos assim, não pode me privar disso. Pode ser tudo que me basta.

Aquilo foi de longe o mais perto de uma declaração que Emma havia ouvido vindo dela, e foi o bastante para fazê-la esquecer a breve mágoa que sentiu e sorrir.

— Ok, anotado.

— Eu vou sair agora. — avisou e deu mais um selinho – Nos falamos depois?

Ela assentiu e viu Regina abrir a porta e sair do carro, deixando-a pensativa.

“Essa mulher é um furacão de emoções. Uma hora me beija loucamente, depois se afasta e aí volta a se atirar em mim. Um manual de instruções seria muito bem vindo, Deus.”

Por sorte na frente do prédio não era proibido estacionar e ela pôde continuar ali por várias minutos refletindo.

Uma parte sua queria subir e fazer uma surpresa, afinal se ela tinha ouvido certo Regina estaria sozinha. Mas a outra dizia que aquilo seria forçar a barra, ainda mais depois do quase deslize que tiveram.

“Ah quer saber? Você tem que arrancar logo esse band-aid.”

Núm ímpeto colocou o carro um pouco mais pra frente, desceu, passou pela recepção e foi direto ao porteiro, já com seu inseparável distintivo na mão.

— Boa noite, a senhorita está visitando alguém? — perguntou o homem, simpático.

— Boa noite, sim eu vim ver uma pessoa mas é uma surpresa e não me lembro o número e andar do apartamento. Pode me ajudar?

— Se me disser o nome da pessoa em questão eu posso sim interfonar e…

— Não, sem interfonar. É uma surpresa, lembra? Preciso só que me diga o número e andar.

— Lamento, mas não é permitido.

Ela já esperava que isso fosse acontecer, afinal Regina não escolheria morar em um lugar que deixasse pessoas sem identificação entrarem tão facilmente.

— Eu não estou exatamente a trabalho aqui, mas preciso muito dessa informação. — mostrou o distintivo.

Não gostava de usar sua autoridade policial daquele jeito, mas era por uma boa causa e depois que tudo estivesse resolvido com Regina, ela procuraria se entender com o porteiro.

— Está bem, eu não quero problemas. De quem se trata?

— Regina Mills.

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Quando o elevador abriu Emma só teve um pensamento.

“Mas é claro que ela vive na cobertura.”

Logo mais a frente no corredor estava a grande porta de madeira escura e ela respirou fundo antes de tocar a campainha.

“O que você está fazendo? Ainda dá tempo de correr. Deve ter uma escada de emergência aqui em algum lugar…”

— Quem é? — ouviu a voz da morena abafada pela parede e foi para o lado se esconder do olho mágico, logo a maçaneta girou e a porta abriu, Regina olhou para a direita e depois ao virar a viu – Emma?

— Oi. — sorriu sem graça.

— Como… O que você está fazendo aqui? — olhou rapidamente para trás.

— Eu fiquei lá embaixo esse tempo todo pensando e resolvi…

— Achei, mãe! — a voz de um menino soou dentro do apartamento, voz essa que pareceu familiar para a loira – Estava debaixo do meu… Ah, você está com visi… — parou ao ver quem era – Ei, eu conheço você!

— Conheço você também, garoto. — sorriu ainda mais sem jeito lembrando bem do menino do hall de entrada do prédio da firma que Regina trabalhava.

“Como você se chama de detetive e não conseguiu ligar esses pontos, Emma?!”

— Você está me seguindo? — perguntou desconfiado.

Emma riu.

— Não, eu só…

— Como vocês se conheceram? — Regina interrompeu finalmente, completamente surpresa pelos acontecimentos.

— Minha pasta arrebentou quando eu cheguei no seu trabalho na segunda. Todos os meus desenhos caíram e começaram a voar e ela me ajudou a pegar. — contou e então voltou a olhar para a loira – Você conhece minha mãe?

— Se eu conheço? — olhou para Regina pedindo silenciosamente por ajuda, afinal ela sabia que dependendo do que falasse estaria ferrada – Bom…

— Sim, querido. A Senhorita Swan e eu nos conhecemos no SPA.

— Ah tá… — entendeu – E você tem um primeiro nome? — brincou.

— Tenho, sua mãe que não usa muito ele. — seu sorriso murchou ao ver o olhar sério da morena – É Emma.

— Ok então, o meu é Henry. Mas você já deve saber disso. — abaixou e pegou uma mochila que estava no chão ao lado da porta e colocou a lanterna que tinha nas mãos dentro dela – Agora eu vou, tchau mãe. Tchau Emma.

— Tchau, meu bem. — acenou para o filho.

Emma esperou o elevador fechar com o menino dentro antes de voltar a olhar para Regina.

— Eu sinto muito! Eu não sabia que...Você disse que ele ia dormir fora e eu pensei…

— Não foi culpa sua. — interrompeu – Ele apareceu pouco depois que eu cheguei procurando alguma coisas que tinha esquecido. — abriu espaço – Entre.

Emma entrou com passos pequenos, olhando em volta a grande sala de Regina. Tudo muito bem decorado, como era de se esperar.

— Você tem um piano aqui? — perguntou olhando o órgão num canto da sala, perto da janela, lindo e imponente – O que seus vizinhos acham disso?

— Bem, em primeiro lugar eles não teriam que achar nada, já que não há outro apartamento nesse andar além do meu. — disse se aproximando – E em segundo, eu não toco com frequência.

— Pois devia, você toca muito bem. — sorriu – Me desculpa por tudo isso, eu sei que você não esperava e nem queria que seu filho me conhecesse assim.

— Isso é verdade, mas… — suspirou – Acho que o whisky está anestesiando tudo de alguma forma.

— Eu posso ir…

— Não. — cortou – Sente, quer algo para beber?

— Estou de carro, não posso.

— Mas eu sim. — sorriu – Volto num instante, sente-se.

Emma foi até o sofá e sentou, a sala era quase o dobro da sua e os móveis maiores e mais sofisticados também. Ela voltou a “escanear” tudo, até que bateu os olhos num porta retrato na cômoda ao lado da TV. Nele continha uma foto de Regina mais jovem, com o cabelo maior, segurando um Henry pequeno nos braços e ao lado dela havia um homem de cabelos escuros e olhos azuis, os três estavam no que parecia ser um jardim e sorriam para a câmera.

— Se mudar de ideia me avise e eu busco outro co… — Regina parou ao ver que a loira nem sequer tinha notado seu retorno – Emma? — tocou-a no ombro.

— Oi, desculpa eu… Me distraí. — olhou de novo para a foto e dessa vez Regina a acompanhou, entendendo do que se tratava – É ele? — perguntou.

— Sim. — confirmou sentando ao lado dela – Foi tirada um ano antes de tudo acontecer.

Emma queria perguntar o que era “tudo”, queria descobrir, entender. Mas sabia que aquele assunto era doloroso para Regina e só podia esperar o dia em que ela quisesse lhe contar por vontade própria, então ignorou as perguntas que se formaram em sua cabeça e virou no sofá para ficar de frente com a morena.

— Henry ainda tem a mesma carinha. — aquilo suavizou a expressão de Regina.

— Sim, ele não mudou muito. A não ser na altura, que no ritmo que vai logo passará a minha. — deu um gole na taça de vinho que havia trazido e a colocou na mesinha de centro – Nós precisamos conversar sobre… — gesticulou entre as duas – O que estamos fazendo.

“Ok, isso não pode ser bom.” Emma pensou.

— Tudo bem.

— Eu tenho estado sozinha há muito anos, fora algumas ocasiões em que… Bem, não tem importância. — respirou fundo – O fato é que não estava nos meus planos levar isso longe, ainda mais com…

— Comigo? — perguntou, sem conseguir evitar soar ofendida.

— Com uma mulher. — corrigiu – Não por preconceito, já deixei claro que não é esse o caso mas… Infelizmente não posso responder por todos. E querendo ou não tudo se torna mais complicado do que seria se você fosse um… Homem.

— Ok, espera, onde você quer chegar com isso? Está me dispensando ou tentando sugerir uma mudança de sexo? — brincou.

— Realmente?! — repreendeu – Pode acompanhar uma conversa como adulta ou é impossível para você?

— Certo, desculpa. — ficou mais séria – Continua.

— Estou dizendo que pelo que depender de mim a respeito disso não há problemas, mas preciso pensar em outros fatores e… Pessoas. Como meu filho. — concluiu.

— Eu sei disso, o que aconteceu hoje foi um acidente. Prometo não aparecer assim de novo, pode ficar tranquila. — assegurou – Você não vai ter que me apresentar oficialmente e nem fazer qualquer coisa que não te deixe confortável.

— Está bem… — deu um sorriso discreto – Mas isso também não significa acelerar nada ou…

— Quantas vezes vou ter que dizer que não estou te pedindo em casamento? — interrompeu – Eu saí de um relacionamento faz pouco tempo e nunca tive a menor intenção de pular pra outro o mais rápido possível. Eu não esperava nada disso, só também não vou ficar bloqueando, sabe? Não espero que você encare tudo como eu, claro que não, então pode ficar sossegada porque eu não vou acelerar nada.

Regina absorveu aquelas palavras e embora parte de si lhe dissesse que as coisas não permaneceriam daquele jeito e em breve os desejos de Emma acabariam desarmonizando dos seus, outra parte a mandava esquecer isso. Parte essa provavelmente influenciada pelo álcool que ainda corria em seu sistema.

— Ótimo, acredito que está esclarecido então.

— Sim, está. — sorriu – Mas olha… Pelo que eu vi até agora você tem um ótimo espaço aqui. Não é muito pra duas pessoas?

— Bem, quando comprei queria que Henry tivesse o máximo de liberdade possível, então o tamanho foi bem considerado. E também às vezes recebo minha mãe ou Tinker.

— Seria tão legal conhecer ela! — ao ver o olhar alarmado de Regina ela se apressou em emendar – Falo dessa sua amiga, ainda não superei esse apelido.

Apresentar Emma para Tinker era algo que não tinha passado pela cabeça de Regina, com certeza esse encontro teria resultados no mínimo cômicos, e para sua própria surpresa pensar nisso não a assustou como achou que assustaria.

— Acho que pode ser arranjado.

— Ok, quando quiser é só me falar, mas agora… — olhou para as pernas de Regina cruzadas e a fenda lateral no vestido que revelava mais um pouco – Eu vou fazer o que estou querendo desde que você abriu a porta pra mim…

— E o que seria isso, querida?

Emma respondeu puxando-a pela cintura e beijando-a com paixão, Regina gemeu contra o beijo e lutou brevemente com o vestido até conseguir se acomodar no colo da loira, expondo suas coxas que logo receberam as mãos de Emma.

— Tão cheirosa… — comentou afundando o nariz no pescoço da morena.

— Bem, eu ten… Emma! — brigou ao sentir uma mordida – Sem marcas.

— Olha só, já estamos na fase das regras é? — riu – Sorte sua que eu não tenho quase nenhuma, agora volta aqui.

Beijaram-se de novo sentindo o clima esquentar cada vez mais, Emma passava as mãos por onde podia xingando mentalmente a existência daquele vestido. Claro que ele ficava divino no corpo de Regina, mas em momentos como aquele era completamente desnecessário.

Desceu os beijos pelo decote enquanto sentia seu cabelo ser puxado e Regina rebolava se esfregando como podia contra o fecho da calça jeans dela, soltando pequenos gemidos quando conseguia atingir a fricção certa.

— Alguém está animada… — comentou convencida.

— Você acha? — ironizou já que era realmente óbvio.

— Quer mesmo continuar isso aqui no sofá? — perguntou já colocando a mão por baixo do vestido.

Aquilo fez Regina recobrar os sentidos e se afastar um pouco para olhar Emma nos olhos, fazendo-a também parar seus movimentos.

— Não… — estava um pouco ofegante – Na verdade eu prefiro que não aconteça aqui, ao menos por enquanto.

Emma logo entendeu que “aqui” não significava apenas o sofá, mas sim o apartamento ao todo.

— Claro, tudo bem. Sem pressa, lembra?

— Lembro. — passou o polegar limpando as manchas de batom que havia deixado na pele alva da outra – Não sei sobre amanhã, mas depois posso passar na sua casa…

— Minha casa? — lembrou de Ruby que tinha virado sua colega de apartamento.

— Sim, você mora sozinha. É mais viável, por que? Tem algum compromisso?

— Não, estou livre. Eu só… — contar ou não contar? Ela não teria mais a privacidade de antes, pelo menos não durante as próximas semanas, mas não queria estragar as chances de transar com Regina outra vez, lembrava perfeitamente como ela era nua e daria tudo para senti-la novamente, então resolveu que tentaria driblar a situação – Não é nada, só viajei por um momento. Minha humilde residência a aguarda, majestade.

— Vai mesmo continuar com esse apelido?

— Vou. — deu uma série de selinhos nos lábios da morena e cheirou mais uma vez seu pescoço — Adorei esse perfume… — sussurrou com o rosto escondido e deu um último aperto na cintura antes de se afastar – Mas é melhor eu ir embora antes que o pouco de auto controle que me resta vá pelos ares.

Regina assentiu e levantou, ajeitando o vestido que havia subido e penteando o cabelo com os dedos.

— Eu aviso se encontrar alguma brecha no meu horário amanhã.

— Combinado. — sorriu indo em direção a porta que Regina abriu logo em seguida e ambas saíram juntas – Eu vou preparar algo pra a gente comer, vê se dessa vez você fica pra experimentar. — apertou o botão do elevador – Não prometo nenhum banquete, mas sei me virar.

— Só tente não me causar uma intoxicação e eu ficarei grata.

— Ok, vou dar o meu melhor. Agora mais um beijo… — selou os lábios aos de Regina mais uma vez ao mesmo tempo em que o elevador se abriu – E ah, será que você pode liberar meu nome na portaria depois? Eu não quero ter que pressionar mais ninguém pra conseguir subir.

— Pressionar como? — Emma não respondeu e entrou no elevador – Emma? O que…

Mas as portas fecharam em tempo apenas de Emma dar um tchauzinho, com um sorriso nos lábios.

Regina suspirou e balançou a cabeça, caminhando pelo corredor de volta ao apartamento. Ela não era boba, sabia que Emma estava se infiltrando em sua vida aos poucos e cada vez mais. Não esperava vê-la ali depois de se despedirem no carro, e isso por si só seria mais do que suficiente para fazê-la… Surtar. Como Tinker diria. Mas não fez, e como se estivesse no piloto automático lidou com tudo tranquilamente.

Não tinha ideia do que estava por vir, mas uma coisa era certa… Não se preocupar tanto com tudo havia sido revigorante, e era maravilhoso sentir seus batimentos acelerados pelos motivos certos.

Notas finais
Seguinte, vou dar um pequeno spoiler: Regina vai descobrir que a Ruby está morando com a Emma, numa cena no mínimo... Engraçada. Acho que vocês vão gostar. Mas e aí? Mereço comentários, não mereço? Espero que sim, amo lê-los! Meu twitter aqui: @evilswen Bye ^-^