Notas iniciais
Oi ♥ 5.000 palavras nesse, pessoal! Quem gosta de capítulos longos vai amar, quem não gosta, bom, foi mal mas tudo o que eu escrevi era importante pra história e não dava pra cortar nem dividir. Estou amando os comentários, vocês são incríveis, sério ♥ Sorry por qualquer erro. *Leiam as notas finais...* Enjoy!

Emma colocou a chave na fechadura da porta do quarto e girou, como sempre não deu certo na primeira e na segunda também não, quando já estava começando a pensar que a recepcionista tinha lhe dado a chave errada, resolveu tentar uma última vez, e enfim conseguiu.

Fez uma pequena dançinha da vitória e olhou para os lados no corredor antes de entrar, certificando-se de que ninguém a tinha visto, ela não costumava esconder seu jeito espontâneo, mas também não queria ser taxada de louca no primeiro dia hospedada no lugar.

Assim que colocou os pés no quarto seu queixo quase bateu no chão.

– Wow...

Deixou a mala cair no chão e o violão em pé encostado na parede ao lado, e fechou a porta, para então observar melhor.

Os móveis em tons de branco e bege claro: uma cama king size ocupava o centro, com uma cômoda de cada lado dela, as paredes forradas por estampas floridas em tons suaves de azul e branco. Foi até a porta do que aparentava ser um armário, mas que se revelou um grande closet, cheio de cabides e prateleiras que provavelmente ficariam vazias já que ela não havia trazido muita coisa.

No banheiro – que também não era dos menores -, se deparou com uma banheira branca com espaço suficiente para umas cinco pessoas, um chuveiro dourado no formato quadrado, a pia impecavelmente arrumada e toalhas macias e cheirosas dobradas no pequeno compartimento em baixo dela.

– Dá pra uma família viver aqui. – murmurou.

Resolveu arrumar suas coisas, pegou a mala do chão, entrou no closet e começou a organizar tudo do melhor jeito que conseguiu, enquanto se permitiu pensar em tudo que havia acontecido até ali.

“Só a Mary mesmo pra me convencer a fazer isso.” – pensou.

Emma não era boba, sabia exatamente com que tipo de gente teria que conviver num lugar chique como aquele, e provou-se certa assim que cruzou, ou melhor, esbarrou em Regina no jardim.

Ela estava plenamente ciente do tanto de madames e figurões metidos a besta que estariam lá também, afinal, mesmo que não fosse tão caro, ainda assim o SPA era de luxo, bem visto e recomendado, o que só aumentava a sensação de que ela não encaixava, mas basicamente toda a sua vida fora assim, se sentindo de fora, como se não pertencesse aos lugares onde estava, mas nunca se deixou abalar por isso. Decidiu que aproveitaria aqueles cinco dias o máximo que pudesse, até porque não era de graça, ela estava pagando como qualquer um.

Ok, tudo bem, talvez com um pouco mais de “sacrifício” financeiro, mas mesmo assim.

Mary tinha razão, uma razão meio maluquinha, mas tinha: ela precisava relaxar, ficar um pouco longe de tudo, e mesmo que no fundo achasse toda aquela coisa de massagens, banhos relaxantes e caminhadas uma tremenda besteira, era uma experiência nova, e ela nunca negava a si mesma a chance de se divertir um pouco. Ainda que tivesse que aturar mais madames pelo caminho, só poderia torcer para que elas fossem tão lindas quanto Regina, porque isso sim era um fato que ela não pode deixar passar batido, a morena era deslumbrante, mesmo com toda a pose e ar de superioridade, ou talvez, exatamente por causa disso.

Sacudiu a cabeça para limpar seus pensamentos e procurou se lembrar de que estava ali para descansar, e nada mais.

Ao terminar de arrumar suas roupas, pegou seu violão e o colocou em cima da cama. Ela adorava tocar, havia aprendido no orfanato, mas como vivia indo e voltando de lares adotivos perdia muitas aulas, até que teve a sorte de um de seus pais temporários ser um músico um tanto quanto pirado, que no que lhe faltava de tato como homem de família, sobrava no quesito talento musical, e nos meses que ficou na casa aproveitou para aprender tudo o que podia com ele.

Olhou o instrumento e sorriu, mas decidiu deixar para tocar mais tarde, ao ar livre. Virou para a imensa vidraça que dava acesso a varanda, por onde a claridade do sol entrava. Abriu o trinco e saiu, havia uma mesinha preta de vidro no canto esquerdo, e a extensão da varanda em si, como o quarto num todo, também não deixava a desejar.

Respirou o ar puro e olhou as árvores que tinham seus galhos balançados pelo vento no jardim lá em baixo, e as montanhas ao fundo.

Perdeu-se na beleza do terreno até que uma batida na porta chamou sua atenção, fazendo com que passasse novamente pela vidraça e a fechasse em seguida.

Foi até a porta e pelo olho mágico viu uma senhora de aparentemente uns quarenta anos vestida com o uniforme do SPA, girou a maçaneta e abriu.

– Olá? – perguntou sorrindo, hesitante – Aconteceu alguma coisa?

– Não se preocupe, Srta...

– Swan, mas pode me chamar de Emma.

– Está bem, Emma. – sorriu simpaticamente, provavelmente estranhando o gesto de simplicidade num lugar infestado de gente rica – Meu nome é Gill, sou coordenadora de atividades, e vim avisá-la que dentro de dez minutos iremos realizar uma espécie de boas-vindas a todos os hóspedes, explicar cronogramas e algumas regras básicas. Isso na nossa sala de interação social, aqui está um guia com a planta do SPA, caso precise.

– Ah... – pegou o guia – Tudo bem, eu já estou indo, obrigada.

– Saberia me dizer se viu o dono do quarto ao lado? – perguntou apontando para a porta que ficava a esquerda do quarto de Emma.

– Não, eu estou aqui tem uma meia hora e até agora não vi nem ouvi nada.

– Está bem, obrigada, nos vemos lá em baixo. – sorriu e virou para apertar o botão do elevador.

Emma voltou para o quarto e examinou o papel em mãos.

Seria o lugar tão grande a ponto de precisar de um guia?

“Pergunta idiota Emma, se o quarto é desse tamanho a coisa toda deve ser bem maior.”

Pegou o resto de seus objetos pessoais, como escova de dentes, pasta, escova de cabelo, seu perfume incomparável com frescor amadeirado, entre outras coisas, e as colocou em seus respectivos lugares.

Não querendo se atrasar para a tal “boas-vindas”, pegou seu celular de cima da cama, as chaves do quarto e saiu, enquanto trancava a porta o elevador abriu e de dentro dele uma morena de cabelos lisos e curtos saiu – era ela, Regina -, andando quase majestosamente, com o queixo erguido. Como o quarto da loira era praticamente de frente para o elevador, foi impossível não se encontrarem, dessa vez sem o esbarrão, mas ainda assim não de maneira muito sutil.

Regina tinha uma chave em mãos, olhou de onde Emma havia saído e assumiu uma expressão irritada.

– Só pode ser brincadeira. – reclamou.

Foi então que a loira entendeu o que estava acontecendo.

– O que foi? Não gostou da sua nova vizinha? – encostou-se à parede do corredor.

– O que você acha?

– Eu acho que você não precisa ficar brava, afinal foi com a melhor das intenções que eu pedi pra ser colocada no quarto ao lado do seu. – provocou.

– Você o que?!

Emma riu.

– É brincadeira, eu posso ser meio maluca, mas não chego a esse ponto.

– Lamento não poder concordar. – virou e foi em direção a outra porta, colocando a chave na fechadura.

– Aonde vai?

– A menos que haja um universo paralelo atrás dessa porta, acredito que esteja indo ao meu quarto.

“Ok, ela é boa.” – Emma pensou.

– Não, é que vai ter tipo uma reunião de boas-vindas ou algo assim no primeiro andar, começa daqui a pouco, passaram nos quartos avisando.

– Eu não sabia disso. – admitiu em voz baixa, com o olhar perdido no batente da porta.

– Isso porque não estava aqui. – comentou e ganhou um olhar irado em resposta – O que? Só estou falando.

– Sim, eu já percebi que essa é sua ocupação favorita.

Regina parou e pensou, não via a menor necessidade em comparecer aquela reunião ou seja lá o que fosse, era pura trivialidade ao seu ver, mas já que tinha passado a última meia hora andando pelos jardins e observando a natureza enquanto tentava superar sua irritação pelo ocorrido com Emma, decidiu que poderia esperar um pouco mais para conhecer o quarto.

Engoliu o nó na garganta por saber que teria que suportar a loira e sua personalidade atrevida apenas uma parede de distância, retirou a chave da fechadura, voltou para o elevador e apertou o botão, logo sentindo Emma se aproximar e parar ao seu lado.

Esperaram em silêncio e quando as portas abriram entraram em silêncio, que permaneceu por meio segundo até que foi rompido, não por ela, é claro.

– Olha, eu acho que nós começamos com o pé esquerdo. – Swan usou seu tom mais amigável – Eu não sou sempre assim, quer dizer, até sou, mas não com gente que não conheço, desculpa pela coisa toda lá em baixo.

– Eu não me importo.

– Regina...

– É Srta. Mills! – afirmou e finalmente virou para olhá-la, as portas se abriram, mas a morena continuou falando enquanto a outra andava ao seu lado – Não pense que por estar hospedada aqui pode falar comigo como se fossemos amigas.

Emma desistiu, não dava pra abaixar a guarda com alguém como Regina.

– Ok, tanto faz. – resmungou e apertou o passo, passando a frente pelos corredores a procura da tal sala de interação social, por instinto olhou para trás e viu a morena parada, provavelmente pensando qual caminho seguir, e se xingou mentalmente pelo coração mole que tinha e o que estava prestes a fazer – Hey, Reg... Srta. Mills! – chamou e foi recebida com um olhar num misto de curiosidade e surpresa – Vai ficar aí pra sempre? Eu tenho um guia, vem comigo.

Regina aceitou e se aproximou de Emma, afinal quanto antes passasse por aquilo, mais cedo poderia subir para o quarto.

Ambas caminharam em completo silêncio pelos corredores do SPA, pois cada uma sabia que se abrisse a boca nada mais do que piadinhas e provocações surgiriam, e não tinham tempo pra isso no momento. Chegaram a tal sala e viram várias pessoas reunidas, algumas sentadas nos sofás de couro preto distribuídos pelo local, e outras em pé conversando. Aparentemente a “cerimônia” ainda não havia começado.

Swan se aproximou de uma funcionária que segurava alguns guias iguais ao seu nas mãos.

– Pode me dar um desses? Minha amiga ali está sem. – apontou para Regina, parada a alguns metros de distância.

“Ai se ela sabe que eu a chamei de amiga...”.

A moça assentiu e entregou-lhe o papel.

– Toma, com isso aqui pra sua completa alegria não vai mais precisar de mim.

– Nada poderia me deixar mais feliz, querida. – provocou, pegando o guia e se afastando para encontrar um lugar para sentar.

Emma permaneceu imóvel, tentando entender por qual motivo um calor gostoso percorreu seu corpo ao ser chamada daquele jeito.

“Você sabe que ela estava sendo sarcástica Emma, para de frescura.”

Limpou a garganta e adentrou mais na sala, para se misturar.

Logo o diretor do SPA apareceu, acompanhado por uma funcionária de confiança, e ambos explicaram coisas como horários, o funcionamento do SPA, suas instalações, atividades e todo o resto. Um vídeo foi mostrado no telão e em seguida os hóspedes foram dispensados para agendarem o que quiserem para o resto da semana, ou apenas para aquele dia, como desejassem.

Regina e Emma estavam a uma distância segura, durante todo o tempo a morena permaneceu sentada na ponta direita de um dos sofás, perto da janela, de pernas cruzadas e feição séria, enquanto a loira arrumou um lugar em pé perto de um grupo de senhoras que conversavam animadamente. Assim que cada um começou a se mover, as duas seguiram caminhos separados. Swan para o restaurante seguindo as coordenadas do guia, pois já era hora do almoço e seu estômago reclamava. Regina decidiu subir para o quarto e ligar para Tinker, sabia que a amiga comentaria sobre sua necessidade de manter controle sob o que acontecia na cidade, mas não podia evitar, afinal seu filho estava lá.

Então, quando abriu a porta da suíte não levou menos do que alguns segundos para observar tudo, constatou que de fato o quarto era muito bonito e tinha um tamanho generoso, mas seu lado orgulhoso a forçou a não se deixar surpreender muito, e optou por pensar que já havia visto melhores.

Notou sua bagagem arrumada encostada numa das paredes e suspirou, o ruim de trazer muita coisa é que dá trabalho para desempacotar, mas resolveu ver aquilo depois e sentou na cama, retirou o celular da pequena bolsa que carregava e procurou o nome de Tinker na agenda, um toque e o número já estava chamando.

– Mas já, Regina? – a voz da loira soou do outro lado da linha, e Regina pôde perfeitamente ouvir o deboche no tom.

– Fico comovida com sua alegria ao ouvir minha voz.

– Você sabe o que eu quero dizer, está aí não tem nem duas horas e já me ligou.

– Vai me culpar por estar preocupada com meu próprio filho?

– Dessa vez vou, acho um exagero, eu não sou essa doida toda que você descreve.

– Jura? Porque eu tenho algumas histórias e fotos que provam o contrário. – brincou.

– Ok, tudo bem, talvez eu seja um pouco instável, mas o Henry é meu afilhado, eu nunca faria nada pra estragar isso.

A morena sentiu a seriedade na frase da amiga.

– Eu sei disso Tinker, confio em você, mas isso não me faz menos mãe, e mães são...

– Paranoicas. – completou.

– Precavidas. – corrigiu com uma leve risada – Agora, por favor, será que você poderia me informar sobre o meu filho?

– Ele está bem, está se deliciando com as três barras de chocolate que eu comprei mais cedo.

– O que? Você deu chocolate a ele? – aumentou a voz – Me diz pelo menos que ele almoçou primeiro, porque senão eu juro que...

Então a risada de Tinker soou do outro lado por alguns segundos até que finalmente voltou a falar.

– Você sempre cai nessas coisas, Gina!

– Pare de me chamar assim, não somos mais adolescentes... – repreendeu com um pequeno sorriso que mesmo não vendo Tinker sabia que estava lá – E como espera que eu te leve a sério se continua fazendo essas piadinhas?

– Está bem... – resmungou, se dando por vencida – Ele já almoçou e agora está no quarto, lendo.

Regina respirou aliviada.

– Não esqueça que ele tem aula amanhã, se eu concordei com que faltasse hoje foi apenas para poder me despedir corretamente, não quero que se torne um hábito.

– Ah com isso você não precisa se preocupar, ele adora estudar, mas também né, de quem eu to falando? Ele é seu filho.

A morena revirou os olhos pelo comentário.

– Farei assim, de noite ligo de novo e converso com ele, por agora acho que vou comer algo e circular um pouco mais.

– Ok, eu falo pra ele, mas e você em, o que está achando desse SPA?

– É agradável, bonito... Fora a simpatia forjada de alguns funcionários tudo está correndo bem.

– Hum, e já conheceu alguém interessante?

– Tinker!

– O que?

– Não foi pra isso que vim aqui, lembra? O intuito era e ainda é relaxar, não me diga que se esqueceu disso sendo que você e o Henry praticamente me empurraram pra cá.

– Uma coisa não impede a outra, e uma paquera leve não faz mal algum. E aí, ninguém em especial vem na sua mente?

Naquele momento Regina não soube como e principalmente o porquê, mas a primeira pessoa em quem pensou foi em Emma, a loira atrevida e desastrada que agora era sua vizinha de quarto.

– Não, até porque como você mesma disse não faz nem duas horas que estou aqui.

– Isso não é desculpa, se tiver que conhecer alguém legal vocês poderiam se esbarrar assim que chegou.

– Eu...

Amaldiçoou a si mesma por sua perca de palavras, ela sabia que Tinker não deixaria passar, afinal quando Regina Mills perde a fala, é porque motivos não lhe faltam.

– Você o que? O que foi? Esbarrou, não é? – mais silêncio – Nem pense em ficar muda agora Regina, pode ir falando.

– Não tem nada pra falar.

– Claro que tem, até por telefone sei dizer quando está escondendo algo, anda, me conta.

– Tinker...

– Ele é bonito? – interrompeu.

– Não tem ele nenhum, para com isso.

– Então é uma “ela”? – Tinker riu descaradamente.

– Eu não disse isso, eu só...

E perdeu a fala outra vez.

– Nem precisou, agora me conta, como ela é? O que aconteceu?

– Não aconteceu nada, ela é apenas uma desastrada que quase me derrubou no jardim e infelizmente está hospedada no quarto ao lado.

– Isso é um sinal.

– Sim, um sinal de que eu não deveria ter vindo pra esse lugar.

– Não Regina, é o destino te dizendo que você pode fugir o quanto quiser, mas o amor vai te encontrar.

Dessa vez quem riu foi a morena.

– Amor? Destino? Você sabe que isso é vida real, certo?

– E você sabe que zombar de mim não vai adiantar, certo?

– Escuta... Não é nada de demais, além de que você sabe que eu não gos...

– De mulheres? Aham, claro, e aquela vez que você saiu com a... Como era mesmo o nome dela?... Ah sim, Michelle, e apareceu na minha porta com o batom todo borrado pra buscar o Henry? – antes que pudesse responder, Tinker continuou – É claro que não parou por aí, como também saiu outras vezes com outras mulheres e me permita dizer, eu sei que você só não foi até os finalmentes com aquela tal de Vanessa porque eu te liguei avisando que o Henry tava com febre.

Regina suspirou. Sim ela se lembrava bem daquele dia, e mesmo que não admitisse, Tinker estava certa. A única coisa que a impediu de não dormir com Vanessa foi aquela ligação, afinal seu filho sempre vinha em primeiro lugar. Sem contar que para ela nenhum daqueles encontros eram levados a sério, ainda mais com mulheres. Ela se divertia, mas não sentia absolutamente nada com ninguém.

– Aliás, eu deveria te agradecer por isso, me arrependeria amargamente caso tivesse ido em frente.

– Claro, mas nós duas sabemos que não seria por não gostar da fruta.

– Ok, já chega, essa ligação está tomando rumos desnecessários, eu falo com você mais tarde.

– Sei... Bom, tudo bem, mas pelo menos me diz o nome dela.

– Quem?

– A mulher que esbarrou em você, ora.

– Tinker...

– Ah vamos, o quê que custa?

– Droga, está bem, o nome dela é Emma.

– Hum... – a malícia quase escorria pelo telefone – Eu gostei, é sexy e ao mesmo tempo inocente. E o sobrenome?

Então a morena se deu conta de que não tinha resposta para aquela pergunta.

Havia dito seu nome completo para a loira, mas não sabia o dela.

– Eu não sei.

– Então pergunta.

– Não, eu não vou, agora chega desse assunto, ligo pra você de noite, não se esqueça de avisar ao Henry, tchau.

E não deu tempo para mais provocações, desligou o celular e suspirou.

Só Tinker mesmo para achar que Emma era algum tipo de sinal, até parece.

“Só se for sinal de confusão.” – pensou e foi desfazer as malas.

Enquanto isso, no primeiro andar Emma estava sentada em uma das mesas no canto do restaurante, já havia feito seu pedido e agora esperava, observando as pessoas que entravam e saíam, e as que faziam suas refeições em volta dela.

Seu celular tocou o alerta de mensagem e ela o pegou, era Mary.

M: Muito obrigada por avisar que você está viva.

A loira sorriu, sabia que a amiga se preocupava com ela, e ligaria para ela assim que subisse para o quarto, mas aparentemente Mary não conseguiu mais se aguentar e mandou uma mensagem repleta de ironia.

E: Disponha, sou a melhor amiga que você poderia ter.

Um minuto depois, e a resposta.

M: Não tem graça Emma, você poderia ter me ligado.

E: Eu sei, desculpe, mas não tive muito tempo desde que cheguei.

M: Estou interrompendo alguma massagem relaxante?

E: Não, na verdade eu estou esperando meu almoço chegar.

M: Você e sua fome, não sei pra onde vai toda essa comida.

E: Geralmente eu a perco na academia do trabalho, mas durante esses dias vou ter que me virar na que tem aqui mesmo.

M: Está bem, eu tenho que ir agora, preciso corrigir algumas provas.

Me mantenha informada, e eu falo sério.

Até logo.

E: Eu sei que sim, relaxa, qualquer coisa seu número vai ser o primeiro que eu vou discar, prometo.

Até.

Guardou o aparelho de volta no bolso e uma sensação estranha invadiu seu corpo, como se estivesse sendo observada. Olhou ao redor e encontrou o motivo, uma garçonete morena e de olhos azuis a encarava fixamente de longe, e Emma conhecia os olhares das mulheres para ela, mas aquele era diferente, ela parecia curiosa, como se estivesse tentando decifrar algo.

Então de repente pegou a bandeja de uma de suas colegas, que continha o pedido da loira, e se aproximou, colocando o prato e a taça em cima da mesa.

– Olha só, se minha avó me pega aqui falando com uma cliente ela me mata, mas eu não pude me livrar da sensação de que te conheço de algum lugar.

Emma riu.

– Eu entendo, bom, você vai à cidade com frequência? Pode ser de lá.

– Eu não sei, quer dizer, vou bem menos do que gostaria, mas... – arregalou os olhos – É isso! Lembrei, seu nome é... Ella ao algo assim, e o sobrenome é Swan, disso eu tenho certeza, não dá pra esquecer.

– Na verdade é Emma, mas o resto está certo. – sorriu – Me desculpa, mas de onde a gente se conhece?

– Eu sou a Ruby, daquela noite no bar policial... Um idiota bêbado começou a me cercar na saída e você me ajudou, a gente conversou um pouco depois e você disse que eu era a primeira garota hetero depois da sua melhor amiga que não tinha medo de você, lembra?

– Ah sim! Ruby, é claro! Meu Deus, isso tem o que? Um mês? Minha memória é um fiasco às vezes. – sorriu – Eu te convidaria pra se juntar a mim, mas acho que você não pode, né? – a moça negou com a cabeça – Tudo bem... Mas então é aqui o restaurante que você me falou?

– Aham, eu te explicaria melhor, mas já estão me olhando estranho, preciso ir.

– Está bem.

Tão rápido quanto fez o movimento para sair, ela voltou.

– Mas antes, considere isso como um agradecimento atrasado, eu tenho uma dica: se inscreva na aula de ioga.

– Posso perguntar o porquê?

– Pensa comigo, aquelas roupas coladas e movimentos ousados... É o paraíso! – piscou para Emma e saiu.

Sozinha de novo a loira riu, Ruby era uma figura, e enquanto almoçava cogitou a possibilidade de fazer o que lhe foi sugerido, nem que não fosse pela visão privilegiada de algumas mulheres se alongando, ela também poderia aprender uma coisa ou outra.

“Ioga... É, acho que merece uma tentativa.” – pensou, e continuou a comer.

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A sala de ioga não estava nem vazia e nem lotada, considerando que faltavam alguns minutos para a aula começar. Emma entrou, pegou um dos colchonetes da pilha e se olhou no espelho. Vestida com uma regata branca e legging preta, seu par de tênis cinza de corrida e o cabelo preso num rabo de cavalo.

Já era fim de tarde, quase seis horas, ela havia agendado a aula no balcão de agendamentos e quando soube o horário ficou feliz, pois assim que terminasse tomaria um banho e descansaria.

Viu outras pessoas entrando, homens e mulheres, e então sua atenção caiu sobre uma pessoa em especial: Regina.

Ela usava uma blusa justa na cor roxa, um short preto e também justo um pouco acima dos joelhos, tênis escuros e o cabelo preso num coque no alto da cabeça, com alguns fios soltos.

A morena parecia não ter notado a presença dela, ou estava fingindo muito bem.

Pegou um dos colchonetes e parou em frente à Emma, mas de costas.

“Qual é! Ela vai ficar na minha frente usando esses shorts?” fez uma careta e coçou a nuca, depois alisou o rabo de cavalo e decidiu fazer o que sabia de melhor: provocar.

– Desse jeito eu vou pensar que está me seguindo, Srta. Mills. – falou perto do ouvido de Regina, que virou para encará-la com uma expressão assustada e... Nervosa?

“Eu a deixo nervosa?” – Emma questionou a si mesma, surpresa.

– O que está fazendo aqui?

– Até onde eu saiba vim fazer ioga. – sorriu – Adorei o short aliás, fica muito bem em você. – deu um passo para trás e voltou ao seu lugar.

Regina engoliu sua resposta assim que o instrutor entrou na sala.

A aula seguiu seus primeiros vinte minutos tranquilamente. Swan por mais que quisesse não conseguia controlar seus olhos, que voltavam sempre a encarar o mesmo lugar e a mesma pessoa: Regina e sua bunda incrivelmente sexy a cada movimento que fazia.

“Droga Emma, você terminou um relacionamento tem pouco mais de um mês, se controla!”

Então a voz do instrutor tirou-a de seu monólogo interno e todos voltaram as suas poses normais, o homem pediu para que formassem duplas e logo todos foram encontrando seus pares, deixando apenas duas mulheres sem alternativa a não ser escolherem uma à outra.

– Parece que somos só nós duas. – Emma sorriu, colocando seu colchonete ao lado do de Regina.

– De fato a sorte não tem estado ao meu favor.

– Ah vamos, eu sou uma pessoa muito legal, saberia disso se parasse de me atacar por um segundo.

– Não, obrigada.

Preparou-se para retrucar, mas sentiu uma mão em suas costas e virando deu de cara com um homem alto, moreno, deveria ter uns trinta e poucos anos.

– Com licença senhoritas. – disse – Meu nome é George, vejo que foram as últimas a se arrumarem, talvez queiram trocar comigo e meu colega. – acenou com a cabeça na direção de outro homem um pouco mais a frente, magro e de óculos.

Emma sentiu que a mão que antes estava em suas costas, havia descido um pouco mais, quase tocando sua bunda e olhando bem pra cara do sujeito logo reconheceu seu tipo. Aquele sorriso cafajeste era tão típico, era um daqueles que partem para aulas de ioga como se fossem caçar, e usam desculpas esfarrapadas para “ajudar” as mulheres com os exercícios, e com isso conseguir um toque ou outro de graça em partes, digamos...

Bem, o que importa é que tudo indicava que a vítima seria ela, mas antes que pudesse recusar...

– Que coincidência, minha colega estava justamente comentando sobre o desejo de trocar. Não é mesmo, Srta...?

A loira estreitou os olhos, entendendo o jogo dela.

– Swan. – sorriu e virou para George – Emma Swan. E sim, eu estava, vamos lá.

Retirou a mão do homem de sua cintura e pegou seu colchonete, poupando a si mesma de ver o olhar divertido de Regina.

Durante o restante da aula as duas mulheres trocaram olhares num misto de desafio e diversão uma para a outra. Emma se esquivou como podia de George, claro que se quisesse poderia quebrar sua mão e fazê-lo parar sem a menor dificuldade, mas não queria criar uma cena. Regina continuou com seu parceiro que era levemente desajeitado, e assim quando o instrutor indicou que o tempo havia acabado, se despediu de todos e uma a uma as pessoas começaram a sair. Swan deu um tchau rápido para George antes que ele pudesse sequer pensar em tocá-la de novo, e foi em direção a morena do outro lado da sala, que colocava seu colchonete de volta na pilha.

– Muito bonito Srta. Mills. – comentou, e a mulher virou para olhá-la.

– Perdão?

– Me empurrar daquele jeito pra cima daquele tarado.

Pela primeira vez desde haviam se conhecido – o que não fazia nem um dia, aliás – Emma viu um sorriso se formar nos lábios da morena, e dessa vez nem ela mesma parecia ter notado isso.

– Eu não sei do que você está falando Srta. Swan, a propósito, adorável sobrenome, sinto não poder dizer que combina.

– Como assim?

– É que cisnes são graciosos e delicados, itens esses que já foram riscados da sua lista de qualidades.

– Algo me diz que eu deveria me sentir ofendida, mas não, na verdade gosto do seu jeito.

– Meu jeito?

– Sim, sabe, você é mais parecida comigo do que pensa, a diferença é o que seu humor está todo envolvido pela neblina da sua... Classe.

– Fico feliz em saber que consegue formar uma frase razoável, embora não concorde com ela.

– Não preciso que concorde, só peço que da próxima vez resolva seus problemas comigo ao invés de me jogar pra cima do primeiro que aparecer.

– Ah vamos, não pode ter sido tão desconfortável assim, toda mulher gosta de se sentir desejada.

“Ok, acho que vou encerrar essa conversa com chave de ouro, Srta. Mills.”

– Verdade, só que no meu caso eu não gosto de me sentir desejada por homens, se é que você me entende.

Por essa com certeza Regina não esperava, afinal Emma era sim muito atrevida e exalava uma confiança até admirável, mas nada nela gritava sobre sua sexualidade, não que precisasse, mas bem, o fato era que a morena nunca foi boa em perceber esse tipo de coisa.

– Ah...

– Não acredito, consegui te deixar sem fala?! – riu – Sorte sua que meu celular ficou no quarto, senão eu já teria registrado esse momento.

– Oh por favor, cresça. – repreendeu, não gostando de ter demonstrado alguma fraqueza na frente da outra.

– Estou bem assim, obrigada. – sorriu – Agora se quiser sair correndo e me ignorar pelo resto desses dias eu vou entender.

– Não que sua companhia seja das mais agradáveis, mas por que eu faria isso?

– É que a maioria associa a palavra gay com a palavra pervertida, como se eu perseguisse tudo o que usa saia, então vamos pular essa parte.

– Bem, eu... Eu não...

“Droga, Regina! É a segunda vez em menos de dois minutos que você perde a fala na frente dessa mulher, recomponha-se.”

– Está tudo bem, sério. Eu vou subir e tomar um banho, quem diria que ioga exigisse tanto da gente, né? Vejo você por aí... – começou a se afastar – Ou não, bom... Tchau.

Saiu da sala deixando Regina a mercê de seus próprios pensamentos.

“Ora, isso não significa nada, ela é lésbica, mas o que eu tenho com isso?... Nada, não tenho absolutamente nada, tudo continua igual.”

E naquele momento qualquer um que observasse de fora faria a mesma pergunta:

Será?

Notas finais
Quem gosta dessa amizade entre a Tinker e a Regina? Pq eu adoro então sempre que puder coloco as duas pra conversar. E quanto a Ruby, bom, ela vai vai ser importante na história num certo momento... E sim, Regina já ficou com mulheres, não quero fazer dela nenhuma inocente nesse quesito, ela só não... Se aprofundou mais hahaha E esse final, hein? O que será que vai mudar? Digam o que acharam, o que pensam que vai acontecer, tudo! É importante pra mim ♥ O próximo sai lá pra sexta, bjs.