I haven't seen you coming
19 Capítulo 19
Notas iniciais
O sol já havia nascido e iluminava o quarto, mas não foi isso que despertou Emma naquela manhã. E sim a sensação de um corpo quente e esguio pressionado contra o dela.
Durante os primeiros segundos, ainda sem ganhar plena consciência, ela tentou se lembrar quem poderia ser, mas ao abrir os olhos e reconhecer onde estava seus sentidos vieram à tona e ela olhou para o lado, onde Regina dormia tranquilamente com um braço cruzando a barriga da loira.
Percebeu a luz do sol iluminando seus corpos.
No começo achou bonito, mas no segundo seguinte entrou em pânico e olhou em volta procurando um relógio, e encontrou o digital ao lado da cama.
06:17
Foi então que a ficha caiu.
Ela tinha dormido lá!
Na casa de Regina, na cama dela.
Sendo que Henry podia acordar a qualquer momento e vê-la.
Agitada, ela começou a se mexer tentando levantar, mas logo sentiu o aperto do braço morena se intensificar.
— Por que você está se mexendo tanto? — perguntou ainda de olhos fechados e com a voz sonolenta.
— Ah… Talvez porquê eu precise ir embora?! Amanheceu, Regina. Eu dormi aqui.
— É mesmo? E eu pensei estar imaginando coisas. — ironizou.
— Você já acorda afiada né? — riu – Mas é sério, eu tenho que ir. Seu filho pode acordar e…
— É sábado. Henry não levanta antes das dez. — disse abrindo os olhos – E meu alarme está configurado para as nove, então não se preocupe. Volte a dormir.
Emma ficou sem reação por alguns segundos. Seu cérebro ainda tentava se adaptar ao fato de Regina não estar surtando.
— Tem certeza? — perguntou.
— Sim, eu tenho. — fechou os olhos novamente.
Emma não demorou a fazer o mesmo, sentindo o sono voltar.
Elas se aconchegaram uma na outra naturalmente, como se já fizessem aquilo há anos.
Da próxima vez que Emma acordou ela estava sozinha na cama e o chuveiro do banheiro estava ligado.
O relógio marcava 08:50 e ela resolveu se vestir. Quando terminou de calçar suas botas a porta do banheiro abriu e Regina saiu de cabelo molhado, toalha na mão e usando apenas uma lingerie preta.
Visão essa que fez suas pernas fraquejarem e ela sentou de volta na cama.
“Essa sim é a imagem perfeita pra se começar o dia.” — pensou.
— Por favor tente não babar no meu lençol. — Regina alfinetou.
— Acho que seu lençol consegue lidar, ainda mais depois do que a gente fez em cima dele noite passada. — rebateu e sorriu ao ver a expressão chocada da morena – Mas mudando de assunto, você acordou antes do despertador. Por que?
— Sim, eu acordei… — disse enquanto entrava no closet para procurar o que vestir – Porque alguém interrompeu o ciclo do meu sono.
— Bom, me desculpe por isso, majestade. — parou na porta do closet – Não irá se repetir.
— É o que eu espero… — tentou passar levando a roupa, mas Emma impediu segurando-a pela cintura.
Seus olhos se encontraram intensamente, e ambas sentiram em antecipação o que estava por vir. Até que Emma falou.
— Eu quero muito te beijar agora, mas melhor escovar os dentes primeiro. Você tem…
O toque do celular de Regina a interrompeu.
— Esqueci de desativar… — disse ao chegar até o aparelho e cessar o barulho – Tem uma escova reserva no armário embaixo da pia, pode usá-la.
E foi o que Emma fez.
Quando saiu do banheiro Regina já estava vestida com uma calça preta justa e uma blusa dourada. Parada na frente do espelho passando a toalha no cabelo, que já mostrava suas ondas naturais. Os pés estavam descalços e Emma notou as unhas pintadas de preto.
Achou aquilo uma graça.
Se aproximou e abraçou Regina por trás.
— Eu tenho que ir embora, ainda preciso passar em casa pra tomar um banho e ir pra delegacia. — disse – Mas agora quero meu beijo.
Regina rapidamente virou, jogou a toalha na cama e a beijou.
Elas passaram com cuidado pela sala e a morena acompanhou Emma até o elevador.
— Vou te dar uma folga da minha pessoa, mas amanhã a gente se fala ok?
Regina assentiu.
Uma parte sua não queria se despedir da loira ainda, mas a outra sabia que era preciso. Pelo menos no momento.
— Não sabia que você iria trabalhar hoje. — disse quando o elevador abriu.
— É umas papeladas que eu tenho que preencher, mas se aparecer alguma coisa… Lá vou eu. — sorriu e parou na porta para impedir de fechar – Essa noite foi maravilhosa, eu amei. Vem cá… — puxou Regina e deu um último beijo antes de entrar completamente no elevador.
— Tenha cuidado… — disse um segundo antes da porta fechar.
Suspirou sozinha no corredor e voltou para dentro do apartamento, ainda precisava seguir com o dia sem deixar Henry suspeitar que alguém havia passado a noite com ela. Que esse alguém era Emma, e que ela já não sabia dizer o que sentia pela loira, só sabia que crescia a cada dia mais.
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“Então você está me mandando mensagem no meio de uma reunião? Estranho…” — Emma
“A reunião em si já acabou, agora estão discutindo coisas que não me interessam… Mas e você? Não deveria estar trabalhando?” — Regina
“E estou. Mas tenho um tempinho livre até o bendito computador analisar o DNA que eu preciso, e se eu entrar na sala do legista pra perguntar mais uma vez tenho certeza que ele vai usar o bisturi em mim” — Emma
“Você anda armada, não precisa se preocupar” — Regina
“Eu sei disso, mas prefiro evitar abrir fogo aqui dentro” — Emma
— Regina! — August chamou em voz alta, fazendo-a desprender a atenção do celular – Sei que já é de noite e provavelmente o que você está olhando no celular deve ser muito mais interessante… Mas eu ainda preciso de uma resposta.
— Sobre o que? — perguntou, perdida.
— O jantar amanhã, você vai?
Todos os olhos na sala estavam concentrados nela.
Ela vinha tentando escapar desse jantar desde que fora mencionado quase duas semanas antes.
August havia vencido uma causa importante para uma multinacional, e além do rendimento financeiro extremamente alto que ele e a firma receberam, o presidente pessoalmente ofereceu um jantar completamente pago em um dos restaurantes mais prestigiados da cidade. E como bônus serviria também como comemoração para o aniversário de August, que tinha sido naquela semana.
— Claro, estarei lá. — disse enfim, ainda que a contra gosto.
Quando todos saíram ela lembrou do celular já apagado em cima da mesa, e ao desbloquear a tela se deparou com várias mensagens.
“O resultado saiu antes do que eu pensava, vou ter que ir” — Emma
“Regina?” — Emma
“A reunião ficou interessante de novo?” — Emma
“Bom, eu tenho mesmo que ir” — Emma
“Pelo visto hoje vou chegar tarde em casa” — Emma
“A gente se fala depois, ok? Beijo” — Emma
“Eu fui chamada para responder uma pergunta, desculpe” — Regina
Respondeu e esperou por qualquer sinal de vida da loira, mas o ícone de online não apareceu mais.
Suspirou e começou a organizar os papéis para voltar à sua sala, enquanto pensava em como se livrar do tal jantar no dia seguinte.
Ela preferia fazer outras coisas do que passar tempo com as pessoas que já era obrigada a ver todos os dias. Além de Kathryn, que havia estudado com ela na faculdade e tinham certa proximidade, e Robin, que era sempre gentil e educado, sem ser inconveniente, ela não gostaria de passar mais tempo do que o necessário com ninguém do escritório.
Sem conseguir pensar numa saída ela fez o que tinha que fazer e foi para casa, onde aproveitou o resto da noite com Henry, e quando já estava se preparando para deitar, seu celular tocou.
— Alô?
— Regina, sou eu. - disse Emma.
— Emma? Esse não é o seu número. — estranhou.
— Eu sei, estou ligando do celular de um amigo. A bateria do meu morreu e eu não estou em casa, mas…
— São mais de onze e meia, o que você está fazendo? — interrompeu.
— Longa história. Mas eu vou tentar resumir: tivemos que montar uma espécie de emboscada, que acabou não dando certo. Os caras correram, a gente correu atrás. Nós pegamos eles, o interrogatório foi longo, e agora eu estou jogada num sofá que não é o meu porque minha casa fica a mais cinco quarteirões de distância e eu estou cansada demais. - falou o final com a voz melosa, enquanto se aconchegava numa almofada.
— Certo... Me parece uma noite e tanto. Mas fora o cansaço, você está bem? — perguntou.
— Sim, nenhum arranhão dessa vez. David está procurando um carregador extra pro meu celular já que o dele está sendo usado nesse aqui. - explicou – Ah ele trabalha comigo, aliás. Namora com a… - e parou.
— Com quem? — sondou.
— Esquece. Não quero estragar seu humor.
— Você vai se não terminar de falar. — insistiu.
— Está bem… Ele namora com a minha amiga Mary Margareth. - contou – Eles moram juntos e é onde eu estou.
— Por que eu não me surpreendo? — perguntou, revirando os olhos.
— Você acaba de revirar os olhos, não é?
— Como você… — suspirou – Por acaso plantou uma câmera no meu quarto enquanto eu dormia?
— Não, mas gostei da ideia. - riu – Brincadeira… Ah, espera aí. - ao fundo ela pôde ouvir uma breve conversa e uma voz masculina, depois Emma agradeceu alguma coisa e voltou ao celular – Ele achou o outro carregador, eu podia já estar usando o da Mary se ela não tivesse perdido no metrô justo hoje… Aliás, quem perde o carregador do celular no metrô?!— reclamou parecendo ser mais para si mesma do que para a morena, e mais uma vez Regina ouviu algum barulho no fundo da ligação — Pronto, está carregando. Ufa!
— Mas querida… — chamou, lembrando de algo – Se seu celular desligou como conseguiu me ligar de outro?
— Ah, eu sei seu número de cabeça.— disse rapidamente, e a linha ficou em silêncio, Regina estava sorrindo, mas Emma não tinha como saber — Ok, chega de falar de mim…— disse sem graça — Como foi o seu dia? No que deu aquela reunião?
— O mesmo de sempre. Na verdade acabou me rendendo um convite um tanto quanto indesejado.
— É? Que convite?
— Um jantar que um dos sócios ganhou quando venceu um caso, como se ele já não tivesse o ego grande o bastante. — bufou – Não é exatamente como eu gostaria de encerrar minha semana.
— Nem me fale, eu…— suspirou — Eu queria te ver. Essa semana foi uma loucura e eu sei que a gente tem se falado como pode, mas não é a mesma coisa.
— Ao menos dessa vez eu sei que você não está inventando motivos para me evitar. — disse.
— Dá pra esquecer esse episódio? Já passou. E agora lá se vai mais um dia, porque você tem esse jantar e…
De repente Regina teve uma ideia.
— Mas não quer dizer que eu precise ficar nele. — disse – Estaria disposta a ir me buscar? Eu pensarei numa desculpa para dizer na hora e nós podemos…
— Sim!— cortou, animada — Ótima ideia, é só me falar o endereço que eu vou estar lá.
Regina riu com a empolgação da loira, e ficou feliz consigo mesma por ter conseguido resolver duas coisas de uma vez só.
Escaparia do jantar e de quebra ainda passaria o resto da noite com ela.
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A sexta feira chegou e passou rápida, depois de terminar os seus compromissos do dia, ir para casa, deixar a comida do filho pronta e se arrumar, ela estava parada na porta do restaurante, ainda dentro do Uber. Que havia decidido pegar já que voltaria com Emma.
Pagou o motorista e saiu, ao mesmo tempo em que Robin apareceu, sorrindo para ela. Diferente dos ternos do dia a dia, ele usava uma calça despojada, acompanhada de uma camisa de linho e uma jaqueta de couro preta. Mas ao olhar para a peça, a única pessoa que veio à cabeça dela foi Emma.
Aquilo a fez sorrir sem perceber, fazendo Robin pensar que era por causa dele.
— Olá, Regina. — cumprimentou – Está linda, como sempre.
— Obrigada. — disse – Pronto para o que provavelmente será um dos jantares mais entediantes de nossas vidas?
— Não, mas já estou aqui. — riu – Eu notei que você não veio com seu carro… Algum problema?
— Não, eu o deixei na revisão que mando fazer de seis em seis meses. — mentiu.
— Ah, nesse caso se tivesse me avisado eu ficaria feliz em te dar uma carona.
Ela apenas sorriu em resposta e preferiu não prolongar o assunto. Passou pela porta do restaurante, que Robin prontamente abriu para ela.
Ao chegarem à mesa, Kathryn, o marido dela Frederick, August e mais uma moça que ela não conhecia já estavam lá.
— Finalmente quem faltava! — August comemorou erguendo uma taça – Vieram juntos? Isso explicaria o atraso… — sugeriu maliciosamente.
— Por favor, guarde suas suposições para você! — respondeu irritada e foi se sentar ao lado de Kathryn – Boa noite, querida. — cumprimentou – Frederick…
— Boa noite, Regina. — ele respondeu.
— Essa mulher que ele trouxe… — Kathryn começou, sussurrando – É uma acompanhante profissional. Acredita nisso?
Discretamente Regina analisou melhor a mulher que August ostentava, o vestido dourado brilhante e extremamente decotado, a maquiagem exagerada e os modos extravagantes. Sim, fazia sentido.
— Vindo dele? Não me surpreende. — disse.
Os próximos vinte minutos passaram rápido, eles concordaram em provar os aperitivos e algumas bebidas antes de pedir o jantar, o que deu Regina o exato tempo que ela queria. August estava engajado numa conversa com Frederick sobre esportes, a acompanhante não parava de beber e Robin e Kathryn discutiam sobre curiosidades do dia a dia no escritório e ela vez ou outra opinava também, até sentir uma mão em seu ombro e imediatamente reconhecer o toque.
— Emma? — virou e se deparou com a loira sorrindo para ela – Emma! Você… — então se lembrou de que queria sair dali e precisava dar continuidade no plano – Com licença, essa é Emma Swan, uma amiga minha. — apresentou – Esses são Kathryn, o marido dela Frederick, Robin, August e a convidada dele cujo nome eu não tenho ideia qual seja. — disse sincera, arrancando uma risada de todos presentes, menos August e a mulher em questão.
— O nome dela é Celeste. — August respondeu, calando a moça que se preparava para discutir – E por que não se junta a nós, Emma? Eu com certeza adoraria poder olhar mais para você.
— August! — repreendeu Regina, irritada.
— Não, tudo bem. — Emma disse – Eu não te conheço bem o suficiente pra você me dizer esse tipo de coisa, mas posso te adiantar algo… Continue sonhando! — rebateu e August fez uma careta e desmanchou a postura confiante – Agora, posso falar com você? — perguntou voltando a olhar para Regina.
— Claro, com licença. — pediu e se afastou um pouco da mesa – Por que essa roupa? — perguntou olhando melhor o vestido preto e elegante que ela usava.
— Oi pra você também, sim eu estou bem e sim foi bem fácil conseguir entrar aqui sem ter uma reserva.
— Desculpe, mas… — suspirou – Eu não a vejo assim desde…
— O SPA, eu sei. — completou – Eu não sou muito de usar vestidos, mas você disse que era um restaurante fino então… Fiz um esforço. — sorriu – Podemos ir agora?
— Com certeza. Só um momento… — voltou para perto da mesa – Lamento, mas eu vou precisar sair.
— Quanta coincidência, não é mesmo Regina? — August perguntou, debochado – Você chega, não fica nem meia hora e alguém aparece com algum imprevisto pra te levar embora. Assim eu vou acabar pensando que armou isso tudo porque nem queria ter vindo.
— O que eu disse para você fazer com suas suposições? Agora com licença, e… Feliz aniversário. — rebateu, também em tom de deboche.
Acenou em despedida rápida para Kathryn e Frederick, mas antes de alcançar Emma novamente, seu nome foi chamado.
— Regina, espere! — era Robin – Quero que saiba que eu estou disponível caso você precise de uma carona para o escritório enquanto estiver sem seu carro.
— Robin, eu não… — tentou começar a recusar.
— Eu insisto. Gosto de dirigir e gostaria ainda mais se tivesse a sua companhia. — sorriu.
— Ótimo! — disse Emma em voz alta, fazendo-a olhar para trás onde ela estava parada – Quando você quiser ir, eu vou estar no bar.
E saiu sem dar chances para que Regina dissesse algo.
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Emma queria beber.
Mesmo estando dirigindo, uma dose pequena de qualquer coisa seria ótimo para acalmar a sensação de impotência que estacionou dentro dela no momento em que viu como aquele homem, Robin, olhava para Regina.
— Eu gostaria ainda mais se tivesse a sua companhia… — imitou a fala dele, debochando – Palhaço! — resmungou em voz baixa, bufando.
— Moça… — chamou o bartender, jovem e aparentando receio – Posso te servir alguma coisa?
— Só se for de graça, porque esses preços são ridículos. — pegou a cartela de bebidas ao seu alcance em cima do balcão – Vocês não podem cobrar quarenta dólares de uma pessoa por algo que vem num copo desse tamanho! — pegou o pequeno copo de vidro vazio no lugar ao lado dela para usar de exemplo.
— Sinto muito, mas é o preço estabelecido pelo gerente e eu não posso…
— O que foi aquilo?
Ambos olharam para a dona da voz que interrompera o bartender, mas como a pergunta foi feita para Emma, o rapaz logo procurou focar em outros clientes para atender.
— Aquilo o que?
— Aquela cena, você saindo daquele jeito. — disse Regina.
— Nada demais, eu só achei que seria melhor deixar vocês dois à vontade pra combinar a coisa toda da carona.
— Emma… — suspirou, se preparando para falar – Robin me viu chegar de Uber, então eu tive que inventar uma história de que tinha deixado meu carro na revisão. Mas não haverá carona nenhuma, eu recusei e contei a verdade para ele.
— Mesmo? — estranhou.
— Sim, e ele até mesmo achou engraçado. Então… Vamos?
— Sim, vamos. Antes que mais alguém nos impeça. — levantou – Eu só preciso ir ao banheiro antes, onde fica?
— Naquele corredor. — indicou a passagem alguns passos à frente.
A loira por sua vez não conseguiu andar muito sem esbarrar num garçom, que por sorte carregava uma bandeja já vazia.
— Desculpa! — pediu e em troca ganhou apenas um olhar levemente irritado, e viu Regina ainda parada no mesmo lugar pronta para comentar sobre o descuido dela, mas outra pessoa foi mais rápida.
— Ainda esbarrando em tudo que vê pela frente… — disse uma voz conhecida, que logo a fez virar para ter certeza de que era mesmo quem ela pensava ser – Algumas coisas realmente nunca mudam.
E era.
— Mulan? — perguntou incrédula – Você aqui?
— Eu também estou surpresa, esse não costumava ser o seu tipo de ambiente. — comentou sorrindo timidamente, afinal foram quase quatro meses sem nenhum contato com a loira.
Nenhuma das duas esperava por aquele encontro repentino, mas nada poderia superar o choque de Regina, que observava a troca de palavras entre as duas atentamente. E automaticamente começou a se aproximar devagar.
— É, e nem o seu.
— Eu estou a trabalho. — respondeu apontando para o crachá fixado em seu blazer preto, escrito "segurança particular".
— Sério? Como isso aconteceu? — perguntou curiosa, pois era uma virada e tanto, mas ao invés de responder Emma reparou que Mulan olhava algo atrás dela, e ao se virar deu de cara com Regina, não menos do que a dois passos de distância, e com uma cara nada boa – Eu vim aqui resgatar ela de um jantar chato com uns colegas de trabalho. — explicou passando a mão em volta dos ombros da morena e trazendo-a para o seu lado – Regina, essa é Mulan, Mulan, essa é Regina minha... amiga. — completou, ganhando um olhar desconfiado de sua ex.
— Olá, é um prazer conhecê-la. — cumprimentou, estendendo a mão para a advogada que após um breve segundo de relutância aceitou e retribuiu o gesto.
— Igualmente. — deu um sorriso forçado.
— Então a missão de resgate funcionou?
— Bom, acontece que… — Mulan parou de ouvir a resposta de Emma assim que se sentiu intensamente encarada por Regina, que a media dos pés à cabeça, com a postura e o semblante visivelmente rígidos.
Em outro momento ela não se importaria em perguntar diretamente qual era o problema, nunca foi do tipo que assistia calada, mas aquela noite já tinha lhe rendido surpresas suficientes. Então preferiu deixar pra lá.
— Desculpa Emma, mas eu preciso ir, estão me esperando. Que tal tomar um café qualquer dia desses? Seu número ainda é o mesmo?
— É sim. — confirmou sorrindo.
— Ótimo, eu te ligo. E não é da boca pra fora, você me conhece. Vou ligar mesmo. — garantiu – Acho que nós temos umas coisinhas pra conversar.
— É, você precisa me atualizar sobre isso aí… — disse apontando para o crachá.
— Eu vou. — sorriu – Nos falamos depois, tchau.- acenou rapidamente para Regina que continuava séria, e saiu.
Ao olhar para a morena, a ficha de Emma finalmente caiu.
Aquela definitivamente não era uma situação que ela esperava enfrentar, muito menos com Regina presente, assistindo tudo.
Era simplesmente... estranho.
— Vamos. — a morena disse já caminhando em direção a saída do salão.
— Mas eu ainda tenho que ir no… — desistiu ao ver que estava falando sozinha, e resolveu segurar a vontade que até o momento ainda estava suportável.
Do lado de fora entregou a chave ao manobrista.
— Eu disse que seria rápido.
O rapaz sorriu simpático e saiu para pegar o carro.
— Por favor me diga que você não veio com aquela geringonça amarela. — disse Regina, ainda com a feição séria mesmo ao provocar a loira.
— Não se preocupe, eu estou com meu carro de trabalho. Só não sei se pode ser considerado uma carruagem digna de transportar uma rainha…
— Sem gracinhas. — Regina interrompeu – Já não fez o suficiente?
— Não sei, fiz? E se fiz, foi o que exatamente?
Mas antes que Regina pudesse responder o carro parou diante delas e antes mesmo da chave ser devolvida para Emma ela já entrou e se acomodou no banco.
Não gostava do que estava sentindo, e muito menos de ter que tentar entender isso estando tão perto de Emma, mas precisava chegar em casa de alguma forma.
— Regina, o que está acontecendo? — Emma perguntou assim que sentou ao lado dela.
— Nós conversaremos depois, me leve para casa.
— Mas eu pensei que a gente fosse sair ou…
— Eu não estou mais com cabeça para isso, agora pode por favor ligar esse carro e dirigir?
Emma pensou em revidar, mas com certeza isso acarretaria uma briga, e apesar de não entender direito o que havia mudado, ela não queria piorar as coisas.
O caminho foi feito em silêncio, Regina olhou pela janela o tempo inteiro, ainda que não tivesse prestado atenção em nada de verdade.
Emma decidiu deixá-la em paz naquele meio tempo, mas quando estacionou em frente ao prédio de Regina e ela começou a se preparar para sair do carro ainda sem dizer uma palavra, sua decisão mudou.
— Já é depois.
— Como? — a morena perguntou, confusa.
— Você disse que depois a gente conversaria, e agora já é depois. Então, o que está acontecendo?
— Emma, agora não. Eu preciso subir e…
— Você precisa falar comigo, isso sim. Eu te disse semana passada, quando a gente se entendeu. — disse buscando a mão dela – Então vamos, me fala.
— Sua interação com aquela mulher… Sua ex namorada. — começou após vários segundos de espera – Me incomodou.
— Ok, está bem… Mas por que? Mulan não representa risco algum, não pra mim pelo menos. Sim nós estivemos juntas, mas acabou. Aliás acabou muito antes da gente perceber.
— Bem, eu entendo como isso funciona e acho ridículo o que senti, mas… — abaixou a cabeça, sentindo-se exposta.
— Ei, tá tudo bem. — disse Emma erguendo o rosto dela com a mão livre – Essas situações são sempre um pouco estranhas.
— Talvez não se você tivesse me apresentado corretamente. — Regina disparou, sem pensar, entrando num assunto para o qual ela não sabia se estava pronta.
— Corretamente como? Minha namorada? Companheira? Eu não sabia se era o que você queria, nós nem falamos sobre isso e… — então Emma lembrou de Robin no restaurante – E também não é como se você tivesse feito diferente. Tanto que aquele cara se sentiu livre pra dar em cima de você comigo bem ali do lado.
— Do que você está falando?
— O da carona, que fala como se tivesse um ovo dentro da boca.
— Robin? Ah por favor, eu já disse que recusei a oferta.
— Sim, e pelo visto também se recusa a admitir que sabe muito bem onde ele queria chegar com aquilo não é?!
— Não me importa onde ele queria chegar ou não, até porque isso não justifica sua atitude. — rebateu.
— Mas que atitude? Eu não fiz… — parou e respirou fundo – Olha, eu não quero brigar. Essa noite devia estar sendo completamente diferente, nós devíamos ter saído daquele restaurante num clima gostoso, rindo da cara de pau daquele tal de August e pensando como compensar ao máximo esses dias que a gente não conseguiu se ver.
— Emma…
— Não, me deixa terminar. Eu não vou dizer que entendo exatamente o motivo de você ter ficado chateada, porque eu não vi nada de demais naquele papo de dois minutos com a Mulan. Mas acho que entendo o porquê disso estar acontecendo.
— E pretende me dizer ainda hoje? — Regina perguntou, impaciente.
— Eu acho que está na hora de de ter aquela famosa conversa. Se você quer que as pessoas saibam sobre nós, se prefere continuar como está… Mas claro tendo em vista que continuando como está, o que aconteceu hoje pode acontecer de novo. Eu também não gostei de ter sido apresentada como sua amiga, ainda mais quando eu vi o jeito que aquele cara te olhava, mas é algo que eu vou ter que aprender a lidar, eu acho.
— Você não precisa se preocupar quanto a isso, não importa como ele me olha, eu não estou interessada. — e era verdade, ela ainda não havia parado para analisar as intenções de Robin, nem percebido nada fora do comum nas conversas que tinha com ele, mas se a impressão de Emma estivesse certa, em nada isso mudava o que ela sentia – Mas quanto ao resto, eu preciso pensar. Tenho coisas a considerar, não me leve a mal…
— Não levo, e não estou pedindo uma resposta imediata. — Emma interrompeu, num tom calmo – Só acho que nós chegamos num ponto onde algumas coisas precisam ser decididas pra que tudo funcione melhor.
Regina não conseguiu segurar a risada descontraída que passou por seus lábios.
— Quando você se tornou a mais sensata entre nós duas?
— Como assim quando? Eu sempre fui. — brincou.
— Claro, continue se iludindo… — projetou o rosto para frente e fechou a distância entre elas, dando um beijo rápido mas firme em Emma – Agora eu preciso ir.
— Tudo bem. — sorriu – Boa noite.
E com isso Regina desceu do carro e entrou no prédio.
Emma foi embora torcendo para que a morena não chegasse a nenhuma conclusão que as afastassem.
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No dia seguinte pela manhã, ela recebeu uma ligação de Mulan.
Não esperava que fosse ser tão rápido, mas ela lhe explicou que por causa do trabalho teria que viajar às pressas e iria passar dois meses em Los Angeles, então teve que adiantar seus planos.
Combinaram de se encontrar num bar/café na esquina da rua que a loira morava, e lá estavam elas.
— Então… Segurança particular é? — Emma perguntou.
— Pois é… Você lembra do meu amigo Philip?
— Aquele que fez o colegial com você e você de defendia dos valentões?
— Ele mesmo. O pai dele é o prefeito de Los Angeles, e ele decidiu seguir os mesmos passos, só que aqui em Nova Iorque. E de baixo. Mas ainda assim a família dele é bem conhecida e você sabe, existem riscos.
— Sim, claro. — concordou.
— E como ele sabia que eu queria dar um tempo da NYPD, me chamou pra ser a chefe de segurança dele e… — suspirou – Da noiva dele.
— Ah não… — Emma conhecia bem aquele tom – Não vai me dizer que…
— Sim. Bastou olhar pra ela e eu me ferrei.
— Vocês duas…?
— Não, não aconteceu nada. Mas às vezes eu sinto que ela sabe.
— E o Philip?
— Não faz ideia, e eu pretendo que continue assim. Ele está sempre correndo pra lá e pra cá… Não tem tempo pra perceber nada que não esteja na agenda dele, inclusive a própria noiva. — disse, com um pouco de amargura na voz.
— E como é o nome dessa dama negligenciada?
— Aurora. — sorriu ao falar.
— Nome de princesa. — comentou.
— Sim... Ah Emma, e você? — mudou de assunto – Recebeu permissão para me encontrar?
— Oi? — estranhou.
— Aquela mulher que estava com você ontem, Regina… Não é? — perguntou – Eu vi muito bem como ela me olhou enquanto nós conversávamos. É mais do que amizade, não é?
— Sim, é. — suspirou, decidindo desabafar – Conheci ela tem pouco mais de um mês, num SPA afastado da cidade.
— SPA? Você? — Mulan estranhou.
— Loucuras da Mary Margaret, ela inventou que eu precisava relaxar e você sabe, quando aquela ali coloca uma coisa na cabeça… Então eu fui e fiquei uma semana e um dia, todos na companhia desse ser lindo e muitas vezes enfurecedor, por quem eu acabei me encantando… E ela tem um filho, aliás.
— Então ela bi?
— Eu não sei, nunca falamos sobre isso na verdade. E também não é algo que me importe, ela gosta de mim, então… Isso me basta. — riu – E é viúva, então tem umas coisas ainda pra superar, mas isso não a impede de ser a rainha do sarcasmo o tempo todo e…
— E você está de quatro por ela, em todos os sentidos. — completou, vendo o brilho nos olhos da loira enquanto falava.
— É, pior que estou. Ontem depois de te ver ela ficou chateada, a gente conversou e agora eu estou esperando a decisão dela pra ver o que vai ser. Pra ver o que nós vamos ser.
— Ah Emma, me desculpa. Eu não queria causar nenhum problema.
— Não foi culpa sua. — tranquilizou – Foi uma coincidência e mais cedo ou mais tarde ia ter que acontecer. — tomou um gole de café – Não sei qual de nós duas está mais ferrada.
— Eu! Com certeza! — disse rindo – Estou apaixonada pela noiva hétero do meu amigo, pra quem eu trabalho.
— Ok, você ganhou.
E assim num clima discontraído elas continuaram a conversar por cerca de meia hora, até precisarem se despedir e seguir com seus respectivos dias.
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— Mãe! — Henry chamou em voz alta, finalmente conseguindo a atenção da mãe.
— Sim? Algum problema, querido?
— Não sei, era o que eu ia te perguntar. Você estava encarando essa taça de vinho sem piscar por um tempão.
Regina suspirou e largou o garfo que segurava.
Estava jantando com o filho, mas sua mente ficava voltando para Emma e as coisas que ela disse no dia anterior.
— Não é nada com que você precise se preocupar, Henry. Eu só estava pensando, tentando… Decidir algo. — disse.
Henry ficou em silêncio observando a mãe.
— Você está namorando, mãe? — perguntou depois de vários segundos.
A surpresa de Regina foi tanta que a faca que ela usava para cortar a carne deslizou e fez um barulho alto no prato.
— O que? De onde você… Como… Não! — negou, num tom aflito.
— Mesmo? Porque eu não sou mais criança, e ando percebendo umas coisas…
— Não há nada para perceber, agora vamos mudar de assu…
— A aliança que você usava sempre numa corrente no pescoço desde que o papai morreu… Eu não te vi mais com ela. E não é que eu ache ruim, mas comecei a imaginar o motivo.
— Eu não… — Regina não sabia o que dizer, não havia parado de usar a aliança de propósito, nem sequer percebeu até Henry dizer – Eu me esqueço, ando muito ocupada ultimamente.
— Mãe, tá tudo bem. Não precisa me explicar nada agora, eu só quero que você seja feliz.
Regina sorriu com a sinceridade e doçura do filho, não esperava que ele fosse tão perceptivo ou que ela estivesse dando sinais de seu envolvimento com Emma. Mas passado o susto, aquilo não a incomodou. Pelo contrário, só a ajudou a tomar uma decisão.
Terminou o jantar com Henry, pegou o celular e procurou o contato da loira.
“Onde você está?” — Regina
“Em casa… Por que?” — Emma
“Estou indo aí.” — Regina
Foi um ato impulsivo, coisa que ela não costumava fazer, até Emma aparecer em sua vida.
Avisou Henry que ia sair, mas que voltava ainda antes dele ir para a cama, e que deixaria Joanna avisada para ficar de olho nele, coisa que ele não gostou muito, mas acabou aceitando.
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Emma tomou um banho rápido assim que Regina disse estar indo para lá, e a campainha tocou logo que ela terminou de se vestir.
Respirou fundo antes de abrir a porta, tentando se preparar para o que quer que fosse acontecer.
Mas não esperava a velocidade com que Regina passou por ela e entrou.
— Se vamos fazer isso, algumas coisas precisam ser esclarecidas.
— Ok… Tipo o que? — perguntou um pouco atordoada, enquanto fechava a porta.
— Henry não sabe, e eu prefiro que continue assim por algum tempo, até tudo estar mais… Sólido.
— Claro, eu entendo. O que mais?
— Eu tinha mais coisas em mente, mas agora que estou aqui… — passou a mão no cabelo, agitada – Não consigo pensar em mais nada.
Percebeu pela primeira vez que na pressa de sair esqueceu de pegar a bolsa, e estava apenas com o celular e um pouco de dinheiro no bolso do sobretudo. Que ela logo tirou e colocou no sofá, sentindo calor.
— Tudo bem, seja lá o que for a gente conversa quando você lembrar. Mas… Isso significa o que eu acho que significa? — se aproximou – Nós estamos um relacionamento? — perguntou.
— Se você precisa ouvir com todas as letras… Sim, estamos. — disse – A não ser que... Você não quer?
— Mas é claro que eu quero!
Emma não conseguiu mais se conter e puxou Regina para um beijo apaixonado.
Logo as duas caíram no sofá, Emma ficou por cima e se posicionou entre as pernas de Regina.
— Eu não posso demorar… — Regina disse com certa dificuldade, enquanto sentia seu pescoço ser atacado com beijos – Henry está sozinho e eu disse que voltava antes dele dormir.
— Entendido. — foi tudo que Emma disse antes de voltar ao que fazia.
— Seu cabelo está molhado…
— É, eu acabei de sair do banho, não tive tempo pra secar. — olhou pra baixo – E estou molhando a sua blusa… — começou a se afastar mas Regina impediu.
— Não é nada demais, agora esqueça isso e se concentre no que estava fazendo.
Emma riu do jeito sempre mandão da morena, mas cumpriu a ordem com prazer e voltou a beijá-la.
Regina abriu os olhos por um momento enquanto Emma a beijava e deu um pulo quando viu a hora no relógio na parede. No susto a loira sentou ofegante e confusa, com a pele clara do rosto manchada de batom e os olhos arregalados.
— O que aconteceu? — perguntou.
— Está ficando tarde, eu preciso ir. — disse arrumando o cabelo como podia sem ter um espelho para se ver.
— Ah… É, eu sei. — concordou, ainda que desanimada por ter que se despedir da morena – Já fizemos bastante progresso por hoje.
— Sim, fizemos… — sorriu – Agora caso futuramente você encontre sua ex namorada, vai poder dizer a verdade.
— Não nos próximos dois meses, com ela em Los Angeles e eu aqui. — disse sem pensar.
— Los Angeles? E como você sabe disso? — Regina perguntou, desconfiada.
— Ah… — engasgou – É que ela me ligou hoje de manhã e a gente se encontrou pra tomar um café aqui no fim da rua.
— Então… — levantou – Como foi?
— O que? — ela não havia entendido.
— O café, a conversa, a companhia… Você gostou?
— Não precisa ter ciúmes… — começou, também se levantando.
— E eu não tenho. — cortou – Não é disso que se trata.
— Então o que é? Porque pra mim parece ciúmes… — sorriu, se aproximando – E por mais lindo que seja de ver, também preciso falar que não tem motivo… Eu já disse ontem que a Mulan não representa risco. — devagar passou o braço pelo corpo de Regina e a trouxe para perto, aliviada por não receber nenhuma rejeição – Aliás, ninguém representa perto de você. Não entendeu isso ainda?
Regina enfraqueceu diante daquelas palavras.
Queria continuar bancando a durona, sem vacilar, mas não conseguiu e se rendeu, beijando Emma.
— Você se safou dessa vez. — disse ao parar o beijo depois de um tempo, e limpou um pouco o batom da boca da loira com o polegar – Aproveite, não vai acontecer sempre.
— Eu sei que não, majestade. — sorriu e acompanhou com os olhos enquanto ela terminava de se ajeitar para sair.
— Amanhã eu vou passar o dia com Henry, mas talvez segunda à noite você possa ir jantar conosco… — Regina ofereceu, assim que Emma abriu a porta para ela e as duas pararam no corredor.
— Posso sim, a não ser que apareça alguma coisa urgente no trabalho. Mas eu te aviso se isso acontecer… Então, que horas?
— Às oito, está bem? E tente não se atrasar. — implicou uma última vez e beijou-a rapidamente antes de sair em direção às escadas.
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E por sorte nada de urgente havia aparecido, então lá estava Emma, sentada no sofá da sala de Regina depois do jantar, tocando algumas notas no violão que tinha trazido para mostrar para Henry que assim como ele gostava de desenhar, ela gostava de tocar. E o menino assistia e escutava com atenção, enquanto Regina observava os dois, sem conseguir disfarçar a felicidade no olhar.
— Então você toca só por diversão? — Henry perguntou.
— Sim, me ajuda a relaxar. Quer tentar? — ofereceu o violão para ele.
— Não sei, eu sou meio desajeitado com instrumentos musicais. Já tentei na escola mas sei lá… Não deu certo. — disse, um pouco inseguro.
— Isso faz muito tempo. Você era criança, querido. Não sabe como pode ser agora, vamos lá… Tente. — Regina incentivou.
Ainda incerto ele aceitou e pegou o violão, segurando como Emma havia mostrado.
— Ok, isso. As cordas podem incomodar seus dedos quando você apertar, isso é normal no começo. — disse Emma – Agora desliza os dedos da outra mão aqui nessa parte, ao mesmo tempo em que aperta as cordas aí em cima.
— Qual delas?
— Qualquer uma, a gente está só brincando um pouco.
E assim ele fez, curtindo o som que o movimento gerou. Os três sorriram e seguiram conversando, arriscando algumas músicas e aproveitando a noite.
Uma hora depois Henry subiu para o quarto e elas não pensaram duas vezes antes de começarem a namorar no sofá.
Levada pelo momento, Regina que estava sentada no colo de Emma, esbarrou o pé no violão que estava apoiado e o derrubou.
— Droga, me desculpe. — pediu e colocou o instrumento mais longe para que não acontecesse de novo.
— Eu não ligo, vem cá… — pegou na cintura da morena para puxá-la de volta – O que foi? — perguntou ao ver a expressão incômoda dela.
— Eu esbarrei com um pouco de força na bancada da cozinha enquanto guardava a louça… — explicou, levantando a blusa para olhar o local.
— Eu devia ter ficado lá pra te ajudar… — abaixou e beijou a região, fazendo cócegas em Regina, que afastou o rosto dela, sorrindo.
— Não, você fez bem em vir na frente ficar com Henry. Ele se divertiu e eu… Eu também. — admitiu e pegou a mão de Emma, observando os dedos finos e as unhas pintadas de vermelho escuro – Não sei quando ou como vou contar a ele sobre nós, mas eu vou. Quero que você saiba disso…
— Ei, olha aqui… — pediu, porque apesar de ter adorado ouvir Regina dizer “nós” ela precisava esclarecer algo – Você está me vendo cobrar alguma coisa? Porque eu não estou e nem vou, principalmente se tratando do seu filho. Eu quero que você saiba disso. — deu ênfase na última palavra, por ter ter repetido o que Regina havia acabado de falar.
— Obrigada, eu… — sentiu seu peito esquentar com o jeito carinhoso com que Emma a olhava – Eu quero um beijo.
— Só um? Não sei se eu vou conseguir parar depois do primeiro… — brincou.
— E quem disse alguma coisa sobre parar? — rebateu, também sorrindo.
E no segundo seguinte elas voltaram a se beijar, e como previsto não pararam em um só e a coisa se intensificou ao ponto da saia de Regina já estar completamente amarrotada e erguida acima das coxas, fazendo-a gemer ao sentir seu sexo entrar em contato com o zíper da calça de Emma.
Mas quando elas pensaram em continuar aquilo no quarto, a campainha tocou.
Elas se olharam confusas.
— Uma hora dessas? — Regina reclamou para si mesma enquanto levantava, ao olhar pelo olho mágico viu um homem desconhecido de terno que parecia carregar alguma coisa – Eu não sei quem é, só um momento… — destrancou a porta e lembrou de arrumar a saia antes de abrir.
— Toma cuidado. — Emma pediu, sentando mais reta no sofá pronta para qualquer problema.
Ao abrir a porta Regina viu que o homem carregava uma mala em cada mão, e quando se preparou para perguntar quem ele era e o que queria ali, uma mulher apareceu detrás dele, impecavelmente vestida como sempre.
— Surpresa, meu bem! — disse sorrindo.
— Mãe?!
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