Notas iniciais
Minha primeira fanfic, pense em uma pessoa insegura. Hehe.
Aviso novamente que tem spoilers do capítulo 424 do manga, então estejam preparados.
Eu sempre fiquei pensando como realmente o Ichigo se sentiu durante os 17 meses, dessa vez consegui por esses pensamentos no "papel". Espero que tenha ficado bom.
Boa leitura.

— Me pergunto o que a Rukia-chan tem feito.

— Por que falar da Rukia agora?

— Porqueeeee... Você não acha que seria legal ela aparecer de vez em quando? Não acha que é meio insensível ela não ter vindo até agora?

— Não, não é. Ela não está mais encarregada de Karakura, para começar. É normal ela não vir.

— Não se sente só?

— Como se eu fosse me sentir assim.

Aonde Keigo queria chegar com aquela conversa? Ora, eu estava cercado de amigos e minha família estava segura e junto a mim, por que me sentiria solitário? A verdade é que ele queria apenas me atazanar, era isso! Era a especialidade dele afinal.

Eu estava perfeitamente BEM, obrigado.

... Era o que eu queria me convencer, e graças a aquela conversa, as coisas acabaram vindo à tona de novo. Se eu estava tendo a vida normal que eu sempre sonhei desde criança, por que logo agora estou me sentindo tão incompleto?

Desde que conheci a pequena shinigami de olhos violeta, minha vida tinha se transformado em um campo de batalha, onde fiquei à beira da morte várias vezes. Eu odiava cada momento daquilo, cada momento que fui testado ao limite, cada momento em que meu corpo foi ferido, cada momento que sangue era a única coisa que conseguia ver diante de meus olhos.

Ah sim, qualquer um no meu lugar poderia muito bem odiar qualquer coisa que tivesse ligação com Kuchiki Rukia, julgando que todo o ocorrido apenas aconteceu devido ao meu encontro com ela naquela noite....

Aquela noite, quando sua espada atravessou meu coração, me dando assim poderes para proteger a mim e minha família da morte certa. Como, em que hipótese maluca e irracional, eu poderia sequer desgostar de uma pessoa que se sacrificou por mim, desrespeitando a lei por alguém que sequer conhecia?

Ora, odiaria pelo simples fato de ela ser uma verdadeira mala sem alça, me seguindo durante os três meses seguintes, dormindo no meu armário e me tirando o sono para caçar aqueles Hollows infelizes, fora o jeito dissimulado que ela agia na escola. Aquilo era o tipo de coisa que eu odiava profundamente.

Mas, com tudo isso, nós nos tornamos companheiros únicos, amigos e cumplices. Purificando espíritos, indo para a escola, eu mostrava para ela coisas do mundo humano, enquanto ela, a cada dia que passava, me ensinava aprendizados importantes sobre como a vida espiritual era delicada e de como precisamos zelar por ela para o bem de todos. No final, eu já estava acostumado com o jeito mandão dela, com o fato de ela dormir todos os dias no mesmo quarto que eu, de nossas caçadas a monstros e até, por mais que eu não admitisse, aqueles desenhos estranhos e feios que ela sempre fazia.

Três meses se passaram, e de repente, fomos separados bruscamente, de um jeito confuso e violento. Ela estava chorando, temendo por mim, enquanto devia temer por si própria, e aquele jeito de se preocupar com tudo e todos, menos com ela mesma, me tirava do sério. Como eu odiava isso nela!

Mesmo que... não, aquilo era de uma dignidade tamanha que me deixava fascinado. Fala sério, o que não me deixava fascinado quando o assunto era Rukia?

Tinha cansado disso, de agir como uma criança negando as coisas que eu realmente pensava, eu realmente amava e amo qualquer coisa que tinha a ver com aquela baixinha invocada, que tanto mudou meu mundo quanto fez aquela chuva torrencial dentro do meu coração cessar de vez. Amava ter lutado contra todos aqueles shinigamis, que mais tarde virariam amigos queridos, por causa dela, amava ter ganhado mais poder para protege-la, amava saber que mesmo me batendo, ela era a única que conseguia restaurar minha paz e meu equilíbrio. Ah, amava cada uma dessas coisas e muito mais. Ariscamos nossas vidas, confiamos elas um ao outro, cada golpe que tomávamos, cada gota de sangue derramada, TUDO era especial e fazia parte da nossa trajetória até ali, coisas que nos moldaram e nos transformaram no que somos hoje.

Aqueles últimos 17 meses estavam sendo mais difíceis de lidar do que eu poderia ter imaginado, e aquela despedida... Só o Rei das Almas sabia como eu queria ter dito algo a mais para ela, algo que eu não conseguia pôr em palavras, e quando olhei em seus olhos, olhos tristes e brilhantes de lagrimas contidas que fizeram meu coração apertar e doer, não pude mais fazer nada pois logo em seguida ela havia desaparecido, como se não tivesse existido ali a alguns milésimos de segundo.

Droga de Keigo, porque tinha que tocar nesse bendito assunto? Eu odiava parar para pensar sobre tudo isso. Lá estava eu, admitindo coisas vergonhosas para mim mesmo, como o adolescente apaixonado que eu era, mas que ninguém ficaria sabendo.

— Essa é a vida normal que eu lutei 16 anos para ter. Tudo bem ficar nesta paz até eu morrer. – Disse dando as costas para Keigo, já começando a caminhar em direção as escadas que davam acesso para as salas. O sinal havia tocado e queria evitar o máximo possível aquele assunto que tanto me afetava.

— Eu te entendo. Não quero ter mais ter experiências assustadoras que nem aquela. –Disse Keigo também se levantando para me seguir rumo as escadas.

É verdade.

Nunca me achei superior por poder ver espíritos, nunca pensei fazer disso minha vida, nunca pensei em ajudar alguém por causa disso.

Eu... apenas queria uma vida onde não pudesse vê-los.

Me tornei o que sempre sonhei.

Mas a vida é irônica, não é mesmo? Afinal, agora o que eu mais queria era poder ter tudo de volta. Não só poder ver espíritos, mas ajuda-los, proteger não só minha família e amigos, mas sim tudo o que eu aprendi a respeitar e admirar depois que ela entrou na minha vida. Queria tê-la por perto novamente, ver seus olhos de cor tão incomum quanto seu tamanho miúdo, ouvir sua voz altiva e até mesmo ver os tais Chappys que ela gostava de desenhar.

A verdade é que eu sentia muita falta dela, mas eu odiaria se Keigo soubesse disso.

Notas finais
E então? Mereço comentários? Críticas construtivas são muito bem-vindas.
Me senti realizada por escrever sobre meu OTP, eles fazem parte da minha vida a muitos anos, e com o fim do manga se aproximando, só me faz ter mais necessidade de escrever algo.
Ichiruki é amor, Ichiruki é vida.
Obrigado por ler.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!