I got you

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Nesse capítulo teremos grandes revelações

Estou a semana toda me sentindo estranha, essa angústia que não passa, amarelei na missão ontem, deixei o team na mão. Preciso descobrir o que está acontecendo comigo o quanto antes.

— Ei, Rich. – Meu amigo está passando no corredor e hoje é dia dele sair para comprar suprimentos.

— Oi, Tasha, está tudo bem? Que cara é essa.

— Nada. Só preciso que compre uma coisa pra mim. – Estendo a mão e entrego a ele uma folha de papel. – Não mostra pra ninguém tá?

— Tudo bem. – Ele diz depois de estudar minha expressão. – Ele concorda e sai. Nem sei se devia confiar nele, não queria envolver ninguém nos meus problemas, mas está sendo tudo tão difícil que nem sempre dá pra passar por tudo sozinha.

Ah! a falta que Reade me faz, nunca pensei que seria tão difícil assim. Perdê-lo daquela forma foi muito duro, logo quando tínhamos acabado de nos entender, foi tudo tão perfeito, a forma como nos entregamos, como ficou implícito em nossos gestos e olhares que pertencíamos um ao outro, ele era de longe o cara mais carinhoso que já conheci e aquele que mais amei. O amei calada por tanto tempo, me segurei o máximo que consegui até finalmente falar pra ele naquela noite sombria naquele bar depois de um dia difícl, o que no momento parecia um erro, mas no fim não foi, eu precisava que ele soubesse, nem que isso estragasse tudo que tínhamos e a amizade pela qual prezei a vida toda. No fim ele também sentia o mesmo. Sei que cometi muitas burradas depois disso, cheguei a pensar que nunca mais o veria, mas depois que voltei as coisas foram se normalizando aos poucos e eu já tava dormindo no apartamento dele, claro que no sofá, mas Deus sabe o quanto aquelas noites foram difíceis pra mim, tive que me segurar e prezar pelo que ainda restava da minha dignidade, eu precisava deixar que ele desse o primeiro passo. E quando percebi já estávamos na Islândia em fuga, sendo caçados, já não tínhamos nada a perder, percebemos o quanto precisávamos um do outro. Até que tudo explodiu e eu o perdi, nem me despedi e o que restou da equipe precisou se separar e fugir para não ser pego. Não sabia nem mesmo se os veria de novo, e agora estamos todos aqui, sem o Reade, ele é a parte que falta de nossa equipe, é o pedaço que foi tirado de mim. Como dói. Nem sei se algum dia terá cura, porque por mais que os dias passem a ferida ainda está muito aberta e nada que eu faça parece fazê-la fechar ou mesmo diminuir.

Rich volta e trouxe o que eu pedi. Corro para o banheiro, preciso saber se isso é verdade ou não para tirar esses pensamentos da minha cabeça. Faço os procedimentos necessários e espero, o tempo não passa, o relógio parece estar parado, até que chega o tempo necessário e eu confiro no marcador. Duas linhas vermelhas. Ah meu Deus! Não, não, não. Não sei o que fazer, me assento no chão e as lágrimas vem, eu deixo que rolem pelo tempo que for preciso, até que me levanto, jogo tudo no lixo e cubro com papel, lavo o rosto e saio, preciso encarar isso, e o pessoal deve estar me esperando para as novas descobertas.

É um caso difícil, preciso me lembrar de algo que aconteceu no meu primeiro dia no FBI, que também foi o dia que conheci Reade. Eu me esforço, lembro de algumas coisas, mas o que preciso me lembrar mesmo não me vêm à mente, pois por mais que me esforce só vejo Reade em minhas lembranças.

— Eu desisto. Eu tento encontrar pistas, mas por mais que me esforce, tudo que vejo é Reade, eu sei que preciso me esforçar mais, mas está doendo. – Eu os deixo lá e vou me deitar em minha cama.

Deus, eu não posso deixar que isso tome conta de meus pensamentos. Weller entra e eu não sou nada gentil com ele, sei que todos eles estão tentando fazer com que eu me lembre porque é importante, temos que parar essa bomba.

— Eu sei como é difícil separar nossa emoções do nosso trabalho. E sei como é amar tanto alguém que dói só de pensar na pessoa. – Kurt começa.

— Eu sei que você sabe. Feliz aniversário para Bethany, por falar nisso.

— Obrigado.

— Eu não sabia que seria tão difícil não ter ele aqui. Parece que falta uma parte de mim.

— A conexão entre vocês era muito forte, me perdoe por estar pedindo que você se lembre de todas essas coisas. Mas algo horrível está acontecendo. E talvez nós sejamos os únicos a conseguir parar isso.

Eu me levanto e me esforço mais um pouco para me lembrar do que é preciso. Voltamos para junto do restante do team. Com um pouco mais de tempo e esforço e com a ajuda de um chá preto, o chá preferido do Reade eu consigo me lembrar do que é preciso, o nome da mulher interrogada e os componentes do gás letal.

Aquele foi o primeiro dia que me encontrei com Reade e não imaginava o que nos tornaríamos, parceiros de trabalho, amigos, amantes. E agora, estou aqui sem ele e só consigo me focar no vazio que ficou dentro de mim depois que ele se foi e ainda tenho que encarar tudo o que está acontecendo.

— O que você quer Rich? – Estou perdida em meus pensamentos assentada sobre a mesa em uma sala que fizemos parecer um pequeno escritório quando Rich entra.

— Um lugar pra esconder está bom. – Pra variar eu estava chorando, coisa que faço com frequência ultimamente, mas hoje está sendo um dia duplamente emotivo pra mim.

— O que foi? O que está acontecendo? – Rich percebe minha aflição.

— O teste que você trouxe pra mim deu positivo. – Falo após encará-lo e perceber que preciso falar isso com alguém.

— Positivo, do tipo que você está feliz com isso, ou o que? – Acho que ele não entendeu o que eu quis dizer.

— Estou grávida. – Solto após encará-lo.

— Tipo completamente grávida? Grávida de verdade? – Rich ainda parece um pouco confuso.

— Não, meio grávida. Sim, completamente grávida. Alem disso, cala a boca!

— Ok, desculpa. – Ele para e pensa por um minuto. – É do Reade? – Claro que é do Reade.

— O que eu devo fazer com isso agora, com tudo que está acontecendo? Com a vida das pessoas em jogo? Eu só...

Rich se aproxima e se assenta ao meu lado, eu apenas deito a cabeça em seu ombro e choro um pouco. O que eu vou fazer? Patterson se aproxima e nós disfarçamos, ela é minha amiga, apesar de ultimamente estarmos um pouco distantes, mas não quero que ela saiba, por enquanto, nem o resto do team, porque se souberem não me deixarão sair para campo e não posso deixá-los na mão quando já estamos em um número pequeno.

Saímos atrás dos mercenários para tentar impedi-los de pegar os gases para a fabricação da bomba. Eu fico com a parte de trás e combinamos que entrarei após o sinal de Kurt. Começo a ficar tensa na espera do sinal deles e meu coração acelera e minha visão fica embaçada. Ah meu Deus, de novo não! Preciso de foco. Fecho os olhos e me lembro da minha primeira missão com Reade, as lembranças alimentam meu coração e eu o vejo na minha frente, Kurt e Jane me chamam, sinto lágrimas nos meus olhos, eu preciso me segurar, eu o vejo me olhando e ele sorri e faz sinal pra eu entrar, ele parece estar ali ao meu lado, como antes, antes de tudo acontecer e eu entro e luto junto com Kurt e Jane, e conseguimos impedi-los de levar os gases.

Nos despedimos e tomo meu caminho de volta pro bunker que começo a chamar de casa, uma casa temporária, mas nossa casa. No fim talvez tudo fique bem. Levo a mão até minha barriga e fecho os olhos, nem me lembro qual foi a última vez que sorri, acho que foi na última vez que estive com Reade, e nesse momento eu me permito sorrir, mesmo sabendo que ainda devo chorar muito por tudo o que aconteceu e pelo que ainda vai acontecer.

POV Externo

— Está feito!

— Muito bem, agora só esperarmos ele acordar.

— E depois?

— Depois faremos com que ele confie em nós e o moldamos à nossa maneira.

Notas finais
Espero que esteja gostando. Deixe-me saber o que está achando ;)