Antes de ficar inconsciente senti apenas uma lágrima escorrer-me do olho, naquele momento o meu único desejo não era conseguir salvar-me ou ficar consciente tempo suficiente para poder sair dali, nada disso... O meu único desejo era que eles viessem, que os bombeiros aparecessem no entanto esperava mais que tudo era que a Aiko estivesse bem, eu já previa que ao não me ver sair por aquela porta ela ficasse ainda pior...

Abri os olhos lentamente, com uma recordação fraca do que se passara momentos antes... Olhei à volta com um pouco de esforço pois sentia-me muito fraca, o incêndio estava apagado e eu estava naquele momento no colo da minha mãe que estava sentada na parte traseira do camião dos bombeiros mas não estava a olhar para mim, parecia não conseguir ver-me naquele estado... Os ruídos estavam um pouco turvos mas consegui ouvir o ao longe o barulho ambulância chegar...

Só aí comecei a acordar realmente, não tinha nenhuma queimadura, pelo menos não sentia nenhuma dor... Apesar de lentamente toquei no cotovelo da minha mãe que era o que estava mais perto da minha mão... A minha mãe olhou para mim e foi um visão horrível, nunca tinha visto a minha mãe assim, tinha os olhos numa vermelhidão intensa e uma expressão de pânico e medo que me fez sentir horrivelmente mal...

–B-besi...- eu senti lágrimas da minha mãe pingarem-me no rosto- Meu amor, tu estás bem? Dói-te alguma coisa?- ela acenou para os senhores da ambulância que se aproximaram de nós. Eu com um pouco de esforço pois a voz parecia custar-me sair:

–Não é preciso tanta melguisse, eu estou bem!- dito isto sorri para a minha mãe e esforcei-me por me sentar à beira dela

–Os médicos disseram que não tinhas nenhuma queimadura mas eu tinha tanto medo que te tivesse acontecido algo...- a minha mãe pegou-me na mão e fez-lhe festas na superfície, não sei se tentando aconchegar-me ou se tentando aconchegá-la a ela mesma...

–Mas o que importa é que está tudo bem, certo?- eu sorri para a minha mãe

–Claro- ela sorriu para mim mas apesar disso parecia preocupada.

–O pai está cá?- eu olhei à volta procurando o meu pai, podia parecer meio egoísta mas eu via-o muito poucas vezes, tinha esperanças de que o tivessem chamado...

–Sabes bem que ele está numa viagem de negócios em Espanha, não podia abandonar isso para vir cá...

–E se eu tivesse morrido?

–Besi!...- a minha mãe olhava para mim perplexa

–Desculpa, falei sem pensar...- respondi envergonhada — E a casa com está?

–Tanto a entrada como a cozinha estão muito danificadas e as escadas e a sala também ficaram parcialmente destruídas...- ela respondia tristemente às minhas perguntas, percebi que aquele não era o momento mais apropriado para falar sobre aquilo por isso calei-me procurando os meus irmãos com o olhar mas sem me dar tempo para sequer os procurar direito apareceram um homem e uma mulher que se não me engano vinham da ambulância:

–Senhorita Nakamura?- o senhor aproximou-se mais de mim

–Sim.- respondi meio timidamente

–Desta vez foi só um susto mas é bom que nada do género se repita, podia ter-se ferido gravemente, até mesmo morrido e tudo devido à sua irresponsabilidade! Espero que nada do que aconteceu hoje se repita...- já estava farta de o ouvir... Naquele momento estava mais preocupada com outra coisas e não ia ficar a ouvir um velho rezingar sobre os meus erros quando a minha intenção era a melhor, para além de que, se há coisa que eu aprendi hoje é que sendo tímidos só acabamos por dar a ideia errada aos outros daquilo que estamos a tentar expressar, ser envergonhada não me ia levar a lado nenhum

–Lamento mas acho que esta não é a altura mais apropriada para o ouvir queixar-se daquilo que só a minha mãe pode reclamar! Perdão senhor mas acho que devia parar de tentar dar educação aos filhos que não são seus, agora se não se importa: tenho mais que fazer!- eu coloquei as pernas no chão e dirigi-me para a frente da casa onde se encontravam os meus irmãos, tinha as pernas meio bambas e estava muito fraca mas não ia admitir derrota em frente ao inimigo!

–Besi, tu já estás bem?- o meu irmão que estava encostado à parede da frente da casa veio logo abraçar-me, sendo seguido pela Aiko. Depois de me abraçarem sentei-me logo numa das cadeiras da esplanada, não estava com muita força...

–Revitalizada, já posso participar na "Volta a França"- sorri e o meu irmão despenteou-me o cabelo com carinho

–É que nem agora tu paras com as piadas sarcásticas- ele soltou um leve risinho

–Onee-chan, desculpa...- a Aiko voltou a chorar, só aí reparei no ar culpado dela

–Acho que só te poço desculpar se me explicares o que aconteceu caso contrário nem sei o que estou a perdoar- de seguida seguiu-se uma história longa com imensas partes desnecessárias e muito choro, em epítome ela pensou que eu ainda não tivesse chegado e tentou fazer o almoço... Foi neste momento que me enchi de pena dela, no fundo as intenções dela eram boas... Abracei-a e sorri, eu sabia que ela não tinha culpa...

Dentro de pouco tempo os bombeiros e a ambulância (na minha opinião totalmente desnecessária) saíram de nossa casa para nosso grande alivio...

–Hoje não vamos poder dormir aqui pois a casa vai estar em obras... É muito perigoso dormirmos aqui praticamente sem porta por isso peguem numa mala e ponham lá os vossos livros da escola e algumas roupas, vamos ficar em casa da vossa tia Sakura durante uns dois ou três dias, depois voltamos de novo para a nossa amada casinha!- explicou a minha mãe calmamente quando entramos em casa para pormos as nossas coisas nas nossas respetivas malas. Estava eu a terminar de fazer a minha mala quando alguém bateu a porta, visto a nossa campainha ter sido queimada, e o Shu que já esperava com a mala feita no andar de baixo gritou para que todos ouvissem:

–Eu vou lá!

Assim que abriu a porta fiquei à espera de o ouvir conversar com alguém mas somente o ouvi gritar:

–Besi, é para ti!- eu desci a correr, pensei que talvez fosse a Yumi para dar uma desculpa esfarrapada para amanhã não irmos juntas... Não sabia mas desci com pressa, a mala que ficasse para depois...

Notas finais
Que acharam? c: