I don't know what to do when you're gone
1 Qual brinquedo você quer hoje?
Notas iniciais
Mo Guan Shan é o tipo de cara que pode atingir o fundo do poço mas ainda quer estar no controle, mesmo que dito controle fosse sobre sua própria miséria. O ruivo é muito sensível ao que o cerca, mas ninguém tem que saber como ele se sente, o que ele faz, o que ele pensa.
Mas desde que arrumou novos “amigos”, ou como ele chama “um bando de viadões esquisitos que não me deixam em paz por um dia”, dito controle foi para o espaço. Jian Yi, sendo todo porra louca do nada; Zhan Zheng Xi, capaz de seguir o macaco-semi-albino até caindo de um precipício; e finalmente, o bastardo dos bastardos, He Tian. Como se descreve o incômodo e arrogância em pessoa? Por falar nisso, ele tem agido estranho ultimamente.
— Algo a mais, moça? – Mo odiava trabalhar no caixa. Você tem que dar um sorriso falso para qualquer desconhecido comprando algo. Frutas, cigarros, bolo, camisinha, coisas de limpeza. Sim, ele definitivamente preferia estar no depósito empacotando coisas que pegando em alguns desses itens, mas precisava da grana.
A cliente negou com a cabeça. Eles nem respondem direito. Ela saiu e ele chamou o próximo da fila. Ah não, adivinha quem é;
— Finalmente eu vou ser tratado bem por você – por que ele sempre está em todo lugar quando não é preciso?
— Atá – o ruivo olhou para baixo a fim de colocar o que quer que o psicopata esteja comprando nas sacolas — Desde quando aqui se vende lubrificante? Que porra.
He Tian deu de ombros, sorrindo de lado para o menor. Guan Shan sabia que ele estava fazendo isso de propósito. O que esse filho da puta ia querer com uma banana e dois limões? E o lubrificante, é claro. Seu rosto ficava mais e mais vermelho enquanto ele tentava não surtar e gritar com o playboy. Ele estava com vergonha ou puto?
He Tian é o tipo de cara que não tem muita gente para confiar ou se importar, apesar de todo mundo pensar que ele tem tudo. Mas quando ele tem, não consegue deixá-los. Isso é medo do que poderia acontecer a eles ou medo de ficar sozinho?
— Você sempre questiona os clientes, Mozinho?
— Vai tomar no cu! Deu $9.47. Algo mais?
— Você.
— Haha, vai pro diabo que te carregue. Estou trabalhando.
— Tô falando sério, Momo. Falei com a Tia e ela te alforriou.
— Você me fez ser demitido? – ele estava desapontado, mas não surpreso.
— Não, burrão. Te descolei uma folga, vamos ao parque itinerante, eles vão embora amanhã – Tian deixou o dinheiro no balcão – Tô te esperando lá fora.
***
“Isso é um encontro? Eu espero que não conte como um. Quer dizer, porque seria, né? Né?”. Guan Shan caminhava silenciosamente ao lado de He Tian, encarando o chão, tentando se convencer que é algo normal que amigos fazem. Ir juntos ao parque de diversões, no pôr do Sol. E realmente era, ele só é muito paranóico. He Tian não estava nem se escorando em seus ombros pela primeira vez na vida.
— Ah, ali estão eles – Tian sorriu ao ver Jian Yi e Zheng Xi se tornarem visíveis ao final da rua.
“Oh, nós não vamos ficar sozinhos o dia inteiro, que alívio”, Mo pensou mas no fundo estava decepcionado.
— E aí, pessoas – Jian Yi estava corado pra caralho. Zheng Xi assentiu como um pequeno cumprimento, sem olhar nos olhos de ninguém. Falei, viadões esquisitos.
— E aí, vamos indo. Aonde você quer brincar primeiro, Mountain? Meu pau?
— Mas o qu-
— Barca.
“Cê não engana ninguém, peido de galinha, isso nem rimou!” Mo sabia o que tinha ouvido, mas as vezes é melhor fingir que não.
— Oh, eu pensei ter ouvido você dizer “meu pau” agorinha – ok, talvez Jian Yi fosse estúpido suficiente. Os meninos tentaram ignorar e entrar na fila para comprar bilhetes.
Jian Yi é o tipo de cara que é super inocente e super imoral ao mesmo tempo. Parece que nunca nem cresceu. Mas esse é seu encanto, tomar conta de alguém tão puro que às vezes chega a ser ingênuo mas ao mesmo tempo pode deixar um rabinho de demônio escapar das calças até chegar no coração de… alguém. Ah, você sabe quem é. Mas ele não sabe colocar em palavras.
Na fila, Mo contava quanto tinha na carteira enquanto He Tian o observava entretido.
— Você tá ligado que eu vou pagar, né?
— Eu não preciso de esmola – Guan Shan tentava não perder a conta das moedinhas, quando o moreno enfiou a mão no meio para embaralhar.
— Eu te chamei, eu pago.
— Eu não vou ficar te adulando.
— Eu não pedi.
Reunidos na pracinha no centro do parque, os meninos decidiam seu destino. Zhan Zheng Xi com Jian Yi compraram cerca de 50 bilhetes, considerando que os brinquedos exigiam uma quantidade variada como pagamento. He Tian comprou logo uma roda inteira. Sabia que hora ou outra teria que dividir com os asnos.
— Aonde vocês querem ir primeiro? – He Tian olhava ao redor, considerando todos os brinquedos que tinha a sua disposição.
— Montanha russa! – o macaco albino falava animado.
— Ok, vão indo na frente. Preciso falar um negócio com o Mozinho.
O ruivo nem protestou. Os dois meninos seguiram para a montanha russa, deixando os outros dois sozinhos (mais ou menos, uma vez que a pequena praça estava cheia de jovens e pipoqueiros ao redor). O céu já tinha abandonado o forte laranja de quando estavam a caminho, o azul já tinha tomado seu lugar. As luzes amarelas do parque começavam a ser acesas, combinando com uma decoração de pisca pisca nas árvores.
— O que você quer? – Mo perguntou ansioso.
— Em qual brinquedo você quer ir?
Fale com o autor