I don't belive in love
27 Capitulo 27
Notas iniciais
Encontrei Angie na sala depois de voltar da ASCC, ela lia um livro e quase não notou quando cheguei.
— Oi Angie. – Eu disse enquanto trancava a porta.
— Ah, oi Vilu. Como foi a aula de japonês?
— Legal.
— Que bom.
— Tenho que te contar uma coisinha.
— Fala. – Ela disse sem tirar os olhos do livro.
— Vou viajar. – Angie fechou o livro e o colocou na mesinha de centro. Depois me olhou com uma cara estranha e cruzou os braços.
— Viajar? – Ela disse quase num tom de brincadeira.
— Sim. É um passeio da escola superimportante!
— Então é da escola?
— Claro! Nós vamos fazer um trabalho sobre isso que vai valer muitos pontos! Sabia que se eu for muito bem, nem vou precisar fazer as provas. – Meus Deus Angie, seja ingênua o bastante a ponto de acreditar nisso, por favor!
— E pra onde você vai?
— Para o México.
— Ah, que legal!
— Eu vou né?
— Vai no que? – Ela perguntou.
— Na viagem.
— Claro que não.
— O que? Mas eu tenho que ir!
— Você acha que vou ter dinheiro pra isso?
— Não, mas eu tenho! Eu economizei muito! Vai dar!
— Vilu, tem que ter um dinheirinho reserva pra você poder gastar lá sabe, tipo roupas, lembrancinhas...
— Angie, eu tenho dinheiro. Me deixa ir por favor! Eu sou uma ótima aluna!
— E isso vai ser quando?
— Daqui a três dias.
— Ótimo, eu vou levar o dinheiro amanhã na escola e conversar com a diretora sobre isso.
— Não, não precisa. Eu levo e não precisa falar com ninguém também tá.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Vilu isso tudo é muito estranho. – Angie disse quase rindo.
— Porque?
— Bom, vou confiar em você.
Três dias se passaram muito mais rápido do que eu poderia imaginar. Não conseguia entender como encontraríamos o meu pai. Ele provavelmente estava em outro país! Teríamos que viajar, sendo assim, eu teria que dar uma boa desculpa para a Angie sobre viajar por um tempo indeterminado. Outra coisa, as provas começaram e eu estava ficando completamente louca. Comecei a entender porque as notas do León são tão baixas. Simplesmente por que ele não tem tempo.
— Você vai viajar amanhã? – Francesca perguntou uma noite antes da viagem. Camila e Fran vieram me visitar naquela noite.
— Isso.
— Com quem?
— Com o León.
— E a Angie?
— Ela tem que trabalhar né.
— Ela deixou? – Camila perguntou.
— Deixou.
— Nossa, que boazinha hein!
— Mas e as provas? – Francesca falou.
— Ah, eu já passei de ano mesmo.
— É verdade.
Antes que as duas se fossem dei um abraço forte nelas. Eu estava morrendo de medo, eu havia treinado bastante nos últimos dias e melhorei muito, mas era pouco para o que eu estava prestes a fazer. Eu tinha medo de nunca mais ver minhas amigas e a Angie. Mas não tinha mais nada que eu pudesse fazer. Antes de dormir liguei para o León.
— Oi Vilu. – Ele disse do outro lado da linha.
— Oi.
— Que voz é essa? Aconteceu alguma coisa?
— Tô preocupada com a escola. Como irão ficar minhas notas?
— Tenho que te contar uma coisa.
— O que?
— Todos os diretores de todas as escolas sabem da ASCC, foi um jeito que encontramos de não prejudicar os alunos nas escolas. Esqueci de te contar que o Heitor já conversou com a diretora e tá tudo ok.
— Ah, que bom.
— Mas não acho que você está assim por causa da escola.
— É, não é mesmo.
— O que foi?
— Eu tô morrendo de medo.
— Não vai acontecer nada com você, eu prometo.
— Não estou com medo só por mim. Se acontecer alguma coisa comigo, o que aconteceria com a Angie?
— Não pensa assim. Não vai acontecer nada! Olha, descansa Vilu e relaxa. Amanhã vai ser um longo dia e você tem que estar bem.
— Então tá. Beijo.
— Beijo, tchau.
Ele desligou e me deitei na cama. Fiquei olhando pro teto a noite inteira, com raiva de mim mesma por não conseguir dormir. Eu só queria esquecer daquilo por alguns minutos.
****
Angie me levou ao aeroporto no dia seguinte, lá eu encontrei o León que disse que “o resto da turma já estava na sala de embarque” e que ele estava me esperando. Angie me acompanhou em tudo, só não foi até a sala de embarque, claro.
Lá encontrei Heitor, Raissa, Jeff, Augusto e mais alguns membros da ASCC.
— Oi Vilu, oi León. E aí? – Raissa disse quando nos sentamos perto deles para esperar.
— Bem e vocês? – Eu disse
— Bem.
— Violetta. – Heitor disse.
— Sim.
— Nervosa?
— Muito.
— Tá tudo bem ok. É normal viajarmos de vez em quando para algumas missões, é melhor você já ir se acostumando.
— Aliás você evoluiu muito nos treinos, agora é só por em prática.
— Mas eu não treinei tanto quanto deveria.
— Bom, é verdade. Irá ter que aprender o resto na marra. – Heitor disse.
Logo escuto o anúncio do nosso voo. Nos levantamos e fomos até a grande fila que se formava.
Entramos no avião e cada um se sentou em sua poltrona, que ficavam próximas umas das outras. Eu me sentei junto com o León, o que me deixou um pouco mais tranquila. Então o avião começou a se mover e eu só conseguia pensar que não tinha mais volta.
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