I can't see you again
5 Prólogo 5
Notas iniciais
POV. Toby
– AI ROBBIN! VOCÊ PISOU NO MEU PÉ!- Liv gritou, assustando todo mundo.
– Ai Liv, deixa de ser fresca, me desculpa okaay?
– Tanto faz. — Reclamou abrupta seguindo a passos pesados.
Estávamos na floresta já fazia um bom tempo, tanto que já estava escuro. O caminho todo Liv e Rob vieram brigando, o que não ajudava no ânimo de nenhum de nós.
– Mas que merda gente! — Gritei parando e apontando a lanterna na cara dos dois. — Dá pra pararem de brigar? Só um pouquinho? Obrigado.
Me virei e continuei caminhando, seguindo a trilha que já estava quase toda coberta por folhas e mata.
De vez em quando escorregava em alguma folha ou em barro, mas Tom me ajudava a manter o equilíbrio. A verdade era que nem eu, nem ele estávamos muito bem. Como assim mamãe e papai precisavam da joia que a vovó mais gostava? E porque quando nós perguntamos o motivo, eles simplesmente nos mandaram calar a boca e cumprir a tarefa?
Eles devem saber alguma coisa sobre a morte dela...
Não! Com um grande esforço tirei meus pais e minha vó da cabeça, substituindo eles por um coisa muito mais interessante. Liv. Porque Robbin tinha falado daquele jeito comigo hoje de manhã? Será que ele... que ele tinha ouvido alguma coisa?
Não, não tinha ninguém na sala ontem, só você e Tom.
Mas... bem, pra falar a verdade bem que eu ouvi uns barulhos estranhos, mas duvido muito que Robbin teria coragem de falar pra Liv que seu melhor amigo ama ela. Ou será que teria...? Melhor deixar essa história pra lá e pensar no que vai fazer quando chegar na cabana. Vasculhar tudo a procura da joia? Pode ser, também poderia aproveitar pra conhecer mais a avó.
Estava tão absorto em seus pensamentos que nem ouviu Liv o chamando.
– Toby? Toby, ta me ouvindo? TOBY! — Berrou me assustando. Ele se chocou com um tronco de árvore que estava bem na sua frente e caiu para trás, espalhando folhas multicoloridas para todos os lados. — Bem, acho que você já viu a árvore.
– Uurgh. — Resmunguei me levantando com a ajuda de Tom. Quando levantei a cabeça, notei um coisa enorme em minha frente, levantei a lanterna e olhei admirado para a famosa cabana.
Andamos um pouco mais para a frente, dando uma visão melhor da cabana. E ela era do mesmo jeito que meus pais me contavam. As paredes, velhas e desgastadas davam uma impressão meio macabra principalmente a noite. Todas as janelas estavam fechadas, e o hall de entrada estava meio quebrado, mas continuava bonito como sempre.
– Uau...mesmo aqui no escuro, esse lugar é... — Liv começou, avançando para mais perto.
– Lindo. — Robbin completou acompanhando Liv. Nesse exato momento um trovão gritou alto no céu, e depois começou a chuviscar. — Chuva? Agora?
– Vamos entrar. — Toby gritou, tentando abafar o som dos trovões.
Corremos para a cabana e abrimos a porta com violência e um forte cheiro de maisena invadiu nossas narinas.
Fechamos as portas e sentamos nos sofás corroídos por traças. Lá fora, a chuva batia com violência nas janelas, estávamos no completo escuro.
– Melhor acendermos as lanternas. — Tom sugeriu, enxugando o rosto com um paninho pink que tirou do bolso. Todos nós acendemos as lanternas e iluminamos o cômodo. Haviam 3 sofás. 2 grandes e 1 pequeno. Vendo minha expressão preocupada, Tom se movimentou com impaciência.
– Eu posso dormir no sofá menor e Toby no outro maior. — Ele falou se deitando no menor dos sofás. — Você e Robbin podem dormir juntos naquele, que parece ser um sofá cama. — Apontou para Liv e Robbin com a expressão cansada. Meu rosto ficou quase tão vermelho quanto o de Liv, mas nenhum deles descordou, o que me deixou com mais raiva ainda. Nós não tínhamos trazido roupas, mas a chuva quase não nos molhou. Nos deitamos cada um em seu devido sofá, Rob e Liv levaram um tempo para arrumar o sofá cama mais depois que se deitaram, tudo ficou em completo silêncio.
Fiquei olhando para o teto esperando e imaginando o que aconteceria no dia seguinte. Quanto mais pensava nisso, com mais sono ficava, até que não aguentei, e fui vencido pelo cansaço do dia anterior.
POV. Liv
Acordei meio sonolenta e olhei em volta. A chuva ainda batia com violência nas janelas. Olhei para o lado e vi Robbin dormindo na mais profundo sono. Fiquei observando ele por um tempo, cada detalhe, cada traço...sim, ele era tão cute, tão lindo. Estava tão concentrada nele, que quando ele abriu os olhos de repente, levei um susto que até cai da cama.
Robbin explodiu em gargalhadas silenciosas, mas mesmo assim me ajudou a levantar.
– Você está bem? — Falou, rindo e acariciando meu rosto.
– Hunf, sim. Quero dizer, eu só caí da cama. — Bufei, ficando vermelha.
– Certo, certo. — Disse, ainda rindo. — Você sabe que horas são?
– Ia te perguntar a mesma coisa.
– Droga.- Reclamou. — Eu esqueci meu celular na casa de praia.
– Sua inteligência me fascina. — Exclamei apertando a bochecha dele. — Calma, vou ver no meu. LOL, ainda são 3:00.
– Ainda? -Riu e se deitou de barriga para cima.
– Ainda. — Fiquei de barriga para cima também, analisando o teto.
– Talvez ainda seja o nosso para sempre. — E gargalhou da minha cara de choque. — Estou brincando, relaxa. Sei que você tem mil e um pretendentes. E você sabe muito bem que eu também tenho, sem contar que nós dois namoramos... só era pra ser um piada, sabe, porque eu te odeio, mas disso você já sabia.
Gargalhei um pouco alto, fazendo Tom se virar para o outro lado com alguns resmungos e palavrões.
– Eu também te odeio Robbin Tenner. — Fiz biquinho e olhei para ele, só que eu não medi nossa distância, e acabamos ficando muito perto um do outro, com o nariz quase encostando.
– Você me odeia Liv Freech? — Falou se aproximando um pouco mais. Há essa altura, nossos narizes já tinham se colado um no outro, e sua boca estava a milímetros da minha.
– Na verdade, eu acho que eu te... — Parei a 2 milímetros de sua boca. Tinha ouvido um barulho estranho, como se ossos estivessem se quebrando.
Espera ai...ossos?
Me movimentei para os lados, e cada vez o barulho ficava mais alto, até que com um crack, o sofá cama afundou um pouco.
– Ai meu... — Exclamei percebendo o situação. — Robbin acorde Tom e Toby.
Robbin correu e sacudiu os dois que acordaram assustados.
– O que foi Robbin? — Tom perguntou sonolento.
– Liv que mandou, acho que é importante.
Os três então caminharam na minha direção e me olharam com um ponto de interrogação estampado na cara.
– Me ajudem a abrir esse sofá. — Exclamei saindo de cima dele e começando a abri-lo com uma pequena faca que tinha achado ali.
Nós quatro ficamos uns 30 minutos assim, até que conseguimos arrancar a parte de cima liberando uma massa de ar quente e muita, muita poeira.
–Cof, cof, cof. Mas que merda é essa? — Toby tossiu, acompanhado por Robbin e Tom.
– Acho que descobri onde está a joia. — Falei, abrindo uma pequena tampa.
No mesmo instante, vários e pequenos ossos caíram no chão, se espalhando sem dificuldade. E ali estava...
A vó deles com seu colar preferido.
***
Toby dirigia numa velocidade muito maior do que o permitido, nos fazendo voar um em cima do outro no banco de trás.
– Toby, por favor vai mais devagar. — Implorei.
Quando encontramos a vó deles enterrada e com seu colar de esmeraldas no pescoço, Toby tinha vomitado, e Tom tinha começado a chorar. Saímos correndo de lá e chegamos na casa de praia. Ainda estava escuro como breu, mais Toby pegou a chave do carro e mandou todo mundo entrar.
– Mas e nossas roupas? — Perguntei.
– Depois a gente volta. — Falou brusco. — Andem, entrem logo na porcaria do carro.
Tom soluçava muito, mas entrou no banco da frente, enquanto eu e Robbin entrávamos atrás. Eu ainda estava chocada com o que tinha visto, Robbin, que é muito bom em decifrar rostos, percebeu o meu choque e me abraçou.
Ainda estávamos abraçados, quando Toby fez uma curva fechada e entrou na frente de um caminhão.
– TOBY!
Mas não dava mais tempo. Os faróis do caminhão nos cegavam. Toby largou o volante e segurou na mão de Tom, que estava paralisado de medo. A última coisa que me lembro é de ter ouvido Robbin chamar meu nome, de ter sentido uma forte dor na cabeça e de ter pensado do porque tinha um caminhão as 5:00 na estrada, depois disso, tudo ficou preto e eu perdi os sentidos.
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