I can't say goodbye
2 Sorry. I can't.
Notas iniciais
24 de dezembro de 2013
Quando eu tinha uns sete anos, eu tinha caído de cima de um brinquedo do parquinho, havia quebrado minha mão e perna, poderia jurar que nunca poderia sentir dor pior do que estava sentindo, mas estava enganada. A maior dor que eu posso sentir na minha vida é essa que estou sentindo agora.
Meu irmão morre, e ao mesmo tempo uma parte de mim também morreu, querendo ou não. É como se um punhal tivesse sido enfiado no meu peito e a cada minuto que passe botam mais pressão nele, me causando uma dor insuportável, fazendo-me querer morrer a senti-la.
***
24 de dezembro de 2014
02:00 A.M
Soltava a fumaça do meu cigarro lentamente pelo nariz, aproveitando a vibe que estava tento.
– Eu realmente acho que tem que parar de usar essas merdas apenas para me ver. – Ele disse enquanto se aproximava.
– Sabe, Liam – Peguei a mania de chama-lo de Liam com Soph. – algumas pessoas, iguais a mim, correm o risco de morrer ou pegar qualquer doença apenas para ver quem ama.
– Você se droga apenas para conseguir ver seus pensamentos, você mesma já me disse que não sou real, então pare de usar essa merda de cigarro. Pare de usar essas drogas. – Ele disse sentando na capo do seu antigo carro, que apos ser consertado passou a ser meu.
– Você sabe mais do que qualquer um que eu não suporto o fato de que meu irmão morreu, eu estou em negação.
– Emma, hoje é seu aniversario, e você esta aqui, fumando apenas para me ver.
– Eu só... – Parei de falar e comecei a chorar, um ano se passou e eu nunca superei. – Eu apenas queria acordar com você batendo a merda da colher de pau na droga de uma panela qualquer.
***
Mais um dia no meu inferno pessoal. Levantei da cama lentamente e peguei meu celular, que marcava exatamente 08:00 A.M, o mesmo horário que acordo todo ano no meu aniversário, a diferença e que não era meu irmão me acordando.
Com um cigarro entre os dedos e um isqueiro na outra mão, caminhei arrastando os pés para a sacada, para que eu pudesse fumar em paz e ver meu irmão.
– Você poderia ficar sem essa merda pelo menos hoje? – Ele apareceu assim que dei minha quarta tragada.
– Como ficaria sem meu querido irmão no meu aniversário de dezessete anos? – Perguntei ainda olhando para o horizonte.
– Ficaria como uma menina normal que está completando dezessete anos e perdeu o irmão a um ano atrás. – afirmou ele ficando do meu lado, tendo a bela visão que estava tendo também.
– Não, obrigado. Prefiro te ter comigo do que sofrer. – Disse começando a mexer no meu celular e ver os parabéns que meus antigos fãs estavam dando a mim. – Eles nunca desistem? Mas que merda. – Disse sentindo as lagrimas se formarem no meu olho.
– Eu realmente acho que tenha sido injusta não dando pelo menos um adeus para eles.
– Eu realmente acho injusto você não ter aceito ir para aquela faculdade, você sempre quis ir para ela, desde os seus quatorze anos.
– Mas eu morri, não fez diferença.
– Não acredito que disse isso. – Falei olhando para ele, mas antes que ele me respondesse, bateram na porta do meu quarto, fazendo com que ele fosse embora junto com o vento.
– Feliz aniversário. – Foi a primeira coisa que Sophia disse assim que abri a porta, pude ver que ela tinha uma colher de pau e uma panela na mão.
– Sophia, por favor, não. – Disse me abaixando, ficando na altura dela. – Você sabe mais do que qualquer pessoa que eu não aguento, não aguento o fato dele ter morrido, dele ter morrido no meu aniversario, por minha causa. – Disse chorando e abraçando meus joelhos.
– Tudo bem, Em. Eu estou aqui com você, certo? – Apenas assenti e ela me abraçou.
Sophia chorou quando descobriu que nosso irmão morreu, ela chorou o mesmo tanto que eu, mas ela não chora mais como chorou na primeira vez. Ela pode ter só quatro anos, mas ela é mais forte que eu, ou pelo menos demonstra ser mais forte.
Eu perdi todos os amigos que eu tinha na escola e fora dela, isso inclui Josh e os outros meninos. Na escola todo mundo me conhece como a menina que “arruinou o histórico perfeito por causa de um vicio”, mas não é verdade, eu estraguei ele por causa de uma perda, é totalmente diferente.
Eu sempre brigo com minha mãe, pelo simples fato de que ela sabe, assim como eu, que o meu irmão morreu por minha culpa, antão não temos mais aquele relacionamento de antes. Meu pai me trata como sempre me tratou, com o amor que ele sempre sentiu e o mesmo carinho, mas eu sou mais fechada com ele, assim como sou com todos, menos Sophia.
Sophia é a pessoa que eu mais amo nesse mundo, o amor que eu sinto por ela é como o que eu sentia pelo Alex, e isso é mais um motivo para ama-la, pois ela conseguiu com que eu amasse mais alguém com a mesma intensidade que eu o amava.
***
– QUAL O SEU PROBLEMA? PARE DE TOCAR NAS MINHAS FOTOS. – Gritei para a minha mãe assim que entrei no meu quarto.
– VOCÊ TEM QUE SUPERAR, EMMA. ELE MORREU, SE FOI. – Ela disse jogando minhas fotos e de Alex no lixo.
– NÃÃÃÃÃÃÃÃO. – Corri para o lado dele tirando retirando elas de lá. – VOCÊ É UM MONSTRO, SABIA? – Disse começando a chorar e entrar em desespero. – SAI DO MEU QUARTO.
– Estou fazendo o melhor para todos dessa casa. Quanto mais rápido ele sumir, melhor para todo mundo.
– Hoje é meu aniversário. Pare com essas besteiras pelo menos hoje. – Disse ainda chorando e tirando as fotos do lixeiro.
– Não importa. – Ela disse indo em direção a porta. – Vá se arrumar. Vamos no shopping comprar presentes de natal.
– Não vou a lugar nenhum com você. – Disse enxugando minhas lagrimas com a manga do meu casaco.
– Isso é uma ordem, Emma. Vá se arrumar agora, subo aqui em dez minutos. – Ela disse por fim fechando a porta em seguida.
– Eu te odeio. – Sussurrei abraçando meus joelhos e voltando a chorar.
***
– Olha, Emma. Esse vestido é perfeito para você usar essa noite. – Minha mãe disse um pouco distante de mim me mostrando um vestido vermelho.
Ele era realmente bonito, mas eu simplesmente parei de usar qualquer roupa de deixe meu corpo marcado. Eu sou mais usar calças, um pouco apertadas, mas nem tanto, e blusas um pouco largas. Coisas pessoais caso entenda.
Minha mãe pediu para que eu experimentasse, e eu não queria brigar, não hoje, a discussão de mais cedo já foi de mais para mim. Minha mãe me entregou o 36, que era o número que ficava perfeitamente perfeito em meu corpo, mas eu prefiro usar o 38.
No provador, já despida, pude observar meus estado deplorável. Eu estava tão pálida que quem olhasse pensava que eu tinha uma doença terminal, mas não estava tão magra para que tivessem certeza. Meus olhos tinham olheiras profundas e horríveis, a cor mel que ele costumava ter sumiu, agora é simplesmente uma cor castanho claro sem brilho. E minha boca, oooh, ela está em um estado deplorável, ela não tinha mais a cor rosada que costumava ter e ela está rachada, indicando que estava ressecada.
***
– Por que não diz logo adeus? Ou então volta a fazer esses vídeos? – Sam tenta me convencer a postar um novo vídeo no meu canal enquanto dava uma tragada do meu cigarro.
– Pelo simples fato de que eu não consigo. – Disse pegando meu cigarro de volta.
– Sam está certa, Emma. Seus fãs precisam de noticias suas. Você já viu a loucura que seu twitter está? – Tate disse enquanto mexia no meu iPhone vendo as notificações que tinha lá.
– Devia fazer o que seus amigos dizem, eles estão certos, coisa que na maioria das vezes não é verdade. – Alex disse aparecendo e se sentando no capo do seu antigo Impala 67 ao meu lado.
– Eu simplesmente não consigo, vocês sabem disso. – Disse para os três, mas meus amigos não sabiam do Alex ali.
– Nunca tentou para saber. – Tate falou acendendo um cigarro novo e dando a primeira tragada no mesmo.
***
– Oi gente. Bom, já se passou um ano, não é mesmo? E olha só, daqui alguns minutos já é natal. Yeeey. – Estava fingindo está animada na frente de uma câmera que está ligada. – Eu devo desculpas, mas eu realmente tenho minha justificativa, Alex morreu, e foi por minha culpa. – Eu comecei a chorar. – Tudo por culpa do meu presente, é tudo culpa minha. – Comecei a me desesperar. – SE NÃO FOSSE POR MIM, ELE NÃO TERIA MORRIDO. – Peguei um copo de vidro que tinha ali e taquei na parede, após isso desliguei a câmera, e comecei a procurar uma foto minha e de Alex, a ultima tirada no dia do meu aniversario, estávamos no shopping, sentados no colo do papai noel na manha do acidente, na manha do meu aniversario.
Ela estava ai, em baixo do meu celular. Peguei ela e fui para de baixo das minhas cobertas, não me importando se estava com aquele vestido vermelho estupido e aqueles saltos enormes que não me ajudava a crescer, eu só me importava em pedir desculpas para aquela foto, só me importava em pedir desculpas para ele.
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