I cant make you love me
16 Capítulo 16
Notas iniciais
– Ashton, levante desse chão. Vamos na praia. Estou passando pouco tempo com você. – disse ajudando ele a levantar.
– claro, só que preciso de água antes. – ele disse. Pude observar que ele tinha um envelope na mão, mas nem dei atenção.
– entra ai. Vou lá em cima buscar minha câmera. – disse subindo as escadas, mas voltei antes de terminar de subir. – Ash?
– hm. – ele respondeu bebendo água.
– ele disse que me ama.
– hoje?
– sim.
– AAAAAH. Vem cá, minha pequena. Tenho que te dar um abraço. – e assim eu fui.
– é bom te ter aqui comigo, sabe, como antes.
– mas sem a paixão de criança.
– é. Sem ela. Acho que se eu acreditasse em Deus poderia dizer que sou uma tremenda pecadora.
– oxi. Por que? – ele me perguntou.
– você era como meu irmão, e eu era apaixonada por você. – disse me justificando.
– digo o mesmo. Eca. E pensar que meu primeiro beijo foi com você, que nojo. – ele disse fazendo cara de quem comeu bosta e não gostou.
– EI. Eu nem beijei tão mal assim. – disse dando um tapa no seu braço.
– beijou sim. – ele começou a rir.
– cala a boca, foi meu primeiro beijo, Ash. – disse cruzando os braços.
– é brincadeira, besta. Vai pegar tua câmera e o skate que eu não estou nem um pouco afim de ir andando.
– eu nem almocei, eu quero pelo menos um biscoito. – disse tentando roubar um do pacote que ele havia pegado no armário, mas ele não deixou. – viado.
– baleia.
– gordo.
– feia.
– idiota.
– besta.
– mongoloide.
– esfomeada.
– sou mesmo, agora me da um biscoito.
– era pra você continuar a brincadeira.
– mas eu to com fome. – disse fazendo manha.
***
Eu conversei bastante com o Ashton sobre o pai dele, e ele me contou que estava tentando ser forte pela mãe dele, que estava acabada. Ele me contou que não foi para a escola por causa que ele tinha ido no hospital fazer uns exames sobre aquela dor que ele sentia. Andamos pela praia e ele me jogou na água a um minuto atrás, e agora, bom, eu estou afogando ele, ou pelo menos tentando, afinal, como uma menina de 1,47 vai conseguir afogar um menino de 1,83 de altura?
– está bem. Eu não consigo te afogar. – disse cruzando os braços.
– você é muito baixinha.
– mas sou feliz.
– também sou feliz sendo alto. – disse ele provocando.
– idiota.
– vamos tirar uma foto, vem. – ele falou pegando minha câmera, que era a prova d’água.
***
Saímos da água e o Ashton vestiu a blusa dele e pegou o envelope que ele tanto carregava, desde a minha casa.
– eu tenho que abrir esse envelope, e acho que deveria abrir do seu lado. – ele falou se sentando na areia.
– o que é? – disse curiosa.
– é a carta de uma das faculdades que eu me inscrevi. – olhei para ele assustada, afinal, ele não tinha me falado nada de faculdade.
– por que não me disse que tinha se inscrito em faculdades?
– porque era pra ser uma surpresa.
– essa é de onde? Dallas? Los Angeles? Washington? Toronto? – todas essas cidades eram as que tinham faculdades para engenharia ou Futebol Americano, que era o que ele queria fazer.
– Natal-RN. – olhei para ele assustada.
Natal era a cidade que eu morava quando fui para o Brasil, e eu nunca ia imaginar que ele poderia ter feito inscrição lá.
– Co-como? – eu realmente estava confusa com tudo isso.
– eu só queria te ver de novo, isso foi a uns três meses atrás, nem mesmo você sabia que ia voltar. Eu fiz curso de português por toda minha adolescência, só pra te ver de novo.
– então você se inscreveu, porem não passou pela sua cabeça a ideia de que eu poderia voltar. E você passou?
– eu não sei, mas eu já recebi resposta de Dallas, só que eu também não abri o envelope.
– e onde ele está?
– em casa. Eu provavelmente não passei.
– como assim? – eu estava confusa.
– o envelope é pequeno, esse também é, mas aquele é menor.
– para com isso. Talvez você passou em Dallas e em Natal não. Ou então passou nos dois.
– ou não passei em nenhum.
– deixe desse pensamentos negativos, Ash. E se não tiver passado não tem problema, você ainda tem que esperar a resposta de outras faculdades, vem, vamos pra sua casa pegar o envelope de Dallas.
***
– “caro Ashton.” – comecei a ler em alto e bom som. — “gostaríamos de informar que está aprovado para nossa faculdade. Suas aulas começaram dia 15 de fevereiro, porem precisamos que esteja aqui dia 10 para que possa fazer sua matricula e se acomode em um de seus apartamentos bla bla bla bla, sentimos a honra de ter um estudante como você cursando em algo que é realmente bom, bla bla bla bla bla.” – joguei o envelope no ar e o abracei.
– eu passei. – ele disse sem corresponder o meu abraço.
– passou. Não acredito. Você passou na melhor faculdade de Dallas. – falei mas ele ainda estava em choque.
– e na melhor de Natal. – wow. Agora quem está em choque sou eu.
Peguei o papel que estava na mão dele e comecei a ler. ELE PASSOU NA FACULDADE QUE EU SOU DOIDA PARA PASSAR. SEM OR (n/a: foi literalmente a faculdade a faculdade que eu sou doida para passar.)
– eu não acredito. Você vai para qual? – disse, e nesse momento veio a hipótese de que podemos nos separar de novo.
– eu n-não sei. Vou esperar a resposta das outras faculdades. Mas eu quero ir pra melhor que tem.
– estamos aqui abrindo os seus envelopes e eu ate hoje não recebi nenhuma resposta, só de Harvard. – assim que eu terminei de falar ele me olhou assustado.
– e você passou? Como assim não me disse nada?
– eu ia te falar ontem, mas ai rolou um acidente, que eu não estou muito afim de lembrar, e acabou que eu não falei para ninguém que eu recebi a carta, nem mesmo para o meu pai. – disse e pude ver que o Ashton abaixou o olhar.
– você deveria falar do envelope hoje, no jantar.
– é. Eu vou. Falando nele, sua namorada vai?
– não. Briguei com ela hoje.
– aaah. – antes que qualquer um dos dois pudéssemos falar algo meu telefone começa a tocar.
Ligação on
– Chris?
– amor, você não acredita no que eu tenho nas minhas mãos.
– você não foi pro treino não?
– fui não, rolou um incidente com minha mãe, mas isso não importa, foca no que ta acontecendo agora.
– tudo bem, conte-me.
– cartas. Eu fui aceito.
– aceito onde? – disse me assustando.
– FACULDADE, AMOR. FACULDADE.
– O QUE? – gritei, o que fez Ashton me olhar assustado.
– isso mesmo. Mas eu estou sozinho em casa, então você é a primeira a saber, tem como contar pro Ashton?
– conto sim. Mas me fala, quais são as faculdades.
– Columbia, e...
– VOCÊ FOI ACEITO NA COLUMBIA? TA BRINCANDO COMIGO NE?
– não, to quase morrendo aqui também. Mas me deixa falar qual foi a outra. Harvard, amor. Eu passei pra minha faculdade dos sonhos.
– Harvard? – repeti em choque. Será que eu conto? Mas e se não tiver passado?
– sim.
– nossa, amor. Parabéns. Bom, eu vou me arrumar para ir pro jantar.
– eu vou te buscar?
– não, nos encontramos lá, pode ser?
– pode
Ligação off
– o que foi? – Ash perguntou assim que eu desliguei o telefone.
– Chris passou em duas faculdades.
– quais?
– Columbia e Harvard. – assim que falei Harvard um sorriso se formou no rosto do meu querido amigo.
– ele e você vão para Harvard.
– não é certeza que eu vá.
– pensamentos positivos, Katherine.
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